domingo, junho 25, 2017

Loios Branco 2016 + Marquês de Borba Branco 2016

De Estremoz chegaram-me dois brancos diferentes um do outro – convém, mas nem sempre acontece – e complementares. Ambos felizes para o Verão e capazes de irem para a mesa com comida.
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O Loios Branco 2016 fez-se com as castas arinto, rabo de ovelha e roupeiro. Tem uma frescura e baixo teor de álcool, 12,5% – ainda há uns anos seria estranho. É para momentos descontraídos e alinha com saladas e mariscos.
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O Marquês de Borba Branco 2016 tem mais corpo e aguenta-se a pratos um pouco mais substanciais – isto não é cozido à portuguesa, obviamente. Direi queijos e carnes de aves. Tal como o anterior, a graduação alcoólica é de 12,5%.
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Embora antipatizando com a antão vaz, reconheço que quando em teores alcoólicos mais baixos funciona bem. A ela se somam uma das grandes castas portuguesas e uma francesa que se dá muito bem no Alentejo. O Marquês de Borba Branco 2016 é um lote de arinto, antão vaz e viognier.
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Loios Branco 2016
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Origem: Regional Alentejano
Produtor: João Portugal Ramos
Nota: 4,5/10
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Marquês de Borba Branco 2016
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Origem: Regional Alentejano
Produtor: João Portugal Ramos
Nota: 5/10
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Nota: Estes vinhos foram enviados para prova pelo produtor.

sábado, junho 24, 2017

Grão Vasco Branco 2016 + Grão Vasco Tinto 2016

Grão Vasco é das marcas mais antigas de que tenho na memória. É dum tempo em que o Dão tinha fama e em poucas casas havia uma referência com identidade. A região decaiu e está a ressurgir.
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Os renascimentos não se fazem sozinhos, mas quando uma empresa com a dimensão da Sogrape se põe a trabalhar é certo que a aposta é ganha. O Dão ainda não recuperou completamente a fama, mas têm surgido firmas competentes. Pela minha memória, fico feliz por o Grão Vasco estar nesta causa.
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Nestes dois vinhos, a Sogrape assume a imagem que marcou os rótulos: São Pedro no trono, pintura de Vasco Fernandes datada do início do século XVI. É uma associação feliz, visto o Grão Vasco, alcunha com que o artista passou para a história, ter uma ligação, por nascimento e ofício, à cidade de Viseu. Esta obra está no pequeno, mas excelente museu que herdou o nome deste mestre renascentista, situado na capital do Dão.
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Há uma outra novidade que surge na etiqueta: a referência a Carvalhais. A Quinta de Carvalhais é a principal propriedade da Sogrape no Dão e dá o nome a vinhos de grande qualidade. Aqui aparece como simples alusão, pois nestes nem todas as uvas foram colhidas no domínio.
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Contudo, o que importa não é o embrulho, mas o presente. As oferendas são o que deu fama à região: elegância. O Grão Vasco Branco 2016 é um lote de encruzado (39%), malvasia fina (37%), bical (16%) e gouveio (8%) e tem frescura e capacidade para acompanhar comida. O Grão Vasco Tinto 2016 é um conjunto de touriga nacional (42%), tinta roriz (25%), alfrocheiro (24%) e jaen (9%).
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Nenhum dos vinhos passou por madeira. Há uma moda ou tendência, em Portugal, de louvar os vinhos sem estágio em madeira – provavelmente, em grande parte, para não assumir os cortes nas despesas. Pois que sim e também pois que não, como em tudo.
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Reconheço que esta situação me chateia um bocadinho. Passa-se do elogio à madeira – mesmo quem não abusava – para o conceito do esplendor da fruta e das flores. Raramente, muito raramente, um tinto que não tenha passado por um recipiente de pau me contenta. Não que Grão Vasco Tinto esteja desgostoso, mas falta-lhe aquele-não-sei-o-quê…
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Mas de enologia e de vender vinho não percebo nada. E de previsões ainda menos.
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Quando foram apresentados, houve uma demonstração da longevidade dos vinhos do Dão. Tanto os brancos (1981, 1983 e 1992) como os tintos (1977, 1991 e 2006) estão joviais e são cheios de prazer.
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Grão Vasco Branco 2016
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Origem: Dão
Produtor: Sogrape
Nota: 6/10
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Grão Vasco Tinto 2016
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Origem: Dão
Produtor: Sogrape
Nota: 5,5/10

Assobio Branco 2016 + Assobio Rosé 2016

É Verão, pois é. Estes dois vinhos falam a sua linguagem. Alegram o fim do dia, a refeição e o serão. Descalço e sem pensar em preocupações. Tanto um como o outro, são filhos de uvas típicas do Douro.
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O Assobio Branco 2016 é um lote de códega de larinho, gouveio, rabigato, verdelho e viosinho. É um vinho com frescura, no nariz e na boca. É escorregadio e com um saudável volume de álcool: 12,5%.
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Não posso afirmar que um é superior ao outro, mas Assobio Rosé 2016 caiu-me mais no goto. É um lote de rufete, tinta roriz, tinto cão e touriga nacional. Este tem um teor alcoólico superior (13,5%), mas tem frescura que o alivia.
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Assobio Branco 2016
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Origem: Douro
Produtor: Esporão
Nota: 5,5/10
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Assobio Rosé 2016
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Origem: Douro
Produtor: Esporão
Nota: 5,5/10
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Nota: Estes vinhos foram enviados para prova pelo produtor.

sexta-feira, junho 23, 2017

Esporão V 2016 + Esporão 2 2016

Vieram ter ao meu copo dois vinhos brancos do Esporão, casa já sedimentada situada em Reguengos de Monsaraz, que se recomendam para o estio, que ainda agora começou e já mostrou o Inferno.
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O V significa verdelho e traz ao nariz o doce do maracujá e o fresco dos citrinos. É um vinho intenso na boca. Tem uma frescura que nem sempre se encontra nos brancos alentejanos.
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O 2 revela-se óbvio: duas castas. A roupeiro e a viosinho, em partes iguais. Não o coloca nem acima nem abaixo do anterior, mas encontro-o mais curioso, pela conjugação de duas variedades das terras quentes, mas afastadas. A roupeiro do Sul e a viosinho do Douro.
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Embora com notas cítricas, o 2 não é parecido com V. Nem que seja por isso, vale a pena compará-los em simultâneo ou em sequência. Só porque é giro! J
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V (Verdelho) 2016
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Origem: Regional Alentejano
Produtor: Esporão
Nota: 5,5/10
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2 (Duas Castas – Roupeiro e Viosinho) 2016
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Origem: Regional Alentejano
Produtor: Esporão
Nota: 5,5/10
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Nota: Estes vinhos foram enviados para prova pelo produtor.

Papa Figos Branco 2016

O papa-figos é um passarinho bonito e migratório. O Papa Figos é um vinho com carácter inspirado na leveza que se espera duma pequena ave. Não vai e vem todos os anos, porque cada ano é um nado-vivo.
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Este branco é o segundo passarinho. Naturalmente estará para criar ninho, pois teve muito acolhimento – como acontecia também com o tinto. Os rótulos distinguem-se pelo género da ave: o macho surge no tinto e a fêmea no branco.
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O Papa Figos Branco 2016 é um lote de castas típicas do Douro e a arinto, que, apesar de plantada na região, lembra-me outros locais – variedade que sou muito apreciador. A fórmula: 55% de rabigato, 15% de viosinho, 15% de arinto, 10% códega e 5% de moscatel galego. Os frutos vieram de vinhas de locais elevados, da sub-região do Douro Superior.
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Papa Figos Branco 2016
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Origem: Douro
Produtor: Casa Ferreirinha (Sogrape)
Nota: 5,5/10
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Nota: Estes vinhos foram enviados para prova pelo produtor.

Tyto Alba Tinto 2013

Há surpresas, mesmo quando chegam de casas que conhecemos qualidade e enólogos de competência – Companhia das Lezírias e Bernardo Cabral. Fiquei deslumbrado com este tinto.
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A simplicidade é algo mais complicado do que o pensamento súbito pode concluir. Nada me pareceu a mais. A perfeição não existe, aqui poderia dizer que aconteceu. Porquê? Nada em especial: caiu-me no goto.
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Fez-se com alicante bouschet, touriga franca e touriga nacional. Os 14% de álcool não lhe pesam.
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Origem: Tejo
Produtor: Companhia das Lezírias
Nota: 6/10

terça-feira, junho 06, 2017

Cistus Grande Reserva 2009

Belo! Não me ocorre outra palavra. Digo que aqui não é adjectivo, mas substantivo. É um vinho que tem a alma do Douro, não engana, de aroma e paladar. Está vivo e promete cá andar uns bons anos.
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O produtor declara Cistus Grande Reserva apenas em anos que considera excepcionais. Antes deste houve em 2004 e 2008.
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Este vinho, filho de uvas da sub-região do Douro Superior, é um lote de tinta roriz (42%), touriga franca (35%) e touriga nacional (23%). Estagiou durante 21 meses em barricas novas de carvalho francês.
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Origem: Douro
Produtor: Quinta do Vale da Perdiz
Nota: 8/10

segunda-feira, junho 05, 2017

Lancers Branco + Lancers Rosé + Avis Rara Branco 2016 + BSE 2016 + Periquita Branco 2016 + Periquita Rosé 2016 + Quinta de Camarate Branco Seco 2016 + Quinta de Camarate Branco Doce 2016 + Quinta de Camarate Rosé 2016 + Colecção Privada Domingos Soares Franco Verdelho 2016 + Colecção Privada Domingos Soares Franco Moscatel Roxo 2016

A firma José Maria da Fonseca apresentou as propostas para o Verão. É claro que os vinhos devem ser bebidos quando apetece, mas há épocas em que cada género acompanha melhor. Não gosto da expressão «vinho para o Verão», todavia não encontro, de momento, outra melhor.
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Como é Verão, esta empresa criou um guia de esplanadas: www.guiadeesplanadasbse.pt
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São 11 vinhos. Não há refeição ou outro convívio que não tenha proposta desta vinícola de Azeitão. Dos mais populares aos mais formais – embora a formalidade no Verão seja um conceito um pouco extravagante.
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A propósito de extravagância, apareceram uns extraterrestres. Quero com isto dizer, uns vinhos que poucos ousam fazer: ou estão fora de moda ou parece mal ou outra coisa qualquer. Deixo-os para o fim.
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O Lancers é um clássico português, tendo surgido em 1944, sucedendo ao Faísca. Começou por ser apenas rosé e há uns anos evoluiu para um vinho branco. Tem o Verão no ADN. Esta edição tem uma imagem renovada.
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A firma abriu concurso para uma edição especial, restrita a alunos do IADE (Instituto de Arte, Design e Empresa), tendo recebido cerca de 150 propostas. Escolheu a ideia de Soraia Morgado, que se inspirou na pop art e na banda desenhada.
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Uma vez mais, o Lancers não desilude. Ano após ano, a regularidade impera. Pese que esta edição não tem indicação de ano de colheita. Isto é válido tanto para o branco quanto para o rosado.
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O BSE 2016 mantém-se fiel à tradição. Leve e despreocupado, pronto para a mesa ou só para a diversão. Quem me lê sabe o quanto detesto a casta antão vaz… pois Domingos Soares Franco, que dirige a enologia, consegue pôr-me a gostar de um vinho com aquela uva maldita. Aqui, está com 64%, sendo a parte restante de arinto.
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O Periquita Branco 2016 tem outro balanço, pede mais mesa do que o BSE. Continua descomplicado e fácil e não o dou como vinho de estação. Não é só para Junho a Setembro. Fez-se com verdelho/verdejo (62%), viognier (33%) e viosinho (5%).
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O Periquita Rosé 2016 é um vinho de calções. Direi que tem menor vocação de mesa do que o irmão branco, mas vai lindamente com umas saladas e grelhados. Fez-se com castelão (52%), aragonês (26%) e trincadeira (22%).
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Achei o Quinta de Camarate Branco Seco 2016 um pouco excessivo na boca. Cansou-me um bocadinho. Possivelmente devido à quantidade de alvarinho (77%), que a Sul nem sempre sai do meu agrado. A parte restante é de verdelho.
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O Quinta de Camarate Rosé 2016 tem a cereja pouco madura e toques vegetais, da touriga nacional (72%) e da cabernet sauvignon (28%). Dançam bem uma com a outra e daí resulta um vinho para a mesa.
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Domingos Soares Franco assina alguns dos vinhos da empresa, responsabilidade incomum. Colecção Privada Domingos Soares Franco Verdelho 2016 expressa uma saborosa tropicalidade, sem qualquer enjoo. Este não é para piscina, é para a mesa, mesmo que se continue com chinelos havaianos.
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Acho que me convenceram. Tanto estranhei os rosés de moscatel roxo que acabei rendido. O Colecção Privada Domingos Soares Franco Moscatel Roxo 2016 é para a mesa ao fim da tarde.
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Agora os extraterrestres. Na década de 80, do século passado, surgiu um branco doce que fez sensação. Produzido na Península de Setúbal, com uvas moscatel de alexandria, o João Pires era muito procurado e aplaudido.
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Depois passou de moda. Há muitos factores que levam as coisas – e as pessoas – a passarem de moda. Não irei por teses sábias quanto a isso. Digo é que, além de deixar de ser fixe, o doce tornou-se foleiro.
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Ora pois, que juízo tenho pouco – não por questão de gosto, mas por ao assumir – tenho a declarar que gosto de vinhos doces. Não me refiro aos consensuais de vindimas tardias, generosos e licorosos. Gosto dos chamados «vinhos maricas».
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Aqui há coragem de dar a volta ao preconceito. A José Maria da Fonseca decidiu fazer vinho doce com qualidade e, espero, tire as teias de aranha da cabeça de muita gente.
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O Quinta de Camarate Branco Doce 2016 resulta dum lote de alvarinho (72%) e loureiro (28%) e mostra-se elegante, com ares frescos e sabores mais gordos. Não sei que comida lhe pôr, mas irá bem…
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O Avis Rara Branco 2016 é mesmo maluquice. É um salto às memórias da década de 80. Não é que seja o gémeo do João Pires, mas a gulodice do moscatel (50%) é rica em lembranças. A parte restante é de fernão pires. Vem dos solos quentes de areia e traz as flores da primeira casta e o pêssego da segunda.
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Lancers Branco
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Origem: x
Nota: 4,5/10
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Lancers Rosé
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Origem: x
Nota: 4,5/10
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Avis Rara Branco 2016
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Origem: Regional Península de Setúbal
Nota: 5/10
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BSE 2016
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Origem: Regional Península de Setúbal
Nota: 5/10
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Periquita Branco 2016
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Origem: Regional Península de Setúbal
Nota: 5,5/10
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Periquita Rosé 2016
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Origem: Regional Península de Setúbal
Nota: 5,5%
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Quinta de Camarate Branco Seco 2016
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Origem: Regional Península de Setúbal
Nota: 6
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Quinta de Camarate Branco Doce 2016
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Origem: Regional Península de Setúbal
Nota: 6
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Quinta de Camarate Rosé 2016
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Origem: Regional Península de Setúbal
Nota: 6,5/10
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Colecção Privada Domingos Soares Franco Verdelho 2016
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Origem: Regional Península de Setúbal
Nota: 7,5/10
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Colecção Privada Domingos Soares Franco Moscatel Roxo 2016
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Origem: Regional Península de Setúbal
Nota: 7,5/10

segunda-feira, março 27, 2017

Bohemia senta o país à mesa em locais diferentes

Mesas Bohemias é um projecto gastronómico que vai juntar restaurantes de todo o país, mas fora dos seus locais originais. Apoiado pela Central de Cervejas, a iniciativa alia a comida tradicional às quatro cervejas Bohemia. A primeira ronda surge a 30 deste mês e vai até 2 de Abril.
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Nesta primeira etapa, o lisboeta «D. Afonso o Gordo» recebe o portuense «Casa da Inês». Na segunda fase, entre 6 e 9 de Abril, «O Restaurante Noélia», de Cabanas de Tavira, instala-se no «BH Foz», do Porto. Rodrigo Meneses, que tem ganho notoriedade no canal 24 Kitchen, é o chefe consultor.
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As especialidades das casas são harmonizadas exclusivamente com as diferentes cervejas: Bohemia Original, Bohemia Puro Malte, Bohemia Trigo e Bohemia Bock, além de Água do Luso. Cada refeição está limitada a 60 comensais, com preço unitário de 30 euros, e sujeitas a marcação.
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Para já, a organização não divulga quais os outros restaurantes participantes, cidades abrangidas e datas. Mais informações podem ser encontradas em https://www.mesasbohemias.pt/

quinta-feira, março 23, 2017

Casa Santa Vitória apresenta novidades

Gosto de pesquisar antes de escrever e agora fiquei surpreendido. A Casa Santa Vitória é, perspectivando, uma firma recente, criada em 2002. É curioso como dava como adquirido uma fundação mais distante.
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Nos 127 hectares de vinha estão plantadas as castas tintas alfrocheiro, alicante bouschet, aragonês, baga, cabernet sauvignon, merlot, syrah, tinta caiada, touriga nacional e trincadeira. Nas brancas, as variedades escolhidas são antão vaz, arinto, chardonnay, sauvignon blanc, verdelho e viosinho.
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O domínio é formado por cinco herdades, situadas numa zona bastante quente, não distante de Aljustrel, Beja e Ferreira do Alentejo. A secura é compensada com a proximidade da barragem do Roxo. Daí advém frescura.
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Convidado a provar alguns dos vinhos, coisa que há algum tempo não fazia, gostei do que bebi:
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O Versátil Branco 2016 é um lote de antão vaz, arinto e viosinho, sem estágio em madeira. Resulta muito bem, com frescura do arinto e algum exotismo concedido pelo viosinho.
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O Santa Vitória Branco 2016 fez-se com as castas arinto e verdelho e não conheceu estágio em madeira, mostra-se fresco e apetitoso, exigindo comida.
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O Santa Vitória Grande Reserva Tinto 2014 está um vinhaço! É um conjunto das castas cabernet sauvignon, syrah e touriga nacional, que conheceu 14 meses de estágio em barricas novas de carvalho francês e um ano em garrafa.
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O Inevitável 2014 é um tinto acima e que dificilmente não preencherá uma parcela importante duma refeição e sua conversa gastronómica. É um vinho fresco e com uma fórmula interessante de duas castas com «verdura»: baga (50%) e cabernet sauvignon (50%).
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A área de vinha é apenas uma parte do território da Casa Santa Vitória, que totaliza 1.620 hectares. O olival ocupa 150 hectares, sendo dominado pelas cultivares cobrançosa, cordovil, galega e picual. Ali produzem-se também frutas, nomeadamente ameixa, nectarina, pêra rocha e pêssego. O cultivo de cereais tem igualmente relevância. Uma vez que a firma faz parte do grupo Vila Galé, o turismo é uma componente relevante da actividade.
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A enologia está entregue a Patrícia Peixoto, conta com consultadoria de Bernardo Cabral, que em tempos dirigiu os trabalhos. Em termos de produtos, há 12 vinhos um azeite e um vinagre, com estágio de um ano em barrica, ambos com a designação Santa Vitória.
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Quero saudar a franqueza da enóloga em assumir o uso de madeira como componente do vinho. Sinceramente, estou cansado do modismo dos vinhos sem madeira, em que a fruta é o Graal. Obviamente que existe quem o faça por conceito e gosto pessoal, mas, parece-me, que hoje a má fama da madeira se deve sobretudo ao preço das barricas. Há muita conversa para justificar opções.
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A base é constituída pelos Versátil Branco, Versátil Rosé e Versátil Tinto. A gama da marca Santa Vitória é formada por reservas e monovarietais – Santa Vitória Reserva Branco, Santa Vitória Reserva Rosé, Santa Vitória Reserva Tinto, Santa Vitória Cabernet Sauvignon, Santa Vitória Touriga Nacional, Santa Vitória Grande Reserva Branco, Santa Vitória Grande Reserva Tinto e Santa Vitória Licoroso. No topo está o tinto Inevitável.