terça-feira, agosto 08, 2017

Planalto Reserva Branco 2016

Os Planalto são vinhos que todos conhecemos. A fama ajuda e desajuda. Quando é a qualidade é fraca, o óbito é uma questão de tempo ou, eventualmente, a indigência. Quando é boa, o elogio passa de boca para orelha... o primeiro veio ao mundo em 1964.
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O Planalto Reserva Branco 2016 é vinho que combina com o Verão e, para sorte (mérito) do seu produtor, mantém-se visível nas prateleiras de venda. É vinho que vai com comida mais leve e acompanha bem a conversa, com 12,5% de álcool.
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A regularidade e a consistência são características que valorizo muito.
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Planalto Reserva Branco 2016
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Origem: Douro
Produtor: Sogrape
Nota: 4,5/10

segunda-feira, agosto 07, 2017

Quinta do Pôpa Touriga Nacional 2012 + Quinta do Pôpa Tinta Roriz 2012 + Quinta do Pôpa Vinhas Velhas 2013

A pensar para os dias depois do Verão… três vinhos com o carácter do Douro, com características bem diferentes – o que convém.
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A Quinta do Pôpa não é uma empresa com passado, mas está a construir o seu caminho. Não chegou uma desilusão e mantenha-se o empenho e o futuro terá luz.
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Não é comum no Douro fazerem-se monovarietais. Neste caso há dois e outro com o lote feito numa vinha velha. Um facto interessante é a ousadia de guardar vinho durante alguns anos, por saber que terão mais-valias.
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Digo ousadia porque a pressão de distribuidores, retalhistas e restauradores – talvez dos enófilos – impõe uma (i)necessidade de juventude. Às vezes dá para fantasiar com alguém a comprar vinho de vindima por acontecer – não confundir com os negócios de futuros.
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O Quinta do Pôpa Touriga Nacional 2012 traduz o Verão quente desse ano. Tem os sabor do doce das geleias de frutos vermelho e já uma ligeira patina, muito longe de sinónimo de cansado do tempo. E pode guardar-se.
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O Quinta do Pôpa Tinta Roriz 2012 não é melhor, mas preferi-o. Tem notas de noz-moscada e, ao fundo, cravinho. Aqui a patina do tempo é menos notória. E tem também vida pela frente.
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O Quinta do Pôpa Vinhas Velhas 2013… não sei bem o que dizer… É o Douro. Parece que as videiras antigas têm sabedoria. Devemos ouvir os antigos.
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Quinta do Pôpa Touriga Nacional 2012
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Origem: Douro
Produtor: Quinta do Pôpa
Nota: 7/10
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Quinta do Pôpa Tinta Roriz 2012
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Origem: Douro
Produtor: Quinta do Pôpa
Nota: 7,/10
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Quinta do Pôpa Vinhas Velhas 2013
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Origem: Douro
Produtor: Quinta do Pôpa
Nota: 8/10

Pouca Roupa Branco 2016 + Pouca Roupa Rosé 2016

Como o nome indica, os Pouca Roupa falam para o Verão, quando se desejam comidas mais leves e os corpos, sovados pela praia, ou apenas pelo calor, não desejam vinhos mais encorpados e alcoólico, ambos com 12,5%.
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O Pouca Roupa Branco 2016 fez-se com uvas sauvignon blanc, verdelho e viosinho. O Pouca Roupa Rosé 2016 engloba aragonês, cabernet sauvignon e touriga nacional. Ambos não tiveram estágio em madeira.
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Pouca Roupa Branco 2016
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Origem: Regional Alentejano
Produtor: João Portugal Ramos
Nota: 4,5/10
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Pouca Roupa Rosé 2016
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Origem: Regional Alentejano
Produtor: João Portugal Ramos
Nota: 4,5/10

domingo, junho 25, 2017

Loios Branco 2016 + Marquês de Borba Branco 2016

De Estremoz chegaram-me dois brancos diferentes um do outro – convém, mas nem sempre acontece – e complementares. Ambos felizes para o Verão e capazes de irem para a mesa com comida.
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O Loios Branco 2016 fez-se com as castas arinto, rabo de ovelha e roupeiro. Tem uma frescura e baixo teor de álcool, 12,5% – ainda há uns anos seria estranho. É para momentos descontraídos e alinha com saladas e mariscos.
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O Marquês de Borba Branco 2016 tem mais corpo e aguenta-se a pratos um pouco mais substanciais – isto não é cozido à portuguesa, obviamente. Direi queijos e carnes de aves. Tal como o anterior, a graduação alcoólica é de 12,5%.
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Embora antipatizando com a antão vaz, reconheço que quando em teores alcoólicos mais baixos funciona bem. A ela se somam uma das grandes castas portuguesas e uma francesa que se dá muito bem no Alentejo. O Marquês de Borba Branco 2016 é um lote de arinto, antão vaz e viognier.
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Loios Branco 2016
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Origem: Regional Alentejano
Produtor: João Portugal Ramos
Nota: 4,5/10
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Marquês de Borba Branco 2016
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Origem: Regional Alentejano
Produtor: João Portugal Ramos
Nota: 5/10
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Nota: Estes vinhos foram enviados para prova pelo produtor.

sábado, junho 24, 2017

Grão Vasco Branco 2016 + Grão Vasco Tinto 2016

Grão Vasco é das marcas mais antigas de que tenho na memória. É dum tempo em que o Dão tinha fama e em poucas casas havia uma referência com identidade. A região decaiu e está a ressurgir.
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Os renascimentos não se fazem sozinhos, mas quando uma empresa com a dimensão da Sogrape se põe a trabalhar é certo que a aposta é ganha. O Dão ainda não recuperou completamente a fama, mas têm surgido firmas competentes. Pela minha memória, fico feliz por o Grão Vasco estar nesta causa.
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Nestes dois vinhos, a Sogrape assume a imagem que marcou os rótulos: São Pedro no trono, pintura de Vasco Fernandes datada do início do século XVI. É uma associação feliz, visto o Grão Vasco, alcunha com que o artista passou para a história, ter uma ligação, por nascimento e ofício, à cidade de Viseu. Esta obra está no pequeno, mas excelente museu que herdou o nome deste mestre renascentista, situado na capital do Dão.
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Há uma outra novidade que surge na etiqueta: a referência a Carvalhais. A Quinta de Carvalhais é a principal propriedade da Sogrape no Dão e dá o nome a vinhos de grande qualidade. Aqui aparece como simples alusão, pois nestes nem todas as uvas foram colhidas no domínio.
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Contudo, o que importa não é o embrulho, mas o presente. As oferendas são o que deu fama à região: elegância. O Grão Vasco Branco 2016 é um lote de encruzado (39%), malvasia fina (37%), bical (16%) e gouveio (8%) e tem frescura e capacidade para acompanhar comida. O Grão Vasco Tinto 2016 é um conjunto de touriga nacional (42%), tinta roriz (25%), alfrocheiro (24%) e jaen (9%).
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Nenhum dos vinhos passou por madeira. Há uma moda ou tendência, em Portugal, de louvar os vinhos sem estágio em madeira – provavelmente, em grande parte, para não assumir os cortes nas despesas. Pois que sim e também pois que não, como em tudo.
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Reconheço que esta situação me chateia um bocadinho. Passa-se do elogio à madeira – mesmo quem não abusava – para o conceito do esplendor da fruta e das flores. Raramente, muito raramente, um tinto que não tenha passado por um recipiente de pau me contenta. Não que Grão Vasco Tinto esteja desgostoso, mas falta-lhe aquele-não-sei-o-quê…
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Mas de enologia e de vender vinho não percebo nada. E de previsões ainda menos.
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Quando foram apresentados, houve uma demonstração da longevidade dos vinhos do Dão. Tanto os brancos (1981, 1983 e 1992) como os tintos (1977, 1991 e 2006) estão joviais e são cheios de prazer.
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Grão Vasco Branco 2016
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Origem: Dão
Produtor: Sogrape
Nota: 6/10
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Grão Vasco Tinto 2016
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Origem: Dão
Produtor: Sogrape
Nota: 5,5/10

Assobio Branco 2016 + Assobio Rosé 2016

É Verão, pois é. Estes dois vinhos falam a sua linguagem. Alegram o fim do dia, a refeição e o serão. Descalço e sem pensar em preocupações. Tanto um como o outro, são filhos de uvas típicas do Douro.
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O Assobio Branco 2016 é um lote de códega de larinho, gouveio, rabigato, verdelho e viosinho. É um vinho com frescura, no nariz e na boca. É escorregadio e com um saudável volume de álcool: 12,5%.
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Não posso afirmar que um é superior ao outro, mas Assobio Rosé 2016 caiu-me mais no goto. É um lote de rufete, tinta roriz, tinto cão e touriga nacional. Este tem um teor alcoólico superior (13,5%), mas tem frescura que o alivia.
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Assobio Branco 2016
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Origem: Douro
Produtor: Esporão
Nota: 5,5/10
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Assobio Rosé 2016
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Origem: Douro
Produtor: Esporão
Nota: 5,5/10
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Nota: Estes vinhos foram enviados para prova pelo produtor.

sexta-feira, junho 23, 2017

Esporão V 2016 + Esporão 2 2016

Vieram ter ao meu copo dois vinhos brancos do Esporão, casa já sedimentada situada em Reguengos de Monsaraz, que se recomendam para o estio, que ainda agora começou e já mostrou o Inferno.
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O V significa verdelho e traz ao nariz o doce do maracujá e o fresco dos citrinos. É um vinho intenso na boca. Tem uma frescura que nem sempre se encontra nos brancos alentejanos.
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O 2 revela-se óbvio: duas castas. A roupeiro e a viosinho, em partes iguais. Não o coloca nem acima nem abaixo do anterior, mas encontro-o mais curioso, pela conjugação de duas variedades das terras quentes, mas afastadas. A roupeiro do Sul e a viosinho do Douro.
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Embora com notas cítricas, o 2 não é parecido com V. Nem que seja por isso, vale a pena compará-los em simultâneo ou em sequência. Só porque é giro! J
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V (Verdelho) 2016
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Origem: Regional Alentejano
Produtor: Esporão
Nota: 5,5/10
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2 (Duas Castas – Roupeiro e Viosinho) 2016
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Origem: Regional Alentejano
Produtor: Esporão
Nota: 5,5/10
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Nota: Estes vinhos foram enviados para prova pelo produtor.

Papa Figos Branco 2016

O papa-figos é um passarinho bonito e migratório. O Papa Figos é um vinho com carácter inspirado na leveza que se espera duma pequena ave. Não vai e vem todos os anos, porque cada ano é um nado-vivo.
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Este branco é o segundo passarinho. Naturalmente estará para criar ninho, pois teve muito acolhimento – como acontecia também com o tinto. Os rótulos distinguem-se pelo género da ave: o macho surge no tinto e a fêmea no branco.
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O Papa Figos Branco 2016 é um lote de castas típicas do Douro e a arinto, que, apesar de plantada na região, lembra-me outros locais – variedade que sou muito apreciador. A fórmula: 55% de rabigato, 15% de viosinho, 15% de arinto, 10% códega e 5% de moscatel galego. Os frutos vieram de vinhas de locais elevados, da sub-região do Douro Superior.
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Papa Figos Branco 2016
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Origem: Douro
Produtor: Casa Ferreirinha (Sogrape)
Nota: 5,5/10
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Nota: Estes vinhos foram enviados para prova pelo produtor.

Tyto Alba Tinto 2013

Há surpresas, mesmo quando chegam de casas que conhecemos qualidade e enólogos de competência – Companhia das Lezírias e Bernardo Cabral. Fiquei deslumbrado com este tinto.
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A simplicidade é algo mais complicado do que o pensamento súbito pode concluir. Nada me pareceu a mais. A perfeição não existe, aqui poderia dizer que aconteceu. Porquê? Nada em especial: caiu-me no goto.
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Fez-se com alicante bouschet, touriga franca e touriga nacional. Os 14% de álcool não lhe pesam.
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Origem: Tejo
Produtor: Companhia das Lezírias
Nota: 6/10

terça-feira, junho 06, 2017

Cistus Grande Reserva 2009

Belo! Não me ocorre outra palavra. Digo que aqui não é adjectivo, mas substantivo. É um vinho que tem a alma do Douro, não engana, de aroma e paladar. Está vivo e promete cá andar uns bons anos.
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O produtor declara Cistus Grande Reserva apenas em anos que considera excepcionais. Antes deste houve em 2004 e 2008.
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Este vinho, filho de uvas da sub-região do Douro Superior, é um lote de tinta roriz (42%), touriga franca (35%) e touriga nacional (23%). Estagiou durante 21 meses em barricas novas de carvalho francês.
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Origem: Douro
Produtor: Quinta do Vale da Perdiz
Nota: 8/10