sábado, Agosto 16, 2014

Senses Alvarinho 2013

A casta alvarinho fez as malas e abalou para conhecer o país, quiçá o mundo. O Alentejo têm-na recebido bem, com boas vendas – ou seja, a aposta foi ganha. Não sei qual a classificação à chegada da meta, mas penso que a Adega de Borba foi das primeiras casas a cultivar esta casa do Alto Minho e Galiza.
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O resultado é bem diferente. Sendo diferente é comparável? É!... Sempre que a Adega de Borba lança um Senses tenho sempre notado a sua especialidade, o carácter que está subjacente, mas discreto, à marca.
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Aqui torna-se num tropical mais doce e declarado, mas com presença de lima e tangerina e casca de laranja. Envolve a boca e tem bom final.
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O alvarinho marca Borba. É diferente – não há como a nossa casa. O resultado é francamente bom, mas a sub-região de Monção e Melgaço é o seu terroir. No Alentejo é natural que seja mais quente, todavia é um vinho fresco e que pede comida. Para aperitivar há brancos mais indicados. A Adega de Borba recomenda-o para peixes gordos, acrescento Queijo de Niza ou Queijo Picante de Castelo Branco.
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Origem: Regional Alentejano
Produtor: Adega de Borba
Nota: 6/10

Burmester Branco 2013 + Curva Branco 2013 + Kopke Branco 2013

A Sogevinus é uma casa de Vinho do Porto! A empresa (julgo que ainda controlada pelo banco galego Caixanova) detém importantes marcas de Vinho do Porto (Kopke, Burmester, Calém, Barros e Gilbert’s), mas avançou também para os vinhos de mesa, com denominação de origem Douro.
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Bateram-me à porta para me entregarem três garrafas das novidades de branco: Curva Branco 2013, Burmester Branco 2013 e Kopke Branco 2013.
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Bem... os vinhos não são maus nem estão mal feitos... Mas situam-se muitos patamares abaixo donde estão os Vinhos do Porto da casa. Parece-me – e essa questão não é da minha conta – que se estão a prejudicar.
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Quanto a estes vinhos Douro em concreto...
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O Burmester Branco 2013 vence os manos. É mais complexo, com fruta citrina e flor de laranjeira, associadas a notas minerais.
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O Curva Branco 2013 registo-o mais «à moda», com a fruta tropical, a sensação de doce... Recomendo-o para uma esplanada ao ar livre, à conversa numa noite cálida.
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No Kopke Branco 2013 elogio-lhe a mineralidade, com frescura. É um vinho descontraído, enquadrado numa refeição ao ar livre, seja em esplanada ou no terraço de casa.
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Burmester Branco 2013
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Origem: Douro
Produtor: Burmester/Sogevinus
Nota: 4,5/10
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Curva Branco 2013
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Origem: Douro
Produtor: Calém/Sogevinus
Nota: 3,5/10
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Kopke Branco 2013
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Origem: Douro
Produtor: Kopke/Sogevinus
Nota: 4/10
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Nota: Estes vinhos foram enviados para prova pelo produtor.

Flor das Tacedeiras 2013 + Quinta das Tecedeiras Port Special Reserve

A dupla Marcelo Lima e Tony Smith não se contenta em fazer «estragos» na região do Vinho Verde. Ainda bem, pois trazem aragem consigo. Não sendo portugueses conseguem, por certo, ter uma visão de distância, ao mesmo tempo, o prazer, mais do que comprovado, pelos néctares cá da gente.
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Na Quinta das Tecedeiras, na sub-região duriense do Cima Corgo, mora uma maior tradição do que na «outra» quinta (ver crónica abaixo). Em equipa que vence não se mexe, pelo que reparei no cuidado entre a assinatura dos produtores, enólogo (Carlos Lucas) e o carácter da região.
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Não falei propriamente com o enólogo e com os promotores, mas julgo que não falho se disser que a frescura é o Graal. Em Baião, Rui Cunha persegue a taça, em Ervedosa do Douro o cavaleiro é Carlos Lucas.
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A Quinta das Tecedeiras tem a seu favor a localização na margem esquerda, menos ensolarada – voltada a Norte. Não vá o clima estar mesmo a mudar, para mais quente, e este factor será vital.
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Há uma gireza nesta coisa da geografia ou da orografia. A frescura, que por regra ascende montes, aqui é conseguida entre os 90 e os 190 metros de altitude. Para quem tem dificuldade em localizar mentalmente esse intervalo, refiro que o Aeroporto da Portela, em Lisboa está a 114 metros de altitude – não é portanto um monte dos Himalaias.
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Bom, quantos aos vinhos apresentados, foi o Flor das Tecedeiras 2013 (Douro) e Quintas das Tecedeiras Port Special Reserve (Porto).
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O Flor das Tecedeiras 2013 não é, portanto, uma bomba. A ficha técnica refere estágio em madeira, mas não especifica. Deduzo que tenha estagiado em barricas já com alguns anos e/ou por um curto espaço de tempo.
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O enólogo recomenda-o para queijos... direi: jamais! Percebo a vontade de mostrar polivalência, mas não é preciso chegar a tanto. Quanto a pizas, idem, idem, aspas, aspas. Sigo para carne de vaca mal passadas, a sugestão das almôndegas... por aí.
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Este vinho com denominação Douro fez-se com uvas touriga nacional, tinta barroca, touriga franca, tinta roriz, tinta amarela e o ramalhete habitual das vinhas velhas.
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Quintas das Tecedeiras Port Special Reserve resulta dum lote de uvas das castas touriga nacional, touriga franca, tinto cão, tinta roriz, tinta barroca, tinta amarela, moreto e sousão... O lote compreende vinhos com uma média de 12 anos.
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Não sendo um topo de gama, não é um de gama básica. Gosto de vinhos com este perfil em duas ocasiões muito concretas: bebericar (fresco) enquanto cozinho e após o final das refeições, já numa decente temperatura de 16 graus Célsius, com figos secos e amêndoas.
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Flor das Tecedeiras 2013
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Origem: Douro
Produtor: Quinta das Tecedeiras
Nota: 6/10
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Quintas das Tecedeiras Port Special Reserve
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Origem: Douro
Produtor: Quinta das Tecedeiras
Nota: 6/10


Covela Rosé 2013 + Covela Edição Nacional 2013 – Arinto + Covela Edição Nacional 2013 – Avesso + Covelo Escolha Branco 2013

Nunca fui a Baião, onde se situa a Quinta da Covela, que depois de sobressaltos empresariais encontrou em Marcelo Lima e Tony Smith um rumo. Os vinhos da quinta estavam bem cotados e os que nasceram desde que esta dupla de empresário tomou conta dos destinos da propriedade mantém-se num patamar de qualidade inegável.

Antes de continuar... nunca fui a Baião – que me lembre – e a terra sempre me causou irritação nervosa... a vila não tem culpa do irritante saltitão do João e do seu macaco Hadriano. Fui procurar fotografias e não me parece mal.
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O que me parece muito bem é a Quinta de Covela e os seus vinhos. Na propriedade juntam-se castas típicas da região do Vinho Verde, nacionais e internacionais. Com elas, Rui Cunha, o enólogo, consegue fazer um conjunto de vinhos diferenciados entre si – pode pensar-se nas diferentes casaras, mas nem sempre é óbvio – e com um perfil coerente.
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Num evento em Lisboa, foram-me dados a provar – com comida, porque fiz uma confusão qualquer e cheguei depois da prova, o que até talvez tenha vantagens – quatro vinhos, dois quais três brancos e um rosado.
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Começo pelo diferente, pelo Covela Rosé 2013; é um vinho fresco, com secura final, mas não um mono sem sabor. Achei curioso o comportamento da touriga nacional nesta zona de fronteira do Vinho Verde com o Douro. É um vinho com elegância e – preconceito – feminino, pois nele convivem rosas, violetas e flor de laranjeira.
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O Covela Edição Nacional 2013 – Arinto é um vinho feito à minha medida. Já nem suspeito sou, tantas são as vezes que elogio a casta arinto, que talvez seja a melhor variedade branca portuguesa.
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Na região dos Vinhos Verdes chamam-lhe pedernã, mas além de ser um vocábulo muito feio – acho horrível, pedernã – há de facto vantagens numa sinonímia comum em todo o país. Chama-se «Nacional» por ser resultado de uvas duma cultivar portuguesa. Mais uma vez revela-se elegância e frescura, onde a fruta citrina se conjuga com a flor de laranjeira e alguma rosa, muito subtil.
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O Covela Edição Nacional 2013 – Avesso segue a linha escorregadia. Ainda os citrinos e a flor de laranjeira. Se o anterior era delicado, este é delicadíssimo.


Em conclusão. Penso que não posso designar estes vinhos como típicos Vinhos Verdes – atenção, não vi o rótulo, pelo que desconheço se tem o selo de certificação ou se é um regional Minho – têm um «mundo» dado pelos empresários, o brasileiro Lima e o britânico Smith, e que o enólogo terá interpretado à altura – deduzo.
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São vinhos frescos, fáceis de se gostar e seguem um perfil cítrico, que os une, mas não os torna iguais.
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Por fim, o Covela Escolha Branco 2013 tem outras pretensões – é mais internacional. Fez-se sobretudo com avesso e chardonnay – há mais, mas não foi revelado – donde resulta alguma untuosidade. Curiosamente foi o que notei mais mineral.
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Covela Rosé 2013
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Origem: Vinho Verde (não vi o rótulo, pode ser regional Minho)
Produtor: Quinta da Covela / William Smith & Lima
Nota: 6/10
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Covela Edição Nacional 2013 – Arinto
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Origem: Vinho Verde (não vi o rótulo, pode ser regional Minho)
Produtor: Quinta da Covela / William Smith & Lima
Nota: 6,5/10
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Covela Edição Nacional 2013 – Avesso
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Origem: Vinho Verde (não vi o rótulo, pode ser regional Minho)
Produtor: Quinta da Covela / William Smith & Lima
Nota: 6/10
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Covela Escolha Branco 2013
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Origem: Regional Minho (não vi o rótulo, mas contendo chardonnay...)
Produtor: Quinta da Covela / William Smith & Lima
Nota: 6,5/10

terça-feira, Agosto 12, 2014

Marquês de Borba Reserva 2011

Grande vinho!
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É tão redonda a afirmação que pouco posso escrever.
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Não é um vinho para todos os dias. Felizmente há vinhos que não são para todos os dias.
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Se fosse agradecer ao médico que me operou, ou quisesse impressionar o futuro sogro na primeira vez que partilhasse-mos a mesa, este estaria na lista das hipóteses.
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Sou dos que pensam que a forte graduação num vinho – excepto os rosados e alguns brancos mais informais – não é um defeito. Só será defeito se não tiver acidez para lhe dar frescura e vivacidade.
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Este vinho projecta-se a 14,5 graus de álcool e perigosamente, pois tem frescura e gulodice – mas não é um vinho para barrar no pão, porque tem acidez e não é uma cesta de fruta encarnada (vermelha já cansa).
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O Alentejo é cosmopolita nas castas da denominação de origem (facto que me encanita), pelo que neste vinho se pode encontrar a cabernet sauvignon – variedade que infantilmente e injustamente disse que não gostava.
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A cabernet sauvignon se travada a tempo não é pimentão, revelando-se pimento mais ou menos intenso. É um colosso que marca muito os lotes em que participa. Neste caso, tempera bem, dá exotismo (!), mostra-se e não põe e dispõe.
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A bordalesa é acompanhada pelas alentejanas trincadeira, alicante bouschet e aragonês, que lhe dão o sotaque cantado dos alentejanos. A madeira envolve bem, penso que está numa boa medida – julgo que quem gosta dum uso minimalista da madeira poderá não apreciar tanto. Não sendo caruncho, gosto muito de sentir a madeira no vinho, sendo que nos tintos a sua ausência pode ser trágica...
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Podia o marquês ascender a duque... título que em Borba não existe, tal como os outros todos (excepto o de marquês), incluindo o de visconde.
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Origem: Alentejo
Produtor: João Portugal Ramos
Nota: 8,5/10
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Nota: Este vinho foi enviado para prova pelo produtor.

Monte da Ravasqueira Branco 2013 – Monte da Ravasqueira Alvarinho 2012 – Monte da Ravasqueira Alvarinho 2012 – Monte da Ravasqueira Viognier 2012 – MR Premium Branco 2012 – MR Premium Rosé 2013

Acho que já escrevi isto, mas acho por bem repetir (se for o caso)... a enologia é uma disciplina técnica, tal como a arquitectura. Quando há hipótese e talento, a enologia, tal como a arquitectura, podem ser arte.
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Antigamente, penso que até ao Romantismo, os pintores tinham oficinas (depois ateliês e agora estúdios), com aprendizes e oficiais, muitos deles especializados, mas que, por falta de talento, ausência de oportunidade ou receio para se estabelecerem por conta própria não ficaram registados na história de arte.
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Um dos que sobressaíram foi Leonardo da Vinci, que oficializava na oficina de Verrocchio. Conta-se que o mestre florentino ao ver um anjo pintado pelo Anchiano prometeu nunca mais pintar nenhum.
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É claro que «Leonardos» há poucos, às vezes nenhum em muitos anos. Este exemplo foi apenas para fazer sobressair a diálise entre técnica e arte. Os vinhos que agora comento – independentemente da quantidade produzida – têm essa componente de arte.
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Sou fã de Pedro Pereira Gonçalves, jovem que já provou competência e talento diferenciador. Brinco com ele chamando-se de Mourinho da enologia. O artigo definido masculino do singular que não se interprete como falta de competência e de talento de outros.
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O produtor apresentou seis vinhos, dos quais dois são homenagens, pelo que (como é hábito desde que não saiam todos os anos, mas apenas em anos de excepção) não os vou classificar.
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Este produtor de Arraiolos deu-me a felicidade de não pôr no lote a abominável antão vaz no Monte da Ravasqueira Branco 2013. Fez-se com uvas viognier, alvarinho, semillon e arinto. Tenho a dizer que a viognier faz maravilhas no Alentejo e a arinto em todo o país. A semillon por vezes exagera no temperamento e a alvarinho – embora com bons resultados no Sul – torna-se muitas vezes enjoativa e se pensarmos nos da sub-região de Monção ou Melgaço... se eu fizesse vinho no Alentejo não a plantaria.
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Todavia, o conjunto mostra-se muito prazenteiro e «culpo» o arinto a frescura gulosa que transmite. Quer na prova olfactiva, as castas mostram-se. Tem a virtude de ser complexo no aroma, reunindo mineral, vegetal fresco (talvez relva acabada de cortar) e aquela fruta que cheira quase a rosas e que responde pelo nome de líchias. Todos com boa presença na boca.
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O Monte da Ravasqueira Alvarinho 2012 achei-o um pouco cansativo. Sou fanático de citrinos e da fruta que se encontra no vinho é a que mais gosto. Todavia aqui... bem, penso que é um vinho para receber convidados. É alegre e descontraído. Não o poria à mesa. Mas nota bem positiva.
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O Monte da Ravasqueira Sauvignon Blanc 2013 é a confirmação de quanto estive errado acerca desta casta. Não nada provável que os enólogos tenham mudado as características da casta duma vez... se antes não simpatizava, hoje só posso justificar com alteração do meu gosto.
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Não é um tropical da Nova Zelândia, embora nele se reconheçam maracujá, fina banana e ananás. Acresce pêssego e espargos brancos. Tomo-o como versátil, sabendo receber e portar-se muito bem na mesa.
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O Monte da Ravasqueira Viognier 2012 é... o Alentejo não tendo nada a ver com as Côtes du Rhone mostra aqui uma pincelada, nomeadamente uma evocação de chocolate branco, a que lhe somo a ameixa. Belíssimo vinho!
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Os dois vinhos seguintes – MR Premium Branco 2012 e MR Premium Rosé 2013 – homenageiam José Manuel de Mello, industrial de referência na história recente de Portugal, que desencarnou em 2009, aos 82 anos. Penso que o seu espírito, ou alma, estará muito feliz com esta evocação da sua descendência.
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Monte da Ravasqueira Branco 2013
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Origem: Regional Alentejano
Produtor: Monte da Ravasqueira
Nota: 6/10
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Monte da Ravasqueira Alvarinho 2012
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Origem: Regional Alentejano
Produtor: Monte da Ravasqueira
Nota: 5/10
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Monte da Ravasqueira Sauvignon Blanc 2013
Origem: (indicação de casta e ano)
Produtor: Monte da Ravasqueira
Nota: 7/10
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Monte da Ravasqueira Viognier 2012
Origem: Regional Alentejano
Produtor: Monte da Ravasqueira
Nota: 7,5/10
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MR Premium Branco 2012
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Origem: Regional Alentejano
Produtor: Monte da Ravasqueira
Nota: X
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MR Premium Rosé 2013
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Origem: Regional Alentejano
Produtor: Monte da Ravasqueira
Nota: X

H’our Branco 2012 e H’our Tinto 2010

Quando era miúdo tinha uns livros muito giros do Hergé, as aventuras de Joana, João e do macaco Simão. Ora, os amigos Joana Pratas e João Nápoles podia adoptar um macaquinho, mas em vez disso meteram-se a fazer vinho.
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Ainda bem, porque os chimpanzés devem viver no seu habitat ou nos zoos, e os vinhos destes dois simpáticos e bem-dispostos vitivinicultores podem ser visitados em mais sítios. E em boa Hour se desafiaram. H’our é a marca dum branco, dum tinto e dum azeite delicioso.
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A propriedade era originalmente uma, mas as necessárias partilhas separaram-nas. Num lado está a Quinta do Monte Travesso – com néctares muito bons – e noutra nasceu a Quinta de Montravesso. O domínio fica na sub-região duriense do Cima Corgo, entre a Régua e o Pinhão. O enólogo é Pedro Francisco.
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O azeite, infelizmente, é pouco, pouquíssimo. Notei-o num equilíbrio entre a tradição e a tendência mais moderna, em que os aromas naturais e frescos fazem apetecer molhar o pão ou regar alimentos em cru.
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Tanto pela quantidade como pela qualidade, o Azeite Virgem Extra enquadra-se no que se pode chamar de segmento de «ourivesaria». As árvores têm entre 60 anos e um século. As cultivares são as tradicionais da região: cobrançosa (50%), negrinha (20%), madural (20%) e verdeal (10%). Em 2013 engarrafaram-se apenas 300 garrafas. Este ano foram 6.300, o que é praticamente o mesmo. Ponham-se na fila depressa, antes que esgote.
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Quanto ao vinho... João Nápoles vendia uvas à Sogrape e o que sobrava não lhe acrescentava o valor de ter uma marca própria. Mas em 2010 nasceu a ideia de lançar um vinho de quinta (embora sem menção no rótulo). A culpa é da Joana, é uma empresária cheia de genica, com espírito de iniciativa e de talento empreendedor.
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Bingo! A Joana Pratas estava certa. A aposta foi ganha. Dois belíssimos vinhos.
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A altitude da Quinta de Montravesso situa-se entre os 450 e os 550 metros e o solo é de xisto. As trepadeiras estão bem instaladas, pois não necessitam de rega. Querem melhor exemplo de «terroir»?!
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A quinta é pequena, mesmo para os parâmetros da região, com apenas 14 hectares, dos quais 12,5 de vinha. As castas tintas são touriga nacional (dois hectares), tinta barroca (1,5 hectares), tinto cão (0,5 hectare) e sousão (3.000 metros quadrados). As brancas são: viosinho (1,3 hectares), verdelho (um hectare), rabigato (um hectare) e côdega (um hectare). A estas áreas somam-se perto de três hectares de vinha velha, que como é comum no Douro é formada uma grande variedade de cultivares.
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Quem habitualmente me lê sabe que («nunca») falo de preços nem de relação entre a qualidade e o preço. Cada um tem um padrão de qualidade e suas balizas de euros. Não é por isso que entrarei agora. Mas vou cingir-me a um patamar concreto, usado comercialmente: está num segmento médio e a puxar para cima ligeiramente.
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Em vez de enunciar as chatíssimas notas de prova – é que não me apetece mesmo e cada vez menos – digo que tanto o H’our Tinto 2010 como o H’our Branco 2012 mostram bem o que é o Douro do Cima Corgo, com evidente frescura. São vinhos que agradecem comida.
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Negativo: não há touriga franca na quinta.
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H’our Branco 2013
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Origem: Douro
Produtor: PNC
Nota: 7,5/10
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H’our Tinto 2010
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Origem: Douro
Produtor: PNC
Nota: 7,5/10

segunda-feira, Agosto 04, 2014

Quinta da Ponte Pedrinha Branco 2013 - Quinta da Ponte Pedrinha Tinto 2012 - Quinta da Ponte Pedrinha Touriga Nacional 2012

Acabei de publicar no blogue o texto da Adega de Borba em que referia, como aspecto claramente positivo, a regularidade da qualidade, a fiabilidade.
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Fiabilidade quanto à qualidade intrínseca, quer no respeito pela identidade da região e pelo ano em que foram colhidas as uvas.
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Ainda outro dia me queixei da tourigação que anda neste país. Mas há duas excepções, que quanto a mim definem as duas linhas por onde vão os vinhos de touriga nacional, o Dão e o Douro.
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Falando apenas de gosto pessoal – que é a regra do blogue – tendo sempre para o Douro, até na touriga nacional. Mas isso é gosto e um resultado de local. No Dão sobressaem as violetas, às vezes com mais uma ou outra flor.
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O Quinta da Ponte Pedrinha Touriga Nacional mostra bem a casta. Passar uma refeição com amigos a falar de vinhos é uma chatice, mas não os comentar é uma injustiça – tal como a comida. Esqueço-me dos marrões (nerd – não queria escrever em inglês) dos vinhos (os enochatos, grupo em que tento não me incluir) que podem esmiuçar... safa! Numa mesa com gente normal e que gosta de vinho – estando a entrar ou simplesmente apreciar no modo «gosto» ou não gosto» - este néctar é didáctico. É uma touriga nacional do Dão.
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Aliás, os outros vinhos mantém essa certeza. Respeito pela região. Penso que acrescentar será mais do mesmo. O branco tem a frescura da encruzado – de todos os que bebi deste produtor, este foi o que caiu melhor – e o tinto define igualmente a região, com o lote de touriga nacional, alfrocheiro, trincadeira e jaen.
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Quinta da Ponte Pedrinha Branco 2013
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Origem: Dão
Produtor: Quinta da Ponte Pedrinha
Nota: 7/10
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Quinta da Ponte Pedrinha Tinto 2012
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Origem: Dão
Produtor: Quinta da Ponte Pedrinha
Nota: 6/10
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Quinta da Ponte Pedrinha Touriga Nacional 2013
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Origem: Dão
Produtor: Quinta da Ponte Pedrinha
Nota: 6/10
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Nota: Estes vinhos foram enviados para prova pelo produtor.

Montes Claros Reserva Branco 2013 e Montes Claros Reserva Tinto 2012

Bebi estes dois vinhos e dei por mim a pensar acerca do que escrever. Seja para premiar, seja para criticar, qualquer juízo tem de ter uma fundamentação. Só sim ou só não... não deve ser assim.
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Sentei-me para escrever e senti aquela força negativa da síndrome do papel em branco, mal que afecta todos os criadores. Deixei a folha do word aberta e infotocopiei, feicebuquei, sarfei na internet, adiei, e o mesmo, e o mesmo e e o mesmo.
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Resumir o vinho a notas de prova é quase insultuoso, quer para o vinho, quer para quem o fez, quer para quem o bebe. As notas de prova são giras para jogos de convivas à mesa. Duvido que alguém compre um vinho por causa das notas de prova.
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Olhei tantas vezes para os meus apontamentos e fiquei com a mesma sensação que tinha nos testes de matemática:
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– O que é que eu faço?...
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Convém referir que eu era (sou) tão dotado para a matemática que os professores, para me incentivarem, me davam as notas em linguagem binária... 0 e 1.
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Hoje ocorreu-me o modo de definir estes dois belíssimos vinhos, sentimento que é, obrigatoriamente, extensível à empresa e quem o faz: Suíça.
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– Suíça?!
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– Sim! Rigor, certeza, fiabilidade e qualidade.
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A qualidade dos vinhos da Adega de Borba e do seu enólogo, Óscar Gato, é uma certeza. A fiabilidade e a segurança de comprar estes vinhos é uma conquista de toda uma equipa. Sim, nota-se a añada nos vinhos da empresa e estes contam com os elogios já referidos.
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Claro que não aprecio castas estrangeiras aprovadas para vinhos DOC (denominação de origem controlada), mas quanto a isso nada posso fazer; é assunto dos produtores. Claro que não gostei da presença do antão vaz – e quase contradição acerca do que acima escrevi sobre as cultivares.
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A respeito da antão vaz só tenho a dizer que a arinto faz milagres!
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O branco fez-se com antão vaz, arinto, roupeiro e verdelho. O tinto resultou de aragonês, touriga nacional, cabernet sauvignon (deu frescura, a sua verdura) e syrah.
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Montes Claros Reserva Branco 2013
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Origem: Alentejo
Produtor: Adega de Borba
Nota: 6,5/10
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Montes Claros Reserva Tinto 2012
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Origem: Alentejo
Produtor: Adega de Borba
Nota: 7,5/10
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Nota: Estes vinhos foram enviados para prova pelo produtor.

João Portugal Ramos Vinho Verde Loureiro 2013

Como pode uma região destruir-se ou, pelo menos, não se construir se tem argumentos para ascender?
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Apesar dos renomeados alvarinhos de Monção e Melgaço, que conseguem com mérito afastar-se do retrato-robô e de poucos produtores – em número e muitíssimo menos em percentagem no todo da região – a região dos Vinhos Verdes é reconhecida pelos preços (tão) baixos que, não tenho dúvidas, estraga negócio a quem faz bem feito e tem um projecto profissional, não apenas técnica, mas também de gestão.
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Pergunto-me, muitas vezes, o que passará pela cabeça dum alemão, apreciador de vinho, mas sem ser erudito, quando vê numa prateleira Vinho Verde que custa trocos e outro que tem mais umas moedas em cima.
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Outra pergunta que me faço é que reacção tem um consumidor que experimentou Vinho Verde de cêntimos quando bebe um vinho «a sério».
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Felizmente, tem aparecido gente apostada em descolar-se dessa realidade de vinho baratucho – diga-se que é enorme a quantidade de Vinho Verde ao nível do decapante – e com sucesso. Que mais surjam.
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Há na região produtores que, apesar de venderem barato, sabem o que fazem e nada disso é condenável. A Aveleda é um produtor que sabe fazer bem e barato – produzir em grande quantidade não é fácil e os vinhos desta sociedade antiga e familiar de Penafiel merecem todo o respeito.
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Não vou entrar em enumeração de produtores, pois iria ser injusto com esquecidos, mas achei por bem notar o caso da Aveleda, que até na dimensão é um caso à parte.
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Com este enquadramento pretendo notar que é muito benvinda – lamento, mas bem-vinda não tem lógica, os doutores da língua que aprendam – a chegada de João Portugal Ramos à região dos Vinhos Verdes.
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O Vinho Verde vende bem e João Portugal Ramos sabe fazer e gerir bem. Chegar ao Vinho Verde só mostra que a região quem potencial para vinho de qualidade e que o faro de negociante rastreou consumidores – pelo menos lá fora – dispostos a pagar mais. Cá, duvido. Não perguntei, mas palpita-me que esta entrada no Noroeste é mais para exportar.
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Quanto ao vinho em si... surpreendeu-me alguém não fazer um monovarietal de alvarinho na sub-região de Monção e Melgaço. Surpreendeu-me e bem, muito bem. Aqui, o lote é constituído em 85% por uvas da variedade loureiro, ficando o alvarinho com a parte restante.
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O Verão vai alto, mas com tempo bastante para saciar fins-de-semana e férias, além de que os brancos, mesmo os leves, não são consumíveis apenas no estio.
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Este é do mais fresco – ou refrescante – que há. É uma delícia! Pelos citrinos... e com uma elegância feminina das flores de laranjeira, um pouquinho de jasmim... um pequeno jardim.
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Origem: Vinho Verde
Produtor: João Portugal Ramos
Nota: 6,5/10