quinta-feira, fevereiro 23, 2017

Carvalhas Memories

Há anos memoráveis e outros apenas uma fina camada de pó. Não fiz levantamento do que se foi passando ao longo dos séculos. Detenho-me em 1867 por ser dessa data o tronco do Vinho do Porto que assinala os 260 anos da Companhia Geral da Agricultura das Vinhas do Alto Douro – mais tarde ganhou a alcunha de Real Companhia Velha.
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O que se pode dizer dum vinho com 150 anos? Qualquer coisa será de menos e qualquer coisa será demais. Podem verter-se adjectivos, mas serão sempre substantivos. Não escrever nada, é nada.
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Valerá a pena contar se uma pequena elite o poderá provar? Bem, há a história, a estética, a gula e a inveja. Apenas 260 garrafas de tawny muito velho, cujo lote é 93% de 1867 e 7% de 1900.
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Os vinhos são como as pessoas: uns evoluem e outros não. Se há gente boa que falece jovem e canalhas idosos, no vinho só os melhores vivem longamente.
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Descrever um vinho destes é indiferente. Tem tudo o que um tawny velho deve ter, que um racho de pessoas identifica e outras tantas inventam. Não, não estou a dizer que os aloirados velhos são todos iguais. Têm diferentes intensidades e nuances nas sensações, sendo excelentes, a apreciação vai de boca.
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Origem: Porto
Produtor: Real Companhia Velha
Nota: 10/10

quarta-feira, fevereiro 22, 2017

Barca Velha 2008

O que se pode dizer dum Barca Velha é proporcional ao que pode ficar por dizer. É certamente o vinho português, como um todo, mais documentado e comentado. Cada um fala por si e…
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O Barca Velha 2008 é o mais recente. Quanto a mim, está acima de irmãos. O tempo dirá. Aqui, o tempo é determinante. É que a declaração só acontece quando se perspectiva uma longevidade fora do comum, além da exigida ao um Ferreirinha Reserva Especial – também ele com vida prolongada.
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No total, foram declarados 18 Barca Velha – sendo que existe uma garrafa de 1955, ano de que não existe documentação, que não foi nem rejeitada nem confirmada pela Sogrape. A raridade, a longevidade e o momento em que os bebi, sendo que nem todos tive oportunidade de saborear, não me permitem colocar numa escala que os classifique por uma ordem. Portanto, quando escrevi que este está acima de irmãos fiz qualquer coisa de insustentável do ponto de vista da argumetação.
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Luís Sottomayor é quem assinou, por último, o encargo de declarar Barca Velha. Pelo que me disseram, é um trabalho colectivo, mas cuja sentença é tarefa solitária. Possivelmente, poder assinar um vinho destes deve pesar, mas também é um privilégio e prazer.
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O Barca Velha 2008 fez-se com touriga franca (50%), touriga nacional (30%), tinta roriz (10%) e tinto cão (10%). Foi-me servido no maior copo de vinho que alguma vez levei à boca, eram talvez 21h00. Contou o escanção que fora aberto às 13h00 e decantado, com algum vigor, por duas vezes. Pois, ao conhecê-lo mostrou-se ainda contido… levou tempo a ver-se.
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A complexidade deste vinho retrata-se também através da evolução temporal. Os descritores iniciais, mais próximos da fruta, avançaram para as especiarias e diferentes madeiras. Vale a pena continuar? Certamente, a lista seria fastidiosa e, sabe-se, que as bocas e narizes têm diferentes memórias e sensibilidades… e o Barca Velha bebe-se quando se pode e deve, seja agora ou daqui por 30 anos. Venham eles e venham mais..
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Origem: Douro
Produtor: Casa Ferreirinha / Sogrape
Nota: 10/10

MR Premium Rosé 2015 + Monte da Ravasqueira Reserva Branco 2015 + Monte da Ravasqueira Alvarinho 2015 + Monte das Ravasqueira Tinto 2015 + Monte da Ravasqueira Reserva Tinto 2013 + MR Premium Tinto 2012

Pedro Pereira Gonçalves tem-se mostrado um enólogo não apenas talentoso, algo que só se manifesta quando de trabalha empenhadamente, como fiável, desde os vinhos mais modestos aos mais sofisticados ou exigentes.
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Conheci-lhe o trabalho quando trabalhou em Vale d’Algares, empresa com bons propósitos e elevados objectivos, mas que fracassou. Quanto a isso não há nada a fazer. O certo é que o Grupo José de Mello foi busca-lo e, devido aos resultados, o promoveu a administrador na Sociedade D. Diniz.
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Ali, no Monte da Ravasqueira, uma herdade de 3.000 hectares, Pedro Pereira Gonçalves, e a sua equipa, tem sabido tirar proveito das condições naturais. Não apenas naturais. Trata-se de terroir – para mim apenas as características naturais não fazem um terroir, pois a agricultura e a viticultura são humanas, por isso o homem integra essa coisa compósita e complexa expressa num vocábulo francês.
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Ainda assim, usando a definição mais comum, limitada ao ambiente, não há ninguém que não diga que a sua propriedade não tem um terroir. A marca Alentejo é valiosa, mas há sempre uma natural vontade, seja por crença ou conversa, de diferenciar o território. Cansadinho de ouvir: «Este Alentejo é diferente», porque o que sobra, pelo que dizem, é todo igual.
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Obviamente que o Alentejo não é todo igual, nem há só dois nem três. Tudo isto para dizer que concordo quando dizem que o Monte da Ravasqueira é um Alentejo diferente. Refiro-me aqui, naturalmente, às características físicas, particularmente à orografia.
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O relevo confere aos vinhos uma frescura nem sempre presente no Alentejo. Como sabeis, aqui não se prova vinho – regra geral. Sendo um sítio de paixão, «a garrafeira do infotocopiável» assume-se subjectiva. Ora bem, os vinhos agora contados foram bebidos em ocasiões diversas e na companhia de diferentes pessoas. Umas gostaram mais e outras menos, sabendo que não souberam da globalidade. O traço comum na avaliação foi a frescura.
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Começo por o MR Premium Rosé 2015, feito apenas com uvas touriga nacional. Muito fresco, mas guloso, é mais do que divertimento de Verão, pois acompanha muito bem alimentos mais suaves. É um dos meus rosados predilectos. Sendo um vinho de homenagem, da família a José de Mello, abstenho-me de o pontuar.
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Monte da Ravasqueira Reserva Branco 2015 resulta da junção de viognier (60%) e alvarinho (40%). A francesa tem nascido muito bem no Alentejo, já a minhota tem sítios – acontece sair na forma de rebuçado… infelizmente, na região do Vinho Verdes anda a aparecer muito como laranjada, mas é conversa para outro dia. Pelas características naturais como por a colheita ser mais cedo – deduzo pela graduação alcoólica de 12,5º – resulta bastante fresco e prazenteiro na boca.
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O Monte da Ravasqueira Alvarinho 2015 traduz a frescura já bastamente afirmada. Diferente do conhecido na região do Vinho Verdes e na Galiza, também não é igual ao que surge no Alentejo. Tomando-o à refeição, onde se sabe comportar, penso que agrada mais a solo.
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O Monte das Ravasqueira Tinto 2015 resulta da junção de aragonês (35%), touriga nacional (35%), syrah (20%) e alicante bouschet (10%). Bebido agora seria diferente, mas não foi – aconteceu em 2016. Mantenho a opinião que os tintos que saem meses depois da vindima estão mancos. Claro que bem feito e com qualidade, mas…
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O Monte da Ravasqueira Reserva Tinto 2013 traduz bem a grande qualidade que a empresa se propôs alcançar. Junta syrah (60%) a touriga nacional (40%), uma dupla complementar que confere gulodice e elegância.
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O MR Premium Tinto 2012 é um dos maiores vinhos alentejanos. Sendo um vinho de homenagem, fico-me por aqui.

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MR Premium Rosé 2015
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Origem: Regional Alentejano
Produtor: Sociedade Agrícola D. Diniz
Nota: X
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Monte da Ravasqueira Reserva Branco 2015
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Origem: Regional Alentejano
Produtor: Sociedade Agrícola D. Diniz
Nota: 7/10
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Monte da Ravasqueira Alvarinho 2015
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Origem: Regional Alentejano
Produtor: Sociedade Agrícola D. Diniz
Nota: 6,5/10
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Monte das Ravasqueira Tinto 2015
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Origem: Regional Alentejano
Produtor: Sociedade Agrícola D. Diniz
Nota: 5/10
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Monte da Ravasqueira Reserva Tinto 2013
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Origem: Regional Alentejano
Produtor: Sociedade Agrícola D. Diniz
Nota: 7/10
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MR Premium Tinto 2012
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Origem: Regional Alentejano
Produtor: Sociedade Agrícola D. Diniz
Nota: X
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Nota: Estes vinhos foram enviados para prova pelo produtor.

terça-feira, fevereiro 21, 2017

Carvalhas Branco 2014 + Carvalhas Vinhas Velhas 2011

A Quinta das Carvalhas situa-se à entrada da aldeia do Pinhão, na margem esquerda deste afluente do Douro. Os seus 600 hectares, dos quais 120 cultivados com vinha, vão da margem até aos 550 metros de altitude.
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Aí nascem uvas belíssimas, sem as quais não se faria bom vinho. A equipa de viticultura permite ao enólogo Jorge Moreira conseguir resultados ímpares. Agora chega o momento de contar dum branco e dum tinto, ambos merecem grande atenção.
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O Carvalhas Branco 2014 é para o Inverno – declaração redutora, servindo para expressar acompanhamento de comidas mais substanciais. Muito mais feliz (meu gosto) na boca do que se mostra no nariz, é um vinho que mostra mineralidade e acidez natural oculta (feliz) os 13,5% de álcool.
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O Carvalhas Vinhas Velhas 2011 é feliz por várias razões: expressa a natureza do local, mostra as características da região e traduz esse ano magnífico de 2011 – é um grande vinho. Apenas metade do vinho estagiou por 18 meses em barricas novas de carvalho francês. Bem bebido agora, quem o quiser guardar, faz bem.
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Termino este texto como comecei o anterior:
– Lembram-se do «Homem da Regisconta»?... Jorge Moreira é «aquela máquina»! O homem tem toque de Midas – felizmente Portugal tem mais gente capaz de tornar ouro em tudo onde põe a mão para expressar a vontade.
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Carvalhas Branco 2014
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Origem: Douro
Produtor: Real Companhia Velha
Nota: 8/10
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Carvalhas Vinhas Velhas 2011
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Origem: Douro
Produtor: Real Companhia Velha
Nota: 9/10
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Nota: Os vinhos Carvalhas foram enviados para prova pelo produtor.

Quinta do Síbio Field Blend Branco 2015 + Quinta do Síbio Ananico Branco 2015 + Quinta do Síbio Samarrinho 2015

Lembram-se do «Homem da Regisconta»?... Jorge Moreira é «aquela máquina»! O homem tem toque de Midas – felizmente Portugal tem mais gente capaz de tornar ouro em tudo onde põe a mão para expressar a vontade.
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Começou na Companhia Geral da Agricultura das Vinhas do Alto Douro, saiu e regressou. O trabalho tem projectado a multicentenária firma (1756), colocando-a no lugar que merece. O mais recente encargo decorre na Quinta do Síbio, propriedade desactivada durante anos.
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Fica entre Alijó e Favaios e tem 100 hectares lavrados, dos quais dez estão em modo de produção biológico – a propriedade tem um total de 130 hectares. Com a altitude compreendida entre os 150 e os 500 metros, a Quinta do Síbio tem junto a ribeira das Canadas, curso de água temporário.
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Conheci os seus primeiros vinhos brancos numa ocasião pouco propícia a avaliações. Se bem que diga apenas frases pessoais, intransmissíveis e subjectivas, pelo facto de os ter bebido em beberete com dezenas de pessoas não quero sentenciar.
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Essa ocasião serviu para os querer conhecer em momento mais tranquilo. Ainda assim quero manifestar a impressão causada. Foi das melhores! Mesmo das melhores!
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Foram-me apresentados o Quinta do Síbio Field Blend Branco 2015, o Quinta do Síbio Ananico Branco 2015 e Quinta do Síbio Samarrinho 2015. Apaixonado por todos, o meu coração prometeu-se ao samarrinho.

segunda-feira, fevereiro 20, 2017

Branco da Gaivosa Grande Reserva 2014 + Vale da Raposa Touriga Nacional 2013 + Vale da Raposa Sousão 2013 + Vale da Raposa Grande Escolha Tinto 2013 + Quinta da Gaivosa Porto Vintage 2013 + Quinta da Gaivosa Porto Tawny 20 Anos

O tempo passa a uma velocidade que o meu pensamento não consegue acompanhar. Em Dezembro, ao fazer a árvore-de-Natal choquei-me ao constatar que tinha sido na «véspera» quando a desfiz.
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Ora bem… a 15 de Dezembro de 2016 estive presente na apresentação dos vinhos de Domingos Alves de Sousa… Fevereiro vai mais de meio… não tarda estou a montar novamente a árvore-de-Natal e o miúdo, agora com nove anos, acabou a tese de doutoramento.
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As apresentações dezembrais são uma tradição. Todos os anos, Domingos e Tiago (seu filho) Alves de Sousa mostram novidades, novidades antigas e revisitações anuais – depois explico a diferença.
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As novidades: Branco da Gaivosa Grande Reserva 2014, Vale da Raposa Touriga Nacional 2013, Vale da Raposa Sousão 2013, Vale da Raposa Grande Escolha Tinto 2013, Quinta da Gaivosa Porto Vintage 2013 e Quinta da Gaivosa Porto Tawny 20 Anos.
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O Branco da Gaivosa Grande Reserva 2014 está no topo dos brancos do país, não apenas da região. É um vinho com frescura e gulodice, no sentido de exigir acompanhamento de prato. É muito elegante e tem um perfil mineral.
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O Vale da Raposa Touriga Nacional 2013 mostra-se conforme o esperado no Douro: mais frutada e menos floral – confesso que prefiro, de longe, a casta no Douro do que no Dão, onde andam a fazer umas invenções enjoativíssimas. Aplaudo-lhe o toque amargo e a acidez. Já é, mas vai ser… guardem-no.
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Tenho um problema com a casta sousão – dizem ser a mesma que a vinhão, do Vinho Verde, mas já me garantiram que é apenas gémea –, acho-a com uma acidez… não gosto! Na pátria do Vinho Verde é insuportável, no Douro… com o atrevimento dos ignorantes e dos jovens… digo: serve para conferir acidez aos vinhos, quando a climatologia não corre pelo melhor.
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Ora, tanto Domingos como Tiago Alves de Sousa sabem mais de vinho a dormir do que eu com Red Bull. Porém, narizes e bocas são ímpares e, embora reconhecendo virtudes, limito-me a dar o meu parecer absolutamente pessoal, intransmissível e subjectivo. O Vale da Raposa Sousão 2013 é bom vinho, mas sofre com o ADN – reafirmo que é um bom vinho.
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Domingos e Tiago Alves de Sousa contaram que 2013 é um ano que tem sido prejudicado pela proximidade de 2011 – realmente ímpar. Foi um ano de excelência e, de facto, os vinhos aqui apresentados confirmam o que os dois vinhateiros dizem.
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O Vale da Raposa Grande Escolha Tinto 2013 é excepcional, mostrando calor e frescura, entre a compota e a menta. Na boca com uma excelente estrutura, excelente acidez e promessa de muitos anos de vida.
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O Abandonado 2013 é um Bentley!
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Nem todos os anos nem todos os vinhos podem ser vintage. Por isso, sempre que um se apresente sabe-se que a qualidade é muito grande. Há, com certeza, uns mais solenes, outros mais fáceis, mais distintos. Normalmente, os vintage de quinta tendem a ser menos cotados do que os de firma, de lote mais complexo. Seja como for, o Quinta da Gaivosa Porto Vintage 2013 merece muita atenção. Como se depreende pela data, está na infância.
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Vou apreciando, em crescendo, os tawnies. Aqui, o Quinta da Gaivosa Porto Tawny 20 Anos deu-me muito bom prazer.
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Quanto às novidades antigas… boas surpresas ou confirmações: Alves de Sousa Pessoal Branco 2008, Quinta da Gaivosa Tinto 2011, Quinta da Gaivosa Vinha de Lordelo 2011, Alves de Sousa Reserva Pessoal Tinto 2007.
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A revisitação anual é o vinho que a família Alves de Sousa criou com os melhores de cada colheita e que servem de memória duma década. Todos os anos é servido ao jantar e é gratificante poder conhecer-lhe a evolução.
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Branco da Gaivosa Grande Reserva 2014
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Origem: Douro
Produtor: Alves de Sousa
Nota: 8/10
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Vale da Raposa Touriga Nacional 2013
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Origem: Douro
Produtor: Alves de Sousa
Nota: 7,5/10
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Vale da Raposa Sousão 2013
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Origem: Douro
Produtor: Alves de Sousa
Nota: 6/10
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Vale da Raposa Grande Escolha Tinto 2013
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Origem: Douro
Produtor: Alves de Sousa
Nota: 8/10
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Abandonado 2013
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Origem: Douro
Produtor: Alves de Sousa
Nota: 9
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Quinta da Gaivosa Porto Vintage 2013
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Origem: Porto
Produtor: Alves de Sousa
Nota: 8,5/10
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Quinta da Gaivosa Porto Tawny 20 Anos
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Origem: Porto
Produtor: Alves de Sousa
Nota: 8/10

Duorum Colheita Tinto 2014

Não tem muitos anos, esta referência é já clássica. Obviamente, não é por acaso, mas porque a mão sábia e certeira de quem o faz alinhou um perfil próprio. Colheita após vindima, sabe-se o que vem – aspecto que muito prezo.
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A fórmula é típica da região, o 4-4-2 eficiente. Ou seja, 40% de touriga franca, 40% de touriga nacional e 20% de tinta roriz. Tem no aroma e sabor o Douro Superior e uma elegância nem sempre presente nos vinhos da região.
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Origem: Douro
Produtor: Duorum Vinhos
Nota: 6/10
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Nota: Este vinho foi enviado para prova pelo produtor.

Monólogo Chardonnay 2015 + Monólogo Arinto 2015 + Monólogo Avesso 2015

A região dos Vinhos Verdes é conhecida pela sua frescura e daí não ser de estranhar que os vinhos da sub-região de Baião o sejam. Conheci há poucos meses este produtor e a avaliação é positiva. Espero, certamente assim acontecerá, que mantenha o rumo.
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O primeiro vinho é uma surpresa relativa. A casta chardonnay, por vezes amanteigada em demasia, resulta bem no Minho, resultando bastante gulosa e completando uma ementa diferente da habitual na região dos Vinhos Verdes.
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Não sei se já o escrevi – já o disse em voz alta – que a arinto é a melhor casta branca portuguesa. Faz milagres, além de óptima nos seus berços mais conhecidos, como é o caso dos Vinhos Verdes. Este tem uma frescura e equilíbrio que muito prazeitaram.
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O avesso vai ser moda. Assim espero. Não tenho pretensões em fazer moda ou de influente opinador, nem sou profeta nem tenho o dom da adivinhação. Isto que digo ouvi-o a produtores, que, embora sejam parte interessada, não gostarão de perder dinheiro e, por isso, evitam fazer desnecessidades. Reconhecendo-me anão cultural, para ser peremptório por conta própria, tenho apenas a dizer que vou conhecendo avessos muito prazenteiros.
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Pelo que me disseram, a avesso não costumava ser muito louvada. Bem, quanto ao Monólogo Avesso 2015 tenho a dizer que gostei mesmo muito. Com frescura – olha a novidade – e com a diferença que se exige quando uma variedade de uva marca um território.
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Monólogo Chardonnay 2015
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Origem: Regional Minho
Produtor: A&D Wines
Nota: 6/10
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Monólogo Arinto 2015
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Origem: Vinho Verde
Produtor: A&D Wines
Nota: 6,5/10
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Monólogo Avesso 2015
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Origem: Vinho Verde
Produtor: A&D Wines
Nota: 6,5/10
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Nota: Estes vinhos foram enviados para prova pelo produtor.

sábado, janeiro 28, 2017

Mateus Sparkling Brut Rosé Baga and Shiraz

Tudo influencia tudo. A partir desta sentença, transitada em julgado, poderia começar a conjurar ideias que comprovassem a Teoria do Caos.
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Deixo livre a borboleta que ao voar, na China, desencadeia uma tempestade em Nova Iorque, para contar a razão desta conversa.
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Abri e verti e apaixonei-me deliciado, suplicando por uma musse de framboesa. Não sou sensível a chantagens, ameaças nem cores de vinho, mas aqui fraquejei.
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A partir do contágio da cor e da espuma abundante fiquei quase obcecado com a musse. Porém, uma omeleta de cogumelos, queijo, cebola, pitada de caril e tomilho foi petisco feliz.
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Origem: X
Produtor: Sogrape
Nota: 6/10

Quinta do Valdoeiro Branco Colheita 2015 + Quinta do Valdoeiro Tinto 2012 + Quinta do Valdoeiro Baga Chadonnay 2013 [Espumante] + Messias Grand Cuvée Brut Milésime 2012 (Método Clássico) (Baga, Bical e Chardonnay) + Quinta do Penedo Tinto 2012 + Quinta do Cachão Tinto 2013

Há coisas que tenho dificuldade em definir. Às vezes consigo em longas deambulações, nem sempre bem centradas, nem sempre afinadas, nem sempre acertadas. O que se pode dizer de um vinho?
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Embirro com descritores, tantas vezes não dizem nada e muitas outras dizem o que todos os concorrentes, jornalistas, bloguistas, lojistas e curiosos repararam no contra-rótulo.
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Não estou a dizer que não tenha usado ou não use descritores. Apenas me fartei de escrever descrições redutoras. Frutos do bosque ou notas balsâmicas – mais outras – há com fartura, do excelente ao desinteressante.
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Outra ferramenta é a adjectivação do tempo ou considerando-o como substantivo – é livre. É um vinho moderno, clássico, com conceito inovador ou à moda antiga.
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Ora, aí está alguma coisa em que acredito ser mais interessante e ajustado. Para quem gosta de cor na escrita, a fruta e as flores vêm (finalmente) dar uma ajuda.
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Isto vem a propósito da colecção que a firma Messias me fez chegar para que:
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1) Os provasse.
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2) Os bebesse – relembro que não sou crítico, apenas amador interessado e assumo a falta de condições perfeitas para prova e que o meu blogue é, todo ele, emocional e subjectivo.
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O motivo do envio não é meu. A opção de beber, em vez de provar, é minha.
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Esta colecção é difícil de explicar. Há um Douro, um Dão e vários da Bairrada complexa. Isto, só por si, não é bom nem mau. Mas esta «dificuldade» é parte do charme bairradino.
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Não tenho nada contra os vinhos muito alcoólicos desde que tenham acidez, o que tantas vezes não acontece. No caso destes Messias há uma frescura natural auxiliada pelo baixo teor alcoólico.
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Vinhos frescos e pouco alcoólicos são um perigo!... Aqui devia entrar um bonequinho amarelo a piscar um olho. Perigosos porque vão contentemente tomar-nos sem revolução.
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Regressando à colecção… e pondo o Douro à parte… tenho dificuldade em discernir se são modernos ou clássicos, embora tenda para um desenho mais conservador. Aqui entra outra complicação: o estilo da casa e/ou do enólogo.
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Quanto a mim, não os querendo colocar nos modernos ou clássicos, nem marcar com a assinatura imperativa do técnico superior, afirmo que respeitam a tradição da casa. Não são os vinhos de antigamente, mas não são da moda.
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E identidade, que implica carácter, é algo que valorizo muito.
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A diversidade desta colecção, separando-os e atando-os, não me permite valorizar ou penalizar qualquer um destes vinhos. Aqui junto o Dão à Bairrada. O Douro, entre o meu afecto e o estilo da casa, pontuo-o solidariamente.
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Quinta do Valdoeiro Branco Colheita 2015
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Origem: Bairrada
Produtor: Sociedade Agrícola e Comercial Vinhos Messias
Nota: 7/10
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Quinta do Valdoeiro Tinto 2012
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Origem: Bairrada
Produtor: Sociedade Agrícola e Comercial Vinhos Messias
Nota: 7/10
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Quinta do Valdoeiro Baga Chadonnay 2013 [Espumante]
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Origem: Bairrada
Produtor: Sociedade Agrícola e Comercial Vinhos Messias
Nota: 7/10
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Messias Grand Cuvée Brut Milésime 2012 (Método Clássico) (Baga, Bical e Chardonnay)
Origem: Bairrada
Produtor: Sociedade Agrícola e Comercial Vinhos Messias
Nota: 8/10
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Quinta do Penedo Tinto 2012
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Origem: Dão
Produtor: Sociedade Agrícola e Comercial Vinhos Messias
Nota: 7,5/10
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Quinta do Cachão Tinto 2013
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Origem: Douro
Produtor: Sociedade Agrícola e Comercial Vinhos Messias
Nota: 7/10