sexta-feira, dezembro 08, 2017

Uma irritaçãozinha-inha-inha

Há em Portugal uma confusão, dos produtores, quanto ao vinho estar esgotado. Comunicam-no tantas e tantas vezes e muitos jornalistas e bloguistas caem nessa realidade – sem qualquer maldade.
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Estará esgotado no negócio do produtor. Certamente, os distribuidores compraram-no ou levaram-no numa promessa. 
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Mas os distribuidores não representam o consumidor final. Têm um palpite, intuem, acertam e falham. Claro que há quem tenha a capacidade de fazer marcas, recorrendo a diferentes modos: comunicação, publicidade, noticário, distribuidores, restauração, hotéis e grandes superfícies – em relações complexas e interligadas .
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Porém, o sucesso dum vinho – como qualquer outro produto – está na decisão de quem vai a uma loja e compra.
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É o consumidor final o responsável por o esgotar nas prateleiras ou tornar-se num mono e que, tantas vezes, regressa a quem o fez.
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E se um vinho retorna... está esgotado?
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Esta coisa causa-me uma irritaçãozinha-inha-inha. Mas não me tira o sono.

terça-feira, dezembro 05, 2017

Selecção de Enófilos Reserva Tinto 2013 + Selecção de Enófilos Branco 2016

Olá. Primeiro refiro-me a algo que não tenho, propriamente, nada a ver:
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– Achei os rótulos confusos. Não lhe encontro a marca, embora saiba quem os fez e que, certamente, os clientes do Intermarché o saibam o que estão a comprar. Mas isso não basta.
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Toda a parte visual me parece confusa – um refere DO Tejo e o outro apenas Bairrada. Mais não digo, porque não me enviaram as garrafas para avaliar o design funcional e a qualidade estética.
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Não sendo um cliente do Intermarché, o meu conhecimento da sua garrafeira é praticamente nulo. Porém, também não me pediram para ser consultor de vendas.
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Quando me dirijo a lojas desta cadeia de distribuição tem-me parecido haver uma aproximação aos produtos gastronómicos dos locais.
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O que tenho de referir é a qualidade dos vinhos. Tanto no Intermarché, como noutras empresas de distribuição, está a verificar-se um esforço para subir a qualidade dos vinhos de marca própria.
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A firma chamou duas empresas de referência, nas duas denominações de origem, para corporizarem o vinho da sua marca: Caves Primavera (Bairrada) e Quinta da Alorna (Tejo) – duas regiões que, até não há muitos anos, não tinham uma fama visivelmente reconhecida.
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O Selecção de Enófilos (branco) 2016 fez-se com uvas das castas fernão pires e moscatel graúdo. O Selecção de Enófilos (tinto) 2013 corporizou-se com touriga nacional, tinta roriz e baga.
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Não se está presente vinhos de qualidade excepcional – seria bizarro – mas com uma qualidade que, não só não envergonha ninguém, como traduz uma aposta em maior qualidade.
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Como é hábito, não dou indicações de relação entre a qualidade e o preço. O que posso dizer é que vale a pena dar atenção as estes dois vinhos, para depois sentenciar
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Selecção de Enófilos 2016
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Origem: Tejo
Produtor: Intermarché/Quinta da Alorna
Nota: 4,5/10
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Selecção de Enófilos
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Origem: Bairrada
Produtor: Intermarché/Caves Primavera
Nota: 4,5/10
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Nota: Estes vinhos foram enviados para prova pelo produtor.

domingo, outubro 29, 2017

Ferreirinha Porto Vintage Quinta do Porto 2015

O vinho que veio a seguir mereceu um preâmbulo idêntico. Aliás, um texto igual, só mudando as designações
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Cá vai:
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O que escrevo aqui é válido para qualquer Porto Vintage ou qualquer outro vinho.
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Como se deve classificar um vinho velho? Uns envelhecem bem, outros assim-assim e ainda outros mal. É sabido que o mesmo vinho em garrafas diferentes se pode comportar diferentemente – um fenómeno muito comum.
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Para acrescentar dificuldades, o modo de armazenamento determina muito do que será o resultado final. E, quanto mais velho, todas as condicionantes se pronunciam mais, para o bom e para o mau.
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Avaliar como? Como o vinho está ou como se espera que virá a estar? O miúdo malcriado poderá ser um adulto cuidadoso e o certinho transformar-se num imbecil.
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Para um Vinho do Porto ser declarado vintage é obrigatório cumprir um conjunto de especificações, avaliadas por um conjunto de peritos do Instituto dos Vinhos do Douro e Porto, a entidade de supervisão e de certificação.
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Claro, que os vinhos não têm todos a mesma qualidade. Mas com um patamar de exigências tão elevado…
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Vintage é sinónimo de data de colheita e modo de fabricação, não é de roupa ou de tralha – essas são velharias ou antiguidade. Os Portos Vintage devem ser consumidos com idade, de modo a sublimarem as suas características mais nobres. Como não vivemos numa ditadura do gosto, cada um aprecie como entender. Quanto a mim, a regra é do prazer.
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Um Porto duma só quinta significa o óbvio: vem de uma só propriedade. Para muitos, os vintage produzidos com vinhos de vários locais têm uma qualidade superior. Possivelmente, a excepção seja a Quinta do Noval.
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Realço aqui que já bebi Portos Vintage de várias quintas que eram inferiores aos produzidos numa só propriedade. Noto novamente que é um patamar onde só os melhores conseguem atingir.
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Um Porto vintage de 2015 é uma criança. Já gatinha, mas ainda é uma criança.
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O Porto Ferreirinha Vintage Quinta do Porto 2015 tem o que se exige… pleonasticamente uma grande complexidade, de aromas e paladares, componente táctil muito agradável e longo tempo do seu sentir na boca.
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Ora, o que acontece aqui? Hoje ou o amanhã? Digo acerca do hoje, até porque não é vintage qualquer vinho e peritos assim o entendem.
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Origem: Porto
Produtor: Casa Ferreirinha / Sogrape
Nota: 9/10
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Nota: este vinho foi enviado pelo produtor.

Sandeman Porto Vintage Quinta do Seixo 2015

O vinho que vem a seguir merece um preâmbulo idêntico. Aliás, um texto igual, só mudando as designações
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Cá vai:
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O que escrevo aqui é válido para qualquer Porto Vintage ou qualquer outro vinho.
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Como se deve classificar um vinho velho? Uns envelhecem bem, outros assim-assim e ainda outros mal. É sabido que o mesmo vinho em garrafas diferentes se pode comportar diferentemente – um fenómeno muito comum.
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Para acrescentar dificuldades, o modo de armazenamento determina muito do que será o resultado final. E, quanto mais velho, todas as condicionantes se pronunciam mais, para o bom e para o mau.
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Avaliar como? Como o vinho está ou como se espera que virá a estar? O miúdo malcriado poderá ser um adulto cuidadoso e o certinho transformar-se num imbecil.
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Para um Vinho do Porto ser declarado vintage é obrigatório cumprir um conjunto de especificações, avaliadas por um conjunto de peritos do Instituto dos Vinhos do Douro e Porto, a entidade de supervisão e de certificação.
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Claro, que os vinhos não têm todos a mesma qualidade. Mas com um patamar de exigências tão elevado…
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Vintage é sinónimo de data de colheita e modo de fabricação, não é de roupa ou de tralha – essas são velharias ou antiguidade. Os Portos Vintage devem ser consumidos com idade, de modo a sublimarem as suas características mais nobres. Como não vivemos numa ditadura do gosto, cada um aprecie como entender. Quanto a mim, a regra é do prazer.
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Um Porto duma só quinta significa o óbvio: vem de uma só propriedade. Para muitos, os vintage produzidos com vinhos de vários locais têm uma qualidade superior. Possivelmente, a excepção seja a Quinta do Noval.
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Realço aqui que já bebi Portos Vintage de várias quintas que eram inferiores aos produzidos numa só propriedade. Noto novamente que é um patamar onde só os melhores conseguem atingir.
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Um Porto vintage de 2015 é uma criança. Já gatinha, mas ainda é uma criança.
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O Porto Sandeman Vintage Quinta do Seixo 2015 tem o que se exige… pleonasticamente uma grande complexidade, de aromas e paladares, componente táctil muito agradável e longo tempo do seu sentir na boca.
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Ora, o que acontece aqui? Hoje ou o amanhã? Digo acerca do hoje, até porque não é vintage qualquer vinho e peritos assim o entendem.
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Origem: Porto
Produtor: Sandeman / Sogrape
Nota: 9/10
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Nota: este vinho foi enviado pelo produtor.

Quinta do Cardo Chardonnay Reserva 2015 + Quinta do Cardo Síria Reserva 2015 + Quinta do Cardo Vinha de Lomelo 2014 + Quinta do Cardo Rosé Reserva Caladoc 2015 + Quinta do Cardo Reserva Tinto 2014 + Quinta do Cardo Vinha do Castelo 2014

Não sei se felizmente ou se infelizmente, a região da Beira Interior é pouco notada e, por isso, deficientemente valorizada.
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A formulação é retórica. Não é porque sai mais barato ao consumidor que o preço é justo para quem compra – como em tudo na vida – pois alguém não aufere o que deveria, é algo que pessoalmente, é um preconceito moral meu. Para mim, os bons negócios são proveitosos para todos, por isso gostaria que subissem os valores dos vinhos desta região.
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Quando me refiro à região vitivinícola da Beira Interior tenho de realçar que é mais uma excentricidade da nomenclatura burocrática. As duas áreas que permitem a denominação de origem controlada não têm nada a ver. É uma bizarria.
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A que viso neste texto é a setentrional. O solo granítico e os 750 metros de altitude funcionam generosamente no sentido da qualidade. Curiosamente, embora estes, agora comentados, sejam monovarietais, comportam-se dum modo mais interessante e complexo do que muitos monocasta.
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Há muitos anos que os vinhos de síria desta propriedade estão nos meus brancos favoritos. Esta propriedade – localizada mais a Norte – dá vida a vinhos muito minerais e com excelente frescura. Se são muito felizes no nariz, mais o são na boca. Por mim, os brancos tendem a estar acima dos tintos. Do caraças!
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A herança de João Corrêa e Nuno do Ó está bem entregue. A dois grandes enólogos sucederam dois outros de grande competência e, atrevo-me, alguma irreverência: Luís Leocádio e Frederico Vilar Gomes.
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Vou aos brancos.
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O Quinta do Chardonnay Reserva 2015 tem uma qualidade excepcional, mas não me sinto grande fã desta casta francesa em Portugal. Isso vale o que vale e reconheço que tenho bebido alguns com muito bom prazer.
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Aliás, aqui penso tratar-se de desperdício de natureza, pois considero que outras uvas podem dar vinhos mais interessantes e prazenteiros. Realço o que sempre disse: no blogue reina assumidamente o meu gosto pessoal, sendo que evito prejudicar vinhos com qualidade, em que patamar esteja.
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Ora, o Quinta do Cardo Chardonnay Reserva 2015, apesar dos solos e da altitude, pesou-me um pouquinho na boca. Metade fermentou quatro semanas em barricas novas de carvalho francês. O conjunto estagiou por dez meses em madeira, com battonâge quinzenal.
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O Quinta do Cardo Síria Reserva 2015 é um vinho em que a mineralidade quase explode, mas conta, como auxiliares de frescura, notas cítricas e uma finura de ervas de verde feliz – sei lá como explicar, isto das ervas… se as vir poderei mostrá-las.
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Algumas notas fumadas acrescentam-lhe complexidade e aquela gulodice – não é doçura – que nos senta à mesa. Um terço deste vinho fermentou em barricas de carvalho francês. O todo estagiou nessa madeira por dez meses, com battonâge regular – designação da empresa.
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O Quinta do Cardo Vinha de Lomelo 2014 foi todo feito com uvas síria. Fermentou totalmente em barricas de carvalho francês, durante quatro semanas. Estagiou 22 meses em barricas com battonâge regular. Está… está… sei lá…
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Tendo os investimentos enológicos no Cardo Vinha de Lomelo 2014 sido superiores aos do que no Quinta do Cardo Reserva 2015 – certamente também em valor traduzível em euros –talvez seja injusto atribuir-lhes a mesma nota… porém… são regras daqui da casa.
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Agora, o rosado. Blá, blá, blá, os rosés são todos iguais, blá, blá, blá são todos doces, blá, blá, blá o estágio em madeira estraga-os… conversa. Ou seja, três momentos referentes a três grupos de gente preconceituosa.
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Ora, o Quinta do Cardo Rosé Reserva Caladoc 2015 manda calar uma série de gente. Um terço do vinho fermentou em barricas de carvalho francês. Estagiou dez meses em barricas de carvalho francês, com battonâge regular.
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O Quinta do Cardo Reserva Tinto 2014 é um monovarietal de touriga nacional. Certamente pela altitude, climatologia e solos, não lhe senti nem o exagero de violetas, duns locais, nem das compotas e geleias, doutros sítios.
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Fresco, sem a frutinha e as florezinhas que me desgostam, apresenta-se complexo, duradouro e a exigir mesa. Fez a fermentação maloláctica em inox e o vinho seguiu para barricas de carvalho francês durante 20 meses, sendo metade em recipientes novos.
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O Quinta do Cardo Vinha do Castelo 2014 fez-se totalmente com uvas de tinta roriz. Aqui as uvas foram pisadas a pé. Fermentou por oito dias – em recipiente não especificado – e estagiou 22 meses em barricas de carvalho francês.
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Quinta do Cardo Chardonnay Reserva 2015
Origem: Beira Interior
Produtor: Agrocardo
Nota: 6/10
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Quinta do Cardo Síria Reserva 2015
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Origem: Beira Interior
Produtor: Agrocardo
Nota: 8/10
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Quinta do Cardo Vinha de Lomelo 2014
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Origem: Beira Interior
Produtor: Agrocardo
Nota: 8/10
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Quinta do Cardo Rosé Reserva Caladoc 2015
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Origem: Beira Interior
Produtor: Agrocardo
Nota: 7/10
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Quinta do Cardo Reserva Tinto 2014
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Origem: Beira Interior
Produtor: Agrocardo
Nota: 7,5/10
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Quinta do Cardo Vinha do Castelo 2014
Origem: Beira Interior
Produtor: Agrocardo
Nota: 8/10
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Nota: Estes vinhos foram enviados para prova pelo produtor.

sexta-feira, outubro 27, 2017

CARM Branco 2016 + CARM Tinto 2014

O que eu gosto do Douro, de quem o respeita e mantém um patamar regular de qualidade, evitando desilusões – obviamente respeitando as características dos anos.
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Dois vinhos da Casa Agrícola Reboredo Madeira, com sede rural em Almendra, terra de azeitonas e amêndoas. Vinhos com uma quentura que se pressente, mas não escalda, pela sua frescura natural.
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O CARM Branco 2016 fez-se com uvas rabigato (45%), códega do larinho (30%) e viosinho (25%). Este vinho não teve qualquer estágio em madeira, tendo permanecido em cubas de inox.
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CARM Tinto 2014 é resultado da junção de touriga nacional (40%), tinta roriz (30%) e touriga francesa (30%). Este vinho esteve em estágio oito meses em barricas de carvalhos americano e francês.
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Ambos têm frescura, pressentida e verdadeira, no nariz e na boca. O branco é menos complexo, o que não será alheio a não passagem por barricas ou outros xilodepósitos. Confesso-me apreciador de madeira. Achei o branco menos interessante do que o tinto, com maior estrutura e longevidade na boca.
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CARM Branco 2016
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Origem: Douro
Produtor: Casa Agrícola Reboredo Madeira
Nota: 5,5/10
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CARM Tinto 2014
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Origem: Douro
Produtor: Casa Agrícola Reboredo Madeira
Nota: 6,5/10
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Nota: Estes vinhos foram enviados para prova pelo produtor.

terça-feira, outubro 24, 2017

João Portugal Ramos – 25 anos

O que significam 25 anos? A actividade, em nome próprio, de João Portugal Ramos chegou ao quarto de século. Dito só assim, esse tempo não é muito significativo. Todavia, em tal período pode acontecer muita coisa.
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Ser-se um bom profissional implica conhecimento, arma para abordar o fácil, o aborrecido, o complicado… Não sei qual o trabalho em que se sente mais desafiado nem o que sente maior pressão ou tem maior prazer. Seja qual for, reconhecemos-lhe a competência.
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Há um momento de não retorno – em tudo – sob pena de dissabores. Chega-se a um sítio e não se pode recuar – desistência ou afrouxamento significam estatelar-se – nem parar, implicando trabalho difícil e esforçado.
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João Portugal Ramos é responsável por vinhos que, por venderem muito, lhe colocam a responsabilidade de não poder desiludir o consumidor, um peixe muito escorregadio, se não se agarra bem alguém o irá pescar. Ou seja, qualidade e fiabilidade.
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Está também obrigado a fazer vinhos em que se exige a expressão do ano, das suas dificuldades e virtudes, e da terra onde as videiras se prendem.
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O que significam 25 anos? Comecei a ouvir falar de João Portugal Ramos quando ainda era pouco mais do que um miúdo e começara a beber vinho. Nesses anos, não havia muitos enólogos nem os vinhos tinham a qualidade que hoje têm e que, felizmente, existe em todo o país.
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Para mim, mais do que os 25 anos, conta o percurso iniciado em 1980 – tinha dez anos e estava mais a Oriente do que Leste. Obviamente, João Portugal Ramos não inventou o prazer do vinho, mas é um dos que contribuíram para o bom humor dos enófilos.
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Deu um empurrão ao Alentejo e ajudou a criar referências no Ribatejo – à época significava oceanos de vinho a tostão. Multiplicou-se para percorrer o país. O que significam 25 anos? Mais do que a sua empresa ou a qualidade que levou a muitas casas. É a sua soma, ser uma referência. Actualmente está no Alentejo, Beiras, Douro, Tejo e Vinho Verde.
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Faz um dos maiores tintos portugueses – que na minha lista está entre os cinco primeiros: Quinta de Foz de Arouce Vinhas Velhas de Santa Maria.
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Para uma empresa atingir 25 anos de vida não basta ser-se bom gestor. O produto tem de ser bom e a casa bem gerida. Ninguém tem o dom da ubiquidade nem há super-homens e são poucas as coisas em que um só homem fazer sozinho. João Portugal Ramos tem tido o saber de se rodear por um conjunto de profissionais com grande valência técnica. Perdoem-me todos os outros, mas a aliança com José Maria Soares Franco – outra grande referência – comprova o querer fazer sempre melhor.

segunda-feira, outubro 16, 2017

José de Sousa 2015 + José de Sousa Mayor 2015 + J de José de Sousa 2014 + Puro Talha Branco 2015 + Puro Talha Tinto 2015

A fabricação de vinho em recipientes de barro tem séculos e não é exclusivamente portuguesa. Contudo, o processo não deixa de estar na tradição alentejana – cuja introdução é geralmente atribuída aos Romanos.
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O método caiu em desuso e perdeu-se o conhecimento de produção das talhas. Como resultado, quem as quiser tem de as comprar a preços, que dizem, elevados.
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Nada que não se resolva, pois no Cáucaso – onde se vinifica em grandes ânforas – ainda são moldadas. Digo com a certeza dos ignorantes, é só contratar um artesão e levá-lo ao Alentejo.
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A produção de vinho em talha é residual, mas tornou-se num interessante produto de marketing. Há lotes parcialmente feitos nesses depósitos – alguns com décadas, como nesta casa, onde não se trata de mero argumento comercial – e quem se aventure na totalidade do processo.
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Os puristas afirmam que engarrafar vinhos de talha é uma modernice, que não tem qualquer referência histórica nem tradição. Dizem que a verdade habita nas tabernas alentejanas.
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Essa é discussão em que não me meto. Sei que o vinho vindo da talha é diferente e que acrescenta paixão aos enófilos.
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A firma José Maria da Fonseca há muitos anos que utiliza vinho em talha para fazer o lote do José de Sousa. Agora, apresenta um branco e um tinto integralmente produzidos nas ânforas. O resultado é muito feliz, não apenas pela diferença, mas também pela qualidade formal.
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Os Puro Talha Branco 2015 e Puro Talha Tinto 2015 foram apresentados conjuntamente com as novidades aneiras da José Maria da Fonseca. O momento de debutar assinalou também uma recolocação da Adega José de Sousa na empresa-mãe. A ideia é a de autonomizar a marca, aproveitando a tradição identitária e reputação da casa alentejana.
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Esta decisão vem fazer justiça, pois a Adega José de Sousa é uma casa quase tão antiga quanto a José Maria da Fonseca – a alentejana reporta a 1878 e a de Azeitão a 1834 –, com carácter próprio e reputação de qualidade.
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O José de Sousa 2015 é fiável – se há algo que muito aprecio é a fiabilidade. Chateiam-me aqueles vinhos (referências) que umas vezes são bons e noutras resultam maus. Isso não tem nada a ver com os anos, mas com a consistência.
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Certamente que uma referência tão antiga conheceu alterações com o tempo. É mais do que provável subtis correcções de perfil do vinho. Os consumidores substituem-se, mas outros mantêm-se. Compreendo que agradar aos habituais e não deixar de seduzir os novos não seja tarefa fácil. Aqui há ainda o respeito pela variação dos anos, mantendo-se o patamar da qualidade.
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O José de Sousa 2015 é uma junção das castas grand noir (52%), trincadeira (33%) e aragonês (15%). Estes vinhos fazem parte da minha memória. Nunca conseguirei ser totalmente isento na avaliação – refiro-me ao gosto pessoal e com rótulo à vista. A parcialidade, no blogue, é assunto reconhecido e assumido por mim. «Cientificamente» é igualmente um vinho de grande qualidade. Ponderando, sinto-lhe o mesmo nível, tanto na a emoção quanto na frieza.
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Embora o lote se tenha feito com as mesas castas, a personalidade do José de Sousa Mayor 2015 é diferente: grand noir (58%), trincadeira (30%) e aragonês (12%). Noto-o mais fresco, complexo e longo na boca face ao anterior.
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 J de José de Sousa 2014 é um grande vinho em qualquer parte do mundo. Este não foi da única colheita que bebi, este pareceu-me estar mais alto. Porquê? Por todas aquelas coisas que têm vinhos superiores: complexidade aromática e de paladar, evolução no copo, comportamento e demora na boca. Essas coisas.
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Parece-me que chegou, ou vai chegando, a moda da mineralidade. Os vinho da José de Sousa sempre tiveram essa característica, herdada dos solos graníticos de Reguengos de Monsaraz. Os Puro Talha têm o acrescento das notas barrentas, atribuídas pelas ânforas, e de salinidade.
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A malta da ciência encartada e a da verdadeira ciência aqui não é chamada, ou então guarde a sapiência exacta na bata laboratorial ou na dos equívocos. Não sei como avaliaria estes vinhos de talha se me aparecessem às cegas.
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São estranhos. Não só os artesanais não se parecem com nada, como estes, construídos por gente séria e competente, também não se parecem com coisa nenhuma. Sabia o que estava a provar, depois beber, e houve erros de paralaxe – não duvido, é a emoção. Contudo, a qualidade formal está lá.
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Quero lá saber das formalidades! Aqui no blogue reina o sentimento. Com tempero de sensatez – nunca pontuei mal um vinho bom e que não me agradasse na boca e no nariz –, digo que são dois belíssimos vinhos estranhos. Um enófilo curioso e/ou com vontade de aprender, tem de conhecer os Puro Talha, pois são muito didácticos.
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Na Adega José de Sousa existem 114 talhas – um tesouro, literal em valor em euros e enológico. Os dois Puro Talha fizeram-se mantendo a tradição do mandar tudo lá para dentro. O branco fez-se com antão vaz, diagalves e manteúdo, em proporções não especificadas. O tinto com grand noir (50%), trincadeira (30%), aragonês (10%) e moreto (10%).
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José de Sousa 2015
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Origem: Regional Alentejano
Produtor: José de Sousa / José Maria da Fonseca
Nota: 7/10
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José de Sousa Mayor 2015
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Origem: Regional Alentejano
Produtor: José de Sousa / José Maria da Fonseca
Nota: 8/10
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J de José de Sousa 2014
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Origem: Regional Alentejano
Produtor: José de Sousa / José Maria da Fonseca
Nota: 9/10
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Puro Talha Branco 2015
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Origem: Alentejo
Produtor: José de Sousa / José Maria da Fonseca
Nota: 8/10
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Puro Talha Tinto 2015
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Origem: Alentejo
Produtor: José de Sousa / José Maria da Fonseca

Nota: 8/10

Ervideira – Prova comparativa dos «Vinho da Água» e dos que estagiaram à superfície

Duarte Leal da Costa não tem só um apurado sentido comercial e de promoção. Mais do que coisas conhecidas da tribo do vinho, o homem da Ervideira arrisca. Felizmente, para ele e para quem prova e bebe, os resultados são positivos.
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Assumo-me céptico – muitas vezes com incredibilidade peremptória – e pessimista. Quando Duarte Leal da Costa depositou umas garrafas de vinho sob a água da barragem de Alqueva disse:
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– Ah e tal! Condições controladas cá fora dão o mesmo resultado! É golpe para vender vinho.
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Marketing não é pecado nem crime. Disse isso porque sinceramente acreditava que se tratava apenas duma boa iniciativa de promoção.
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Como é recorrente, a realidade bateu-me à porta e esbofeteou-me. Vermelho da vergonha e da pele escaldante dos estalos, assumo que, provados, os vinhos que ficaram guardados à superfície e os mergulhados… estão diferentes.
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Tantas e tantas vezes repito uma mínima parte d’ Os Lusíadas. Digo-o para mim, para que me mantenha céptico – não quanto à ciência – relativamente a mim e que tenha abertura de espírito para compreender o que se diz diferente ou novo.
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Os sábios do século XVI – como anteriores e futuros – desdenharam do que desconheciam. Os marinheiros eram homens duros e dados à fantasia. O fogo de Sant’Elmo era uma patranha. Embarcado, Luís de Camões testemunhou várias dessas supostas invenções. Por isso escreveu as maravilhas fabulosas, sentenciando:
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– Vejam agora os sábios na escritura / que segredos são estes da Natura.
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Sabendo que os vinhos são os mesmos, as condições de luz e quietude idênticas. No solo, a temperatura de arranque estava a 13 graus e foi até aos 20, e os submersos mantiveram-se a 17 graus. Duarte Leal da Costa referiu existirem condições de humidade comparáveis. As garrafas eram idênticas. Obviamente, a pressão é diferente – quatro quilogramas mais nos aquáticos. Os níveis de acidez mantiveram-se, tal como os de açúcar.
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– O que determina as diferenças?
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– Serão as nuances suficientes para as alterações? Quais ou em conjugação?
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Não se sabem as razões, mas há quem esteja a fazer um mestrado tendo este assunto como tema.
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Os primeiros em prova não eram exactamente idênticos. Os espumantes comparados foram três:
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– Vinha d’Ervideira Espumante 2015.
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– Vinho da Água Espumante 2015 – maturado com degorgement.
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– Vinho da Água Espumante 2015 – maturado com leveduras.
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O primeiro mostrou-se muito fresco, com notas de maçã reineta caramelizada. O segundo estagiou a 30 metros de profundidade e estava mais guloso. O terceiro registou a segunda fermentação sob a água e tornou-se mais complexo, em aromas e sabores.
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Quanto aos brancos tranquilos, provaram-se:
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– Conde d’Ervideira Reserva Branco 2015.
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– Vinho da Água Branco 2015.
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Também aqui, o mergulhado ganhou complexidade e registaram-se acrescentos de frescura e vivacidade, mais gastronómico.
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Os tintos em avaliação foram quatro:
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– Conde d’Ervideira Reserva Tinto 2014.
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– Vinho da Água Tinto 2014.
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– Conde d’Ervideira Reserva Tinto 2015.
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– Vinho da Água Tinto 2015.
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As conclusões não divergiram! Maior frescura, maiores complexidades de aromas e sabores, mais prazenteiros, com uma gulodice – não derivada de doçura – incrível.
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– Vejam-me agora tolo da escritura / que segredos são estes da Natura.
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Duarte Leal da Costa, obrigado por esta tareia no meu preconceito!

Fiuza Chardonnay 2016 + Fiuza Rosé 2016

A região do Tejo tem conhecido uma assinalável melhoria. Não só da percepção, mas sobretudo da qualidade – o que alimenta a reputação.
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Ainda o Tejo era Ribatejo – designação com má fama – e já a Fiuza & Bright produzia vinhos de qualidade. Não foi a única pioneira, mas, puxando pela cabeça, lembro-me de mais quatro casas. Possivelmente estarei a ser injusto, mas é a memória:
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– Quinta da Alorna, Casal Branco, Casa Cadaval e DFJ.
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Com o tempo foi aparecendo mais gente com espírito de trabalhar para a qualidade. Chegaram empresas doutras regiões, formaram-se grandes produtores, cooperativas mais empenhadas e surgiram pequenas adegas de projecto de enólogo.
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Até há uns anos – nem muito distantes – o modelo era conseguir grandes quantidades, para as garrafas serem vendidas a preço de saldo.
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De há uns anos para cá, mudou muita coisa. Não apenas a alteração da designação. As vinhas deixaram os terrenos mais ricos, que possibilitavam as grandes quantidades, e os mais pobres receberam-nas.
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Não gosto – muito raramente refiro ­– de abordar a questão do dinheiro. Cada um tem o seu gosto, sabe do recheio da sua carteira e tem o seu limite de predisposição a gastos. Por isso, considero que estabelecer relação entre a qualidade e o preço é tarefa apenas pessoal e, quanto a mim, abusada quando não referente a quem a diz.
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Contudo – não me referindo especificamente a marcas e regiões – vejo no Tejo vinhos com valores muito moderados. Acabo aqui o tema.
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Enviaram-me dois vinhos, um branco e um rosado, para acompanhar sushi, que chegou na mesma encomenda.
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Uma vez que não como peixe, a maridagem foi avaliada por pessoas que convidei. Fugi e não toquei na garrafa de branco. Garantiram-me que comportamento foi muito bom, muito feliz. Aliás, ninguém se arriscaria a inventar um casamento entre comida leve e um tinto pesado – obviamente, um trabalho profissional!
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O rosado foi bebido depois – pela sua doçura, achei-o mais para convívio descontraído do que para acompanhar uma refeição.
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Foram eles:
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– Fiuza Chardonnay 2016 – que estagiou dois meses em barricas de carvalho.
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– Fiuza Rosé 2016 – lote de cabernet sauvignon e touriga nacional.
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Ambos com saudáveis taxas de álcool; o branco 12,5% e o rosé 11,5%.
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Visto não ter tocado no chardonnay e não poder também fazer justiça à ligação do peixe com o rosado, vou abster-me de atribuir notas.
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Nota: Os vinhos foram enviados para prova pelo produtor.

domingo, outubro 15, 2017

Tons de Duorum Branco 2016

O calendário manda, mas São Pedro desmanda. Outubro e temperaturas de Junho e Julho e não chove.
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Se o Verão formalmente acabou, não deixa de ser tempo para um vinho branco leve. Aliás, embora a natureza enquadre os desejos, a vida seria muito austera se nos agarrasse-mos à formulação dos brancos para o estio e os tintos para o frio.
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Passando os considerandos, o Tons de Duorum Branco 2016 mantém-se fiel ao estilo e à qualidade. Um vinho descontraído, que não é de piscina. Contudo, também refresca um começo de conversa antes da mesa.
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Tons de Duorum Branco 2016
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Origem: Douro
Produtor: Duorum Vinhos
Nota: 5/10

Adega Mayor Pinot Gris 2016

Dez anos é muito ou pouco? A Adega Mayor foi fundada em 2007 e é uma referência.
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Dez anos é muito ou pouco? Mudou de enólogo e a qualidade mantém-se, em consistência e respeito pela diversidade dos anos.
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Uma década depois, a Adega Mayor reviu o grafismo da identidade. Deu a conhecer em Lisboa os novos vinhos.
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Os Caiado, na entrada de gama, estão bem fixos, mantendo-se apelativos e descontraídos.
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Os monovarietais – Adega Mayor Pinot Gris, Adega Mayor Pinot Noir, Adega Mayor Touriga Nacional, Adega Mayor Verdelho, Adega Mayor Viognier – estão com um andamento de prazer e revelando-se didácticos, para compreender cada uma das variedades.
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Acima, os Adega Mayor Reserva do Comendador e Adega Mayor Grande Reserva Pai Chão são incontornáveis quando se enumeram os grandes vinhos alentejanos.
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Em Junho, a Adega Mayor teve uma loja-breve, surgida para mostrar experiências na ligação do vinho com a comida de talheres, sendo esta servida directamente na mesa. Desse momento, já findo, ficou-me um vinho a repetir o seu nome.
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Em Junho, provada a gama, a surpresa foi uma não-surpresa – já me convenci e habituei. Os monovarietais no nível da excelência e os de cima no patamar fantástico, estando o Pai Chão um pouco acima do Reserva.
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Contudo, houve mesmo uma revelação. O Adega Mayor Pinot Gris 2016 deu cabo do meu coraçãozinho!
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Adega Mayor Pinot Gris 2016
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Origem: Regional Alentejano
Produtor: Adega Mayor
Nota: 8/10

Monólogo Arinto 2016 + Monólogo Avesso 2016 + Monólogo Chardonnay 2016

Vieram-me novos três Monólogos, vinhos da região dos Vinhos Verdes, sendo que um está classificado como Regional Minho, derivado de ter sido feito com uma casta não aceite para denominação de origem.
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Depois dos 2015, vieram os 2016. Provados uns e outros, consultada a memória e revendo os apontamentos, acho-os consistentes. As colheitas, por mim, conhecidas apresentam uma continuidade de perfil. O que é bom. Mas mostram as diferenças dos anos, o que é melhor.
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Feito o balanço, mantenho as avaliações.
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Monólogo Arinto 2016
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Origem: Vinhos Verdes
Produtor: A&D Wines
Nota: 6,5/10
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Monólogo Avesso 2016
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Origem: Vinhos Verdes
Produtor: A&D Wines
Nota: 6,5/10
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Monólogo Chardonnay 2016
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Origem: Regional Minho
Produtor: A&D Wines
Nota: 6/10
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Nota: Estes vinhos foram enviados para prova pelo produtor.

sábado, outubro 14, 2017

Hexagon Tinto 2009

O Hexagon tornou-se em conversa recorrente cá em casa. Desde o primeiro que me espanto e deixo os convidados a sorrir. O tinto de 2009 não poderia ter outra sina.
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Hexágono porque as uvas são seis e vêm de seis sítios, todos na região da Península de Setúbal. A equipa é formada por syrah, tannat, tinto cão, touriga francesa – o mestre Domingos Soares Franco tem razão em a chamar assim, como fora antigamente –, touriga nacional e trincadeira.
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Encheram-se muito poucas garrafas, apenas 9.100. São 0,75 litro de prazer complexo, duradouro e que se vai modificando com o tempo no copo.
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Hexagon Tinto 2009
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Origem: Regional Península de Setúbal
Produtor: José Maria da Fonseca
Nota: 9/10 

sexta-feira, outubro 13, 2017

Vinhos de homenagem da Casa Ferreirinha

Só se é grande depois da matéria do corpo se diluir na natureza. Homenageá-los é também uma celebração aos que lhe sobreviveram ou continuaram. Quando em vida se transmite a obra a quem lhe dá seguimento é uma dádiva.
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O marquês de Pombal criou a demarcação do Douro e Dona Antónia Adelaide Ferreira matou a fome às gentes empobrecidas pelos malogros do vinho, o que lhe valeu a alcunha terna de «Ferreirinha».
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Pessoas com essa dimensão são raras. Todavia, há também quem marque e molde, herdeiros e testamenteiros. A Sogrape lançou dois vinhos de homenagem:
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– Casa Ferreirinha – Antónia Adelaide Ferreira Douro DOC Tinto 2013
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– Legado Tinto 2012
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O primeiro lembra a visionária e poderosa lavradora duriense. O segundo é a bênção do Senhor Fernando Guedes a quem ama.

Moscatel de Setúbal de 1911

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Por um Moscatel de Setúbal de 1911 vendo a alma ao Diabo. Mas não a entrego, para que me pague o dobro e assim possa sentir esse vinho, mas ido e regressado além do paralelo do Equador.
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O Navio Escola Sagres levou um casco desse vinho, um de Bastardinho de 2011 e um Moscatel de Setúbal de 2016 – todos da firma José Maria da Fonseca. O objectivo é o de os comparar com os iguais que permaneceram nas caves – embora se saiba, desde há muitos anos, que os torna-viagem evoluem diferentemente.
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O comércio da alma é possível? Sábios de várias cátedras, sacerdotes de diversos ritos, escritores, especuladores e vigaristas disseram, ao longo dos séculos, que sim. Até há livros que ensinam as fórmulas e os procedimentos.
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O problema é que não sou Fausto e o Diabo não existe.
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Dr. Fausto pintado por Georg Friedrich Kersting.
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Contrato celebrado entre o Diabo e Urban Grandier, sacerdote católico sentenciado à morte, na fogueira, por bruxaria.

Colinas do Douro Colheita Tardia 2015 + Colinas do Douro Superior Branco 2015 + Colinas do Douro Verdelho 2015 + Colinas do Douro Branco Reserva 2015 + Colinas do Douro Superior Rosé 2015 + Colinas do Douro Tinto 2015 + Colinas do Douro Reserva Tinto 2015 + Quinta da Pedra Cavada Grande Reserva 2012

A firma Colinas do Douro é recente, mas começa bem. Situa-se no Douro Superior, mas próxima da Beira Interior. Quer isto dizer que o chão não é totalmente de xisto, mas também de granito. Estas duas pedras conjugadas com a altitude traduzem-se em complexidade e frescura.
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Conheci este produtor no Festival do Vinho do Douro Superior de 2017, que se realizou em Foz Côa, entre 19 e 21 de Maio. A firma deu a conhecer os seus vinhos, mas pouco mais se divulgou. O balanço é muito positivo.
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Jorge Rosa Santos, que se projectou no produtor Casal de Santa Maria, é o responsável técnico da Colinas do Douro Superior. O trabalho em Colares foi muito elogiado e, agora no Douro, e certamente continuará a ser no Douro.
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Tanto os brancos quanto os tintos mostraram-se muito gastronómicos, com frescura e elegância. Conhecendo-os na boca bem se entende que espelham essa terra de transição.
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O Quinta da Pedra Cavada Grande Reserva 2012 é um grande vinho, com a alma do Douro.
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Colinas do Douro Colheita Tardia 2015
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Produtor: Colinas do Douro
Nota: 6/10
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Colinas do Douro Branco 2015
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Origem: Douro
Produtor: Colinas do Douro
Nota: 6/10
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Colinas do Douro Verdelho 2015
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Origem: Douro
Produtor: Colinas do Douro
Nota: 5,5/10
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Colinas do Douro Branco Reserva 2015
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Origem: Douro
Produtor: Colinas do Douro
Nota: 7/10
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Colinas do Douro Rosé 2015
Origem: Douro
Produtor: Colinas do Douro
Nota: 5,5/10
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Colinas do Douro Tinto 2015
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Origem: Douro
Produtor: Colinas do Douro
Nota: 6/10
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Colinas do Douro Reserva Tinto 2015
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Origem: Douro
Produtor: Colinas do Douro
Nota: 7/10
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Quinta da Pedra Cavada Grande Reserva 2012
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Origem: Douro
Produtor: Colinas do Douro
Nota: 8/10

Taylor's 325

Quando era miúdo adorava ficar a ouvir os velhos, com as suas conversas verdadeiras, equívocas e aldrabadas. Não gosto que me mintam, mas adoro que me falem de países antigos, meninices distantes e episódios de capa-e-espada.
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A História e a Estória são irmãs. Nada como a verdade. Nada como a fantasia. Nada como o plano inclinado entre o Sol e a Lua. O que seria da rectidão sem a mentira? O honesto amanuense não tem de contar, mas o bandido é complexo.
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Nas caves das firmas mais antigas de Vinho do Porto vivem fantasmas, que guardam tonéis e lhe subtraem gotas. Os papéis são testemunhos e a história que se conta das casas está iluminada pelos mitos do tempo.
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Ninguém quer saber de quando as empresas inglesas traziam lã e levavam vinho. A história é conhecida sem que esteja escondida. Os porões dos navios, cheios com garrafas, são muito mais interessantes do que fardos de pêlos e carvão.
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A Taylor’s, uma das mais antigas firmas britânicas completa 325 anos de história. Em 1692, Sebastião José de Carvalho e Melo, que viria a criar a demarcação do Douro (1756), não tinha nascido (1699). Nem mesmo tinha sido assinado o Tratado de Methuen (1703), que estabeleceu primazia aos trapos britânicos e ao vinho português.
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As datas são para se celebrarem, como as tradições são para se cumprirem e se desfazerem. O lembrar dos 325 anos fez-se com um vinho tawny, engarrafado na réplica possível – o artesanato tem a perfeição da imperfeição – das usadas no comércio antigo.
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Conhecida pelos seus vinhos de categoria superior, a Taylor’s criou uma edição especial e limitada, resultado da junção de vinhos com idades diferentes, dos dez aos 40 anos de espera em grandes cascos de madeiras nobres.
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Mereceu ainda o direito de ostentar as armas reais britânicas.
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Porque parte significativa da sua história se passou no mar, a Taylor’s patrocinou o velejador Ricardo Diniz, na prova Original Singlehanded Transatlantic Race, que se realiza de quatro em quatro anos. O veleiro Taylor’s 325 cumpriu a recriação das viagens entre Gaia e Londres.
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Taylor’s 325
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Origem: Porto
Produtor: Taylor’s / The Fladgate Partnership
Nota: X/10
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sábado, setembro 30, 2017

Monte da Ravasqueira Vinha das Romãs 2014

Queira-se ou desqueira-se, somos condicionados pela meteorologia. Aproxima-se tempo fresco – espero que bem molhado, a terra precisa – e o corpo dá sinais de preferência por comida mais enfartante e vinhos mais substanciais.
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Apresentado em Março – em claro contraciclo do que é hábito, em que se apresentam as novidades para o Verão – o Vinha das Romãs 2014 começa agora a fazer sentido. Não digo isto para me justificar pela demora na escritura desta crónica.
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É um vinho com estrutura e acidez, ideal para quando se deixa o frescor ou o frio do outro lado da vidraça e se põem à mesa aquelas coisas que nos engordam. Perdura nos sentidos.
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Não há vitivinicultor que não diga que tem, pelo menos, um terroir na sua propriedade. Não há produtor alentejano que não garanta que a sua parcela é um outro Alentejo. Às vezes é verdade.
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A altitude, a composição do solo e a orientação natural conferem a esta propriedade, situada no concelho de Arraiolos, diferenças. O espaço da vinha das romãs – assim nomeada por nesse sítio ter havido um pomar de romaneiras – é singular dentro do mesmo domínio.
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O Vinha das Romãs 2014 é um lote de duas das minhas castas tintas preferidas, a syrah e a touriga francesa. Todo estagiou 20 meses em barricas novas de carvalho francês.
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Tem vida pela frente.
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Origem: Regional Alentejano
Produtor: Monte da Ravasqueira
Nota: 8/10
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Nota: Este vinho foi enviado para prova pelo produtor.

sexta-feira, setembro 29, 2017

Santa Vitória Branco 2016 + Inevitável 2015

Por vezes surpreendo-me com as certezas. Certamente por desatenção e alguma preguiça – na vida e no vinho. Quando me esqueço, fica algo por questionar. Felizmente tenho memória e constato esta falha.
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Vítimas disso são os vinhos Santa Vitória. Há sempre uma razão para as coisas, mesmo que seja inconsciente. Talvez aqui seja porque o meu sentido estético se estatela na roupagem das garrafas. Sim, penso que como todos, os meus olhos comem.
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Há uns meses fui almoçar ao Palácio dos Arcos, hotel do grupo Vila Galé, que é igualmente o produtor dos vinhos Santa Vitória. É uma unidade hoteleira de charme, com património bem cuidado e banhada pelo Sol e pelo seu reflexo na água de Entre-o-Tejo-o-Mar, cujo azul enche a alma.
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Aqui divide-se o texto. Agora está o vinho e, para lá, a história da casa.
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Serviram-me o Santa Vitória Branco 2016 e o tinto Inevitável 2015. Se o primeiro não encaixa completamente no meu gosto – não me refiro à qualidade – o segundo veio fundo. A responsabilidade enológica é de Patrícia Peixoto e consultadoria de Bernardo Cabral.
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Com bastantes notas tropicais, Santa Vitória Branco 2016 mostra-se fresco na boca. É resultado da junção de arinto e verdelho e não fez qualquer estágio em madeira.
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O Inevitável 2015 enche a boca e demora-se. Nele se notam os frutos vermelhos e compota da touriga nacional alentejana e o chocolate preto e ameixas em passa do syrah – variedades em partes iguais no lote.
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Quando anda muita gente a desdenhar a madeira, com exuberantes elogios à fruta e à flor – quantas vezes a razão é prosaica e respeita a euros de poupança – aqui houve um estágio de 14 meses em barrica e não retórica. Não sendo caruncho, gosto de madeira e as frutinhas e as florzinhas enfadam-me frequentemente.
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Santa Vitória Branco 2016
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Origem: Regional Alentejano
Produtor: Santa Vitória
Nota: 6/10
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Inevitável 2015
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Origem: Regional Alentejano
Produtor: Santa Vitória
Nota: 8/10
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Não fiz roteiro de todas as casas do país, mas este edifício é dos mais belos que conheço. Tal como a generalidade das casas nobres portuguesas, é um palácio pequeno, em que o estilo arquitectónico lembra várias coisas e todas reconhecíveis na estética nacional.
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Na história cabem muitas coisas: verdade, equívoco, lenda e mentira. Pelos sítios passam figuras e figurões, gente de carne e fantasmas. Pelas casas antigas passaram sempre reis, fidalgos caídos em desgraça, burguesia de mérito e paisanos famosos.
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Diz-se que o Palácio dos Arcos se tornou Paço dos Arcos. Por este paço – designação dos palácios onde pernoitou um monarca – anda a personagem de Dom Manuel I, possivelmente o primeiro monarca que ali se deitou.
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Contam que as caravelas e naus dali partiam para o mar-oceano. Há quem acrescente que O Venturoso ali se quedava para as ver afastar. Como se não lhe bastassem as vistas de Belém e Restelo e a marinhagem preferisse afastar-se mais de Lisboa. Parecem-me tão plausíveis quanto o Castelo de São Jorge ter tido as muralhas pintadas de vermelho.
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Conta-se que, a dado momento, a casa acumulou uma nomeação pleonástica: Palácio do Paço ou Paço do Palácio… uma das coisas. Situado na freguesia – e vila – de Paço de Arcos, parece-me muito crível que o edifício tenha dado o nome à terra.
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Erguido no século XV, foi mexido, remexido ou reerguido no século XVIII, consequência do terramoto e maremoto de 1755. Sinceramente, os meus olhos ainda lhe lêem o pitoresco do renascimento português, mas igualmente as pedras pombalinas.
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Com tanta idade, é natural que tenha tido muitos donos. Antão Martins foi quem o ergueu. Foi Capitão donatário da Vila da Praia, nos Açores, o que significava, à época, elevado estatuto. Não encontrei – nem me esforcei – o rasto dos seus proprietários, até chegar a Dona Teresa Eufrásia de Meneses.
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Visto a senhora não ter deixado descendência, ofereceu a casa e o seu Morgadio de Paço de Arcos ao amigo Dom Jorge Henriques, sexto senhor de Alcáçovas – família que, na pessoa do 14º senhor, recebeu o título condal, em 1834.
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A casa talvez tenha um feitiço, pois regularmente aconteceu fim de descendência, passando para parentes. A última beneficiada foi a família do Conde de Arrochela e Conde de Castelo de Paiva. Em 2001, a Câmara Municipal de Oeiras tomou a sua posse. Em 2013 tornou-se em hotel, após obras de reabilitação.
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O que tem isto a ver com o vinho? Sem pessoas e lugares não há narrativa. Sem história, a vida é mais pobre. Tal como se lhe faltar o vinho.
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Bastardinho de Azeitão 40 anos

Bonito por fora e por dentro, é um dos melhores vinhos que alguma vez provei. Confirma – mais além – a mercê da fama antiga. Atesta que em Portugal nem só no Douro e na Madeira se fazem obras de classe mundial.
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O Bastardinho de Azeitão 40 Anos é o último suspiro. Não há mais que conte dos tempos. A última vinha foi arrancada na década de 80 do século passado e, muito mais tarde, foi plantada uma nova, pela firma José Maria da Fonseca.
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Felizmente, mais produtores plantaram a casta bastardo – a trousseau – e agora há a espera. Uns vinhos virão mais cedo e outros vão demorar-se. Todavia, só dentro de 40 anos haverá para comparar com este que agora se finou.
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Na verdade, é ainda mais. O número 40 engana. Na verdade, este vinho é uma mistura de diferentes colheitas, entre os 40 e os 80 anos. Apenas 2.300 litros em garrafas de meio litro.
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O que define este vinho? Tanto e tanto e tanto e mais o que se possa imaginar ou mentir. Cheira e sabe a quê? A si próprio, e pouco importa um dicionário de etiquetas com referências redutoras ou hiperbólicas.
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A nomenclatura burocrática estampa-lhe uma injusta classificação de regional – não que seja desprimor para alguém ser regional, mas porque se refere a um vinho antigo e famoso. Por isso, não o deixam ser «generoso», apenas o plebeu «licoroso».
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Não tenho por hábito usar imagens de produto, mas aqui torna-se obrigatório. Quem possa, faça um brinde aos bastardinhos que virão.
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Origem: Península de Setúbal
Produtor: José Maria da Fonseca
Nota: 10/10
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O que é bonito, é bonito e deve ser visto!
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Bastardinho

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Era do Lavradio, de toda aquela península até ao mar da Caparica. Bebi tão pouco que quase não há.
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Chegava de fragata e já o Cacilheiro estreitava o rio entre a capital e a província. Pelo Tejo se ia ao piquenique, sob latadas ou corando no areal.
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Por ali piquenicar, dizia uma bisavó que não era da Caparica, era a Costa da Paparica.
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Não percebo por que se ia vestido para a praia. É tão bom assim quando o frio permite a areia secar e estaladiça se deixar definir pelas patas das gaivotas.
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Talvez por francesa, a Trousseau ali se tenha eternizado Bastardo. Ali saciava e atravessando o rio.
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Se o passado não tem futuro, e que, como a frase acima, seja incompleto para deixar esperança.
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Renascendo sem ressuscitar.
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Nota 1: Instalação luminosa de Regine Schumann
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Nota 2: A fotografia de Artur Pastor.
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Nota 3: Desenho de J. Novaes Jr
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Nota 4: Fotografias de autor não identificado.
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Nota 5: A fotografia de David Hixon.