domingo, julho 29, 2018

Covela Avesso 2017 + Covela Arinto 2017 + Covela Rosé 2017 + Covela Escolha Branco 2015 + Covela Reserva Tinto 2007 + Covela Fantástico 2014 + Covela Firestorm


Covela Avesso 2017 + Covela Arinto 2017 + Covela Rosé 2017 + Covela Escolha Branco 2015 + Covela Reserva Tinto 2007 + Covela Fantástico 2014 + Covela Firestorm
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O que se pode dizer da Quinta de Covela? Já tanto se escreveu… não vou chover no molhado nem me pôr a inventar. Como habitualmente, não ligo a descritores.
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Gosto! Gosto muito! Gosto mesmo muito! São vinhos que os enófilos principiantes devem conhecer. São uma janela didáctica, onde se espelha a sub-região de Baião.
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Aqui o Vinho Verde não tão óbvio. Nesta propriedade fazem-se vinhos que não se encaixam nos estereótipos, mantendo a linha comum, na região, da frescura atraente. Quem começa a beber conhece aqui muita coisa e fica impressionado.
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A aguardente chama-se Firestorm… percebe-se porquê. Porém, é duma elegância e frescura que!
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Especial, é o Covela Fantástico 2014, branco onde o granito do Vinho Verde se aproxima do xisto do Douro.
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Ah! Sim, há tinto… mas não aquele decapante feito de vinhão.
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Covela Avesso 2017
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Origem: Vinho Verde
Produtor: Covela
Nota: 6/10
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Covela Arinto 2017
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Origem: Vinho Verde
Produtor: Covela
Nota: 6,5/10
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Covela Rosé 2017
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Origem: Vinho Verde
Produtor: Covela
Nota: 6/10
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Covela Escolha Branco 2015
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Origem: Vinho Verde
Produtor: Covela
Nota: 6,5/10
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Covela Reserva Tinto 2007
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Origem: Vinho Verde
Produtor: Covela
Nota: 7/10
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Covela Fantástico 2014
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Origem: Vinho Verde
Produtor: Covela
Nota: 8,5/10

Monte Velho Branco 2017 + Monte Velho Tinto 2017


Respeito muito quem consegue, ano após ano, fazer um vinho com uma linha identitária coerente. Quem compra Monte Velho sabe o que está a comprar.
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Não são vinhos que me agradem. Nunca dou notas negativas a vinhos que são bem-feitos, mesmo que não os aprecie. Reconheço a competência técnica dos enólogos e ponto final.
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Muita gente gosta e é isso que importa. O que conta o prazer.

Monte Velho Branco 2017
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Origem: Regional Alentejano
Produtor: Esporão
Nota: 3/10
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Monte Velho Tinto 2017
Origem: Regional Alentejano
Produtor: Esporão
Nota: 3,5/10
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Nota: Estes vinhos foram enviados para prova pelo produtor.

sábado, julho 28, 2018

Dona Matilde Branco 2017 + Dona Matilde Tinto 2015 + Dona Matilde Reserva Tinto 2015 + Dona Matilde Porto Colheita 2010

A autenticidade é uma virtude. Seria tudo tão mais fácil se não inventassem para estragar. O que vem da Quinta Dona Matilde é genuíno. Não é preciso pensar muito para se perceber que os vinhos vêm do Douro.
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Não penalizo vinhos bons que não gosto, nem vice-versa.  O Dona Matilde Branco 2017 não é para mim. Os brancos durienses raramente me contentam – mas a nota é absolutamente positiva. Fez-se com arinto, viosinho, rabigato e gouveio.
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O Dona Matilde Tinto 2015 já está no meu paladar. Fez-se com as uvas exigidas no Douro – poderia ser outra coisa? É touriga nacional, touriga franca e tinta amarela.
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O Dona Matilde Reserva Tinto 2015 é a soma de 15 castas, maioritariamente tinta amarela, mas com destaque para a touriga nacional e touriga franca. Surpreendentemente, apareceram-me toques cítrico – aqui tinha mesmo de usar um descritor.
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O Dona Matilde Porto Colheita 2010… não é Porto Colheita quem quer. Mais que se diga é demais – os descritores ficam, uma vez mais, nos meus apontamentos, que sistematicamente são entreténs.
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Dona Matilde Branco 2017
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Origem: Douro
Produtor: Quinta Dona Matilde
Nota: 5,5/10
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Dona Matilde Tinto 2015
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Origem: Douro
Produtor: Quinta Dona Matilde
Nota: 6,5/10
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Dona Matilde Reserva Tinto 2015
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Origem: Douro
Produtor: Quinta Dona Matilde
Nota: 7/10
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Dona Matilde Porto Colheita 2010
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Origem: Porto
Produtor: Quinta Dona Matilde
Nota: 8/10

Casa da Esteira Reserva Tinto 2014 + Casa da Esteira Touriga Nacional 2015


Uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa. O vinho é um objecto transaccionável e que pode ser avaliado às cegas, para que não exista o efeito rótulo, em concurso ou noutra prova «científica», assim-assim o é.
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Para mim, o rótulo importa. Aliás, o que está no rótulo. Melhor dizendo, o que é o rótulo. Ainda mais, quem faz o vinho. Não penalizo vinhos bons que não gosto nem exagero nas avaliações dos que mais me contentam.
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Estes são vinhos da Joana Pratas e do João Nápoles. Simpáticos, afáveis e competentes. Não é por isso que os seus vinhos são bons nem o seriam inversamente. Gosto deles – produtores e vinhos – e, por isso, e neste caso, sinceramente, não lhe acrescento meio ponto.
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Casa da Esteira Reserva Tinto 2014 fez-se com uvas de «vinhas velhas, onde se misturam tinta amarela, tinto cão, touriga franca, touriga nacional, sousão, tinta francisca, entre outras» – lê-se na informação. Vides com 42 a 67 anos, fincadas no xisto.
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Casa da Esteira Touriga Nacional 2015. É o que diz, de plantas com dez anos.
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Um e outro deram-me cabo da alma, no bom sentido. É que são o Douro. Agora até parece mal elogiar-se o Douro – outras regiões estão na moda –, porém é a que mais me preenche.
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Casa da Esteira Reserva Tinto 2014
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Origem: Douro
Produtor: Parceiros na Criação
Nota: 8/10
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Casa da Esteira Touriga Nacional 2015
Origem: Douro
Produtor: Parceiros na Criação
Nota: 7,5/10

Legado Tinto 2013

Um vinho de homenagem não tem preço. Um vinho que carrega a sabedoria e se transmite é sempre excepcional
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O Legado Tinto 2013 foi o último a ser entregue pelo SenhorFernando Guedes.
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Por todas essas características, este não é um vinho qualquer.
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Origem: Douro
Produtor: Sogrape
Nota: X
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Nota: Este vinho foi enviado para prova pelo produtor.

Cartuxa Colheita 2014


Contar acerca dum clássico ou se resume a um parágrafo ou se escreve um livro. Opto pela primeira hipótese. Assim acontece com o Cartuxa Colheita 2014.
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É um vinho em que se deve ver o rótulo, pois faz parte da sua identidade e memória – era um desejo quando ganhava pouco, infelicidade que se mantém. Claro que há as «provas científicas», em que acontecem surpresas e se produzem muitas asneiras. É talvez um Alentejo antigo, cuja longevidade traduz a sua qualidade.
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Porém, é lamentável o peso da garrafa. Quando é necessário o esforço colectivo para se conseguir um meio ambiente melhor, aqui acontece o contrário. A pegada de carbono é grande.
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Cartuxa Colheita 2014
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Origem: Évora – Alentejo
Produtor: Fundação Eugénio de Almeida
Nota: 7/10
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Nota: Este vinho foi enviado para prova pelo produtor.

quinta-feira, julho 05, 2018

Monte da Ravasqueira Alvarinho 2015 + Monte da Ravasqueira Nero d’Avola 2013 + Monte da Ravasqueira Touriga Franca 2013 + Monte da Ravasqueira Syra Viognier 2013

O Alentejo é tão igual a Alentejo que há, cada vez mais, produtores a afirmarem que o seu Alentejo é diferente. Como tudo na vida: uns são e outros não. Acredito que alguns «não» acreditem genuinamente que fazem vinhos realmente invulgares.
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Ora, no caso do Monte da Ravasqueira existe uma dissemelhança relativa aos outros Alentejo. Os vinhos são mais frescos e a orografia ajuda à complexidade. Esta é a parte que arrogo a sentença dogmática. Quando se lhe acrescenta uma equipa técnica competente, o resultado é sempre positivo.
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A opinião, assumidamente parcial, vinca-me só a mim, na justiça e na injustiça. Não sou capaz de elogiar um vinho que só rime com o meu gosto. Tento não penalizar bons, mas que apenas não aprecio.
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Nestes três vinhos há penalizações derivadas do gosto. Continuando o que escrevi anteriormente, avalio-os nos parâmetros de gosto e somo-lhes um factor de aceitação qualitativa. Ainda assim, estes recebem notação claramente positiva – sem favores nem simpatias da minha parte.
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Monte da Ravasqueira Alvarinho 2015: Não sou propriamente adepto de vinhos alentejanos da casta alvarinho. Normalmente tornam-se enjoativos. Neste caso, as condições naturais e a competência técnica, do enólogo para avaliar e aplicar o conhecimento, colocam-no num patamar bem acima da média. É um vinho que agrada ao nariz e que fica na boca.
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O Monte da Ravasqueira Nero d’Avola 2013 não me transporta para a Sicília – local onde não estive e sobre a qual o meu conhecimento assenta nos filmes sobre a Mafia e do vinho. Sendo de uma terra quente, a casta resulta aqui muito bem, com frescura e alguma saudável gulodice. É um vinho para acompanhar comida, obrigatoriamente.
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Opinar sobre o Monte da Ravasqueira Touriga Franca 2013 é mais complicado. Sinceramente, não sei onde termina o gosto e começa a injustiça. Estarei a penalizá-lo porque o sinto aquém do desejado ou elogio porque a casta está no topo da minha preferência?
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No Douro não se apresenta a solo (que saiba ou me lembre), mas nota-se o que é pelo exercício da avaliação indirecta, com a linha condutora. Penso que a solo não vai muito longe e, saindo do seu berço, também fica aquém do potencial.
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Com excepção de José Mota Capitão e de Domingos Soares Franco, a Sul, não conheço touriga franca que me satisfaça. Aliás, nem haverá muita gente a tê-la plantada, coisa que parece estar a mudar – acredito que desnecessariamente.
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É um vinho muito bem feito. Será um vinho que alcance a grande maioria dos consumidores. Não o querendo injustiçar, não lhe posso escrever laudas.
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O Monte da Ravasqueira Syra Viognier 2013 é uma equipa maravilha, junção aprovada na Côtes du Rhone. Em equipa vencedora não se mexe. Claramente, este ramalhete é diferente da relação em França – ou noutros locais – e mal seria.
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O Monte da Ravasqueira tem o calor e a frescura. Quanto a mim, a ligação nascida aqui está muito alta, relativamente a Portugal.
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Monte da Ravasqueira Alvarinho 2015
Origem: Regional Alentejano
Produtor: Sociedade Agrícola Dom Dinis - Monte da Ravasqueira
Nota: 6/10
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Monte da Ravasqueira Nero d’Avola 2013
Origem: Regional Alentejano
Produtor: Sociedade Agrícola Dom Dinis - Monte da Ravasqueira
Nota: 6,5/10
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Monte da Ravasqueira Touriga Franca 2013
Origem: Regional Alentejano
Produtor: Sociedade Agrícola Dom Dinis - Monte da Ravasqueira
Nota: 6/10
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Monte da Ravasqueira Syra Viognier 2013
Origem: Regional Alentejano
Produtor: Sociedade Agrícola Dom Dinis - Monte da Ravasqueira
Nota: 7/10

segunda-feira, junho 25, 2018

Fernando Guedes – 29 de Dezembro de 1930 – 20 de Junho de 2018

Fernando Guedes, uma das mais importantes figuras do sector vitivinícola português, findou esta sua passagem pelo mundo terreno, aconteceu a 20 de Junho.
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Sou dos que não acreditam na morte. Não nascemos no mundo nem morremos eternamente. Mesmo assim – aceite-se ou discorde-se desta minha crença – Fernando Guedes deixa uma obra mais rica do que a generalidade de todos nós: uma grande empresa, de âmbito mundial.
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Fernando Guedes foi responsável por muito do sucesso da Sogrape. Deixara a gestão da empresa há vários anos, passando os encargos para os seus filhos. Manteve-se na sua órbita, como, à falta de termo mais adequado – consultor.
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Esta desencarnação não deixará a empresa órfã – certeza que pôde saborear enquanto viveu. A vida – esta de carne e osso – continua. A melhor forma de o homenagear é seguir o seu exemplo e continuar a sua obra.
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Aos descendentes, Fernando Guedes deixou um outro legado, uma homenagem, feito de emoção, afecto, de reconhecimento e gratidão. Os Legado são vinhos únicos, de qualidade superior.
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Todavia, o que importa é o homem que agora desencarnou. Voltará.

domingo, junho 24, 2018

Herdade das Servas Reserva Branco 2016 + Herdade das Servas Vinhas Velhas Tinto 2014 + Herdade das Servas Colheita Tardia Branco + Herdade das Servas Licoroso Tinto

A verdade é que somos analógicos. Precisamos de tocar, de mexer e de sentir as coisas. A agricultura tem esse fascínio, impressiona todos os sentidos. Porque a terra já não se faz, a sua posse é um bem ímpar. A sua perpetuação, como se fosse um membro da família que antecede e sucede, merece lembrança de datas.
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A família Serrano Mira está na Herdade das Serva há 350 anos. São 13 gerações de lavradores, que, em São Bento do Ameixial (Estremoz), fizeram e fazem vinho – desde 1667. Recentemente, a firma apresentou novidades, de topo de gama, entre as quais duas estreias: um colheita tardia e um licoroso tinto.
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O Herdade das Servas Reserva Branco 2016 é um lote de arinto (50%), verdelho (25%) e alvarinho (25%). Daqui resulta um vinho simultaneamente fresco e substancial. No Alentejo, a casta do Minho setentrional costuma gerar rebuçados. Certamente com muito cuidado quanto ao momento da sua colheita e o sábio acompanhamento da arinto, este é um vinho muitíssimo agradável e que obriga a sentar à mesa para comer. Acerca do verdelho não me ocorrer dizer nada – não imagino, mesmo!
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O Herdade das Servas Vinhas Velhas Tinto 2014 tem a minha memória de Alentejo e do bom que isso causa em mim. O lote é composto por alicante bouschet (45%), trincadeira (25%), touriga nacional (25%) e petit verdot (5%). Tem uma acidez incomum na região. Provavelmente pode viver durante vários anos.
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O Herdade das Servas Colheita Tardia Branco (sem data) é uma curiosidade. É interessante, quanto à apreciação, e didáctico, quanto à comparação. Embora a climatologia de Estremoz não seja propícia ao surgimento da botrytis cinerea, deu-se o caso de ter acontecido, uma vez que a vindima se realizou em Novembro. Fez-se apenas com uvas semillon. É um vinho rico em percepção de açúcar, mas sem uma gulodice fatigante.
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O Herdade das Servas Licoroso Tinto (sem data) alinha-se na tradição dos licorosos. Este fez-se com uvas alicante bouschet (60%), trincadeira (20%) e aragonês (20%). É um vinho guloso e agradável, que teve o azar de nascer num país muito rico e diverso nesta especialidade.
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Herdade das Servas Reserva Branco 2016
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Origem: Regional Alentejano
Produtor: Herdade das Servas
Nota: 6,5/10
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Herdade das Servas Vinhas Velhas Tinto 2014
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Origem: Regional Alentejano
Produtor: Herdade das Servas
Nota: 7/10
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Herdade das Servas Colheita Tardia Branco
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Origem: Regional Alentejano
Produtor: Herdade das Servas
Nota: 6/10
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Herdade das Servas Licoroso Tinto
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Origem: Regional Alentejano
Produtor: Herdade das Servas
Nota: 5,5/10

sábado, junho 23, 2018

Real Companhia Velha Séries Donzelinho Branco 2016 + Real Companhia Velha Séries Gouveio 2016 + Real Companhia Velha Séries Tinto Cão 2015 + Real Companhia Velha Séries Malvasia Preta 2015 + Real Companhia Velha Séries Cornifesto 2015 + Real Companhia Velha Séries Bastardo 2014

A história não se faz apenas com datas. O conhecimento é uma herança e uma dívida, para com os antepassados e os descendentes. O espólio constrói-se com vidas e responsabilidade. Doutra forma, ficam as datas e, no tempo, os números vazios não deixam sequer risco.
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A Real Companhia Velha, criada por ordem do primeiro marquês de Pombal, em 1756, tem essa obrigação da memória. A recuperação, reinterpretação e divulgação de castas durienses são acções importantes, quer para a região quer para o país. Não sei como definir, se etnografia ou arqueologia ou as duas – termos obviamente adaptados.
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Já lá vão seis meses… ando numa irresistível inércia, por coisas várias, de lento despertar das letras. Não apenas neste blogue, mas também no que vive ao lado. Portanto, a 18 de Janeiro foram apresentados seis novidades, com a marca Séries – designação dos produtos em fase de experiência comercial.
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Pedro Silva Reis, um dos gestores da empresa, afirma querer saber do Douro escondido, de castas e de vinhas. Jorge Moreira, enólogo da firma, acompanha nessa procura da raridade e da especificidade.
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Sim, isso… isso do terroir! Uma designação usada como colecção de factores naturais – é disso que a Real Companhia Velha quer tirar proveito. Todavia, o terroir não é só um cabaz de natureza – quem sou eu para o afirmar? Mas sou atrevido.
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Quanto a mim, o homem é também elemento desse ramalhete. A sua intervenção – mesmo que seja nula, é uma acção voluntária – permite tirar partido de todas essas essências. O Homo sapiens sapiens percebeu a natureza e, através da observação, criou o conhecimento para instituição da agricultura. A divagação fica por aqui.
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Real Companhia Velha Séries Donzelinho Branco 2016 (branco) é «uma das castas mais exóticas e invulgares que está plantada no planalto de Alijó», refere a informação dada pela empresa. O clima fresco e os terrenos férteis permitem vinho de características invulgares na região, refere a nota informativa.
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Sou avesso a descritores, a menos que sinta algo diferenciador. No nariz senti-o muito verde – alegre e fresco – como a dos caules das azedas, flores bravias que os meninos trincam. Na boca apreciei-o muito delicado.
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O Real Companhia Velha Séries Gouveio 2016 (branco) é claramente diferente do anterior. É mais guloso, de pêra (williams?) verde. Mas também seco, como uma pedra. Face ao anterior, é mais delicado de aroma, mas mais substancial na boca.
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O Real Companhia Velha Séries Tinto Cão 2015 (tinto) tem a classe e o carácter da nobreza duriense, um equilíbrio entre a altivez (finura ou elegância) e a ruralidade. Da qualidade potencial já se sabia, ou não fosse da tradição e da redescoberta.
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O Real Companhia Velha Séries Malvasia Preta 2015 (tinto) destaca-se completamente da imagem que tenho dos tintos da região. É uma mescla de aromas e de sabores – rico. Aqui, o meu descritor só vale para mim: é «bonito».
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O Real Companhia Velha Séries Cornifesto 2015 (tinto) é, dentro desta colecção, o que ficou abaixo na minha apreciação. A empresa refere que a cornifesto é uma das castas mais antigas do Douro.
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A nota informativa revela que tem características aromáticas complexas, de fruta madura e especiarias… Pois, para mim, cheira-me ao «vinhum», lembrança de coisas e de sítios de que não gosto. Quem sou eu para desenhar? Por reconhecer-me anão, face a quem o criou, tenho de humildemente o valorizar. Como aqui escrevo a minha opinião, sou o dono da bola, tenho de o penalizar. Ou seja, subo-lhe a nota em um ponto.
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O Real Companhia Velha Séries Bastardo 2014 (tinto) é uma festa. O meu pensamento – excêntrico e dado ao exagero da paixão – conta-me da alegria da criança a abrir as caixas dos brinquedos. É variado e complexo nos aromas, muito rico na boca – seco, rugoso e a exigir comida.
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Real Companhia Velha Séries Donzelinho Branco 2016
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Origem: Douro
Produtor: Real Companhia Velha
Nota: 7/10
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Real Companhia Velha Séries Gouveio 2016
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Origem: Douro
Produtor: Real Companhia Velha
Nota: 7/10
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Real Companhia Velha Séries Tinto Cão 2015
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Origem: Douro
Produtor: Real Companhia Velha
Nota: 7/10
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Real Companhia Velha Séries Malvasia Preta 2015
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Origem: Douro
Produtor: Real Companhia Velha
Nota: 8/10
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Real Companhia Velha Séries Cornifesto 2015
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Origem: Douro
Produtor: Real Companhia Velha
Nota: 6/10
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Real Companhia Velha Séries Bastardo 2014
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Origem: Douro
Produtor: Real Companhia Velha
Nota: 8,5/10