sexta-feira, dezembro 08, 2017

Uma irritaçãozinha-inha-inha

Há em Portugal uma confusão, dos produtores, quanto ao vinho estar esgotado. Comunicam-no tantas e tantas vezes e muitos jornalistas e bloguistas caem nessa realidade – sem qualquer maldade.
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Estará esgotado no negócio do produtor. Certamente, os distribuidores compraram-no ou levaram-no numa promessa. 
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Mas os distribuidores não representam o consumidor final. Têm um palpite, intuem, acertam e falham. Claro que há quem tenha a capacidade de fazer marcas, recorrendo a diferentes modos: comunicação, publicidade, noticário, distribuidores, restauração, hotéis e grandes superfícies – em relações complexas e interligadas .
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Porém, o sucesso dum vinho – como qualquer outro produto – está na decisão de quem vai a uma loja e compra.
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É o consumidor final o responsável por o esgotar nas prateleiras ou tornar-se num mono e que, tantas vezes, regressa a quem o fez.
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E se um vinho retorna... está esgotado?
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Esta coisa causa-me uma irritaçãozinha-inha-inha. Mas não me tira o sono.

terça-feira, dezembro 05, 2017

Selecção de Enófilos Reserva Tinto 2013 + Selecção de Enófilos Branco 2016

Olá. Primeiro refiro-me a algo que não tenho, propriamente, nada a ver:
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– Achei os rótulos confusos. Não lhe encontro a marca, embora saiba quem os fez e que, certamente, os clientes do Intermarché o saibam o que estão a comprar. Mas isso não basta.
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Toda a parte visual me parece confusa – um refere DO Tejo e o outro apenas Bairrada. Mais não digo, porque não me enviaram as garrafas para avaliar o design funcional e a qualidade estética.
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Não sendo um cliente do Intermarché, o meu conhecimento da sua garrafeira é praticamente nulo. Porém, também não me pediram para ser consultor de vendas.
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Quando me dirijo a lojas desta cadeia de distribuição tem-me parecido haver uma aproximação aos produtos gastronómicos dos locais.
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O que tenho de referir é a qualidade dos vinhos. Tanto no Intermarché, como noutras empresas de distribuição, está a verificar-se um esforço para subir a qualidade dos vinhos de marca própria.
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A firma chamou duas empresas de referência, nas duas denominações de origem, para corporizarem o vinho da sua marca: Caves Primavera (Bairrada) e Quinta da Alorna (Tejo) – duas regiões que, até não há muitos anos, não tinham uma fama visivelmente reconhecida.
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O Selecção de Enófilos (branco) 2016 fez-se com uvas das castas fernão pires e moscatel graúdo. O Selecção de Enófilos (tinto) 2013 corporizou-se com touriga nacional, tinta roriz e baga.
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Não se está presente vinhos de qualidade excepcional – seria bizarro – mas com uma qualidade que, não só não envergonha ninguém, como traduz uma aposta em maior qualidade.
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Como é hábito, não dou indicações de relação entre a qualidade e o preço. O que posso dizer é que vale a pena dar atenção as estes dois vinhos, para depois sentenciar
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Selecção de Enófilos 2016
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Origem: Tejo
Produtor: Intermarché/Quinta da Alorna
Nota: 4,5/10
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Selecção de Enófilos
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Origem: Bairrada
Produtor: Intermarché/Caves Primavera
Nota: 4,5/10
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Nota: Estes vinhos foram enviados para prova pelo produtor.

domingo, outubro 29, 2017

Ferreirinha Porto Vintage Quinta do Porto 2015

O vinho que veio a seguir mereceu um preâmbulo idêntico. Aliás, um texto igual, só mudando as designações
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Cá vai:
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O que escrevo aqui é válido para qualquer Porto Vintage ou qualquer outro vinho.
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Como se deve classificar um vinho velho? Uns envelhecem bem, outros assim-assim e ainda outros mal. É sabido que o mesmo vinho em garrafas diferentes se pode comportar diferentemente – um fenómeno muito comum.
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Para acrescentar dificuldades, o modo de armazenamento determina muito do que será o resultado final. E, quanto mais velho, todas as condicionantes se pronunciam mais, para o bom e para o mau.
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Avaliar como? Como o vinho está ou como se espera que virá a estar? O miúdo malcriado poderá ser um adulto cuidadoso e o certinho transformar-se num imbecil.
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Para um Vinho do Porto ser declarado vintage é obrigatório cumprir um conjunto de especificações, avaliadas por um conjunto de peritos do Instituto dos Vinhos do Douro e Porto, a entidade de supervisão e de certificação.
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Claro, que os vinhos não têm todos a mesma qualidade. Mas com um patamar de exigências tão elevado…
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Vintage é sinónimo de data de colheita e modo de fabricação, não é de roupa ou de tralha – essas são velharias ou antiguidade. Os Portos Vintage devem ser consumidos com idade, de modo a sublimarem as suas características mais nobres. Como não vivemos numa ditadura do gosto, cada um aprecie como entender. Quanto a mim, a regra é do prazer.
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Um Porto duma só quinta significa o óbvio: vem de uma só propriedade. Para muitos, os vintage produzidos com vinhos de vários locais têm uma qualidade superior. Possivelmente, a excepção seja a Quinta do Noval.
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Realço aqui que já bebi Portos Vintage de várias quintas que eram inferiores aos produzidos numa só propriedade. Noto novamente que é um patamar onde só os melhores conseguem atingir.
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Um Porto vintage de 2015 é uma criança. Já gatinha, mas ainda é uma criança.
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O Porto Ferreirinha Vintage Quinta do Porto 2015 tem o que se exige… pleonasticamente uma grande complexidade, de aromas e paladares, componente táctil muito agradável e longo tempo do seu sentir na boca.
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Ora, o que acontece aqui? Hoje ou o amanhã? Digo acerca do hoje, até porque não é vintage qualquer vinho e peritos assim o entendem.
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Origem: Porto
Produtor: Casa Ferreirinha / Sogrape
Nota: 9/10
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Nota: este vinho foi enviado pelo produtor.

Sandeman Porto Vintage Quinta do Seixo 2015

O vinho que vem a seguir merece um preâmbulo idêntico. Aliás, um texto igual, só mudando as designações
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Cá vai:
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O que escrevo aqui é válido para qualquer Porto Vintage ou qualquer outro vinho.
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Como se deve classificar um vinho velho? Uns envelhecem bem, outros assim-assim e ainda outros mal. É sabido que o mesmo vinho em garrafas diferentes se pode comportar diferentemente – um fenómeno muito comum.
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Para acrescentar dificuldades, o modo de armazenamento determina muito do que será o resultado final. E, quanto mais velho, todas as condicionantes se pronunciam mais, para o bom e para o mau.
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Avaliar como? Como o vinho está ou como se espera que virá a estar? O miúdo malcriado poderá ser um adulto cuidadoso e o certinho transformar-se num imbecil.
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Para um Vinho do Porto ser declarado vintage é obrigatório cumprir um conjunto de especificações, avaliadas por um conjunto de peritos do Instituto dos Vinhos do Douro e Porto, a entidade de supervisão e de certificação.
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Claro, que os vinhos não têm todos a mesma qualidade. Mas com um patamar de exigências tão elevado…
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Vintage é sinónimo de data de colheita e modo de fabricação, não é de roupa ou de tralha – essas são velharias ou antiguidade. Os Portos Vintage devem ser consumidos com idade, de modo a sublimarem as suas características mais nobres. Como não vivemos numa ditadura do gosto, cada um aprecie como entender. Quanto a mim, a regra é do prazer.
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Um Porto duma só quinta significa o óbvio: vem de uma só propriedade. Para muitos, os vintage produzidos com vinhos de vários locais têm uma qualidade superior. Possivelmente, a excepção seja a Quinta do Noval.
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Realço aqui que já bebi Portos Vintage de várias quintas que eram inferiores aos produzidos numa só propriedade. Noto novamente que é um patamar onde só os melhores conseguem atingir.
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Um Porto vintage de 2015 é uma criança. Já gatinha, mas ainda é uma criança.
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O Porto Sandeman Vintage Quinta do Seixo 2015 tem o que se exige… pleonasticamente uma grande complexidade, de aromas e paladares, componente táctil muito agradável e longo tempo do seu sentir na boca.
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Ora, o que acontece aqui? Hoje ou o amanhã? Digo acerca do hoje, até porque não é vintage qualquer vinho e peritos assim o entendem.
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Origem: Porto
Produtor: Sandeman / Sogrape
Nota: 9/10
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Nota: este vinho foi enviado pelo produtor.

Quinta do Cardo Chardonnay Reserva 2015 + Quinta do Cardo Síria Reserva 2015 + Quinta do Cardo Vinha de Lomelo 2014 + Quinta do Cardo Rosé Reserva Caladoc 2015 + Quinta do Cardo Reserva Tinto 2014 + Quinta do Cardo Vinha do Castelo 2014

Não sei se felizmente ou se infelizmente, a região da Beira Interior é pouco notada e, por isso, deficientemente valorizada.
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A formulação é retórica. Não é porque sai mais barato ao consumidor que o preço é justo para quem compra – como em tudo na vida – pois alguém não aufere o que deveria, é algo que pessoalmente, é um preconceito moral meu. Para mim, os bons negócios são proveitosos para todos, por isso gostaria que subissem os valores dos vinhos desta região.
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Quando me refiro à região vitivinícola da Beira Interior tenho de realçar que é mais uma excentricidade da nomenclatura burocrática. As duas áreas que permitem a denominação de origem controlada não têm nada a ver. É uma bizarria.
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A que viso neste texto é a setentrional. O solo granítico e os 750 metros de altitude funcionam generosamente no sentido da qualidade. Curiosamente, embora estes, agora comentados, sejam monovarietais, comportam-se dum modo mais interessante e complexo do que muitos monocasta.
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Há muitos anos que os vinhos de síria desta propriedade estão nos meus brancos favoritos. Esta propriedade – localizada mais a Norte – dá vida a vinhos muito minerais e com excelente frescura. Se são muito felizes no nariz, mais o são na boca. Por mim, os brancos tendem a estar acima dos tintos. Do caraças!
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A herança de João Corrêa e Nuno do Ó está bem entregue. A dois grandes enólogos sucederam dois outros de grande competência e, atrevo-me, alguma irreverência: Luís Leocádio e Frederico Vilar Gomes.
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Vou aos brancos.
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O Quinta do Chardonnay Reserva 2015 tem uma qualidade excepcional, mas não me sinto grande fã desta casta francesa em Portugal. Isso vale o que vale e reconheço que tenho bebido alguns com muito bom prazer.
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Aliás, aqui penso tratar-se de desperdício de natureza, pois considero que outras uvas podem dar vinhos mais interessantes e prazenteiros. Realço o que sempre disse: no blogue reina assumidamente o meu gosto pessoal, sendo que evito prejudicar vinhos com qualidade, em que patamar esteja.
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Ora, o Quinta do Cardo Chardonnay Reserva 2015, apesar dos solos e da altitude, pesou-me um pouquinho na boca. Metade fermentou quatro semanas em barricas novas de carvalho francês. O conjunto estagiou por dez meses em madeira, com battonâge quinzenal.
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O Quinta do Cardo Síria Reserva 2015 é um vinho em que a mineralidade quase explode, mas conta, como auxiliares de frescura, notas cítricas e uma finura de ervas de verde feliz – sei lá como explicar, isto das ervas… se as vir poderei mostrá-las.
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Algumas notas fumadas acrescentam-lhe complexidade e aquela gulodice – não é doçura – que nos senta à mesa. Um terço deste vinho fermentou em barricas de carvalho francês. O todo estagiou nessa madeira por dez meses, com battonâge regular – designação da empresa.
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O Quinta do Cardo Vinha de Lomelo 2014 foi todo feito com uvas síria. Fermentou totalmente em barricas de carvalho francês, durante quatro semanas. Estagiou 22 meses em barricas com battonâge regular. Está… está… sei lá…
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Tendo os investimentos enológicos no Cardo Vinha de Lomelo 2014 sido superiores aos do que no Quinta do Cardo Reserva 2015 – certamente também em valor traduzível em euros –talvez seja injusto atribuir-lhes a mesma nota… porém… são regras daqui da casa.
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Agora, o rosado. Blá, blá, blá, os rosés são todos iguais, blá, blá, blá são todos doces, blá, blá, blá o estágio em madeira estraga-os… conversa. Ou seja, três momentos referentes a três grupos de gente preconceituosa.
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Ora, o Quinta do Cardo Rosé Reserva Caladoc 2015 manda calar uma série de gente. Um terço do vinho fermentou em barricas de carvalho francês. Estagiou dez meses em barricas de carvalho francês, com battonâge regular.
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O Quinta do Cardo Reserva Tinto 2014 é um monovarietal de touriga nacional. Certamente pela altitude, climatologia e solos, não lhe senti nem o exagero de violetas, duns locais, nem das compotas e geleias, doutros sítios.
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Fresco, sem a frutinha e as florezinhas que me desgostam, apresenta-se complexo, duradouro e a exigir mesa. Fez a fermentação maloláctica em inox e o vinho seguiu para barricas de carvalho francês durante 20 meses, sendo metade em recipientes novos.
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O Quinta do Cardo Vinha do Castelo 2014 fez-se totalmente com uvas de tinta roriz. Aqui as uvas foram pisadas a pé. Fermentou por oito dias – em recipiente não especificado – e estagiou 22 meses em barricas de carvalho francês.
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Quinta do Cardo Chardonnay Reserva 2015
Origem: Beira Interior
Produtor: Agrocardo
Nota: 6/10
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Quinta do Cardo Síria Reserva 2015
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Origem: Beira Interior
Produtor: Agrocardo
Nota: 8/10
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Quinta do Cardo Vinha de Lomelo 2014
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Origem: Beira Interior
Produtor: Agrocardo
Nota: 8/10
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Quinta do Cardo Rosé Reserva Caladoc 2015
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Origem: Beira Interior
Produtor: Agrocardo
Nota: 7/10
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Quinta do Cardo Reserva Tinto 2014
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Origem: Beira Interior
Produtor: Agrocardo
Nota: 7,5/10
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Quinta do Cardo Vinha do Castelo 2014
Origem: Beira Interior
Produtor: Agrocardo
Nota: 8/10
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Nota: Estes vinhos foram enviados para prova pelo produtor.

sexta-feira, outubro 27, 2017

CARM Branco 2016 + CARM Tinto 2014

O que eu gosto do Douro, de quem o respeita e mantém um patamar regular de qualidade, evitando desilusões – obviamente respeitando as características dos anos.
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Dois vinhos da Casa Agrícola Reboredo Madeira, com sede rural em Almendra, terra de azeitonas e amêndoas. Vinhos com uma quentura que se pressente, mas não escalda, pela sua frescura natural.
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O CARM Branco 2016 fez-se com uvas rabigato (45%), códega do larinho (30%) e viosinho (25%). Este vinho não teve qualquer estágio em madeira, tendo permanecido em cubas de inox.
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CARM Tinto 2014 é resultado da junção de touriga nacional (40%), tinta roriz (30%) e touriga francesa (30%). Este vinho esteve em estágio oito meses em barricas de carvalhos americano e francês.
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Ambos têm frescura, pressentida e verdadeira, no nariz e na boca. O branco é menos complexo, o que não será alheio a não passagem por barricas ou outros xilodepósitos. Confesso-me apreciador de madeira. Achei o branco menos interessante do que o tinto, com maior estrutura e longevidade na boca.
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CARM Branco 2016
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Origem: Douro
Produtor: Casa Agrícola Reboredo Madeira
Nota: 5,5/10
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CARM Tinto 2014
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Origem: Douro
Produtor: Casa Agrícola Reboredo Madeira
Nota: 6,5/10
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Nota: Estes vinhos foram enviados para prova pelo produtor.

terça-feira, outubro 24, 2017

João Portugal Ramos – 25 anos

O que significam 25 anos? A actividade, em nome próprio, de João Portugal Ramos chegou ao quarto de século. Dito só assim, esse tempo não é muito significativo. Todavia, em tal período pode acontecer muita coisa.
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Ser-se um bom profissional implica conhecimento, arma para abordar o fácil, o aborrecido, o complicado… Não sei qual o trabalho em que se sente mais desafiado nem o que sente maior pressão ou tem maior prazer. Seja qual for, reconhecemos-lhe a competência.
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Há um momento de não retorno – em tudo – sob pena de dissabores. Chega-se a um sítio e não se pode recuar – desistência ou afrouxamento significam estatelar-se – nem parar, implicando trabalho difícil e esforçado.
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João Portugal Ramos é responsável por vinhos que, por venderem muito, lhe colocam a responsabilidade de não poder desiludir o consumidor, um peixe muito escorregadio, se não se agarra bem alguém o irá pescar. Ou seja, qualidade e fiabilidade.
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Está também obrigado a fazer vinhos em que se exige a expressão do ano, das suas dificuldades e virtudes, e da terra onde as videiras se prendem.
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O que significam 25 anos? Comecei a ouvir falar de João Portugal Ramos quando ainda era pouco mais do que um miúdo e começara a beber vinho. Nesses anos, não havia muitos enólogos nem os vinhos tinham a qualidade que hoje têm e que, felizmente, existe em todo o país.
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Para mim, mais do que os 25 anos, conta o percurso iniciado em 1980 – tinha dez anos e estava mais a Oriente do que Leste. Obviamente, João Portugal Ramos não inventou o prazer do vinho, mas é um dos que contribuíram para o bom humor dos enófilos.
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Deu um empurrão ao Alentejo e ajudou a criar referências no Ribatejo – à época significava oceanos de vinho a tostão. Multiplicou-se para percorrer o país. O que significam 25 anos? Mais do que a sua empresa ou a qualidade que levou a muitas casas. É a sua soma, ser uma referência. Actualmente está no Alentejo, Beiras, Douro, Tejo e Vinho Verde.
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Faz um dos maiores tintos portugueses – que na minha lista está entre os cinco primeiros: Quinta de Foz de Arouce Vinhas Velhas de Santa Maria.
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Para uma empresa atingir 25 anos de vida não basta ser-se bom gestor. O produto tem de ser bom e a casa bem gerida. Ninguém tem o dom da ubiquidade nem há super-homens e são poucas as coisas em que um só homem fazer sozinho. João Portugal Ramos tem tido o saber de se rodear por um conjunto de profissionais com grande valência técnica. Perdoem-me todos os outros, mas a aliança com José Maria Soares Franco – outra grande referência – comprova o querer fazer sempre melhor.

segunda-feira, outubro 16, 2017

José de Sousa 2015 + José de Sousa Mayor 2015 + J de José de Sousa 2014 + Puro Talha Branco 2015 + Puro Talha Tinto 2015

A fabricação de vinho em recipientes de barro tem séculos e não é exclusivamente portuguesa. Contudo, o processo não deixa de estar na tradição alentejana – cuja introdução é geralmente atribuída aos Romanos.
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O método caiu em desuso e perdeu-se o conhecimento de produção das talhas. Como resultado, quem as quiser tem de as comprar a preços, que dizem, elevados.
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Nada que não se resolva, pois no Cáucaso – onde se vinifica em grandes ânforas – ainda são moldadas. Digo com a certeza dos ignorantes, é só contratar um artesão e levá-lo ao Alentejo.
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A produção de vinho em talha é residual, mas tornou-se num interessante produto de marketing. Há lotes parcialmente feitos nesses depósitos – alguns com décadas, como nesta casa, onde não se trata de mero argumento comercial – e quem se aventure na totalidade do processo.
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Os puristas afirmam que engarrafar vinhos de talha é uma modernice, que não tem qualquer referência histórica nem tradição. Dizem que a verdade habita nas tabernas alentejanas.
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Essa é discussão em que não me meto. Sei que o vinho vindo da talha é diferente e que acrescenta paixão aos enófilos.
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A firma José Maria da Fonseca há muitos anos que utiliza vinho em talha para fazer o lote do José de Sousa. Agora, apresenta um branco e um tinto integralmente produzidos nas ânforas. O resultado é muito feliz, não apenas pela diferença, mas também pela qualidade formal.
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Os Puro Talha Branco 2015 e Puro Talha Tinto 2015 foram apresentados conjuntamente com as novidades aneiras da José Maria da Fonseca. O momento de debutar assinalou também uma recolocação da Adega José de Sousa na empresa-mãe. A ideia é a de autonomizar a marca, aproveitando a tradição identitária e reputação da casa alentejana.
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Esta decisão vem fazer justiça, pois a Adega José de Sousa é uma casa quase tão antiga quanto a José Maria da Fonseca – a alentejana reporta a 1878 e a de Azeitão a 1834 –, com carácter próprio e reputação de qualidade.
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O José de Sousa 2015 é fiável – se há algo que muito aprecio é a fiabilidade. Chateiam-me aqueles vinhos (referências) que umas vezes são bons e noutras resultam maus. Isso não tem nada a ver com os anos, mas com a consistência.
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Certamente que uma referência tão antiga conheceu alterações com o tempo. É mais do que provável subtis correcções de perfil do vinho. Os consumidores substituem-se, mas outros mantêm-se. Compreendo que agradar aos habituais e não deixar de seduzir os novos não seja tarefa fácil. Aqui há ainda o respeito pela variação dos anos, mantendo-se o patamar da qualidade.
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O José de Sousa 2015 é uma junção das castas grand noir (52%), trincadeira (33%) e aragonês (15%). Estes vinhos fazem parte da minha memória. Nunca conseguirei ser totalmente isento na avaliação – refiro-me ao gosto pessoal e com rótulo à vista. A parcialidade, no blogue, é assunto reconhecido e assumido por mim. «Cientificamente» é igualmente um vinho de grande qualidade. Ponderando, sinto-lhe o mesmo nível, tanto na a emoção quanto na frieza.
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Embora o lote se tenha feito com as mesas castas, a personalidade do José de Sousa Mayor 2015 é diferente: grand noir (58%), trincadeira (30%) e aragonês (12%). Noto-o mais fresco, complexo e longo na boca face ao anterior.
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 J de José de Sousa 2014 é um grande vinho em qualquer parte do mundo. Este não foi da única colheita que bebi, este pareceu-me estar mais alto. Porquê? Por todas aquelas coisas que têm vinhos superiores: complexidade aromática e de paladar, evolução no copo, comportamento e demora na boca. Essas coisas.
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Parece-me que chegou, ou vai chegando, a moda da mineralidade. Os vinho da José de Sousa sempre tiveram essa característica, herdada dos solos graníticos de Reguengos de Monsaraz. Os Puro Talha têm o acrescento das notas barrentas, atribuídas pelas ânforas, e de salinidade.
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A malta da ciência encartada e a da verdadeira ciência aqui não é chamada, ou então guarde a sapiência exacta na bata laboratorial ou na dos equívocos. Não sei como avaliaria estes vinhos de talha se me aparecessem às cegas.
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São estranhos. Não só os artesanais não se parecem com nada, como estes, construídos por gente séria e competente, também não se parecem com coisa nenhuma. Sabia o que estava a provar, depois beber, e houve erros de paralaxe – não duvido, é a emoção. Contudo, a qualidade formal está lá.
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Quero lá saber das formalidades! Aqui no blogue reina o sentimento. Com tempero de sensatez – nunca pontuei mal um vinho bom e que não me agradasse na boca e no nariz –, digo que são dois belíssimos vinhos estranhos. Um enófilo curioso e/ou com vontade de aprender, tem de conhecer os Puro Talha, pois são muito didácticos.
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Na Adega José de Sousa existem 114 talhas – um tesouro, literal em valor em euros e enológico. Os dois Puro Talha fizeram-se mantendo a tradição do mandar tudo lá para dentro. O branco fez-se com antão vaz, diagalves e manteúdo, em proporções não especificadas. O tinto com grand noir (50%), trincadeira (30%), aragonês (10%) e moreto (10%).
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José de Sousa 2015
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Origem: Regional Alentejano
Produtor: José de Sousa / José Maria da Fonseca
Nota: 7/10
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José de Sousa Mayor 2015
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Origem: Regional Alentejano
Produtor: José de Sousa / José Maria da Fonseca
Nota: 8/10
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J de José de Sousa 2014
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Origem: Regional Alentejano
Produtor: José de Sousa / José Maria da Fonseca
Nota: 9/10
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Puro Talha Branco 2015
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Origem: Alentejo
Produtor: José de Sousa / José Maria da Fonseca
Nota: 8/10
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Puro Talha Tinto 2015
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Origem: Alentejo
Produtor: José de Sousa / José Maria da Fonseca

Nota: 8/10

Ervideira – Prova comparativa dos «Vinho da Água» e dos que estagiaram à superfície

Duarte Leal da Costa não tem só um apurado sentido comercial e de promoção. Mais do que coisas conhecidas da tribo do vinho, o homem da Ervideira arrisca. Felizmente, para ele e para quem prova e bebe, os resultados são positivos.
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Assumo-me céptico – muitas vezes com incredibilidade peremptória – e pessimista. Quando Duarte Leal da Costa depositou umas garrafas de vinho sob a água da barragem de Alqueva disse:
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– Ah e tal! Condições controladas cá fora dão o mesmo resultado! É golpe para vender vinho.
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Marketing não é pecado nem crime. Disse isso porque sinceramente acreditava que se tratava apenas duma boa iniciativa de promoção.
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Como é recorrente, a realidade bateu-me à porta e esbofeteou-me. Vermelho da vergonha e da pele escaldante dos estalos, assumo que, provados, os vinhos que ficaram guardados à superfície e os mergulhados… estão diferentes.
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Tantas e tantas vezes repito uma mínima parte d’ Os Lusíadas. Digo-o para mim, para que me mantenha céptico – não quanto à ciência – relativamente a mim e que tenha abertura de espírito para compreender o que se diz diferente ou novo.
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Os sábios do século XVI – como anteriores e futuros – desdenharam do que desconheciam. Os marinheiros eram homens duros e dados à fantasia. O fogo de Sant’Elmo era uma patranha. Embarcado, Luís de Camões testemunhou várias dessas supostas invenções. Por isso escreveu as maravilhas fabulosas, sentenciando:
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– Vejam agora os sábios na escritura / que segredos são estes da Natura.
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Sabendo que os vinhos são os mesmos, as condições de luz e quietude idênticas. No solo, a temperatura de arranque estava a 13 graus e foi até aos 20, e os submersos mantiveram-se a 17 graus. Duarte Leal da Costa referiu existirem condições de humidade comparáveis. As garrafas eram idênticas. Obviamente, a pressão é diferente – quatro quilogramas mais nos aquáticos. Os níveis de acidez mantiveram-se, tal como os de açúcar.
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– O que determina as diferenças?
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– Serão as nuances suficientes para as alterações? Quais ou em conjugação?
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Não se sabem as razões, mas há quem esteja a fazer um mestrado tendo este assunto como tema.
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Os primeiros em prova não eram exactamente idênticos. Os espumantes comparados foram três:
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– Vinha d’Ervideira Espumante 2015.
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– Vinho da Água Espumante 2015 – maturado com degorgement.
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– Vinho da Água Espumante 2015 – maturado com leveduras.
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O primeiro mostrou-se muito fresco, com notas de maçã reineta caramelizada. O segundo estagiou a 30 metros de profundidade e estava mais guloso. O terceiro registou a segunda fermentação sob a água e tornou-se mais complexo, em aromas e sabores.
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Quanto aos brancos tranquilos, provaram-se:
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– Conde d’Ervideira Reserva Branco 2015.
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– Vinho da Água Branco 2015.
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Também aqui, o mergulhado ganhou complexidade e registaram-se acrescentos de frescura e vivacidade, mais gastronómico.
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Os tintos em avaliação foram quatro:
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– Conde d’Ervideira Reserva Tinto 2014.
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– Vinho da Água Tinto 2014.
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– Conde d’Ervideira Reserva Tinto 2015.
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– Vinho da Água Tinto 2015.
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As conclusões não divergiram! Maior frescura, maiores complexidades de aromas e sabores, mais prazenteiros, com uma gulodice – não derivada de doçura – incrível.
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– Vejam-me agora tolo da escritura / que segredos são estes da Natura.
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Duarte Leal da Costa, obrigado por esta tareia no meu preconceito!

Fiuza Chardonnay 2016 + Fiuza Rosé 2016

A região do Tejo tem conhecido uma assinalável melhoria. Não só da percepção, mas sobretudo da qualidade – o que alimenta a reputação.
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Ainda o Tejo era Ribatejo – designação com má fama – e já a Fiuza & Bright produzia vinhos de qualidade. Não foi a única pioneira, mas, puxando pela cabeça, lembro-me de mais quatro casas. Possivelmente estarei a ser injusto, mas é a memória:
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– Quinta da Alorna, Casal Branco, Casa Cadaval e DFJ.
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Com o tempo foi aparecendo mais gente com espírito de trabalhar para a qualidade. Chegaram empresas doutras regiões, formaram-se grandes produtores, cooperativas mais empenhadas e surgiram pequenas adegas de projecto de enólogo.
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Até há uns anos – nem muito distantes – o modelo era conseguir grandes quantidades, para as garrafas serem vendidas a preço de saldo.
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De há uns anos para cá, mudou muita coisa. Não apenas a alteração da designação. As vinhas deixaram os terrenos mais ricos, que possibilitavam as grandes quantidades, e os mais pobres receberam-nas.
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Não gosto – muito raramente refiro ­– de abordar a questão do dinheiro. Cada um tem o seu gosto, sabe do recheio da sua carteira e tem o seu limite de predisposição a gastos. Por isso, considero que estabelecer relação entre a qualidade e o preço é tarefa apenas pessoal e, quanto a mim, abusada quando não referente a quem a diz.
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Contudo – não me referindo especificamente a marcas e regiões – vejo no Tejo vinhos com valores muito moderados. Acabo aqui o tema.
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Enviaram-me dois vinhos, um branco e um rosado, para acompanhar sushi, que chegou na mesma encomenda.
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Uma vez que não como peixe, a maridagem foi avaliada por pessoas que convidei. Fugi e não toquei na garrafa de branco. Garantiram-me que comportamento foi muito bom, muito feliz. Aliás, ninguém se arriscaria a inventar um casamento entre comida leve e um tinto pesado – obviamente, um trabalho profissional!
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O rosado foi bebido depois – pela sua doçura, achei-o mais para convívio descontraído do que para acompanhar uma refeição.
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Foram eles:
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– Fiuza Chardonnay 2016 – que estagiou dois meses em barricas de carvalho.
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– Fiuza Rosé 2016 – lote de cabernet sauvignon e touriga nacional.
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Ambos com saudáveis taxas de álcool; o branco 12,5% e o rosé 11,5%.
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Visto não ter tocado no chardonnay e não poder também fazer justiça à ligação do peixe com o rosado, vou abster-me de atribuir notas.
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Nota: Os vinhos foram enviados para prova pelo produtor.