quarta-feira, Janeiro 31, 2007

Um prazer muito grande

Alinhei os espargos verdes e cortei-os em bocadinhos pequeninos. Pequenos cilindros verdes. Bati dois ovos e joguei-lhes uma pitada de sal e os verdes. Despejei a mistura em azeite quente. Azeite novo, em cru de odor a erva cortada e gosto adocicado... de Moura. Fui mexendo os ovos até estarem mexidos que chegassem.
Uma simplicidade destas deu muito prazer. E a sede matou-se fraternamente com um Viúva Gomes branco de 1994.
O vinho estava muito afinado e elegante. Não sei o que dirão puristas e os mais entendidos sobre a ligação duns singelos ovos mexidos com espargos com um burguês Colares branco com 12 anos, mas a mim calhou-me muito bem.

«Viúva Gomes» Reserva Branco Colheita 1994
Região: Colares
Teor alcoólico: 11%
Produtor: Jacinto Lopes Baeta e Filhos
Nota: 6/10

Porco em alerta: os benditos dos secredos

O companheiro das andanças da cidadania crítica aplicada ao vinho do blogue Copo de 3 largou uma bisca cheia de acerto num comentário aqui da casa. Com tanto acerto que me lembrei duma conversa tida com alguém de interesse e que agora reproduzo o conteúdo.
A tirada certeira do amigo Copo de 3 foi sobre a abundância de carnes de porco preto nos restaurantes portugueses e veio a propósito dum texto sobre gatos e lebres em restaurantes e a tolerância das gentes das cozinhas lusas à crítica da clientela, da crítica e dos bloguistas.
Confesso que desconheço o efectivo nacional de porco preto, que por cá se designa de porco alentejano, mas que é igual ao de Espanha. Não sei qual é o efectivo animal, nem o número de abates mensal, nem o ciclo reprodutivo, nem a rotação das varas, nem sei do tráfico fronteiriço. Não sei números nem fui investigar.
O que sei é que é fácil e comum encontrar bifes, febras, lombinhos, lombetes, plumas, secredos, coisinhas e perlimpimpins sem fim de porco preto na restauração portuguesa. Às vezes o sabor é um, outras vezes é outro e outras é o sabor do outro.
E é aqui que entra a sabedoria duma senhora de mãos sábias, salsicheira de profissão e artesã por convicção e militância. Ah! Alentejana, já se vê! Pois, quando se fala de porco alentejano há que chamar a depor quem melhor lhe conhece as manhas e o corpo. Dizia-me a senhora que não percebia como era possível ver-se nos restaurantes tantas ementas com secredos de porco preto, sabendo que cada animal só tem dois.
A senhora, que tem nas mãos duas ferramentas do seu ofício, também me disse que há gente com artes. A senhora não me disse mas sei, todos sabemos, que o cidadão comum não é licenciado em carnes nem frequentou a escola de corte de carne. Sem grande dificuldade se enganam as gentes.
Pois não sei o que responder ao enigma da artesã salsicheira. Possivelmente haverá uma resposta matemática, uma probabilidade estatística de ninguém estar a ser enganado quando pede secredos de porco preto num restaurante. Porém, conhece-se a espécie humana e a habilidade de muita gente com restaurante aberto neste país.
A mim parece-me que, sendo os secredos uma raridade no porco e sendo esta carne alvo de cobiça, que o seu preço seja elevado. É sempre o mesmo mecanismo do mercado. Para não dizer mais: Julgo que todos já encontrámos secredos ao preço da febra.

Nota: Por lapso meu, durante umas horas referi-me a plumas e não a secredos. Foi uma traição da memória ao rigor, coisa que se corrigiu graças à lembrança sábia da amiga Mafalda, que presenciou um episódio de indrominanço num talho, a quem agradeço a ajuda. Por isto, peço desculpa a todos os leitores.

Segunda Nota: O companheiro do Copo de 3 veio aqui corrigir-me e fui verificar e está com razão, não é secretos, mas segredos de porco. Emendado e nova desculpa aos leitores.

Charcutaria Francesa - Pettermann

Rua Manuel Bernardes, 5A - Lisboa (à praça das Flores)

Conheci esta casa ainda ela se situava na rua D. Pedro V, ali ao Príncipe Real. A vida dá voltas e o dono do estabelecimento teve de fazer as malas e encontrar novo poiso para servir refeições. A mudança não trouxe grandes novidades, o que é bom e mau. O que é positivo espera-se que não mude. O que não se gosta espera-se que melhor. Todavia, o saldo é claramente positivo.
A nova casa continua bem arranjada e agradável aos olhos. No entanto, não é um espaço aperaltado ou formal. Está-se descontraído no sítio. O serviço é atencioso, educado, competente e simpático. Neste ponto, só há a notar como negativo a grande demora pelos pratos. Espera-se bastante entre entradinhas, mimos e a refeição, pelo que se deseja alguma paciência. Este é, aliás, o maior defeito da casa.
As entradinhas vão variando conforme os apetites do cozinheiro, tal como a ementa. Não é muito vulgar ouvir recitar muitos dos mesmos pratos. Ponto de ordem à mesa: recitar? Sim. Não há ementa escrita, mas dita. Já fui repetidamente a este local e há alguns pratos que se repetem, mas a cozinha renova-se. De positivo: a renovação e a imaginação das gentes da casa. Duvidoso: a ementa ditada, embora seja uma originalidade facilmente defensável.
A cozinha não é a tradicional portuguesa, embora também existam pratos da nossa tradição. Esta é mais de carácter internacional, com interpretações pessoais. Atrás dos tachos está gente competente, que desempenha sem espalhafato a sua função. Não posso enumerar tudo o que ali já comi das várias vezes em que entrei. Contudo, para que se tenha ideia do que se pode degustar cito as atracções das últimas refeições ali tidas: bacalhau com broa e entrecosto no forno com mel. Há sempre um mimo oferecido pela casa, um caldinho para aquecer o estômago. Nas sobremesas destaco o bolo de chocolate.
Para não variar muito, o vinho entorna-se um pouco nos preços. Contudo, esta não é das casas onde é maior a nódoa inflaccionista. Aliás, basta fugir aos vinhos e às regiões da moda e pode beber-se um vinho fácil e descomplicado a preço acessível. Por outro lado, a carta precisava, à última visita, de levar uma grande volta, facto que é da consciência do proprietário. Os vinhos são na sua maioria de gama média-baixa ou baixa, tanto tintos quanto brancos. A situação nos brancos é mais grave por a escolha ser muitíssimo limitada. Por exemplo, alguns pratos aguçam apetites mais altos, numa das últimas vezes pedi mexilhões à belga (julgo que era assim que se designava a iguaria) e lamentei a ausência dum chardonnay que os escoltasse. Já nas aguardentes velhas, os preços praticados são absolutamente aceitáveis e viáveis, havendo alguma variedade de escolha.
Tudo isto somado - couvert, entrada, prato, vinho, sobremesa e café - fica a refeição muito em conta, entre os 25 e os 30 euros. O preço mais do que aceitável é uma pérola. O local é civilizado e a lamentável espera pelo prato é mais do que desculpável ponderados todas as vantagens da casa. Absolutamente recomendável.

Críticas, patranhas e outros mal-amanhados

Não há nada como escrever umas verdades para surgirem uns comentários anónimos. É tipo isco! Dá-se um pouco mais de corda, o peixe sai lançado e quando volta já dá o nome. Isto é válido para muita coisa que surge na blogosfera. O Mal-Amanhado foi fisgado, mas não foi o primeiro nem será o último.
O que tem esta temática a ver com a mesa? Tem que aconteceu mais do que uma vez escrever aqui umas larachas e os benditos dos ditos cujos lerem e não gostarem. Paciência! Azaritos! O burgo é pequenito e ninguém gosta de se ver caricaturado com uns bigodes nem de ouvir dizer de si umas verdades. Este blogue é um espaço pequenino de crítica, como outros blogues amigos que aqui andam pendurados, e mesmo assim incomoda. Há quem não se habitue que o cidadão agora além de olhos, orelhas e mãozinhas, agora sabe usar tudo isso e publicar. Os blogues não são jornais, mas também são comunicação social!
Sacrilégio! Um blogue é comunicação social!...
- Sim!...
- Imagine-se!... E até criticam vinhos e restaurantes...
- Os tasqueiros mal-amanhados não podem dormir tranquilos.
Pois. Os blogues são comunicação social, mas não são jornalismo. No entanto, este blogue é de um jornalista, que responde pelo mesmo nome profissional que aqui assina.
Por cá, toda a gente é séria. E quanto mais sério se é, mais enxofrado e vociferante se fica quando se toca no nosso bom nome. Por cá, quando se faz uma crítica não se tenta humildemente corrigir ou dar a mão à palmatória. Não, tenta-se indrominar.
- A carne não é mirandesa? Então prove-me lá que não é?!
- Mas meu caro senhor, provada já ela foi... e não é. A mirandesa é inconfundível!
Depois, por cá, é tudo gente sabedora. Uma vez num restaurante de gente honesta e trabalhadora, que não percebe nada do que faz ali, vendiam (e vendem) posta mirandesa e nacos de barrosã. Quando se pergunta a diferença dizem que a diferença está na maneira como se faz. Para que não se julgue mal, esta pérola não foi no Mal-Amanhado.
O burgo é pequenino e lida mal com a crítica. Este país vive muito de servir à mesa, o que não quer dizer que se saiba servir à mesa. Este país tem uma gastronomia interessante, o que não quer dizer que toda a comida que se põe à frente o seja. Por cá, os críticos mais importantes deste país são condescendentes com recantos de espantar... não pelas melhores razões. Quando a mosca cai na sopa dos tasqueiros, entorna-se-lhes o caldo. Vale a pena recordar a quem sabe ou noticiar a quem desconhece que, em muito bom e urbano sítio deste planeta, a crítica é anónima. Em locais tão desprovidos de civilização como Londres, Nova Iorque ou Los Angeles, os críticos são figuras desconhecidas, assinando muitas vezes com nomes ambiguos.
Por cá, quem não sabe ler insulta quem depreende que seja formado. Por cá, quem subiu a custo na vida insulta os meninos-família. Por cá, quem conseguiu algo de seu, insulta aqueles que julga não terem dinheiro. Por cá ficam as nuances de falta de coragem, velados desafios de pancada ou suaves processos judiciais. Contra a crítica? Sim. Porque há quem não compreenda em que século está nem o que faz na vida.

quarta-feira, Janeiro 24, 2007

(Memórias do) Vinho de Carcavelos

Perdi a noção ao tempo. Não sei qual foi a última vez que traguei um Carcavelos nem vislumbro minimamente o evento para que possa ter uma aproximação da data. A minha lembraça do Vinho de Carcavelos é antiga, a preto e branco.
As crianças não bebem vinho, já se sabe. Porém, o meu pai era apreciador, hoje não pode beber, e lá em casa havia sempre vinho. Eu, como todos os miúdos, gostava de imitar os adultos, sobretudo o exemplo do pai. Quando havia festa abria-se um vinho especial. De vez em quando calhava um Vinho de Carcavelos. Como era doce deixavam-me bebericar um bocadinho, coisa pouca, pequenino trago. Este talvez tenha sido o primeiro vinho que bebi. O meu pai não se lembra, como não se lembra também do seu primeiro néctar. Talvez tenha sido um Carcavelos, pois a família tem tradição em Belém e Estoril e entre um poiso e outro ficavam (ficam) os vinhedos. E de que me lembro? Dum odor e sabor delicados, de toque muito macio na boca e um doce amendoado. Mas isto são generalidades!
O Vinho de Carcavelos é um vinho generoso de grande tradição, mas que perdeu o encanto por falta de comparência de vinhas, adegas e produtores. O grande azar da região e dos enófilos é a proximidade de Lisboa: a cidade cresceu e tornou-se numa metrópole, engolindo à volta as vilas, as aldeias e os campos. Onde antigamente havia quintas hoje há urbanizações, empresas, estradas, edifícios públicos e todo um património edificado pertencente à sociedade urbana.
Embora seja muito antiga a fama do Vinho de Carcavelos, só em 1908 é que a região foi demarcada. No entanto, o prestígio já era bastante grande no século XVIII. Sabe-se que Sebastião José de Carvalho e Melo, primeiro conde de Oeiras e primeiro marquês de Pombal, era um apreciador deste vinho e também produtor na sua quinta às portas de Lisboa.
A Denominação de Origem Controlada abrange os concelhos de Cascais e de Oeiras: (freguesias de Carcavelos, Parede, São Domingos de Rana, e parte das freguesias de Alcabideche - lugares de Carrascal de Manique de Baixo e Bicesse e do Estoril - lugares de Livramento e Alapraia; parte da freguesia de Oeiras e São Julião da Barra - lugares de Ribeira da Laje, Cacilhas e Porto Salvo, parte da freguesia de Paço de Arcos - a faixa confinante com a freguesia de Oeiras e São Julião da Barra até à Ribeira de Porto Salvo). Este generoso faz-se tanto com uvas tintas (castelão e preto martinho) como brancas (galego dourado, ratinho e arinto). As castas obrigatórias têm de constar sempre num mínimo de 75% do lote. Sendo um generoso, o teor de álcool mínimo é de 15% e o máximo de 22%.
O Vinho de Carcavelos partilha com alguns Vinhos do Porto algumas parecenças, além do facto de ser generoso. A semelhança está no facto de ser comum tratar-se de um vinho de lote de vários anos, em que a qualidade é uniformizada através da adição colheitas de estirpe superior, embora também existam garrafas duma só vindima. Assim sendo, as semelhanças acontecem com os Porto Ruby e Tawny. Um outro ponto de contacto deu-se no século XVIII, mandava então no Reino de Portugal, como secretário de Estado, o marquês de Pombal. Em 1756, Sebastião José de Carvalho e Melo demarcou a região do Douro (Companhia Geral da Agricultura das Vinhas do Alto Douro), proibindo o trânsito de vinhos doutras proveniências para aquela parte do país, punindo quem o fizesse com a pena de morte. Porém, se reconheceu a qualidade superior dos vinhos do Douro para não os querer mestiçados com outros portugueses, o conde de Oeiras abriu uma excepção para o vinho de Carcavelos. Poderá questionar-se se a «benevolência» do governante se deveu à qualidade ímpar dos vinhos próximos de Lisboa ou ao facto dele próprio ser produtor de vinho em Oeiras.
Maquinações conspirativas à parte - até porque as duas situações podem ser verdadeiras e nenhuma interessa agora explorar -, o facto é que o marquês de Pombal era apreciador do Vinho de Carcavelos, tanto que o enviou numa importante embaixada ao Imperador da China em 1752.
No século XVIII Carcavelos não chegava a ser uma aldeia, era mais um lugar de algumas casas, com hortas e vinhas. O retrato hoje não pode ser mais diferente. A ruralidade está tão distante que não se sabe ao certo quantas quintas produzem ainda Vinho de Carcavelos, nem o local se presta, como no campo português, a bater às portas e perguntar às gentes aquilo que se quer saber. Há quem diga que restam duas quintas produtoras, embora sobreviva uma meia-dúzia de propriedades rurais com vinhas. Certa, certa a produzir é a Estação Agronómica Nacional, uma dependência do Ministério da Agricultura, que está instalada na antiga quinta do marquês de Pombal. No entanto, há quem me garanta que a Quinta dos Pesos ainda vinifica e até há bem poucos anos havia vida na Quinta do Barão (de Mossâmedes). A quantidade produzida hoje é diminuta, irrisória, uma mera curiosidade. No século XVIII a Quinta do Marquês (de Pombal) chegou a dar 500 pipas num ano. Hoje, serão uns poucos milhares de garrafas?
Hoje é quase uma curiosidade histórica. A boa notícia é que o Vinho de Carcavelos vai ter um museu, que se situará na Quinta do Barão e cuja instalação está a cargo da Câmara de Cascais. O espaço vai abrir ao público até ao final de 2007. O núcleo museológico ficará situado na antiga adega e desconheço o futuro do terreno envolvente. Desconfio que, ficando a adega ocupada e tratando-se duma zona cercada por espaço urbano, a célebre Quinta do Barão - existente desde o século XVIII e produtora desde essa época - se torne em mais um espaço edificado. O meu coração parte-se. O fígado chora.
E de que me lembro? Dum odor e sabor delicados, de toque muito macio na boca e um doce amendoado. Mas isto são generalidades! Tenho muitas saudades e muito mais curiosidade.

Nota: Imagem do palácio dos condes de Oeiras e marqueses de Pombal.

Foral de Évora 2003

Saí de casa quase atrasado para um jantar e nem esqueci-me do vinho em casa. Zás! Apanhei a mercearia frente a casa aberta e nem hesitei... eu que não me atrasado estava no limite e gosto de manter a reputação. Do que vi quase não gostei, mas voltar a subir e ter de escolher obrigar-me-ia a demoras. Foi quando vi alinhadas umas tantas garrafas de Foral de Évora. Não esperei mais.
Este é um tinto bem macio onde domina uma fruta vermelha suave e algumas notas vegetais. Está lá o Alentejo e, felizmente, há diferença face à multidão. De reparo só tenho a apontar a nota do álcool, ainda que ligeira, apesar do vinho ter sido servido abaixo dos 18 graus. Contudo, simpatizei muito.

Região: Alentejo (Évora)
Produtor: Fundação Eugénio de Almeida
Teor alcoólico: 14%
Nota: 6/10

segunda-feira, Janeiro 22, 2007

Miolo Seleção 2004

Este foi o primeiro tinto brasileiro que bebi. Não fiquei rendido, não se trata duma especialidade rara, mas está bem longe de ser uma catástrofe. Escrevo isto porque o Brasil não é um país de tradição vitivinícola e porque existe na Europa algum complexo de «velho mundo», o qual assumo ter algum a circular na cabeça.
Este é um vinho bem equilibrado, com boa fruta e notas florais, muito fácil de se beber. Notei positivamente a ausência do travo a pimentão que se topa muitas vezes em vinhos com uvas cabernet sauvignon. Este tinto sai tranquilamente, vai bem com conversa. Bebi-o à conversa e pareceu-me demasiado magro para os gostos e hábitos portugueses, pelo que dificilmente acompanharia com competência a gastronomia portuguesa. Na verdade nem será suposto, pois é claramente um tinto internacional, feito com uvas cabernet sauvignon, merlot e pinot noir.

Região: Vale dos Vinhedos - Brasil
Produtor: Vinícola Miolo
Teor alcoólico: 12%
Nota: 5,5/10

Porta Fronha 2005

A marca deste tinto não lembra a ninguém: Porta Fronha! Ai, mãezinha!... Isto lembra «parto-te a fronha» - o que, para quem não sabe, quer dizer partir a cara. Não é bonito para marca. O rótulo, então, é outro desastre! Por que não foi uma empresa de design a elaborar a «fronha» da garrafa? É inacreditável o amadorismo que ainda existe no sector vinícola português. Bem, mas se o rótulo é péssimo e o nome impensável, o que se pode dizer do vinho, que afinal é o que interessa? Tem uma qualidade inversamente proporcional à vestimenta e à designação.
Quando me aconselharam este vinho recusei-o com o argumento primário do rótulo. Aconselharam-me inúmeras vezes e afastei-o sempre por via do nome ou da etiqueta. Contudo, um dia cedi por estar fartinho da insistência da Mafalda Santos, que além de imensa simpatia e competência, sempre me tem dado boas provas, tal como o pai.
Levei a garrafa e abri-a. Tem boa fruta e notas vegetais, com taninos presentes. Gostei. Gostei bastante. Penso que estará melhor dentro de uns anos, não muitos. Por isso comprei mais umas para ver como estarão daqui por uns tempos.

Região: Dão
Produtor: Quinta da Vegia Sociedade Agrícola
Teor alcoólico: 12,5%
Nota: 6,5/10

Visconde de Borba Reserva 2003

Há muito tempo que um tinto alentejano não me marcava tanto. O que não é necessariamente bom...
Quando cheirei a rolha não gostei. Quando levei o copo a nariz gostei ainda menos. Quando levei o vinho à boca... minha Nossa Senhora! Que enjoo! Calei-me, caladinho e escondi as emoções. Servi o vinho as restantes convivas. Primeiro espantou-se um, depois outro e outro e outro. O problema não era meu. Ninguém ficou indiferente. Este vinho era escusado, uma dôr de cabeça.
O nariz agoniou-se com o odor a cabedal que se sobrepõe a uma fina película floral. Na boca mantém-se a pele curtida, madeira e fumo... tudo excessivo.
Informei-me, mais tarde, com um profissional do ramo: é estilo. Parece que há quem goste do género...

Região: Alentejo
Produtor: Marcolino Sêbo
Nota: 2/10

domingo, Janeiro 21, 2007

Blue Silly - Disparates azuis

Às vezes as coisas não nos saem bem. Acontece! Porém há erros evitáveis. Basta alguma atenção e bom-senso para que não aconteçam.
A edição de Novembro/Dezembro de 2006 da revista Blue Wine - parece que as coisas não estão a ir bem, a avaliar pela periodicidade tardia e cumulativa duma revista supostamente mensal - traz um disparate que só agora reparei, porque só ontem a tive nas mãos. O disparate é tão evidente que apesar de estar em letrinhas pequeninas salta à vista: o preço do Barca Velha.
Diz, então, a Blue Wine que o Barca Velha 1999 custa 65 euros. Pois muito bem, que revele agora onde se encontra esse preço de saldo para que todos os interessados possam adquirir a esse preço, pois em lado algum se encontra a valores próximos desse.
Onde terão magicado tal valor? Sopraram-lhes às orelhas? É porque alguém comprou com desconto? Confundiram a marca quando perguntaram o preço? Têm a certeza que não há à venda a 20 euros? Lembra-me aquelas situações em que há um cromo que garante conhecer alguém que comprou um carrão pelo preço dum carrinho e com poucos quilómetros e um só dono. Disparates destes não ajudam nada à credibilidade da revista e a publicação com periodicidade quase errática também não, mas esse é um problema que não é nosso.

sábado, Janeiro 20, 2007

Este (também) é o meu vinho

Vou aqui cometer uma quase inconfidência. Quase, porque vou contar uma estória verídica, sem nada de escandaloso ou grave, mas não revelarei nomes. O interessante do episódio está no prazer do vinho e no prazer pessoal que dele se tira.
Há uns dias visitei uma propriedade rural no Alentejo que, entre outras coisas, produz vinho e que tem à frente um dos mais prestigiados e reputados enólogos portugueses. A casa produz duas gamas, uma mais corrente e outra superior, não sendo nenhuma candidata a topos ou precisiosidade. Contudo, o objectivo é fazer-se um vinho sério, rigoroso e honesto. Os objectivos pareceram-me alcançados e o preço a que são comercializados os vinhos ajustados aos produtos.
No entanto, o vinho que me marcou não foi nenhum desses dois, mas um terceiro, que não tem finalidade comercial, mas antes uma função lúdica. Esse lavrador alentejano reservou cerca de um hectare para plantar todas as castas tintas portuguesas, objectivo que ainda não alcançou, visto não ser fácil encontrar disponíveis bacelos de todas e visto ser muito grande o número cepas. No entanto, tem já muitas uvas diferentes nessa parcela.
Visto não ter um carácter comercial, este seu outro vinho ficou a cargo doutro enólogo, cujo perfil se adequou mais ao projecto. No final da visita ofereceu-me uma garrafa da sua produção especial e amadora, ressalvando que se trata dum vinho diferente e sem ambições, tratando-se apenas duma curiosidade.
Ontem abri a dita garrafa, cujo vinho resultou da colheita de 2005. É de facto um vinho curioso, mas que me deu substancialmente mais prazer do que muitos vinhos com rótulo e marca comercial. Em termos de aroma era complexo, mas vinha do copo notas verdes vegetais e alguma fruta. Na boca não desiludiu, notando-se o mesmo carácter vegetal, a fruta, algum chocolate e alguma madeira. O final era mediano. É um vinho bem interessante.
O que mais me surpreendeu é não trazer agarrado aquele paladar tipificado que graça em muitos vinhos feitos pelo Alentejo, sejam eles DOC ou Regionais Alentejanos. Este tinto vem do coração duma zona de vinhedos, tem tudo o que se pode pedir a um vinho de gama média e não é fruto da «fórmula» do sucesso.
Ainda com as devidas ressalvas, reticências, vénias, aspas e parêntesis, este vinho lembrou-me aqueles vinhos do Douro ou do Dão de vinhas velhas em que não se sabe que castas existem na parcela donde vêm as uvas. Obviamente, que se notava que as uvas deste «alentejano» não tinham a concentração das uvas de vinhas velhas, mas topava-se a complexidade que se ganha com a grande variedade de castas.
São estes agricultores que são precisos no vinho. São agricultores como estes que se candidatam a fazer grandes vinhos, porque têm gozo e paixão com o vinho e arriscam e experimentam. Uns são bem sucedidos nas maquinações e outros não. Uns conseguem sucesso e outros não. Mas ninguém lhes tira o prazer de fazer vinho, o seu vinho com o seu perfil. Eu encantei-me com este vinho de muitas castas produzido no Alentejo.

quinta-feira, Janeiro 18, 2007

Arroz, tradição e DDT

O arroz não é todo igual. A grosso modo, pode dividir-se este cereal em dois tipos: o índico e o japónico, sendo o primeiro correspondente às variedades agulha e o segundo às de carolino. Até aqui não há nada a temer ou a preocupar, mas há factos a ter em conta quando se trata de escolher o arroz, incluíndo razões de preocupação.
A questão mais simples ou de segunda importância quanto à escolha do arroz é gastronómica. O arroz agulha presta-se a ficar solto e trincável, enquanto o carolino não cumpre com eficácia essa finalidade. No entanto, os pratos da cozinha tradicional portuguesa, espanhola ou italiana requerem arroz carolino, pois este absorve os sabores que lhe estão associados, tarefa que o agulha não cumpre. O chamado arroz malandrinho só é possível com arroz carolino. É uma facto que se pode fazer com o agulha, mas o desempenho é medíocre ou mau.
Porém, quanto a preferências cada qual tem as suas e se alguém quiser em sua casa fazer arroz carolino frito ou arroz agulha de tomate é lá com ele. Ou mesmo se consumir num restaurante nada de mal lhe acontecerá por causa da escolha da variedade ser desacertada. Se todos os males do mundo fossem esses...
Porém, o arroz pode esconder perigos para a saúde. Existe no mercado português arroz de proveniência duvidosa e, contudo, comercializado legalmente e sem nada que se lhe possa apontar. A União Europeia tem abertas as suas fronteiras a produtos agrícolas de países que não cumprem as restritas normas sanitárias e ambientais aplicadas no espaço comunitário, sendo daí que vem o perigo. Em alguns desses países são aplicados pesticidas, fungicidas e herbicidas proibidos no espaço dos 27 países europeus. Entre os produtos interditos está o famoso Dicloro-Difenil-Tricloroetano (DDT).
Nos países industrializados, o DDT foi banido na década de 70 do século passado por ser cancerígeno. O DDT é um pesticida utilizado para matar mosquitos e estes insectos são muito comuns nas zonas de produção de arroz. Acontece que o DDT é solúvel nos compostos orgânicos. Assim, não só entra na cadeia alimentar dos habitats próximos dos arrozais, constituindo um grave problema ambiental como ainda entra na cadeia alimentar humana, directamente através do arroz e indirectamente por via de peixes ou outros animais.
Voltando ao arroz: o arroz de países produtores onde se produz com permissão de combate às pragas com DDT é vendido no espaço da União Europeia legalmente ao abrigo de acordos comerciais. As embalagens não contém qualquer aviso sobre as práticas agrícolas na exploração, apenas o paíse de proveniência.
O caso não põe para os dois tipos de arroz. Uma vez que os consumidores tradicionais de arroz carolino são o Japão e os países euroepeus, são estes os seus principais produtores. No que respeita a controlo sanitário e ambiental, as regras e especificações comunitárias são exigentes, embora se possa sempre exigir maior empenho e rigor. Contudo, o DDT está banido.
Mais complicada é a situação do arroz agulha, pois muito dele é proveniente de países terceiros, onde não existem quaisquer regras sanitárias nem ambientais ou, então, não há garantias do seu cumprimento e controlo.
A questão não é tão distante quanto se pensa. Outro dia reparei nas prateleiras do Pingo Doce, uma das maiores cadeias de distribuição em Portugal, pacotes de arroz provenientes do Suriname, país onde se utiliza o DDT nos campos de arroz. Não posso afirmar que aquele arroz foi aspergido com DDT, mas posso suspeitar e, mesmo que me garantam o contrário, vou continuar a duvidar, porque esse pesticida não foi proibido nesse país. O mesmo aplica-se com o arroz doutros países. Refiro este, porque vi.
Felizmente, já se produz arroz agulha nos campos europeus. É óbvio que a produção na União Europeia tem outros custos. É também (mas não só) o preço das exigências sanitárias e ambientais.
Em casa é fácil fazer-se a opção sobre o tipo de arroz e o risco da escolha. No restaurante, a situação é mais complicada. Quanto a isso pouco ou nada há a fazer, pois não se vai perguntar pelo pacote do arroz nem entrar em doutrinação em cada estabelecimento: é comer e aguentar. O que importa é fazer uma meditação sobre o problema. A questão é se faz sentido exigir-se uma coisa aos agricultores dos 27 e permitir-se outra aos de fora. Aqui é a saúde que está em causa.

Azeitonas sérias e outras moles

As azeitonas são mais do que um simpático que fruto que serve para fazer azeite e de aperitivo. As olivas podem dar uma indicação da seriedade do restaurante em que se está. Isso mesmo me explicou um produtor de azeitona em conserva.
O referido produtor explicou-me que as azeitonas depois de retiradas da salmoura e expostas ao ar ficam sujeitas a oxidação, pelo que não devem voltar para junto das não consumidas, pois podem prejudicar as restantes. Contudo, acontece muitas vezes que as azeitonas colocadas na mesa e não consumidas voltam para o balde junto das restantes, o que pode adicionar sabores estranhos e causar a deterioração.
No entanto, as azeitonas em más condições são fáceis de identificar, devido à fraca consistência da polpa. A azeitona é uma fruta que deve vir sempre com alguma consistência, pelo que se vier mole é sinal de que não se encontra já em grandes condições. Existem diversas variedades de azeitona e diversos processos de cura de azeitona, pelo que a sua consistência é variável, mas este deve estar sempre inteiriço e não desfazendo-se ou espapaçando-se.
O caso merece ser notado e reclamado, tanto mais que a azeitona é um fruto comum em Portugal, não tem um custo exorbitante, mas permite grandes margens nas restauração. Basta referir que uma lata de azeitonas de conserva com um quilograma custa, no máximo, dois euros no transformador (que é quem as faz em conserva, no produtor é menos) e que um prato de azeitonas num restaurante português tem cerca de 50 gramas e custa entre um euro e um euro e meio. Ou seja, no mínimo, os restaurantes ganham 200 vezes. Por isso e também em nome da moral, exige-se higiene e respeito pelos clientes. Façam o favor de reclamar.

quarta-feira, Janeiro 10, 2007

O melhor vinho do mundo

Quando se conversa com um produtor de vinho tem-se muitas vezes a sensação de se estar perante alguém que faz o melhor ou um dos melhores vinhos do país ou mesmo do mundo. É natural e vai muito mais além do aforismo que diz que «presunção e água benta cada um toma a que quer».
Há claro casos de presunção, mas também muitos de autenticidade ingénua. Isto, porque o vinho é um produto agrícola diferente dos outros. Os latinos chamavam de agricultura inteligente à praticada no Mediterrâneo, pois obrigava a pensamento e transformação: o pão, o azeite e o vinho. É nestes factores de pensamento e transformação que reside uma grande parte do convencimento da qualidade do vinho, pois nele se joga a sabedoria do seu criador e se espelha o seu gosto e empenho.
Um dia, conversando com um lavrador duma região vitivinícola portuguesa pouco conceituada, lancei uma provocação:
- Então, aqui já fazem vinho? E bebe-se?
O senhor sorriu, compreendendo o desafio e disse-me:
- Sabe, tem toda a razão. As adegas cooperativas e os produtores grandes não sabem fazer vinho. Para se beber bom vinho tem de se ir a casa dos agricultores.
Daí a estarmos os dois a provar o fruto da sua vindima não tardou muito. O lavrador estava visivelmente satisfeito e espicaçava-me para dar uma opinião sobre o vinho. Eu tardava em dá-la, pensando no que dizer, ponderando o limite entre a simpatia, a verdade e a a educação. O vinho era intragável, mas o encanto do homem era genuíno.
Na velha Europa, onde ainda resistem propriedades de dimensão visível e as tradições perderam a memória, encontram-se incontáveis produtores dos melhores vinhos do mundo, sendo que alguns até o são.
Não se pode confundir o melhor vinho do mundo com o mais caro vinho do mundo, não são sinónimos. Aliás, constou-me, até, que a garrafa mais cara é imbebível, devido à sua antiguidade. Trata-se de uma botelha de Château Lafite de 1787, avaliada em quase 123 mil euros.
Porém, nos bebíveis praticam-se exorbitâncias impensáveis aos meus frágeis bolsos. Os preços não traduzem só qualidade. Traduzem-na, é certo, mas também raridade. Ora, a sociedade de consumo dita que onde há muita procura e pouca oferta os preços escalem. No entanto, preço não é critério de qualidade.
Contaram-me uma anedota, publicada já numa revista, que um grupo de amigos decidiu fazer um jantar vínico num restaurante caro, encarregando-se cada um de levar vinho. A refeição era simultaneamente um desafio com apostas, em que quem levasse o pior vinho teria de pagar o convívio a todos. O vinho seria servido sem qualquer referência para ser apreciado sem preconceitos, sendo o desafio moderado pelo escanção. Ora, nestes moldes, o desafio foi puxado para o alto. Contudo, na altura de revelar as classificações vínicas o jogador que apostou num Petrus não ganhou para o susto, vendo-o na penúltima posição, apesar de competir com vinhos de preços bem mais modestos.
Independentemente de ser verídica, esta estorieta é plausível e remete para a questão do gosto, da educação da boca e do nariz, mas alerta ainda para a necessidade de não uniformização dos critérios. Contava-me outro dia o empregado de mesa dum restaurante que uns clientes preferiram um vinho de gama média Regional Alentejano a um Barca Velha, que trocaram a meio da refeição. É legítimo e confirma a probabilidade da estorieta anterior.
Tenho andado a pensar neste tópico há já uns tempos e chego sempre à mesma conclusão: é absolutamente legítimo um qualquer produtor afirmar que o seu vinho é o melhor do mundo, desde que o diga com sentimento sincero.

sábado, Janeiro 06, 2007

Tendências - curiosidades

A minha boca e a minha cabeça conheço-as melhor do que ninguém (em princípio). Depois de espalhadas as contas pelas folhas de Excel e de realizados um exercíciozitos só para entreter, concluí o que já sabia. Contudo, agora tenho dados palpáveis. Porém, ainda tive surpresas.
As preferências dos gostos avaliam-se tanto pelas médias das classificações dos vinhos, por denominações, como pelo número de referências consumidas. As médias das regiões podem denunciar o dinamismo qualitativo duma região e também as preferências do paladar. Porém, a insistência da escolha duma região é também indicativa duma apreciação positiva.
As duas coisas não são sinónimas nem equiparáveis. Descobri isso ao fazer o cruzamento dos dados entre número de referências e as pontuações médias das denominações. O caso colocou-se com grande evidência na região dos Vinhos Verdes, onde a média não foi famosa, mas a insistência grande. A situação tem explicação e define-se com uma palavra: Verão.
Quer isto dizer que o Vinho Verde não é o vinho dos meus encantamentos, mas uma agradável «necessidade» nas noites quentes de estio. Porém, os meus brancos são outros, ainda que a nota mais elevada atribuída em 2006 a um Vinho Verde tenha sido de 6,5 pontos.
As restantes surpresas foram também nos brancos. Sempre andei convencido que o Douro não era a minha região de brancos, embora tivesse os meus brancos perdilectos. Pois acontece que esta Denominação de Origem Controlada tem quatro vinhos com pontuações acima dos sete pontos, o que desequilibra as contas. E bebi 16 referências durienses. Conclusão: Tenho afinal uma tendência para os brancos do Douro, e isto não sabia.
Sabia, sim, que o meu perfil de brancos se inclina para Bucelas, Bairrada e Dão. E as médias confirmaram-no. Apenas as escolhas de bairradinos foram escassas.
Quanto aos tintos não tive surpresas: o meu coração bate pelo Douro! Segue-se de muito perto o Dão (com média uma décima superior, mas muito menos referências saboreadas). Depois Vêm os Regionais Terras do Sado, os Regionais Alentejanos, os Regionais Ribatejanos, os Alentejo e os Ribatejo. Há algumas Denominações de Origem Controlada com melhores pontuações, mas com número muito reduzido de amostras bebidas, pelo que não as considero para o efeito.

Vinhos brancos de pasto com pontuações acima dos 7 pontos
Douro: 4
Bairrada: 1
Dão: 1
Estremadura: 1
Regional Ribatejano: 1

Vinhos tintos de pasto com pontuações acima dos 7 pontos
Douro: 10
Dão: 3
Regional Estremadura: 2
Regional Terras do Sado: 1
Vinho de mesa (uvas do Dão e do Douro): 1
Colares: 1
Regional Alentejano: 1
Regional Ribatejano: 1

Nota: Acho que este texto interessa muito pouco a alguém, é mais para mim mesmo. Tem um pouco a ver com a discussão das opiniões, classificações e críticas...

Vale de vinhos

O ano já começou há uns dias, mas ainda é bem tempo de balanços. Para mais ainda se podem desejar boas festas...
Após a estafadeira de passar os apontamentos para o blogue... e catar alguns erros (espero que não haja mais)... dei por mim a fazer contas de cabeça: o que marcou o palato da memória em 2006. Curioso é que tenho tanto a certeza de ter bebido alguns vinhos no ano passado, que perdi enormidades de tempo à procura dos apontamentosaté me convencer que os tinha bebido em 2005 ou mesmo noutro ano qualquer (só comecei a apontar em 2005). Isto complicou as coisas: afinal há vinhos de que gostei e insistem em voltar-me ao palato memorável e há outros que já nem me lembro de os ter bebido, ainda que me possam ter dado algum prazer momentâneo.
A questão da lembrança é interessante, porque os vinhos com notas mais elevadas são, obviamente, memoráveis. Contudo, a meio da tabela começa a amnésia. Porém, o esquecimento não é generalizado a todos os da fasquia. O que faz um vinho ser lembrado? O momento, a marca, o rótulo, a comida, a companhia e certamente muitos factores subjectivos difícieis de inúmerar e mais ou menos complicados de explicar.
Quando as coisas se explicam com números são mais fáceis de entender: em 2006 bebi 338 referências vínicas. Sim, porque eu não provo. Eu bebo. Quem prova são os profissionais e os candidatos. Não sei explicar porquê mas foi um salto face a 2005, em que me ficara pelas 176 referências. Isto não quer dizer que tenha bebido mais vinho, apenas mais marcas ou variedades. Nem todas foram colocadas na lista, pois julgo não ser relevante nem de bom-tom inserir produções ou colecções privadas. Contudo, tanto num ano como noutro, esses casos foram uma ínfima minoria.
Quando se fazem balanços é natural pensar no melhor e no pior. Para isso basta olhar para as tabelas. Porém, penso ser mais interessante pôr as coisas quanto às expectativas (coisa que levou comentários no blog A Adega). E aqui vou ficar-me pelos vinhos de pasto tintos e brancos, pois são as únicas categorias com quantidades bebidas em quantidade suficiente para serem analisadas.
Melhor Surpresa Branco: Campolargo Bical 2004 - Bairrada - 9
Maior Decepção Branco: Quinta dos Cozinheiros 2001 - Regional Beiras - 5,5
Melhor Surpresa Tinto: Gouvyas Couvée OP 2000 - Douro - 8,5
Maior Decepção Tinto: Herdade do Portocarro 2003 - Regional Terras do Sado - 4

sexta-feira, Janeiro 05, 2007

Vinhos provados em 2006

Generosos e Licorosos
Quinta das Vargellas Vintage 1995 - Vinho do Porto - 8
Burmester Vintage 2003 - Vinho do Porto - 8
Ferreira Vintage 1997 - Vinho do Porto - 7,5
Horácio Simões 2003 - Moscatel de Setúbal - 7
Quinta da Gaivosa Late Bottle Vintage 1999 - Vinho do Porto - 7
Quinta do Infantado Vintage 2000 - Vinho do Porto - 7
H. M. Borges Harvest Malvazia 1998 - Vinho da Madeira- 7
H.M. Borges Colheita Boal 1995 - Vinho da Madeira - 7
Noval LBV 1999 - Vinho do Porto - 7
Guimaraens Vintage 1987 - Vinho do Porto - 7
Ramos Pinto Vintage 2000 - Vinho do Porto - 7
Graham's Malvedos Vintage 1988 - Vinho do Porto - 6,5
Burmester Tawny 30 anos - Vinho do Porto - 6,5
Dow's Quinta do Bonfim 1996 Vintage - Vinho do Porto - 6,5
Barros Vintage 1997 - Vinho do Porto - 6
Warre's LBV 1995 - Vinho do Porto - 6
Six Grapes Reserve - Vinho do Porto - 6
Noval Reserva Especial - Vinho do Porto - 6
Graham's 20 years Tawny - Vinho do Porto - 6
Graham's The Tawny Reserve - Vinho do Porto - 6
H.M. Borges Harvest Sercial 1995 - Vinho da Madeira - 6
Porto Solene Special Reserve Tawny - Vinho do Porto - 5,5
Blandy's Bual 5 anos - Vinho da Madeira - 5
Dow's Tawny 10 anos - Vinho do Porto - 5
Sandeman LBV 2000 - Vinho do Porto - 5
H. M. Borges Harvest Colheita 1995 - Vinho da Madeira - 5
Sandeman Vintage 2003 - Vinho do Porto - 4,5
Cristóvão Colombo Boal 10 anos - Vinho da Madeira - 4,5
Blandy's Sercial 5 anos - Vinho da Madeira - 4,5
D'Ali Job - Moscatel do Douro - 4
Quinta do Castelinho LBV 97 - Vinho do Porto - 4
Graham's Reserve Tawny - Vinho do Porto - 4
Porto Meio Seco Caves Santa Marta - Vinho do Porto - 4
Calém Vintage 83 - Vinho do Porto - 4
Porto Solene Special Reserve Ruby - Vinho do Porto - 4
Dow's Tawny - Vinho do Porto - 4
Ferreira Tawny - Vinho do Porto - 3
Lajido 1998 - Vinho do Pico - 3
Graham's Late Bottle Port - Vinho do Porto - 3

Espumantes
Bauget Jouette Cuvée - Champanhe - 8,5
Bauget Jouette Grande Reserve - Champanhe - 8
Vértice Reserva Bruto 2001 - Douro - 7
Vértice Super Reserva Bruto 1999 - Douro - 6,5
Bauget Jouette Rosé - Champanhe - 6,5
Bauget Jouette Blanc des Blancs 1999 - Champanhe - 6,5
Bauget Jouette Blanc des Blancs Millésime 2000 - Champanhe - 6,5
Castas de Monção 2004 - Vinho Verde - 6
Côto de Mamoelas 2004 - Vinho Verde - 6
Bauget Jouette Carte Blanche - Champanhe - 5,5
Castas de Monção 2002 - Vinho Verde - 5
Pedro dos Leitões Vinho Espumante - vinho de mesa - 4
Bairrada Meio-Seco Pingo Doce 2003 - Bairrada - 4
Bisinger & Co Premiér Cru Brut - Champanhe - 3

Colheitas Tardias
Quinta da Romeira Colheita Tardia 2004 - Bucelas - 6,5
Ortega Beerenauslese 2003 - Palatinado - 6
Quinta da Alorna Colheita Tardia 2003 - Ribatejo - 5,5
Aureus de Sauternes 2003 - Sauternes - 5,5
Casal Figueira Vindima Tardia 2002 - Regional Estremadura - 4
Casal Figueira Vindima Tardia 2004 - Estremadura - 4

Brancos de Pasto
Campolargo Bical 2004 - Bairrada - 9
Maritávora Branco Reserva 2005 - Douro - 8,5
Redoma Reserva 2005 - Douro - 8
Maritávora Branco Reserva 2004 - Douro - 7,5
CARM Grande Reserva 2005 - Douro - 7
Quinta da Lagoalva de Cima Arinto e Chardonnay 2005 - Regional Ribatejano - 7
Quinta da Giesta 2005 - Dão - 7
Madrigal 2004 - Estremadura - 7
Tiara 2004 - Douro - 6,5
Portal do Fidalgo 2004 - Vinho Verde (Monção) - 6,5
Quinta das Bágeiras Garrafeira 2001 - Bairrada - 6
Chão do Prado Escolha 2003 - Bucelas - 6
Luís Pato Vinha Formal 2003 - Regional Beiras - 6
Luís Pato Vinhas Velhas 2003 - Regional Beiras - 6
Lagar de Darei 2003 - Dão - 6
Morgado de Sta. Catherina 2004 - Bucelas - 6
Calhandriz 2005 - Regional Estremadura - 6
Vinha Antiga 2005 - Vinho Verde - 6
Portal do Fidalgo 2005 - Vinho Verde - 6
Valle Pradinhos 2005 - Trás os Montes - 6
Soalheiro 2005 Vinho Verde (Monção) - 6
Fiúza Chardonnay 2005 - Regional Ribatejano - 6
Quinta do Vallado 2003 - Douro - 6
Vale da Raposa Escolha 2005 - Douro - 5,5
Quinta do Casal Branco 2005 - Ribatejo - 5,5
Arenae 2000 - Colares - 5,5
Quinta do Carmo 2005 - Regional Alentejano - 5,5
Casal Figueira Tradição 2002 - Regional Estremadura - 5,5
Quinta da Alorna 2005 - Regional Ribatejano - 5,5
Quinta da Aveleda 2004 - Vinho Verde - 5,5
Vértice 2004 - Douro - 5,5
Farizoa 2004- Regional Alentejano - 5,5
Quinta do Cardo Síria 2005 - Beira Interior - 5,5
Quinta dos Cozinheiros 2001 - Regional Beiras - 5,5
Curva Reserva 2005 - Douro - 5,5
Vinha Antiga 2003 - Vinho Verde (Monção) - 5
Chão do Prado 2003 - Bucelas - 5
Chão do Prado 2002 - Bucelas - 5
Régia Colheita Reserva 2004 - Alentejo (Reguengos) - 5
Casa de Mouraz 2003 - Dão - 5
BSE 2004 - Regional Terras do Sado - 5
Fiuza Sauvignon 2004 - Regional Ribatejano - 5
Quinta da Pedra 2003- Vinho Verde - 5
Prova Régia 2005 - Bucelas - 5
Quinta do Cardo 2005 - Beira Interior - 5
Varanda do Conde 2005 - Vinho Verde - 5
Quinta da Romeira Chardonnay & Arinto 2005 - Regional Estremadura - 5
Burmester 2005 - Douro - 5
Torre da Trindade 2005 - Ribatejo - 5
Bucellas 2003 - Bucelas - 5
Quinta do Vallado 2005 - Douro - 5
Varanda do Conde 2004 - Vinho Verde (Monção) - 4,5
Lagoalva Talhão 1 2005 - Regional Ribatejano - 4,5
Lavradores de Feitoria 2003 - Douro - 4
Quinta de Cabriz Encruzado 2003 - Dão - 4
Lagoalva Talhão 1 2004 - Regional Ribatejano - 4
Vinha da Defesa 2004 - Alentejo (Reguengos) - 4
Evel 2005 - Douro - 4
Varga Tokaji Hárslevelü 2003 - Tokay - 4
Monte da Peceguina 2005 - Regional Alentejano - 4
Rolan Alvarinho 2004 - Vinho Verde - 4
Deu la Deu 2004 - Vinho Verde (Monção) - 4
Casa da Atela Sauvignon 2005 - Regional Ribatejano - 4
Quinta de Vale Raposa 2003 - Douro - 4
Julieta 2005 - Douro - 4
Quinta de São João Batista Fernão Pires 2004 - Ribatejo (Tomar) - 3,5
Quinta Villa Beatriz 2004 - Vinho Verde - 3,5
Monsaraz 2005 - Alentejo (Reguengos) - 3,5
Embuçado Loureiro 2004 - Vinho Verde - 3
Quinta de San Joanne Escolha 2001 - Regional Minho - 3
O Assador Típico 2005 - Vinho Verde - 3
Valdarante 2005 - Douro - 3
CARMIM Vinho Novo 2006 - Regional Alentejano - 3
Palmirinha 2004 - Vinho Verde - 3

Rosados
Quinta da Lagoalva Rosé 2005 - Regional Ribatejano - 5
Quinta da Giesta Touriga Nacional 2005 - Dão - 5
Calhandriz Rosé 2005 - Regional Estremadura - 5
Herdade de Torais 2005 - Regional Alentejano (?) - 5
Quinta da Alorna Touriga Nacional 2005 - Regional Ribatejano - 4,5
Quinta do Cardo Rosé 2005 - Beira Interior - 4
Terras de Monforte 2005 - Regional Alentejano - 4
Quinta dos Cozinheiros 2004 - Regional Beiras - 4
Terras d'el Rei 2005 - Regional Alentejano (?) - 3,5
Vinha dos Eidos - vinho de mesa - 3

Tintos de Pasto
Quinta do Vale Meão 2004 - Douro - 9,5
Maritávora Tinto Reserva 2004 - Douro - 9
Gouvyas Couvée OP 2000 - Douro - 8,5
Hexagon 2000 - Regional Terras do Sado - 8,5
Poeira 2003 - Douro - 8
Dado (2001) - vinho de mesa - 8
CARM Grande Reserva 2004 - Douro - 8
Viúva Gomes Reserva Tinto 1974 - Colares - 7,5
Altas Quintas Reserva 2004 - Regional Alentejano - 7,5
Quinta do Monte d'Oiro Aurius 2001 - Regional Estremadura - 7
Quinta do Monte d'Oiro Reserva 2001 - Regional Estremadura - 7
Pellada Carrocel 2003 - Dão - 7
Borges Reserva Dão 2003 - Dão - 7
Quanta Terra 2003 - Douro - 7
Vértice 2003 - Douro - 7
Três Bagos Grande Escolha 2003 - Douro - 7
Casa Burmester Reserva 2004 - Douro - 7
Meandro 2004 - Douro - 7
Casa de Mouraz Private Selection 2004 - Dão - 7
Quinta da Lagoalva de Cima Alfrocheiro 2005 - Regional Ribatejano - 7
Quinta do Monte d'Oiro Vinha da Nora Reserva 2001 - Regional Estremadura - 6,5
Três Bagos 2002 - Douro - 6,5
Quinta do Peru 2003 - Regional Terras do Sado - 6,5
Quinta de Cabriz Reserva 2000 - Dão - 6,5
Quinta do Carmo Reserva 2003 - Regional Alentejano - 6,5
Quinta da Fonte do Ouro Reserva 2003 - Dão - 6,5
Meandro 2003 - Douro - 6,5
Redoma 1996 - Douro - 6,5
Montevalle Reserva 2002 - Douro - 6,5
Reguengos Garrafeira dos Sócios 2000 - Alentejo (Reguengos) - 6,5
Quinta da Bacalhôa 2002 - Regional Terras do Sado - 6,5
Cortes de Cima Reserva 2003 - Regional Alentejano - 6,5
Pequeno João 2004 - Regional Alentejano - 6,5
Incógnito 2003 - Regional Alentejano - 6,5
Cruz Miranda Colheita Seleccionada 2001 - Regional Alentejano - 6,5
Malhadinha 2004 - Regional Alentejano - 6,5
Marquês de Montemor Reserva 2004 - Regional Alentejano - 6,5
Romeira Reserva 2002 - Palmela - 6,5
Torre do Frade Reserva 2004 - Regional Alentejano - 6,5
Quinta da Lagoalva de Cima Reserva 2004 - Regional Ribatejano - 6,5
Bons Ares 2003 - Regional Trás-os-Montes - 6,5
Altas Quintas 2004 - Regional Alentejano - 6
Churchill Estate 2003 - Douro - 6
MJC Colares 2003 - Colares - 6
Vallado 2002 - Douro - 6
Duas Quintas 2000 - Douro - 6
CARM Reserva 2001 - Douro - 6
Rio Frio Garrafeira 1978 - sem indicação de origem - 6
Quinta da Fonte do Ouro Touriga Nacional 2003 - Dão - 6
Chaminé 2004 - Regional Alentejano - 6
Quinta de Pias 2003 - Douro - 6
Pesquera Reserva 1996 - Ribera del Duero - 6
Mauro 2003 - Ribera del Duero - 6
ValdArcos Garrafeira 1988 - Bairrada - 6
Quinta da Vegia 2004 - Dão - 6
Quinta das Tecedeiras Touriga Nacional 2003 - Douro - 6
Borges Reserva Douro 2003 - Douro - 6
Emergente Crianza 2002 - Navarra - 6
Quinta de Saes Reserva Estágio Prolongado 1996 - Dão - 6
Esporão Vinha da Defesa 2003 - Alentejo - 6
Quinta das Maias 2002 - Dão - 6
Anima L4 (2004) - vinho de mesa - 6
Quinta dos Roques Touriga Nacional 1996 - Dão - 6
Quinta das Cerejeiras Reserva 1996 - Óbidos - 6
Valle Pradinhos 2001 - Regional Trás-os-Montes - 6
Lello 2004 - Douro - 6
Convento da Tomina 2005 - Alentejo - 6
Herdade da Figueirinha 2003 - Regional Alentejano - 6
Brunheda Vinhas Velhas 2000 - Douro - 5,5
Cheda Reserva 2002 - Douro - 5,5
CARM Grande Escolha 2001 - Douro - 5,5
Domingos Damasceno de Carvalho 2004 - Regional Terras do Sado - 5,5
Conventual 2004 - Regional Alentejano - 5,5
Quinta da Giesta 2003 - Dão - 5,5
Quinta de Saes 2003 - Dão - 5,5
Quinta dos Quatro Ventos 2003 - Douro - 5,5
Quinta do Infantado 2003 - Douro - 5,5
Quinta do Vale Raposa Touriga Nacional 2003 - Douro - 5,5
Quinta do Crasto 2004 - Douro - 5,5
Vinha da Pala Reserva 2001 - Douro - 5,5
Reguengos Reserva 2003 - Alentejo (Reguengos) - 5,5
Duas Quintas 2003 - Douro - 5,5
Casetta 2003 - Barbera d'Alba (Piemonte) - 5,5
Maria Mansa 2001 - Douro - 5,5
Quinta de la Rosa 2003 - Douro - 5,5
Tapada da Torre Reserva 2001 - Portimão - 5,5
Monte do Pintor 2001 - Regional Alentejano - 5,5
Quinta das Hidrângeas 2003 - Douro - 5,5
José de Sousa 2002 - Regional Terras do Sado - 5,5
Giraldo 2001 - Regional Alentejano - 5,5
Sexy 2004 - Regional Alentejano - 5,5
Vila Santa 2004 - Regional Alentejano - 5,5
Curva Reserva 2004 - Douro - 5,5
Serradayres Reserva 2003 - Ribatejo - 5,5
Tapada da Torre Reserva 2004 - Regional Algarvio - 5,5
Aragonês da Peceguina 2004 - Regional Alentejano - 5
Vinho Tinto do Fogo 2004 - (Fogo - Cabo Verde) - 5
Bons Ares 1996 - Regional Trás-os-Montes - 5
Quintas das Hidrângeas 2002 - Douro - 5
Quinta do Carmo 2001 - Regional Alentejano - 5
Quinta dos Grilos 2004 - Dão - 5
Quinta da Alorna 2003 - Regional Ribatejano - 5
Calços do Tanha 2001 - Douro - 5
Churchill Estate 2002 - Douro - 5
Terroso 2003 - Douro - 5
Vinha do Monte 2001 - Regional Alentejano - 5
Adega Cooperativa de Borba Cabernet & Syrah 2004 - Regional Alentejano - 5
Dom Rafael 2003 - Regional Alentejano - 5
Burmester 2004 - Douro - 5
Penfolds Koonuga Hill 2002 - Southeastern Australia - 5
Jacob's Creek Shiraz Cabernet 2002 - Southeastern Australia - 5
Homenagem a Hans Christian Andersen 2003 - Regional Alentejano - 5
Tinto da Ânfora 2002 - Regional Alentejano - 5
Casa da Capela 2004 - Douro - 5
Encosta do Cedro 2004 - Ribatejo - 5
Grand'Arte Merlot 2004 - Regional Estremadura - 5
Grand'Arte Trincadeira 2004 - Regional Ribatejano - 5
Luís Pato 2003 - Regional Beiras - 5
Fiúza Três Castas 2004 - Regional Ribatejano - 5
Cancela Velha Reserva 1998 - Douro - 5
Casa de Alegrete 2004 - Alentejo - 5
Quinta da Atela 2004 - Regional Ribatejano - 5
Monte da Peceguina 2005 - Regional Alentejano - 5
Tapada do Barão 2004 - Regional Alentejano - 5
Quinta de S. Francisco 2003 - Óbidos - 5
Cerejeiras Colheita Seleccionada 2004 - Regional Estremadura - 5
Quinta da Barreira Reserva 2003 - Regional Estremadura - 5
Pias 2005 - Regional Alentejano - 5
Quinta da Lagoalva de Cima 2003 - Regional Ribatejano - 4,5
Vale de Lobos 2003 - Ribatejo - 4,5
Quinta de Azinhate Grande Escolha 2003 - Douro - 4,5
Cabeça de Burro Colheita Seleccionada 2002 - Douro - 4,5
Post Scriptum de Chryseia 2002 - Douro - 4,5
Terras do Pó 2005 - Regional Terras do Sado - 4,5
Encostas do Enxoé Reserva 2004 - Regional Alentejano - 4
Quinta do Côtto 2002 - Douro - 4
Vinha Grande 1996 - Douro - 4
Zimbro 2003 - Douro - 4
Muga 2000 - Rioja - 4
Grão Vasco 2001 - Dão - 4
Casal da Azenha Reserva Velho 1989 - sem indicação de proveniência - 4
Los Pagos Cabernet Sauvignon 2004 - Vale Central (Chile) - 4
Eximius 2004 - Regional Estremadura - 4
Dom Hermano Clássico 2001 - Ribatejo - 4
Pias 2004 - Regional Alentejano - 4
Quinta da Estação 2003 - Douro - 4
Herdade da Comporta 2003 - Regional Terras do Sado - 4
Herdade de Muge 2004 - Regional Ribatejano - 4
Pancas 2004 - Regional Estremadura - 4
Cova da Beira 2003 - Beira Interior - 4
Glória Reserva 2003 - Douro - 4
Quinta das Vermelhas São Francisco 2003 - Beira Interior - 4
Quinta dos Plátanos Reserva 1999 - Alenquer - 4
Romeira 2002 - Palmela - 4
Quinta de São João Batista Castelão 2002 - Ribatejo (Tomar) - 4
Herdade do Portocarro 2003 - Regional Terras do Sado - 4
Coroa d'Ouro Reserva 2000 - Douro - 4
Marquês de Borba 2005 - Alentejo - 4
Altano 2000 - Douro - 4
Casa dos Zagalos Reserva 2002 - Regional Alentejano - 3,5
Alto da Guia 2003 - Douro - 3,5
Vila Regia 2003 - Douro - 3,5
Quinta do Redolho 2001 - Douro - 3,5
Novus 2004 - Douro - 3,5
Quinta de Pancas Cabernet Sauvignon 2003 - Regional Estremadura - 3,5
Catapereiro 2004 - Regional Ribatejano - 3,5
Conde de Vimioso 2004 - Regional Ribatejano - 3,5
Quinta de Cabriz Colheita Seleccionada 2004 - Dão - 3,5
Terras do Pó 2002 - Regional Terras do Sado - 3,5
Quinta do Vale Raposa Touriga Nacional 2001 - Douro - 3
Undurraga Cabernet Sauvignon 2003 - Colchagua Valley (Chile) - 3
D. Pancho 2004 - Douro - 3
Casa Agrícola Horácio Simões 2001 - Regional Terras do Sado - 3
Visconde de Borba 2004 - Regional Alentejano - 3
EA 2004 - Regional Alentejano - 3
Monsaraz 2004 - Alentejo (Reguengos) - 3
Caves de Santa Marta Reserva 2001 - Douro - 3
Herdade Paço do Conde 2002 - Regional Alentejano - 3
Convento Tomar 2002 - Ribatejo - 3
Dão «sarapelheira» 1999 - Dão - 3
Udaca colheita 1997 1997 - Dão - 3
Quinta da Portela da Vilariça 2001 - Douro - 3
Quinta de S. Francisco 2004 - Óbidos - 3
Monte da Ravasqueira 2004 - Regional Alentejano - 3
Vinha do Tanque Reserva 2002 - Douro - 2,5
Palmirinha 2004 - Vinho Verde - 2
Egoísta 2004 - Regional Alentejano - 2
Borba 2005 - Alentejo - 2
CARMIM Vinho Novo 2006 - Regional Alentejano - 1,5

Uma questão de bocas e outras divergências

Volto à questão da boca e da subjectividade das provas e das opiniões, até porque o tema não tem fim... ainda correndo o risco de me chamarem enochato (adoro o termo... inventado pelo amigo do Vinho para Todos).
Na verdade, a prova é quase totalmente subjectiva. Tanto assim é que o próprio ambiente e a disposição em que nos encontramos a moldam. Dir-se-á que os provadores e os críticos profissionais têm uma disciplina grande, procuram ambientes neutros, seguem um conjunto de normas e procedimentos para contornarem toda uma poluição que possa prejudicar o apuramento. Contudo, não há forma de deixarmos de sermos quem somos.
Contudo, eles provam profissionalmente e aqui o menino (e mais uns tantos) bebe amadoramente (sentido literal). Daqui não saio. Mas também ninguém me convence de que a opinião dum crítico não é moldada pelo seu gosto pessoal. leio com atenção o que dizem os críticos, mas tenho a minha boca, a minha cabeça e a minha carteira.
Eu que não sou crítico, apenas um apreciador que gosta de mandar bitaites e largar umas apreciações na internet, dei conta duma pequena nuance de perturbação das avaliações... É uma ingenuidade, bem sei... e já a sabia... farto-me de falar nisso: os humores do momento. Dei-me agora perante uma situação prática: nos meus apontamentos de 2006 classifiquei um vinho com uma nota diferente daquela que dera em 2005.
Bem, não creio que se trate duma evolução em garrafa, nem se trata duma grande diferença, mas quis partilhar com quem me lê esta minha pequena aventura. E, já agora, a diferença verificou-se no José de Sousa de 2002.

quinta-feira, Janeiro 04, 2007

CARM Grande Reserva 2004

Este foi o meu tinto da refeição de final de ano. Este vinho foi uma belíssima revelação, apesar da Casa Agrícola Reboredo Madeira já habituar a rigor e qualidade. Este tinto é equilibradíssimo e muito elegante. Tem tudo aquilo que se procura num vinho duriense, tem o carácter da região, mas ultrapassa a marca da denominação pela sua subtileza e finura.

Região: Douro
Produtor: CARM _ Casa Agrícola Reboredo Madeira
Teor alcoólico: 14%
Nota: 8/10