domingo, Julho 27, 2014

Haxixe Vintage 2011

Há vinhos para todos os gostos – quiçá até para quem não gosta de vinho. Tenho o meu, e não sendo o único que me interessa, é o que me toca. Qual é o meu gosto? Penso que, como toda a gente, não tenho um padrão a preto e branco, nem mesmo com densidades de cinzento, mas com todas as cores.
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E dou graças a Deus pelas contradições...
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Há vinhos para gostos, conceitos, tesouraria... Que mal tem fazer vinho para as massas? Nada, só que pode ser entediante, pois a tendência é para seguir os mesmos caminhos. Independentemente da qualidade intrínseca do vinho.
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Um dos meus tintos preferidos é um vinho para concurso e tem o condão de agradar ao estreante e ao conhecedor experimentado.
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Há vinhos perfeitos? Se houver uma definição taxativa talvez haja. Mas o que há, e com toda a certeza, são vinhos «perfeitinhos».
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O perfeitinho é mau? Talvez não. Mas não tenho de gostar. Compreendo perfeitamente quem os faz e quem os encomenda. Lembram-me uma namorada de Verão, uma francesa linda, de olhos azul-cobalto e cabelo dourado, boca fina, sensual... cansou-me tanta beleza e simetria.
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Há produtores que estão no vinho por arte. Outros são obrigados a fazer cedências por causa do vil metal. Há os que consideram um mero investimento ou uma forma de rentabilizar a propriedade que compraram para o fim-de-semana. Há os que insistem numa dissonância, o tropeço pensado ou permitido. Os perdulários e que perdem alegremente fortunas, os que querem fazer milhões, os que querem centenas de milhares, os que querem dezenas de milhares, os que querem milhares, os que conseguem produzir numa garagem e os que fazem num alpendre.
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Haverá mais géneros, mas a ideia é esta. Todas válidas e que, por si, não significam bom nem mau, prazer ou desgosto. Não entro na discussão se é mais difícil fazer uns milhões ou 2.500 garrafas – isso é misturar competência técnica, com ou sem talento artístico e criativo ou capacidade de diferenciação – com artesanato, com ou sem talento artístico, capacidade de diferenciação ou competência técnica.
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Só ao de leve – porque não é assunto meu – não me parece certa a aposta na promoção duma só casta. Penso que devíamos vender Portugal e isso quer dizer lote, até talvez só castas portuguesas... mas não tenho de pagar ao enólogo, ao técnico de viticultura, ao adegueiro, aos vindimadores, os fitofármacos ou os do biológico, nem designer, nem rótulos, nem gráfica, nem vidro, nem rolha, nem cápsula, nem selo de certificação, nem a comerciais, nem viagens, nem pavilhões em feiras...
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Vou dar um exemplo pessoal. Com o tempo comecei a compreender o meu pai e suas opções. A minha frustração, quase zanga, adolescente deu lugar a um agradecimento. O meu pai é artista plástico – agora chamam-se artistas visuais – e cresci entre telas, madeiras, cobre, pincéis de pêlo de marta, diluentes, petróleo, tinta de óleo (entediantes esperas para que secasse e pudesse voltar a dar tinta), vernizes, espátulas, cavaletes, estiradores, cadeiras altas, papel, aguarelas, desilusões por preferir o inacabado ao acabado...
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O meu pai, hoje com 90 anos, não pinta; falta-lhe precisão na visão, segurança na mão e outros problemas físicos comuns nos velhos – velho é uma palavra bonita!
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O nome do meu pai não é conhecido do grande público, nem mesmo de toda gente que anda no negócio. Há questões geracionais, afastamentos... Consta da mais ampla obra publicada, que conheço, de resenha de artistas plásticos portugueses do século XX. Está presente em museus de vários países, em colecções privadas, em Portugal e no estrangeiro, mais ou menos conhecidas, em instituições – pese que nunca tenha gostado nem fosse particularmente dotado para o retratismo.
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O meu pai deixou de pintar, se não erro, em 1998, quando teve um acidente vascular cerebral, que não deixou mossas, aos 74 anos, idade produtiva em qualquer actividade intelectual. Tive pena. Já há muitos anos que não expunha a solo, apenas em colectivas.
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O meu pai tinha/tem talento e foi reconhecido bem no início de trabalho. A sua geração está reduzida, embora permaneça um fresquíssimo e maravilhoso Júlio Pomar. Começou bem ou até muito bem.
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A dada altura foi pai e deparou-se com um dilema:
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– Pinto o que gosto e quero ou pinto o que gosto menos, que não pensara, que recusara, mas que me dá para pagar as despesas, agora que tenho filhos?
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Compreendo-o e hoje enternece-me e agradeço-lhe a abnegação. Deixou a vanguarda portuguesa – sem que algum par o tenha criticado pela frente ou nas costas, porque essas coisas acabam sempre por se saber – e dedicou-se ao facilmente vendável – e nunca foi um Tony Carreira ou Toy da pintura – nasceu uma frustração que deu origem a alcoolismo, em que foi, cada vez mais, desistindo dos bons vinhos e bons destilados, que em boa hora os deixou, até ao nível «do que me dá menos variações de humor ou irascibilidade».
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Apurou a técnica e a análise, estudou sempre e investigou, chegando ao ponto de ter sido referenciado (talvez injustamente) como quem, em Portugal, sabia compor tinta à moda duma época ou dum mestre e capaz de perfeitamente dominar a aplicação de folha de ouro.
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Tenho em casa uma reprodução – não nas medidas do original – do retrato de Dom Sebastião, de Cristóvão de Morais, patente no Museu Nacional de Arte Antiga, onde passou semanas a analisar e estudar a obra. Este que tenho na parede foi um ensaio para a encomenda que lhe fizeram, e durante anos teve colados pequenos adesivos a indicar tons... onde vejo um ou dois pretos – a maioria das pessoas não consegue topá-las – o meu pai tinha talvez mais de dez.
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Esta partilha de intimidade – provavelmente desnecessária – serve para mostrar que compreendo e aceito todos os modos de se estar no vinho e que considero que mais do que alimento, vinho é arte. Sem soberba, penso ter alguma autoridade para opinar acerca do tema do vinho, pelo que já expliquei.
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Filho de pai alcoólico, a minha mãe, quando comecei a levar o vinho para o centro da minha vida, apavorou-se e hoje está tranquila, seria natural que abominasse álcool ou me tivesse tornado viciado. A única coisa que me destroça os nervos são as pessoas que se comportavam como o meu pai – que nunca andou bêbado na rua nem a cair, fazendo tristes figuras. Trabalhei com uma pessoa, jornalista competente, com quem me impacientava e engolia e engolia enervado, pois era um sósia.
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Deixei de comprar a revista Wine por causa duma «besta» – relativamente polida – cuja opinião é muito levada em conta: José Peñin.
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Nunca gostei das suas opiniões, embora as lesse, embora o achasse banalíssimo. Não o leio, porque não me interessa.
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O José Peñin – que talvez seja boa pessoa e amigo do seu amigo – sabe mais de vinho em coma induzido do que eu acordado e com 15 cafés. Mas é um talibã, obrigatoriamente com ideias feitas, muitas delas pouco ou mal pensadas.
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Escreveu, dando lições de moral, numa soberba insuportável, o que deve ser um enófilo. A dada altura sobe ao pedestal para se diferenciar dos demais e diz qualquer coisa deste género: O enófilo esclarecido é aquele que aprecia e que sentindo a tentação do álcool a sabe evitar e resistir à alarve tentação, que é coisa de brutos e alcoólicos... Algo mesmo MUITO assim.
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Em primeiro lugar, o que escreveu é besteira, mas o que me indignou foi a soberba. Não estou para ler parvoíces. Além do mais, o que escreveu traduz que não sabe absolutamente nada do que é a história do vinho e da cultura do vinho. Do vinho e doutros álcoois.
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O vinho chegou até nós, em grande parte, porque inebria. Se foi desenvolvido, apurado, burilado, se implicou estudo é muito por causa do álcool. Note-se que estar embriagado não é ser-se alcoólico.
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Grave, muito grave, é beber vinho e conduzir. Embriagar não é mergulhar de cabeça numa piscina de álcool.
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O álcool é a droga social do Ocidente, estendendo a longitude aos locais onde se descobriu ou inventou. Além de ser alimento, desinibidor, objecto de festejo e brinde
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Grave é o álcool entre os ameríndios e os aborígenes australianos, onde a falta de contacto secular com o tóxico causa um total descontrolo, ao ponto de ser comparável à heroína. O National Geographic Channel realizou um conjunto de documentários acerca das drogas e o que mostrou a situação do alcoolismo no Alasca lembra a década de 90, em que se viveu o píncaro do pesadelo da heroína em Portugal.
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Volto para o que me trouxe e que é bem mais leve. Ando há meses para escrever acerca duma coisa e dispersei-me.
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A tourigação entristece-me. Não há quinta que não tenha os seus pés de touriga nacional. Os produtores pronunciam touriga nacional com um sorriso orgulhoso.
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Claro que é uma grande casta. Claro que dá coisas diferentes dependendo dos locais. Mas, basta. Começo a tremer cada vez que me ameaçam com um tinto. Não que a casta seja excessiva – por vezes é-o – mas porque há demasiados vinhos de touriga nacional.
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A minha touriga é a franca, que dizem ser caprichosa com a terra e o clima onde a põem. Tantos enólogos me dizem que é a melhor casta portuguesa e que só pelo seu temperamento não é a casta que serve de bandeira ao país.
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Pois! Digo ainda bem! Deixem-na estar no Douro ou em alguns locais especiais. Digo, mas pensam diferente. Depois de alcatroarem o país com touriga nacional, parece que agora vão tourigar a francesa. Até em zonas onde se demonstrou repetidamente que não se dá bem a estão a plantar. Noutros sítios até pode ir bem, mas sinceramente noto-a banal fora de sua casa.
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Aprecio na touriga franca a necessidade que tem de companhia, não conheço muitos monovarietais – até o vinho que foi, há dois ou três anos, feito pelo José Mota Capitão, que é perito com esta trepadeira precisava duma amiga – não me fez palpitar e cantar laudes.
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Depois transmite o Douro e pouco diz doutros locais. Nisso a irmã é mais maleável.
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Tenho-me vindo a aperceber que vem crescendo em mim o prazer com a pinot noir. O meu homónimo fez um néctar ímpar e a Fundação Stanley Ho tem notáveis.
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Há também a touriga nacional das uvas brancas – a alvarinho. Há bons alvarinhos em «todos» os locais do país. Mas para quê se ela reina em Monção e Melgaço? Fora de casa, a alvarinho não deslumbra.
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Quanto a mim – entra uma ou duas provável contradição – a arinto é maravilhosa em toda a parte e tem um claro brilho em Bucelas. As contradições estão em aqui, na defesa que se espalhe e que tem um local onde deslumbra.
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A arinto dá frescura ao chardonnay e ao meu ódio, a antão vaz.
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Não querendo generalizar, até porque se podem enumerar vários vinhos com esta táctica, chateia-me que juntem a antão vaz com a alvarinho no Alentejo, por vezes até com chardonnay. Se há arinto... é outra loiça!
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Não posso dizer que a casta antão vaz é uma má casta, ou não houvesse uma multidão de defensores, além da tradição – coisa que aprecio. Simplesmente não gosto.
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O enólogo Paulo Laureano prometeu-me conversão, que haveria de me dar a beber vinhos de antão vaz que me mudariam a opinião. Tive de aceitar o desafio, até porque é interessante. Outra contradição: bebi um antão vaz maravilhoso, onde senti, pela primeira vez e na sua forma mais nítida e agradável, coentros – o primeiro Solista, da Adega Mayor, que foi feito pelo Paulo Laureano.
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Abomino Vinho Verde tinto! Pretendo continuar. Não querendo ser egocêntrico, não quero que tentem fazer Vinhos Verdes tintos para quem não gosta de Vinho Verde tinto. Deixem-no estar com sua tradição e enquadramento na mesa e de mais cultura.
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O enólogo Domingos Soares Franco disse-me que se está a revelar – nos ensaios científicos realizados – que a sousão do Douro não é a vinhão do Vinho Verde, sendo apenas aparentadas. Como se percebeu, vinhão está «out», sendo que no Douro tendo a não ser grande fã da sousão, mas faz parte do todo e tempera.
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Há uns anos nutria uma embirração pela sauvignon blanc como a que sinto pela antão vaz. Tenho de dar a mão à palmatória, em Portugal há bons néctares desta cultivar.
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Esta já outro dia referi. Quando comecei a prestar mais atenção e tempo ao vinho, como qualquer novato, deixei-me levar por bocas alheias. Pateticamente disse mal da cabernet sauvignon. Gosto e gosto muito.
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Mais sucinto porque tenho menos para explicar: taninos e bolhinhas, não obrigado. Dispenso espumantes de baga ou doutra tinta.
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É por preguiça, por uma infantil «parece mal», por uma infantil e insegura «se não escreve é porque não sabe de vinho», que escrevo notas de prova. Na grande maioria das vezes é o mesmo que comentar o tipo de letra do rótulo. Além de que não conheço ninguém que ande pelos supermercados e garrafeiras à procura dum vinho que tenha frutos do bosque ou notas de eucalipto. Às vezes justifica-se, mas nenhum vinho é bom ou mau por ter odor a violetas.
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Embora goste de vinho com madeira, mesmo marcada, mas não sou caruncho. Beber fósforos ou tarolos não quero.
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Chateiam-me os tintos «oak free»... não tenho paciência e não bebi nenhum que não me cansasse depressa.
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Outro dia, num concurso, três vinhos diferentes eram iguais. Brancos de tangerina e madeira fumada. Oh tédio!
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Penso que se exagera nos elogios que se fazem à fruta que se sente num vinho! Também às flores, mas sobretudo à fruta. Há tanto mais que me fascina: os vegetais – maravilha – os minerais – abençoados. Na fruta, uma grande excepção: os citrinos – a laranja é a minha fruta favorita, bebo limonadas sem açúcar... é feitio!
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A grande embirração é ser-se o que não se é. O legislador – ao longo das épocas – teve por certo que uma denominação de origem controlada (DOC) significa ser melhor do que regional ou do que vinho de mesa. Por isso, ou talvez também por isso, que hoje há topónimos portugueses onde entra o syrah ou a cabernet sauvignon. Bom vinho é bom vinho! Tradição é tradição. A Bairrada entristece-me por isso – e é terra de belíssimos produtores e gente muito séria. Atenção: usar castas estrangeiras numa DOC não é falta de carácter nem de seriedade.
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Não sei se sou muito levado a sério pela malta do vinho. Escrevo esquisito, invento palavras, marimbo-me para a – desculpem – plebeia consideração acerca da relação entre a qualidade e o preço... qualidade é qualidade, raridade é raridade, marca, é marca... ou tenho dinheiro para ter ou não compro ou protesto.
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Não sei se sou levado a sério ou se pensam que sou amalucado – tenho-me vindo a aperceber, mas nem é novidade, é uma constante, pelo que não me surpreende que o pensem – pois por vezes digo umas coisas que causam uns sorrisinhos e umas expressões que mo fazem pensar nessa hipótese. Mas estou literalmente nas tintas, até porque não é de hoje. Além de que é comum nos artistas, coisa que cada vez mais penso ter de nascimento: já me assumo como poeta e reconheço que fiz um grande erro em não ter estudado Belas Artes.
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Este parágrafo é importante, porque outro dia repeti um vinho e surpreendi-me. Muito bem surpreendido. Gosto de descobertas. É por causa dos sorrisinhos e comentários que – por respeito ao produtor – não citarei o vinho, pois posso ser mal interpretado, como fui, podendo causar, se interpretarem da mesma forma, a sensação de estar a querer ridicularizar o vinho.
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Nele encontrei o que nunca esperei ou experimentei: o perfume do haxixe.
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Por que não? Se há acetona, alcatrão, fermento de pão, brioche, pimento, coentros, esteva, tangerina, lenha de azinho... por que não haxixe. Eufemisticamente: meta-eucalipto!
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A expressão fica aquém e é pouco rigorosa...
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Cheirava a haxixe e essas raridades valorizo muito
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Nota: Pintura de David Ligare

Uma mão-cheia de Cidrô

A Real Companhia Velha apresentou um conjunto de vinhos de que é impossível ficar indiferente. Genericamente têm três vantagens: fáceis de agradar, carácter e nota do trabalho do enólogo, que neste caso é Jorge Moreira.
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Esta empresa multissecular tem uma marca para testar a reacção dos consumidores, a Séries. Têm a vantagem de que se não pegar não «suja» a marca consagrada e a desvantagem de o cliente gostar e, no ano seguinte, matar a cabeça para provar a segunda edição. Mas isso são problemas que não me assistem.
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A Quinta de Cidrô é o ginásio da casa, onde estão plantadas diferentes castas, que são testadas quanto a interesse enófilo e comercial.
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Séries Chardonnay e Pinot Noir 2011 é um casamento perfeito em Champanhe. Este vinho não se fez num ambiente que tenha a ver com essa região do Norte de França. Daí, penso, nasce uma curiosidade que os enófilos vão valorizar.
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É um espumante fresco no nariz, onde domina maçã verde – desculpem mas não me lembro do nome da cultivar, é daquelas muito verdes, rija e que se trincam com enorme agrado – não está lá «pão», mas evocações de palha seca. É fino de bolha, elegante, suave e fresco.
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O Séries Arinto 2012 realça a minha desconfiança: a melhor casta branca portuguesa é a arinto. Acho que só por escrever estas linhas vou tentar fazer uma sopa, passada, não creme, de espargos e ervilhas. Gostei das margaridas. É fresco na boca, com doçura e fundo.
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O Séries Rufete 2010 agrada-me muito. Não apenas pelo prazer que proporciona, mas porque vai-se reconhecendo como uma casta muito prazenteira e injustamente desprezada. É leve, dizem que é bom para sardinhas assadas – nã come pêche – apreciei o metal, o vegetal, é seco e ao mesmo tempo guloso. O que diz nariz mostra-se coincidente com o que pronuncia a boca. Perigoso em ambientes festivos.
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O Quinta de Cidrô Rufete 2011 é mais austero que o «experimental». É menos surpreendente, mas mantém leveza e suavidade. Gostei muito da secura final.
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O Quinta de Cidrô Alvarinho 2013 é uma festa de flores – não é um jazigo! Antes pelo contrário, pois dominam as rosas. Na boca mostra-se adocicado. Preferi cheira-lo a bebê-lo. Mas é um belo vinho.
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O Quinta de Cidrô Sauvignon Blanc 2013 tem a vantagem comercial da sauvignon blanc – que se comprova por tantas apostas na casta – e a desvantagem de me aborrecer um bocadinho, a cultivar. É um vinho trendy, com as tangerinas – graças a Deus não levou madeira... e se eu gosto de madeira... tipo caruncho – e ervas verdes. Transmite doçura e a tangerina e sua frescura.
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O Quinta de Cidrô Semillon 2013 tem um citrino que me parece raro – ou sou eu que ando distraído ou não me tem chegado ao copo – que é a tângera (híbrido de tangerina e toranja), que se mistura bem com o xisto. É fresco na boca, tem fineza e fundura.
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O Quinta de Cidrô Gewürztraminer 2013 tem duas coisas – externas ao vinho que adoro: pronunciar a casta e o trema... Bem, notei-lhe muito agradável e ligeira madeira, com um fumo nada violento, raminhos de ervas de que não sei o nome, mesmo olhando para elas durante meia hora, casca de tangerina, calminha, e lírio. Na boca é gordo, muito envolvente, com raça, fresco e com final um pouco seco e levemente fumado.
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O Quinta de Cidrô Rosé 2013 – sendo um bom vinho – levou uma tareia de todo o tamanho dos outros todos. No nariz achei-o banal, cereja imatura e pétalas de rosas. Percebo a ideia... É seco e terroso, o que o aquece. Mas positivíssimo!
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Séries Chardonnay e Pinot Noir 2011
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Origem: Vinho de mesa
Produtor: Real Companhia Velha
Nota: 7/10
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Séries Arinto 2012
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Origem: Douro
Produtor: Real Companhia Velha
Nota: 7,5/10
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Séries Rufete 2010
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Origem: Douro
Produtor: Real Companhia Velha
Nota: 6,5/10
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Quinta de Cidrô Rufete 2011
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Origem: Douro
Produtor: Real Companhia Velha
Nota: 6,5/10
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O Quinta de Cidrô Alvarinho 2013
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Origem: Regional Duriense
Produtor: Real Companhia Velha
Nota: 6/10
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Quinta de Cidrô Sauvignon Blanc 2013
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Origem: Regional Duriense
Produtor: Real Companhia Velha
Nota: 6,5/10
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Quinta de Cidrô Semillon 2013
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Origem: Regional Duriense
Produtor: Real Companhia Velha
Nota: 7,5/10
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Quinta de Cidrô Gewürztraminer 2013
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Origem: Regional Duriense
Produtor: Real Companhia Velha
Nota: 7,5/10
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Quinta de Cidrô Rosé 2013
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Origem: Douro
Produtor: Real Companhia Velha
Nota: 5,5/10

Messias Vinha de Santa Bárbara 2011 e Messias Baga Clássico 2010

Grandes surpresas! Pela positiva. Fora de tudo o que estava à espera. Talvez por falta de rodagem, fiquei banzado.
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São dos vinhos bem diferentes, o que é bom, pois nem sempre assim acontece dentro da gama dos produtores.
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Sinceramente, não sei que vinho preferi. Um deles foi uma martelada com maço na cabeça, não estava mesmo à espera. O outro está mais «pronto», sendo que espero que tenham paciência para os guardar. Ou beber agora, tirar fotografia mental e mais tarde recordar e comparar.
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Vou pelo mais novo, pelo Messias Vinha de Santa Bárbara 2011. O que me agradou, aqui menos surpreendente que o irmão bairradino, um Douro que me comove. Já tenho dito muitas vezes – e hei-de escrever um nanotexto acerca – que começo a enfastiar-me com a touriga nacional. Pode ser uma grande casta e até a melhor do mundo, pode ser embaixatriz, mas... E pelo que tenho sentido, parece estar a nascer uma tendência de tourigar com a franca. Até tremo!
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Bem, mas aqui há o equilíbrio dos casamentos felizes. Tão simples: touriga nacional e touriga franca. Parece o pastel de nata, essa criação perfeita da pastelaria.
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Bem duriense sem mais do que o duo. Com as flores da touriga nacional, com alguma cereja – visto as uvas nascerem no ambiente menos quente. E a terra, a esteva e a lenha de azinho da francesa.
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Messias Tinto Clássico 2010: Como referi, talvez por falta de cultura, não estava à espera nem da potência alcoólica nem pela força demonstrada. Provei-o e decantei-o duas vezes.
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É um tiro de canhão! Até fez BUUUMMM!... Está mais que visto que tem de se deixar acalmar. Dormiu no decantador e 24 horas depois estava bebível. Tiro de canhão Big Bertha ou Kaiser  Wilhelm, a magnífica arma transportada por comboio e que os alemães usaram para bombardear Paris em 1918. É um canhão lendário e que ficou como sinónimo de força e nobreza. Tão mítico que o seu nome foi usado para baptizar uma linha de drivers da Callaway... há uns anos experimentei umas tacadas. Do driving range apaixonei-me por um Big Bertha. Andei a passear por uns campos e a única parte que gostei do golfe foi o passeio, o convívio e o conceito. Todavia, não nasci desportivo e percebi que tenho uma ausência de paciência para dar tacadas.
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No dia seguinte reforçou a frescura de boca e longevidade. Olfativamente o pinho e algum eucalipto dominam.
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Messias Vinha de Santa Bárbara 2011
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Origem: Douro
Produtor: Vinhos Messias
Nota: 7,5/10
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Messias Tinto Clássico 2010
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Origem: Bairrada
Produtor: Vinhos Messias
Nota: 7,5/10
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Nota: Estes vinhos foram entregues pelo produtor.

quarta-feira, Julho 23, 2014

Rosés da Sogrape em prova no Porto

Diversos vinhos rosés Mateus e outros rosés da Sogrape vão estar em degustação na sala de provas da Viniportugal, no Porto, no dia 26 de Julho, pelas 18h30. O espaço situa-se no Palácio da Bolsa, junto à Ribeira.