terça-feira, dezembro 19, 2017

Foz Torto Vinhas Velhas Branco 2016 + Foz Torto Tinto 2015 + Foz Torto Vinha Velhas Tinto 2015

Não acredito que alguma vez Sandra Tavares da Silva faça um vinho mau. Tem no ADN a intuição e a experiência deu-lhe sabedoria. Sou fã. Um dos locais onde trabalha é a Quinta de Foz Torto.
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Esta propriedade situa-se, obviamente, junto à foz do rio Torto no Douro, na sub-região de Cima Corgo, não muito distante da aldeia do Pinhão. O proprietário, Abílio Tavares da Silva, deixou Lisboa e a informática para se dedicar inteiramente à produção de vinho, à recuperação de vinhas, muros e lagares, edificação de novas estruturas, produção de azeite e cultivo duma horta e dum pomar.
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Estive na apresentação de três vinhos desta quinta duriense: Foz Torto Vinhas Velhas Branco 2016, Foz Torto Tinto 2015 e Foz Torto Vinha Velhas Tinto 2015. Não é de agora que conheço vinhos desta quinta e avalio-os fiáveis – reflectindo os anos, como convém em vinhos de qualidade superior, mas sem oscilações, há consistência, quem os compra sabe o que está a comprar. Mesmo nos vinhos mais modestos, a fiabilidade é algo que muito valorizo.
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Uma propriedade com 14 hectares produz pouco. A Quinta de Foz Torta faz apenas 12.000 garrafas. Claro, a rendibilidade é obtida não por uma gama vasta com centenas de milhares de litros, mas por vinhos de ourivesaria: vinhas cuidadas, muita atenção à saúde da fruta, rigor na apanha… etc. aquelas coisas que surgem em «todas» as fichas técnicas e que, obviamente, em muitos casos, não são (bem) verdade.
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Não sou ninguém no mundo dos vinhos, limito-me a escrever (pouco) no meu blogue, mas sou atrevido… gosto de esculpir conceitos. Aquilo que se tem definido como terroir – as condições naturais de toda a ordem – não coincide com a minha definição. Fazer vinho implica pensar e decidir. Por isso, incluo o factor humano, nas suas várias valências, no conceito de terroir. Eu bem poderia ter a melhor vinha do mundo, desastrado e ignorante, como sou, seria uma sorte conseguir um vinho medíocre.
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É aqui que entra o produtor, o viticultor e o enólogo – talvez mais gente. O que sinto nos Foz Torto é o Douro. O «meu» Douro do xisto, da esteva, do azinho e, por vezes, este madeiro fumado. Sinto uma emoção que não escondo – aliás, todos os meus textos, no blogue, são assumidamente subjectivos.
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A minha paixão duriense é sobretudo pelos tintos, nos brancos tendo a preferir doutras localizações – embora, para mim, obviamente, o melhor branco português seja do Douro, da Quinta de Maritávora.
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O que não é definível ou é demorado não interessa. Já todos perceberam o que disse. Vou então à parte chata, mas que tem sempre interesse. Os dados básicos.
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As uvas do Foz Torto Vinhas Velhas Branco 2016 saíram duma vinha antiga, onde sobressaem a códega de larinho e a rabigato. Foram esmagadas em prensa pneumática, a fermentação ocorreu em barricas de carvalho francês durante quatro semanas, tendo estagiado, nos mesmos recipientes, por seis meses.
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No Foz Torto Tinto 2015 dominam as tourigas: a nacional com 40% e a francesa com 30%. Depois há tinta francisca (10%), alicante bouschet (5%), sousão (5%), tinta barroca (5%) e tinta roriz (5%). As uvas foram desengaçadas; a fermentação ocorreu em cubas de inox durante oito dias; a fermentação maloláctica e o estágio decorreram em barricas de segundo e terceiros anos, durante 16 meses.
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O Foz Torto Vinha Velhas Tinto 2015 fez-se com uvas duma vinha com 60 anos, onde as cultivares típicas da região se encontram misturadas. As uvas foram desengaçadas; a fermentação ocorreu em cuba durante oito dias; a fermentação maloláctica e o estágio processaram-se em barricas novas de carvalho francês (30%) e de segunda utilização (70%), durante 18 meses.
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Foz Torto Vinhas Velhas Branco 2016
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Origem: Douro
Produtor: Foz Torto
Nota: 6/10
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Foz Torto Tinto 2015
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Origem: Douro
Produtor: Foz Torto
Nota: 6,5/10
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Foz Torto Vinha Velhas Tinto 2015
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Origem: Douro
Produtor: Foz Torto
Nota: 7,5/10

Mirabilis Grande Reserva Branco 2016 + Mirabilis Grande Reserva Tinto 2015 + Nova Referência Grande Reserva Tinto 2015 + Quinta Nova Carmo Porto Vintage 2015 + Quinta Nova Grande Reserva Tinto 2015 + vertical de Quinta Nova Grande Reserva

A família Amorim comprou a Quinta Nova de Nossa Senhora do Carmo, em Covas do Douro, há 18 anos. As empresas fazem-se de anos, as empresas agrícolas de dia para dia – são oficinas de artesão ou fábricas a céu aberto. Este ano celebram-se dez colheitas de vinhos grande reserva, anos quase seguidos, porque um não foi aprovado por quem tinha de o fazer.
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Primeiramente, escrevo (pouco) acerca dos outros topos de gama apresentados recentemente. Infelizmente, perdi os meus apontamentos, pelo que não irei dar notas, citarei as fichas técnica. Como jornalista há muitos anos, ganhei a técnica de fixar aspectos fundamentais – esta é uma dessas situações em uso o meu arquivo cinzento.
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A ideia que tenho é que todos os vinhos apresentados estiveram num patamar muito elevado de qualidade. Mal seria se um topo de gama ficasse manco. A nenhum deles daria uma nota abaixo de 6,5, correspondente a «muito bom/excelente», provavelmente andariam todos em torno do 7, equivalente a «excelente».
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O Mirabilis Grande Reserva Branco 2016 resulta dum lote de gouveio e viosinho e do contributo da misturada típica das vinhas velhas durienses. Fermentou em barricas de carvalhos francês e húngaro. O acerto do lote realizou-se por dez meses nas mesmas barricas, das quais 65% novas, sobre borras e com battonage a cada 20 dias.
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O Mirabilis Grande Reserva Tinto 2015 resulta dum lote de vinhas velhas, tinta amarela e «10% de selecção barricas QN, sub-região do Cima Corgo; vinha velha, letra A». A fermentação decorreu em cubas de madeira por cinco a seis dias; maceração prolongada, pós-fermentativa, por quatro dias; estagiou 18 meses em barricas novas de carvalho francês; esteve três dias a ser trasfegado; e seis meses em cave após o engarrafamento.
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O Quinta Nova Referência Grande Reserva Tinto 2015 é a novidade dos topos de gama. As vinhas velhas representam 25% do lote, sendo a parte restante de tinta roriz. Houve uma maceração pré-fermentativo a frio por dois dias; fermentação em cubas de madeira, por cinco e seis dias; quatro dias de maceração prolongada pós-fermentativa; estágio de 16 meses em barricas de carvalho francês, de diferentes proveniências; e mais seis meses em cave.
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O Quinta Nova Grande Reserva Tinto 2015 guardo-o para depois do Porto vintage, devido à vertical.
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O Quinta Nova Carmo Porto Vintage 2015 fez-se com uvas de vinhas velhas de letra A. Realizou-se uma maceração pré-fermentativa por três dias; fermentação alcoólica com engace total em lagares mecânicos durante dois dias; remontagem e maceração intensa por dois dias; fortificado em 19%, com aguardente de 17 graus; e estágio em madeira e inox por dois anos.
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Disse sempre que um vintage novo «nunca» mostra o seu esplendor. Mantenho que não é qualquer vinho que tem qualidade para ser classificado como vintage. Portanto, este faz parte desse clube restrito. Recordo-me de tê-lo apreciado bastante. Mais memória não tenho.
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Guardei para último o Quinta Nova Grande Reserva Tinto 2015, porque será seguido pelos vinhos que foram provados na vertical.
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O Quinta Nova Grande Reserva Tinto 2015 resulta da junção de touriga nacional (75%) e vinhas velhas (25%), todas com letra A. Foi realizado desengace total; maceração pré-fermentativa a frio por dois dias; fermentação em cubas de madeira por cinco e seis dias; dois dias de maceração prolongada pós-fermentativa; e estágio de 16 meses em barricas novas de carvalho francês, de diversas origens.
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Como escrevi no início, perdi os apontamentos, mas a memória de jornalista com experiência fixa factos. De todos, registei três. A opinião geral (unânime em mim) é que são vinhos num patamar de qualidade elevado.
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Em prova estiveram dez vinhos Quinta Nova Grande Reserva: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009, 2011, 2012, 2013, 2014 e 2015. O ano de 2010 não existe. Todos muito afinados, gastronómicos, com elegância e prolongados.
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Os que prenderam especialmente a atenção foram os 2005, 2011 e 2013.
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O mais antigo pela delicadeza dos seus aromas terciários, com frescura e elegância. Dificilmente é comparável. Recordo-me de o sentir com características diferenciadas face ao da vindima seguinte. Quanto a mim, esteve no terceiro lugar do top. A vindima de 2013 tem-me estado a impressionar muito positivamente, não apenas neste caso. Possivelmente, o azar desse ano é ter existido, na proximidade temporal, um outro. O 2011 foi um ano mágico, no país, no Douro e na Quinta Nova de Nossa Senhora do Carmo.

Astronauta Touriga Nacional 2015 + Escondido Branco 2015 + Escondido Tinto 2012

Aníbal Coutinho é quase tudo o que se pode ser no sector do vinho, tem uma grande lista de actividades. Agora, interessam as suas de produtor e de enólogo.
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Tenta que os seus vinhos sejam didácticos, que exprimam as suas castas, embora não haja regras absolutas, devido às diferentes localizações das vinhas e processos enológicos.
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Os Astronauta – nome giro – fazem-se em diferentes locais e bebi um de touriga nacional, da região de Lisboa. No Vinho Verde produz um alvarinho, no Palatinado um riesling, um Beaujolais (não nouveu) e, ambos da África do Sul, chenin blanc e pinot noir.
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O Astronauta Anselmann Riesling 2015 bebi-o rapidamente, em passagem de conversa. Não posso dizer mais do que gostei.
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O Astronauta Touriga Nacional 2015 mostra-se muito fresco. Vinho com acidez natural, sem qualquer rectificação em adega. É muitíssimo gastronómico. Tenho escrito que tenho o hábito de continuar, depois do jantar, o convívio, com os amigos, acompanhado com vinho. Ora, este não tem essa função. É mesmo só para a mesa.
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Bem… depois há «outras coisas». Dois vinhos de raridade, feitos a partir de pequenas parcelas de terreno. São artesanato, o número de garrafas é sempre diminuto e nem sempre a natureza dá para que nasça: os Escondido, tinto e branco, este último que vai debutar em 2018.
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Quando digo «meia dúzia» refiro-me, no caso do tinto, a 500 garrafas de 0,75 litro e 100 magnuns, e, no branco, a 300 unidades de 0,75. Todas numeradas.
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O que se pode dizer dum bom vinho que encheu «meia dúzia» de garrafas? Isso não tem preço. O pouco é sempre luxo, sobretudo quando a qualidade é grande. Para mim – neste blogue – a emoção conta, assumo-o. O Escondido (tinto – por o branco não ter ainda historial) faz parte da minha garrafeira mágica, aquela onde se tem tudo o que não se tem.
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Saliento o aspecto emocional das minhas críticas – actividade que exerço apenas no blogue – e adianto que, embora com nota de «excelente», ao Escondido Branco 2015 falta-lhe ainda aquela amizade que fui construindo com os irmãos tintos. Esta subjectividade pode avaliar-se, por quem lê, pelas três maneiras: errada, mais ou menos, e acertada.
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As vinhas que dão a fruta para o Escondido Branco 2015 são de alvarinho e arinto e têm 13 anos. Este é o primeiro a sair de casa, após seis anos de experiências. Aníbal Coutinho optou O processo de fabrico passou por um grande contacto com o oxigénio, de modo a permitir uma boa evolução.
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Quanto ao Escondido Tinto 2012… Por gosto e por condições edafoclimáticas, as castas de Bordéus cabernet sauvignon e merlot estão no encepamento, a que se lhes juntou a touriga nacional. Até hoje fizeram-se 2006, 2008, 2010 e 2012. Todos têm, no mínimo, 24 meses de estágio em barrica de carvalho francês. Segue-se um ano em garrafa.
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 Evito os descritores, em 90% dos casos, pois normalmente não adiantam nem atrasam. Não significam, só por si, que o vinho seja bom ou mau e corre-se o risco de o reduzir a simples palavreado. Aqui passa-se isso. Contudo, aprecio o conceito francês para vinhos que expressam o local, em plenitude, e das suas uvas. Atrevo-me a afirmar que o Escondido Tinto 2012 só pode mostrar o seu sítio e a si mesmo. Acrescento: mal seria se um vinho de garagem não alcançasse esse patamar.
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Astronauta Touriga Nacional 2015
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Origem: Regional Lisboa
Produtor: Aníbal Coutinho
Nota: 6/10
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Escondido Branco 2015
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Origem: Regional Lisboa
Nota: 7/10
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Escondido Tinto 2012
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Origem: Regional Lisboa
Produtor: Aníbal Coutinho
Nota: 8/10

segunda-feira, dezembro 18, 2017

Quinta dos Abibes Espumante Rosé 2015 + Quinta dos Abibes Espumante Arinto e Baga Reserva 2013 + Quinta dos Abibes Espumante Sublime 2010 + Conclave 3

A Bairrada está a entrar na moda. E há modas felizes. Neste caso, a frescura dos seus vinhos é notável. Têm uma capacidade de envelhecimento que não está ao alcance de todos. Além dos tranquilos, há décadas que se produzem espumantes de grande qualidade.
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Outrora a casta baga dominou os encepamentos. Hoje, é variada a paleta de cultivares. Não tenho nada contra as uvas exóticas, porém custa-me vê-las permitidas para a elaboração de vinhos com denominação de origem controlada.
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É apenas uma comichão ao nível dos princípios. Os encepamentos com castas portuguesas não dão só vinhos de excelência. Tal como os produzidos com variedades estrangeiras há com variadas qualidades.
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Francisco Batel Marques é daquelas pessoas que transmitem simpatia e sorriso. Junta-se um amor visível pela terra. Evito estrangeirismos, mas a melhor palavra para designar os produtores duma só quinta é francês: vigneron. A ele se junta Osvaldo Amado, um dos melhores enólogos portugueses.
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Este professor apaixonou-se pela bebida sagrada das três religiões do Livro e transmite esse afecto pela terra e as plantas. O território, situado nas proximidades da Serra do Buçaco, esteve abandonado durante 12 anos e, foi por ele, comprado em 2003.
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Tudo tem um nome. Francisco Batel Marques baptizou a terra como Quinta dos Abibes, homenageando um pássaro pelo qual tem simpatia. O abibe, Vanellus vanellus, tem uma enorme lista de designações… Bem, este texto não é dedicado à ornitologia!
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Bebi e apreciei-os.
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Bruno Antunes, escanção e empresário no ramo da distribuição (Wine Man), organizou um jantar dedicado à Quinta dos Abibes, que foi confeccionado pelo chefe Joachim Koerper, do restaurante Eleven, em Lisboa. Como não escrevo acerca de maridagens, fico-me por dizer parelhas perfeitas e aplaudo.
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Obviamente, os quatro vinhos não são iguais. Descreve-los é maçador e não conduz a nada – por regra, não definem grande coisa. Resumo: delicados no aroma, finos no tacto e com perlagem elegante, perdurando na boca. Basta. Afirmo que todos pedem comida, embora possam abrir o apetite.
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À recepção foi servido o Quinta dos Abibes Espumante Rosé 2015, feito integralmente com uvas baga. Seguidamente vieram Quinta dos Abibes Espumante Arinto e Baga Reserva 2013 – a meias arinto e baga – e Quinta dos Abibes Espumante Sublime 2010 – brut nature de 2010, com o degorgement realizado em 2015, feito integralmente com uvas arinto.
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Saltei o tinto! Escrevo agora. Como definir o diferente? Trata-se da junção de três colheitas de cabernet sauvignon, casta que Francisco Batel Marques aprecia bastante (eu também, mas fora das DOC).
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É um vinho perigoso! A sua acidez nega os seus 14% de álcool. Ou seja: o problema está quando te levantas. Juntaram-se os resultados das colheitas de 2011 e de 2013, que estagiaram 18 meses em barricas de carvalho francês, de segundo uso, e a de 2015, que viveu nove meses em barricas novas de carvalho francês. A conjugação das três ficou em garrafa por um ano.
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Conclave significa reunião – em diversas acepções – e o «3» percebe-se facilmente o que quer dizer.
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O que é diferente e bom tem de se valorizar. Viva a imaginação. O vinho, quando é de qualidade superior e com um conceito estético, é arte. Não gosto da definição da «nota artística», que tem aparecido nas escritas, pois lembra-me a enfadonha patinagem no gelo (artística). Prefiro dizer arte – só e chega.
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Quinta dos Abibes Espumante Rosé 2015
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Origem: Beira Atlântico
Produtor: Quinta dos Abibes
Nota: 6/10
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Quinta dos Abibes Espumante Arinto e Baga Reserva 2013
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Origem: Bairrada
Produtor: Quinta dos Abibes
Nota: 6,5/10
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Quinta dos Abibes Espumante Sublime 2010
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Origem: Bairrada
Produtor: Quinta dos Abibes
Nota: 7,5/10
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Conclave 3
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Origem: Beira Atlântico
Produtor: Quinta dos Abibes
Nota: 8,5/10

Poças Reserva Tinto 2015 + Símbolo 2014 + Poças Colheita 2003 + Poças LBV 2012 + Poças Vintage 2015

A firma Poças Júnior, casa ainda familiar, foi conhecida pelos seus Portos tawny. De há uns anos, a empresa tem ganhado balanço nos Portos vintage e nos Douro. Pela qualidade com que têm chegado, a aposta está a ser ganha.
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Para quem aprecia os vinhos do Douro, como eu, estes tintos transportam-me para esse vale magnífico, em que o homem se uniu à natureza – sem a quebrar, mas domesticando-a. As citações da esteva, do azinho e do xisto são as que mais me envolvem no prazer pelos durienses.
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O Poças Reserva Tinto 2015 fez-se com uvas da Quinta de Santa Bárbara (Ervedosa do Douro – Cima Corgo) e da Quinta de Vale de Cavalos (Numão – Douro Superior). O lote tem fruta de vinhas velhas (80%), onde tudo vive misturado, e de touriga nacional. A idade das cepas está no intervalo de 40 a 60 anos. Estagiou um ano em barricas novas de carvalho francês e seis meses em garrafa.
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O Símbolo 2014 resulta da junção de frutos de duas parcelas, de vinhas velhas, da Quinta de Santa Bárbara. Estagiou 18 meses em barricas novas de carvalho francês e 12 meses em garrafa. Maravilha!
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Não sou dado à fixação de datas e suas relações com climatologia específica. Contudo, o ano de 2003 é de fácil memória. Foi um ano bastante quente, com bastantes fogos florestais e em que Lisboa se viu envolta no fumo dos incêndios vizinhos.
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Toda via, essa memória negativa contrabalança-se com a boa qualidade dos vinhos. Um tawny com 14 anos é adolescente. O Poças Colheita 2003 tem muita vida pela frente. Como é engarrafado à medida em que chegam as encomendas e vindo ao mundo numa firma especializada, parece-me que terá um belo futuro.
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Não simpatizo com os late bottled vintage. Sei que foi uma boa invenção, com garantia de qualidade, preço mais baixo e que permite às empresas aproveitar vinhos que, até então, não tinham como se valorizarem.
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Não é LBV quem quer. Há exames exigentes. Porém, não vejo nesta categoria a grandiosidade dos vintage nem a descomplicação das gamas (ruby) mais baixas. Tendo a não apreciar híbridos. O Poças LBV 2012 tem (muita) fruta, doçura, veludo e corpo. Não posso penalizar um bom vinho, mas o princípio da subjectividade, que sempre assumi no blogue, não me permite a nota que talvez merecesse.
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Não há vintage fora do nível da excelência. Há melhores e menos bons, os padrões de avaliação são muito elevados. Percebe-se porquê – notoriedade pela grande qualidade e rigor – e para quê – beneficiar comercialmente com um vinho com grande valor-acrescentado.
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Beber um vintage novo horroriza muita gente e esperar por ele leva ao pensamento de que não se sabe quanto tempo se vai estar nesta vida. Objectivamente, os vintage ganham com o tempo. Um vintage novo é novo e é nesse (actual) estado que tem de ser avaliado. O Poças Vintage 2015 é uma criança. Tudo ponderado, a nota mantém-se alta.
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Poças Reserva Tinto 2015
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Origem: Douro
Produtor: Poças Júnior
Nota: 7/10
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Símbolo 2014
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Origem: Douro
Produtor: Poças Júnior
Nota: 8/10
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Poças Colheita 2003
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Origem: Porto
Produtor: Poças Júnior
Nota: 7,5/10
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Poças LBV 2012
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Origem: Porto
Produtor: Poças Júnior
Nota: 6/10
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Poças Vintage 2015
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Origem: Porto
Produtor: Poças Júnior
Nota: 9/10

sábado, dezembro 16, 2017

Herdade do Peso Essência Tinto 2015 + Herdade do Peso Ícone 2014

Aqui estão dois vinhos que merecem ser guardados, embora um seja mais resistente do que o outro. Quem puder compre e beba agora, anote e volte a beber daqui por uns anos. Este assunto de projectar evolução dos anos tem sempre risco para quem o afirma. Todavia, não tenho grandes dúvidas quanto às garantias.
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O Alentejo é uma terra quente – todos o sabemos –, contudo podem fazer-se vinhos com frescura, basta saber fazer. Bem… em alguns casos – não este - melhor seria encontrar culturas alternativas, pois nem as mestrias do viticultor e do enólogo chegam para conseguir algo que não seja sopa.
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A Herdade do Peso situa-se na Denominação de Origem Alentejo, na sub-região da Vidigueira. É um local reconhecidamente fresco, comparando com a generalidade das localizações da maior (antiga) província portuguesa.
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O Herdade do Peso Essência Tinto 2015 aparece com juventude para se guardar – com prudência, não me parece ser eterno – embora dê prazer já. É guloso e exige mesa.
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Fez-se totalmente com alicante bouschet. O lote dividiu-se no estágio: 30% em barricas novas de carvalho francês, durante um ano, e a parte restante totalmente em madeira usada, por igual período de tempo.
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O Herdade do Peso Ícone 2014 está acima na escala do prazer. Esta referência surge apenas em anos considerados excepcionais, pela equipa técnica. O anterior foi surgiu na colheita de 2007.
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Este promete uma vida mais longa do que o anterior. Assim como o Herdade do Peso Essência Tinto 2015, pode conceder prazer agora. Guloso, mas não espalhafatoso, tem a força de um comboio, exige comida substancial.
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Fez-se com alicante bouschet (96%) e com syrah (4%). Estagiou um ano em barricas de carvalho francês, de diferentes idades e tanoarias, seguido de 18 meses em garrafa.
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Herdade do Peso Essência Tinto 2015
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Origem: Alentejo
Produtor: Herdade do Peso (Sogrape)
Nota: 7,5/10
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Herdade do Peso Ícone 2014
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Origem: Alentejo
Produtor: Herdade do Peso (Sogrape)
Nota: 8,5/10

sexta-feira, dezembro 15, 2017

Conventual Reserva Branco 2016 + Conventual Reserva Tinto 2014 + Conventual Vinha da Serra da Penha Reserva 2014

Há umas décadas, as cooperativas começaram por garantir qualidade e homogeneidade ao consumidor. Algumas criaram marca e outras serviram apenas para reunir produções. Anos mais tarde emergiram os produtores individuais.
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Muitas cooperativas – talvez a grande maioria – não conseguiram acompanhar a evolução. Os produtores individuais elevaram o patamar de qualidade, ganharam fama e a sua multiplicação criou dificuldades aos agrupamentos de lavradores. Algumas faliram e outras passaram a pagar tardiamente.
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A Adega Cooperativa de Portalegre foi uma dessas vítimas, perdendo mesmo com marcas que tiveram fama. Aqui acaba o tema do cooperativismo no vinho, especialmente deste caso.
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Não sei se hei-de escrever ressurreição ou reencarne, talvez outra coisa: o empresário José Redondo, da firma Licor Beirão, juntou-se a Manuel Rocha, gestor de empresas vínicas há muitos anos, e avançaram para a compra de alguns dos activos da Adega Cooperativa de Portalegre.
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A Adega de Portalegre Winery comprou a Quinta da Cabaça e as marcas Conventual e Portalegre – esta última foi outrora uma referência e a segunda idem.
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Chegaram-me três Conventual. Quando era jovem adulto já gostava de vinho e o Conventual era uma referência, uma garantia de prazer. Renasce agora com rótulos que lembram os que fizeram história, mas renovados.
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Os dois Conventual provêm de vinhas com idades compreendidas entre os 40 e os 60 anos, com as raízes em terra granítica com afloramentos de xisto, a altitudes no intervalo de 500 a 600 metros. Na Quinta da Cabaça está a única vinha da Serra da Penha; tem 20 anos, está a 650 metros de altitude e em solos graníticos com afloramentos de quartzo.
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O Conventual Reserva Branco 2016 é muito fresco, certamente fruto das condições edafoclimáticas, vegetais e de enologia. Fez-se (por ordem alfabética) com arinto, bical, fernão pires e roupeiro. Fermentou em cubas e lagares de inox e estagiou 12 meses em vasilhas de cimento.
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Muito longe de ser um vinho para a piscina ou mesmo para as refeições mais leves, típicas do Verão. Aguenta-se com comida mais encorpada, embora não seja um tanque de guerra.
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O Conventual Reserva Tinto 2014, não sei se por memória emocional ou se com razão, levou-me ao passado – o que, por si, não é nem bom nem mau. Achei-o com frescura e complexidade de paladar, com longevidade na boca. Este é um vinho para o Natal. Quero dizer, tem especiarias, acidez e gulodice (não é doce).
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As castas são (por ordem alfabética) alicante bouschet, cabernet sauvignon, syrah e touriga nacional. A maloláctica realizou-se em depósitos de inox, fermentou em cubas e em inox, e estagiou um ano em barricas de carvalho francês.
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O Conventual Vinha da Serra da Penha Reserva 2014 está num patamar acima. Como se define isto? As características são (genericamente) muito idênticas às do anterior, mas desenrolam-se diferentemente – esta situação de coincidências é a principal razão por que evito os descritores. Aqui, como noutros casos, podem-se encontrar nuances, resultado dos factores não coincidentes, mas esmiuçar aromas e sabores dá em pouco. A qualidade não se mede em descritores.
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Fruto de factores naturais, tem uma notável frescura: altitude, solo, plantas (não as mesmas)…
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Este vinho fez-se com alicante bouschet, cabernet sauvignon e touriga nacional. Fez a maloláctica em inox, fermentou em cubas e lagares de inox e estagiou 12 meses em barricas, novas e usadas, de carvalho francês.
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O Conventual Vinha da Serra da Penha Reserva 2014 é para o Natal e para o médico que nos tem socorrido nas aflições.
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Conventual Reserva Branco 2016
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Origem: Alentejo (Portalegre)
Produtor: Adega de Portalegre Winery
Nota: 6/10
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Conventual Reserva Tinto 2014
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Origem: Regional Alentejano
Produtor: Adega de Portalegre Winery
Nota: 6/10
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Conventual Vinha da Serra da Penha Reserva 2014
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Origem: Regional Alentejano
Produtor: Adega de Portalegre Winery
Nota: 7/10
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Nota: Estes vinhos foram enviados para prova pelo produtor.

quinta-feira, dezembro 14, 2017

Pontual Branco 2016 + Pontual Tinto 2015 + Pontual Reserva Tinto 2015 + Pontual Syrah 2015 + Pontual Touriga Nacional 2015

O tempo voa. Voa como o Concorde. Parece que foi ontem que conheci o Paolo Nigra e passaram-se possivelmente 13 anos. Já contei que, embora apreciando vinho há muitos anos, algumas – não muitas – palavras levaram-me a querer aprofundar o conhecimento.
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Ora, isso não me torna mais parcial, apesar de assumir que os textos aqui no blogue exprimem prazer pessoal e, por isso, são subjectivos. Tento compensar, o excesso de euforia e de castigo, os vinhos bons que não aprecio.
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Ora, os Pontual sempre me agradaram. Direi que o estilo elegante de Paolo Nigra não é um artifício. Esse polimento é uma opção que surge naturalmente.
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A PLC – sigla da empresa a partir do nome próprio de cada um dos empresários; Paolo Nigra, Luís Bulhão Martins e Carlos Portas – tem 100 hectares de vinha, em solos xistosos, entre o Alandroal e Portalegre.
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O Pontual Branco 2016 é penalizado pela minha antipatia pela casta antão vaz. Do lote faz parte também a verdelho. O teor alcoólico (12%) achega-lhe frescura. Não posso gostar do que não gosto, nem castigar severamente o que tem qualidade. O dilema do costume.
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O Pontual Tinto 2015 exprime a elegância de Paolo Nigra. Muito suave e que apetece beber. Tenho o hábito de, com os amigos, ficar a conversar acompanhados com vinho, depois do jantar. Este é daqueles que se portam bem na mesa e no sofá.
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As castas são, por ordem alfabética, alicante bouschet, petit verdot, syrah e touriga nacional. Gostei da afinação que surge da junção, em estágio, de carvalhos francês e americano.
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O Pontual Reserva Tinto 2015 caiu-me mais no goto, possivelmente devido a um maior tempo de estágio em madeira e/ou idade das barricas, de carvalhos americano e francês, onde estagiou um ano.
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Os dois Pontual monovarietais estiveram sempre num lugar especial, talvez acima dos Pontual Reserva Tinto. Penso que as variedades syrah e touriga nacional se expressam bem. São dois amores simultâneos.
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O Pontual Syrah 2015 tem uma gulodice gastronómica que aprecio. Fez-se em lagares de inox e estagiou seis meses em barricas de carvalhos americano e francês. Mais leve do que o Reserva, permite-me usufrui-lo nesses convívios com os amigos.
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A minha apreciação acerca do Pontual Touriga Nacional 2015 não é diferente daquela que escrevi para o syrah, embora a casta seja diferente. Haverá certamente diferenças, mas o modo produtivo é idêntico.
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Pontual Branco 2016
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Origem: Regional Alentejano
Produtor: PLC
Nota: 5/10
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Pontual Tinto 2015
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Origem: Regional Alentejano
Produtor: PLC
Nota: 5,5/10
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Pontual Reserva Tinto 2015
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Origem: Regional Alentejano
Produtor: PLC
Nota: 6,5/10
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Pontual Syrah 2015
Origem: Regional Alentejano
Produtor: PLC
Nota: 6,5/10
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Pontual Touriga Nacional 2015
Origem: Regional Alentejano
Produtor: PLC
Nota: 6,5/10

segunda-feira, dezembro 11, 2017

Cheda Branco 2016 + Cheda Riesling 2014 + Cheda Reserva Branco 2016 + Cheda Tinto 2016 + Cheda Reserva Tinto 2015

Dois brancos, uma outra coisa e dois tintos. A outra coisa é um surpreendente riesling. Cinco vinhos da Lavradores de Feitoria, a gama Cheda. Os brancos e o «normal» tinto com uma frescura improvável no Douro, não há muito tempo. Há o outro com o calor que a frescura permite, medida pelo agrado com que vai para a mesa – belíssimo.
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O Cheda Branco 2016 é um bom vinho, uma escolha acertada para uma refeição, não necessariamente muito leve, descontraída e de conversas deambulantes. Contudo, tem pouco para contar. Fez-se com gouveio, malvasia fina e síria.
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Ao contrário do que muita gente pensa, não tenho nada contra castas exóticas. Desde que não sejam permitidas nas indicações geográficas, que devem permanecer tradicionais. Portanto, ter um vinho de riesling no Douro não me arrepia. O Cheda Riesling 2014 é uma novidade… que pena não ter surgido há mais anos.
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O Cheda Reserva Branco 2016 fez-se com gouveio, malvasia fina e viosinho tem felicidade. Junta fruta e elegância, com corpo para comidas mais fortes – curioso. Este parágrafo curto não é deselogio.
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Os tintos jovens e com pouca percepção de madeira não são para mim. Quando novos temo-os como a um grupo de adolescentes divertindo-se na rua. Não sendo caruncho, gosto de sentir a civilização. Por isso, um vinho como o Cheda Tinto 2016 não me teria agradado.
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Não o quero elogiar demasiadamente, porque, apesar de tudo, é novo e nota-se. Um terço do vinho estagiou em madeira – certamente (muito) usada – por pouco tempo. Fez-se com tinta roriz, touriga francesa e touriga nacional.
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O Cheda Reserva Tinto 2015 é outra coisa. É o Douro. Quem gosta de tintos do Douro – como eu – vai reconhecer-lhe a tinta roriz, prazentear-se na touriga nacional (duriense) e alegrar-se com a touriga francesa. Discreto madeiro de azinho e rusticidade da esteva – usei descritores? Devo estar doente!
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Cheda Branco 2016
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Origem: Douro
Produtor: Lavradores de Feitoria
Nota: 5/10
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Cheda Riesling 2014
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Origem: Regional Duriense
Produtor: Lavradores de Feitoria
Nota: 7,5/10
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Cheda Reserva Branco 2016
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Origem: Douro
Produtor: Lavradores de Feitoria
Nota: 6/10
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Cheda Tinto 2016
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Origem: Douro
Produtor: Lavradores de Feitoria
Nota: 4,5/10
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Cheda Reserva Tinto 2015
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Origem: Douro
Produtor: Lavradores de Feitoria
Nota: 7/10

Monte da Raposinha Branco 2016 + Nós Branco 2016 + Monte da Raposinha Rosé 2016 + Nós Tinto 2015 + Atayde Reserva Branco 2016 + Monte da Raposinha Tinto 2015 + Atayde Grande Escolha 2014

O Monte da Raposinha Branco 2016 sofre com a minha antipatia para com a casta antão vaz, apesar do arinto lhe dar frescura e a viosinho graça – o baixo teor de álcool, certamente devido a apanha precoce, traduz um cuidado para que a abominável não se descontrole. Embora este blogue seja, assumidamente, um caderno de paixão, tento não penalizar bons vinhos que me desgostam. É o caso.
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Já o Nós Branco 2016 excede-se em antão vaz. Como não sou grande apreciador de sauvignon blanc… mas adorador do arinto. A combinação das duas primeiras não é para mim, apesar da frescura da terceira. Aqui a ponderação tem de se manifestar maiormente.
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Ora aqui está um belo rosado! Monte da Raposinha Rosé 2016 tem a felicidade de apetecer à entrada de conversa, à refeição e junto a algumas sobremesas mais ligeiras. Fez-se em partes iguais de touriga nacional e aragonês.
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O Nós Tinto 2015 fez-se com uvas alicante bouschet, aragonês, touriga nacional e trincadeira. É um vinho que não me agrada nem desagrada. Não tem estórias. Sem dúvida que é bom vinho e tem uma boa nota. Mas é pouco mais do que circunstância.
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A casta chardonnay comporta-se diferentemente no meu agrado. Pode enfastiar-me, até a posso dispensar, e alegrar-me. O que encorpa (100%) o Atayde Reserva Branco 2016 fez-me cócegas. Tem relevo, não é fogo-de-artifício no olfacto e tem na mesa o seu palco.
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O Monte da Raposinha Tinto 2015 fez-se com uvas alicante bouschet, aragonês, syrah e touriga nacional. Juntas, com contida passagem por madeira, tornam-no numa boa opção para levar para uma mesa de família ao domingo.
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O Atayde Grande Escolha 2014 chega com o mesmo carácter da colheita anterior. Quem me lê sabe – quem não sabe fica a saber – que valorizo muito a regularidade, desde os vinhos mais modestos até aos de qualidade superior. Mas isso é diferente de uniformidade. Os vinhos desinteressantes pecam por uniformismo e os superlativos espelham – ou tendem – a climatologia e o ecossistema.
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O Atayde Grande Escolha 2014 é metades de aragonês e touriga nacional. Descritores, e paleio, acertado e politicamente correcto, são blá blá blá! Deu-me um grande gozo!
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Na apresentação do Monte da Raposinha regressou o Furtiva Lágrima 2013. Os sábios, os sobredotados e os parlapatões notarão aquela nano-diferença que resulta da passagem de um só ano, num vinho com juventude.
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Nem sábio, nem sobredotado nem parlapatão – espero não ser julgado como tal – deu-me o prazer permitido no ano passado e do modo que a memória me permite.
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Cito-me: «O Furtiva Lágrima 2013 é um tinto da categoria «não levar para o jantar de apresentação aos sogros». Os senhores ficariam a saber bem demais o que o genro/nora gosta da filha/o. É bom não os habituar mal. É sedutor e complexo aromaticamente. É fresco, com nervo, longo na boca e frescura. É 90% alicante bouschet e 10% touriga nacional». Notifiquei-o com 8,5/10.
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Monte da Raposinha Branco 2016
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Origem: Regional Alentejano
Produtor: Monte da Raposinha
Nota: 5/10
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Nós Branco 2016
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Origem: Regional Alentejano
Produtor: Monte da Raposinha
Nota: 5,5/10
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Monte da Raposinha Rosé 2016
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Origem: Regional Alentejano
Produtor: Monte da Raposinha
Nota: 6/10
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Nós Tinto 2015
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Origem: Regional Alentejano
Produtor: Monte da Raposinha
Nota: 4,5/10
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Atayde Reserva Branco 2016
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Origem: Regional Alentejano
Produtor: Monte da Raposinha
Nota: 6,5/10
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Monte da Raposinha Tinto 2015
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Origem: Regional Alentejano
Produtor: Monte da Raposinha
Nota: 6,5/10
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Atayde Grande Escolha 2014
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Origem: Regional Alentejano
Produtor: Monte da Raposinha
Nota: 7,5/10