quinta-feira, julho 21, 2016

Vila Flor Tinto Reserva 2013

A Casa d’Arrochella tem vindo a apresentar vinhos de qualidade, ano após ano, patamar a patamar. Digo que se chama consistência e perseverança. Gosto (julgo que todos ou a maioria das pessoas) de saber com o que conto. As oscilações de qualidade não beneficiam ninguém, sobretudo o produtor. Se não existir regularidade, o enófilo só comprará duas vezes: a do ano que gostou e a do que se decepcionou.
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Essa é uma situação que neste caso não se põe de forma alguma. Por vontade do produtor, quer pela política seguida, quer pela escolha de um enólogo com muitas provas dadas: Luís Soares Duarte.
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Este produtor dispõe de 115 hectares de vinhas, espalhados por cinco propriedades, na sub-região do Douro Superior.
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Sou grande apreciador dos tintos do Douro e este cabe-me bem no nariz e na boca. Tem dentro a região, resultado das condições naturais e do lote, composto por uvas de tinta roriz, touriga franca e touriga nacional. Estagiou nove meses em barricas de carvalho francês.
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Vila Flor Tinto Reserva 2013
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Produtor: Grandes Quintas
Origem: Douro
Nota: 6/10
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Nota: Este vinho foi enviado para prova pelo produtor.

quarta-feira, julho 20, 2016

Casa do Arrabalde – Avesso Alvarinho Arinto – 2015 + Espinhosos – Avesso Chardonnay – 2015

Aqui se apresentam dois vinhos Regional Minho, um mais conservador e outro arrojado. Tanto um como o outro se apresentam felizes à mesa, especialmente no Verão. A preguiça estival combina bem com Casa do Arrabalde. Já o Espinhosos é mais «quente».
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Não conhecia a A&D Wines. O produtor está estabelecido na sub-região de Baião. A enologia está a cargo de Fernando Moura. Critico a opção de colocar o ano de vindima em local improvável e em caracteres mínimos (no bordo do rótulo e na vertical).
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Não consegui ainda perceber a razão por que muitas pessoas têm ao avesso – gosto. No Casa do Arrabalde, esta casta juntou-se à fresca alvarinho e a gulosa alvarinho. É bem indicado para este tempo quente e com uns felizes 12,5% de álcool.
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O lote do Espinhosos surpreendeu-me. Não estava à espera dum lote de avesso com chardonnay. Resulta bem. Porém, trata-se de um vinho que pede mais mesa do que o anterior, mantendo-se com apetitoso no estio. A casta francesa dá-lhe alguma gordura e calor e a graduação é de 13%.
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Casa do Arrabalde – Avesso Alvarinho Arinto – 2015
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Produtor: A&D Wines
Origem: Regional Minho
Nota: 5,5/10
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Espinosos – Avesso Chardonnay – 2015
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Produtor: A&D Wines
Origem: Regional Minho
Nota: 5/10
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Nota: Os vinhos foram enviados para prova pelo produtor.

terça-feira, julho 19, 2016

Sossego Branco 2015 + Sossego Rosé 2015 + Sossego Tinto 2014

A Sogrape tem vindo a encontrar nomes muito fixes para as suas marcas. Ao Papa Figos, do Douro, e ao Trinca Bolotas, do Alentejo, junta-se agora o Sossego, também desta região do Sul.
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O sossego é inerente ao campo. Esquecendo as anedotas que põem os alentejanos como preguiçosos, a palavra remete para o (meu) imaginário: as tardes quentes sem fim, do Verão, a sombra de sobreiros e azinheiras e até a quietude que sucede às grandes chuvas.
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Luís Cabral de Almeida assina os vinhos da Herdade do Peso, no Concelho da Vidigueira e na proximidade da Serra do Mendro. Nesta colecção tive prazer e encontro com a minha casta branca maldita – não gosto de antão vaz!
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O Sossego Branco 2015 resulta da junção de uvas das castas antão vaz (75%), arinto (20%) e roupeiro (5%). É um vinho equilibrado e com frescura, certamente com grande responsabilidade da arinto. Não fosse o critério assumidamente pessoal e subjectivo e teria melhor nota. Lamento, mas sou «alérgico». Quem gostar dessa uva tem aqui contentamento.
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O Sossego Rosé 2015 é para beber em calções, embora com atenção, pois a graduação não sendo alta também não é baixa: 13%. É um monovarietal de touriga nacional, com frescura e gulodice, e que vai à mesa e à espreguiçadeira.
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O Sossego Tinto 2014 é como a táctica do 4-4-2 do seleccionador Fernando Santos. Não falha! Independentemente das proporções, a conjugação das castas é fórmula vencedora: aragonês (75%), syrah (15%) e touriga nacional (10%).
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Apetitoso no nariz (pede mesa), boa estrutura e frescura na boca. As suas características, nomeadamente os 13,5% de álcool, recomendam que seja resfriado antes de servir. Por mim, guardava-o para quando as temperaturas do ar começarem a baixar.
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Sossego Branco 2015
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Produtor: Sogrape
Origem: Regional Alentejano
Nota: 4,5/10
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Sossego Rosé 2015
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Produtor: Sogrape
Origem: Regional Alentejano
Nota: 5,5/10
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Sossego Tinto 2014
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Produtor: Sogrape
Origem: Regional Alentejano
Nota: 5,5/10
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Nota: Estes vinhos foram enviados para prova pelo produtor.

domingo, julho 10, 2016

QM Espumante Super Reserva Alvarinho 2012 + QM Vinhas Velhas Alvarinho 2015 + QM Homenagem Alvarinho 2014 + QM Espumante Velha Reserva Alvarinho

A frescura é a característica mais vincada (arrisco no absoluto da afirmação) da região do Vinho Verde. Aqui conseguem-se características minerais, frutadas e florais – não necessariamente sempre todas num mesmo vinho – refrescantes.
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Dispenso os étnicos tintos e fico nos brancos, apetitosos a vários níveis: lazer, comida de Verão e pratos mais ácidos. Os que aqui apresento são todos da sub-região de Monção e Melgaço, onde reina a casta alvarinho.
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A Quintas de Melgaço foi fundada em 1990 e hoje agrega mais de 530 produtores. Trabalha apenas com a casta alvarinho. Os espumantes são produzidos apenas no método clássico. A enologia está a cargo de Jorge Sousa Pinto e Virgínia Raínho.
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O QM Espumante Super Reserva Alvarinho 2012 faz bem o papel de relações públicas. Um bom companheiro para apresentações, refrescante e amigo de acepipes de entrada. Ainda assim é competente para ser servido com carnes gordas. É delicado e persistente, de bolha fina.
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As uvas foram prensadas e decantadas entre 12 e 36 horas e fermentou até 15 dias em  inox. Estagiou  em inox, com movimento regular das borras,  entre três e seis meses. Fermentou 24 meses em garrafa, antes do degorgement.
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QM Vinhas Velhas Alvarinho 2015 é uma excelente companhia para o Verão. Sai-se muito bem numa conversa de amigos – daquelas sem hora para acabar – ou a escoltar marisco ou frango.
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As uvas foram prensadas e decantadas entre 12 e 36 horas e fermentou até 15 dias em  inox, onde estagiou por dois meses, com movimento regular das borras. Não veio para a rua sem  ter permanecido dois meses em garrafa.
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QM Homenagem Alvarinho 2014 celebra o fundador da empresa, Amadeu Abílio Lopes. É também ele uma aposta para a mesa, desde marisco, peixe, carnes brancas e queijo. Alia a frescura à untuosidade. Tratando-se duma evocação, abstenho-me de pontuar.
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As uvas foram prensadas e decantadas entre 12 e 36 horas e fermentou até 15 dias em  inox. Estagiou seis meses em barricas de carvalho francês, com movimento regular das borras.
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O QM Espumante Velha Reserva Alvarinho é mais uma prova de que a região do Vinho Verde, no geral, e na sub-região de Monção e Melgaço, no particular, é generosa para quem quer fazer espumantes. Naturalmente fresco, longo na boca e de bolha elegante. Tal como anteriormente, dá-se bem na mesa, chegando até à sobremesa.
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As uvas foram prensadas e procedeu-se a decantação a frio de 12 horas a 36 horas. Fermentou por 15 dias em inox e aí permaneceu entre três e seis meses. Fez a segunda fermentação em garrafa, durante 36 meses, antes do degorgement.
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QM Espumante Super Reserva Alvarinho 2012
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Origem: Vinho Verde
Produtor: Quintas de Melgaço
Nota: 6,5/10
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QM Vinhas Velhas Alvarinho 2015
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Origem: Vinho Verde
Produtor: Quintas de Melgaço
Nota: 6,5/10
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QM Homenagem Alvarinho 2014
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Origem: Vinho Verde
Produtor: Quintas de Melgaço
Nota: X
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QM Espumante Velha Reserva Alvarinho
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Origem: Vinho Verde
Produtor: Quintas de Melgaço
Nota: 7,5/10

sábado, julho 09, 2016

Quinta dos Carvalhais Colheita Branco 2015 + Quinta dos Carvalhais Colheita Tinto 2012

Fico feliz por a região do Dão estar a ressurgir. Depois de anos de inexplicável declínio, o desenvolvimento parece-me consistente, com investimentos de grandes empresas e de pequenos vinhateiros.
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A qualidade dos vinhos do Dão sempre foi uma certeza. A natureza sempre esteve. O conhecimento técnico não me parece que tenha sido problema. O que falhou? Marketing, relações públicas, imagem e desempenho comercial.
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Creio que a Comissão Vitivinícola Regional está bem entregue, traduz-se também pelo desenvolvimento do negócio. O caminho será longo, com percalços e sustos, e esforçado. Nada que a vontade não ultrapasse. Hoje há massa-crítica no Dão.
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A Sogrape não chegou a maior empresa do sector em Portugal por acaso. Há já uns anos que tem investido no Dão, certamente com dificuldades próprias. Cabe-lhe uma tarefa importante: ser uma das locomotivas da região.
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O centro da Sogrape no Dão está na Quinta dos Carvalhais. A propriedade situa-se entre Alcafache e Nelas, no Concelho de Mangualde, no planalto beirão. Está rodeada pelos maciços montanhosos da Serra do Açor, Serra do Buçaco, Serra do Caramulo, Serra da Estrela, Serra da Lapa, Serra da Lousã, Serra de Montemuro e Serra da Nave. A orografia aponta para características frescas e assim é.
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Duas características dos vinhos do Dão são a elegância e o potencial de evolução em garrafa. Estes dois vinhos assim o prometem. Se o branco é recente, já o tinto é mais antigo. Não é um risco apresentar um 2012, mas é ousadia, num país em que muitos consumidores, comerciantes e donos de restaurantes se centram na novidade.
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Cabe a Beatriz Cabral de Almeida comandar as operações enológicas no Dão. A tarefa tem responsabilidade acrescida, visto suceder ao incontornável Manuel Vieira, que há poucos anos deixou a empresa.
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O branco fez-se com 80% da casta rainha do Dão: encruzado. A verdelho completou o lote. É delicado, cítrico e mineral, com frescura natural. Recomendo que se beba a acompanhar comida com alguma confecção (não é para a piscina) e queijo.
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O tinto é igualmente complexo, elegante e longo na boca. Bem estruturado, com a madeira bem integrada e frescura natural. A composição do lote não foi revelada, mas a touriga nacional parece-me presente.
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Segue a tradição dos bons vinhos da região: a longevidade. É de 2012 e promete longa vida em garrafa.
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Quinta dos Carvalhais Colheita Branco 2015.
Origem: Dão
Produtor: Sogrape
Branco: 7/10
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Quinta dos Carvalhais Colheita Tinto 2012.
Origem: Dão
Produtor: Sogrape
Nota: 8/10
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Nota: Estes vinhos foram enviados para prova pelo produtor.

sexta-feira, julho 08, 2016

Adega de Borba Branco 2015 + Adega de Borba Rosé 2015 + Adega de Borba Tinto 2014

Uma característica que valorizo (muito) é a fiabilidade. Dou-lhe mais atenção do que ao preço. Quem me costuma ler sabe que me recuso a estabelecer decretos acerca do que é a relação entre a qualidade e o preço – a disponibilidade financeira, o limite pessoal do aceitável, o que se valoriza (nariz e boca) e o traquejo enófilo variam de pessoa para pessoa. Assim, não se pode estabelecer uma conclusão.
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Ao contrário pode estabelecer-se um quadro de fiabilidade. Uma referência vínica que oscila em qualidade não é segura – não me refiro às especificidades de cada ano. Essas têm de ser tidas em conta, mas o sufrágio deve fazer-se pelo que se entende do trabalho que se realizou.
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Os vinhos da Adega de Borba têm essa consistência. Sei que ao comprar não me irá desiludir, não é uma lotaria. Isto deve-se a quem trabalha a viticultura dos muitos associados desta casa e a quem assina o trabalho de enologia.
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Óscar Gato é o homem dos tubos de ensaio, das análises, das milhentas provas que um vinho necessita antes de ser dado como concluído e engarrafado. Tem ainda mais um peso nas costas: a quantidade. Este enólogo não faz duas barricas ou 7.000 litros. Tem de saber muito para garantir uma qualidade regular e consistente em toda a gama.
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A gama dos Adega de Borba é já clássica. Vários anos de público e com sucesso. Vinhos descomplicados e fáceis (no melhor da expressão).
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O branco é descontraído, muito competente para as comidas que apetecem no Verão e amigo de convívio sem preocupações, em conversas de férias. O problema não é um problema, apenas não sou apreciador da casta antão vaz. Ainda assim, o arinto e a roupeiro compõem o retrato.
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O rosado insiste em agradar-me. É absolutamente vinho para férias. Podendo acompanhar comida, penso que o mais indicado é mesmo quando se está despreocupado, com as pernas esticadas numa cadeira longa, música chill out (perdõem-me o anglicismo, mas não encontro correspondente) e amigos. Fez-se com aragonês e syrah.
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O tinto é um vinho aveludado, que corresponde às espectativas de quem aprecia os néctares alentejanos, com a gulodice dos frutos vermelhos. Fez-se com as castas alicante bouschet, aragonês e trincadeira.
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Adega de Borba Branco 2015
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Origem: Alentejo
Produtor: Adega de Borba
Nota: 5,5/10
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Adega de Borba Rosé 2015
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Origem: Alentejo
Produtor: Adega de Borba
Nota: 6/10
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Adega de Borba Tinto 2014
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Origem: Alentejo
Produtor: Adega de Borba
Nota: 6/10
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Nota: Estes vinhos foram enviados para prova pelo produtor.

quinta-feira, julho 07, 2016

Singular 2015

Não se pode dizer que este seja um típico Vinho Verde branco. Isso não sinónimo de bom nem de mau. Apenas o que é. A avaliação é francamente positiva.
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Quando escrevo que é diferente justifico com alguma untuosidade que lhe dá a casta chardonnay. Fez-se ainda com avesso, alvarinho e malvasia fina. Este ramalhete traduz-se numa bela frescura e alguma gulodice. A enologia está a cargo de Fernando Moura.
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A propriedade de onde se apanharam as uvas fica na sub-região de Baião, com solos graníticos. Conta a informação do produtor que 2015 que, por ali, o primeiro trimestre foi chuvoso e que a precipitação regressou em Setembro. Esses factos deram-se, com certeza, uma maior frescura natural.
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Mal seria se este vinho não fosse bom acompanhante de comida. Parece-me ser mais competente para consumo apenas no Verão. Julgo que acompanhará bem repastos mais pesados.
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Origem: Vinho Verde
Produtor: A&D Wines
Nota: 5,5/10
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Nota: Este vinho foi enviado para prova pelo produtor.

quarta-feira, julho 06, 2016

Azeite Virgem Extra Oliveira Ramos Premium

É difícil não gostar deste azeite. Tem suavidade, aroma agradável e casa muito bem com pratos diferenciados. Desde peixe cozido (Deus me livre – não como peixe) a uma salada ou ao refrescante gaspacho – tendo este diversas formas de ser feito.
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Fez-se com azeitonas das variedades cobrançosa, galega e picual. Despois de espremidos os frutos seguiu-se o armazenamento, em depósitos de inox com gás inerte. É um óleo frutado no aroma e ligeiramente picante na boca.
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Nunca é demais salientar que o azeite é um sumo de fruta e não um líquido fermentado como o vinho. Por isso, tem um tempo de vida muito menor e exige cuidados, como a guarda em local fresco e escuro.
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Nota: Este azeite foi enviado para prova pelo produtor.

segunda-feira, maio 30, 2016

V Concurso de Vinhos do Douro Superior – Festival de Vinho do Douro Superior 2016

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Encontra-me...
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Antes que o tempo acelere… continuo na vertigem dos dias (ver texto anterior)… conto do concurso que vai na quinta edição e o primeiro parece ter sido anteontem. É uma prova que se arrisca a tornar num clássico, devido à qualidade média dos concorrentes.
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Este ano, o concurso decorreu entre 20 e 22 de Maio, mantendo-se no Expo Côa (parque de feiras e exposições de Foz Côa). Estiveram presentes 70 produtores e o concurso contou com 144 vinhos. O júri foi formado por críticos, jornalistas, bloguistas, escanções, comerciantes e profissionais de hotelaria.
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A pensar no almoço...
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De todos os concursos em que participei, o Concurso do Douro Superior é o de melhor qualidade média. O princípio da precaução vigora, pelo que os grandes vinhos não costumam ir a prova. Porém, ali existe uma espécie de acordo de cavalheiros e os produtores apresentam-se com os seus melhores néctares.
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Há quem diga que a vida é uma roda… ora, pois! Lembro-me de há umas edições quase todos os vinhos que me calharam terem tido pontuação para medalha. Este ano não tive tanta sorte. Ainda assim, a qualidade foi notável.
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«O nível de pontuações foi tão alto que não foram atribuídas medalhas de bronze», lê-se no comunicado da organização. Ficam os principais premiados: Passagem Douro Reserva Branco 2015 (Quinta das Bandeiras), Quinta do Grifo Grande Reserva Tinto 2011 (Rozès) e Maynard’s Porto Colheita Branco 2007 (Barão de Vilar).
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Os grandes vencedores.
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No entanto, o concurso é apenas uma parte do evento. Além da feira, há visitas a quintas e sessões de formação, palestras e debates. Este ano, abriram as portas as Quinta do Vale Meão, Muxagat, Quinta da Cabreira (Quinta do Crasto), Quinta da Terrincha e Quinta das Bandeiras.
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Quinta do Vale Meão.
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Ainda não tinha provado nenhum branco da Quinta do Vale Meão, propriedade mítica do Douro e cuja família sempre me recebeu de braços abertos. O Meandro Branco 2015 é um alegre contentamento. A junção de viosinho e arinto dá um néctar sem travões… a bizarria da viosinho e a frescura da arinto (possivelmente a minha casta portuguesa favorita) resultam numa conjugação complexa.
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Os vinhos da Muxagat são um encanto. Ali não há luxo e trabalha-se com o essencial. O resultado é a prova de que, no vinho, dois e dois não são necessariamente quatro. A verdade está na fruto e no rigor enológico. Belos tintos, magníficos brancos.
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Gosto muito de ciprestes.
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A Quinta do Crasto situa-se em Sabrosa. Porém, o Douro Superior tem mostrado ser uma sub-região de grande qualidade. Por isso, a família Roquette comprou terra e criou a Quinta da Cabreira. O resultado chama-se Crasto Superior e vai dum lote clássico do Douro, à base de touriga nacional e touriga franca, até a uma espécie de provocação, feita com 97% de syrah e 3% de viognier. A jovialidade das vinhas ainda não permite uma equiparação dos vinhos dali aos da casa-mãe. Roma e Pavia não se fizeram num dia.
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O Vale da Vilariça é de terra fértil e de clima mediterrânico, mas sem mar. Disseram-me que ali os figos chegam 15 dias antes de amadurecerem no Algarve. É ali que se situa um projecto turístico de luxo, enquadrado na produção de vinho. A Quinta da Terrincha é também uma casa jovem. As vinhas farão o seu caminho e, com elas, os vinhos vão mostrar as características dessa terra quente. A propriedade foi recuperada e acolhe um enoturismo com pernoita. O restaurante é gerido pelo proprietário do Flor de Sal, de Mirandela.
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A viagem começou na margem direita do Douro e terminou na margem oposta, precisamente em frente da Quinta do Vale Meão. A Quinta das Bandeiras nasceu porque há pessoas que não conseguem estar quietas. Tim Bergkvist não se contentou com a sua Quinta de La Rosa (Pinhão – Cima Corgo) e avançou para montante. Hoje, o empreendimento tem à frente a sua filha, Sophia Bergkvist, e o enólogo Jorge Moreira (Passagem, Poeira, Quinta de La Rosa e Real Companhia Velha).
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Os rios são passagens e nas reentrâncias dos vales passou outrora o comboio. Daí nasceu o marca Passagem. Jorge Moreira é um dos enólogos com toque de Midas. Um vinho seu já só será notícia se não for bom. Coisa absolutamente improvável. Ali se almoçou no último dia e como se não houvesse amanhã… a simplicidade do campo!
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Roubei esta fotografia no Facebook...
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O Festival de Vinho do Douro Superior 2016 é organizado pela Câmara Municipal de Foz Côa, sendo produzido pela Revista de Vinhos estão de parabéns, com o apoio de imprensa de Joana Pratas.
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Nota: As fotografias de grupo são da autoria de Ricardo Palma Veiga, da Revista de Vinhos. A fotografia da Quinta das Bandeiras foi roubada, mas não sei a quem.

Concours Mondial de Bruxelles - Bruxelas é a capital da Bélgica! É, mas o concurso é mundial...

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Encontra-me...
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Quando era criança, o tempo demorava uma eternidade a passar. O dia 1 de Outubro assinalava o final das férias grandes, que eram praticamente infinitas, e o começo do ciclo escolar, igualmente semi-eterno.
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Li algures que há um mecanismo na cabeça que coordena a velocidade. Essa engenhoca da biologia é responsável pela aceleração da percepção do tempo. Portanto:
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Entre 29 de Abril e 1 de Maio, deste ano, estive em Plovdiv, na Bulgária. Parece que foi ontem que recebi o convite para participar como jurado no Concours Mondial de Bruxelles, mas faz um mês que terminou o evento. Este texto quase vai tarde!
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A experiência foi rica no que respeita a vinho. Não tanto pela esperada variedade de vinhos que provei, mas por ter confirmado que a componente do gosto tem muito a ver com a cultura em que se nasce. Se refiro o gosto, o que pode alarmar quem acredita que tal deve ser banido da prova, é porque a ciência do exame varia com o berço.
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A minha mesa era presidida por um francês e formada por uma búlgara, um italiano, um norte-americano e, obviamente, um português. Todos tínhamos experiência de prova, mas houve momentos em que estranhamente o vinho não era o mesmo para todos. Como pode alguém premiar o que outro penaliza?
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Aqui entra o gosto? Alguém dirá que sim e outro dirá que não. Aqui entra o hábito, no sentido de cultura ou conhecimento duma realidade, direi. Isso foge ao acerto? Ou há que assumir que o reconhecimento da qualidade também se molda nos critérios colectivos do gosto?
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A minha mesa provou sobretudo rosados, sendo alguns também eram espumantes. No total, nos três dias, provei 158 vinhos – em cada dia repetiram-se alguns, mas o total em classificação foi esse. Foram 84 rosés tranquilos, 27 espumantes rosados – alguns eram, na verdade, brancos de uvas tintas –, 40 tintos tranquilos e sete brancos tranquilos.
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Não me recordo de grandes divergências, em relação a tintos e brancos. Porém, a avaliação dos 111 rosados foi, por vezes, diferenciada. A grande divergência foi em relação a doçura e a acidez. É aqui que entra a questão do gosto ou do ambiente cultural. Houve quem penalizasse rosados por serem ácidos. Penalizei vinhos que cheiravam e sabiam a açúcar.
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Em termos de pontuações, a organização atribui Medalha de Prata a vinhos com pontuações entre 84 e 86,5. A Medalha de Ouro vai para os que obtém entre 86,6 e 92 pontos. A Grande Medalha de Ouro é atribuída a vinhos com mais de 92 pontos e até (obviamente) 100.
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Estiveram em prova 8.015 vinhos, provenientes de 51 países. França (2.421 – 17 Grande Ouro, 191 Ouro e 434 Prata), Espanha (1.570 – 10 Grande Ouro, 167 Ouro e 300 Prata), Itália (1.226 – 16 Grande Ouro, 104 Ouro e 234 Prata) e Portugal (1.033 – 12 Grande Ouro, 107 Ouro e 212 Prata) foram os países com maior número de vinhos em prova. Para se ter ideia mais precisa, a quinta maior presença foi a do Chile, com 327 vinhos.
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Porém, na escolha Exceptionnal Old Vintages, Portugal conseguiu oito prémios, num total de nove, sendo o restante francês. Seis foram Porto, dois Madeira e um Rivesaltes (Languedoc-Roussillon).
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Pelas minhas contas, se não errei ao olhar os papéis, só uma vez dei mais de 92. Por acaso calhou ao um vinho português. Não irei quebrar o sigilo. Foi numa ronda pequena, mas notável.
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Quanto ao extra-concurso… a cidade de Plovdiv é interessante, mas não me encantou por aí além. Gostei da higiene das ruas e da paisagem, mas só conheci o caminho entre Sófia e Plovdiv.
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Ficha sem bonecada, não é ficha...