Sexta-feira, Junho 26, 2009

Jantar de 25 de Junho

Algumas vezes gabei as minhas conquistas na mesa, o que talvez não me tenha ficado bem. Dirão os meus amigos que cozinho bem e que sou um tipo simpático. Direi, vaidoso, em minha defesa que me limitei a narrar factos. Pensarei, honestamente, que houve sucessos empolados e que preciso de comer muita poeira na estrada antes de me fazer ao caminho.
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Desta vez não vou ser benévolo comigo. Bem sei que nem sempre os meus cozinhados são aplaudidos ou merecem notas sonoras de agrado de quem os come. Porém, tenho algum sentido crítico. Há vezes em que não levo palmadinhas nas costas é porque, por cá, já se banalizou o comer bem. Há vezes em que não levo nas orelhas porque as pessoas são simpáticas, cordatas, educadas e amigas.
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Hoje (ontem) foi diferente. A comida estava boa. Nem demais passado nem de menos. Nada disso. Porém, não estava de estrondo, que é sempre o orgasmo que procuro. Dizem os meus amigos que gosto de fazer experiências com seres humanos (com eles), é verdade. Pensar em comida, imaginar receitas, experimentar práticas, improvisar soluções e obter aplausos. Nem sempre este último item é conseguido ou completamente conseguido. Porém… porém…
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Porém, apesar de tudo não houve manifestações sonoras e visuais de regozijo. Porque já cá comeram melhor. Porque já comeram melhor. Porque o resultado final não foi proporcional ao empenho e à ideia. Risco de quem gosta de criar. Contudo não sou artista profissional nem académico ou iluminado pelo deusa da comida, que os pagãos chamariam de Mesa e os recicladores católicos de Santa Mesa.
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Mas, então, o que veio para a mesa? Omeleta de frango do campo com presunto de porco preto alentejano e trufas pretas, acompanhadas por arroz de manteiga com cogumelos nameco. Nem sal a mais nem sal a menos. Porém, a alquimia deslumbra mais na descrição do que no paladar. Para sobremesa, umas belíssimas cerejas da Gardunha.
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Nota de destaque para o vinho. O vencedor da noite foi o Fagote (branco) 2008, do Douro, vencedor em boca e surpresa. O melhor no nariz foi o Passadouro (branco) 2008, do Douro, mas que ficou aquém das expectativas, até porque foi o vinho mais caro da noite. Uma boa aposta foi o Adega de Pegões (branco) 2008, regional Terras de Sado, que, além de custar uma ninharia se bateu com dignidade com vinhos com o quíntuplo do preço. Podia não ter havido uma desilusão, mas apenas um último classificado. Contudo, houve um vinho, que não sendo mal feito, não valeu a aposta nem o preço, o Gadiva (branco) 2008, do Douro.
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Posto isto, resta-me despedir, como o saudoso, e felizmente ainda vivo, engenheiro Sousa Veloso: Despeço-me com amizade até ao próximo programa.
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Nota 1: Se alguém gostou verdadeiramente que o diga ou que se cale para sempre.
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Nota 2: Pintura de Antoon Claeissens.
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Nota 3: À mesa estiveram a Tagarela, a Nanda e o Nasser.

Quinta-feira, Junho 25, 2009

Mercadores

Governadores da Corporação dos Mercadores de Vinho.
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Nota: Pintura de Ferdinand Bol.

Sexta-feira, Junho 05, 2009

Esporão Reserva Branco 2008

Este é um vinho para se bater desde meados da Primavera até Outono adentro. Não é um vinho de piscina, mas também não é um combatente de pesados. Gostei da fruta bem casada com a madeira, e apreciei os citrinos da boca.
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Origem: Alentejo
Produtor: Esporão
Nota: 6/10
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Nota: Este vinho foi enviado para prova pela empresa de comunicação do produtor.

Monte Maior Branco 2007

Pareceu-me um vinho correcto e agradável. Apreciei a fruta, algo tropical com um toque de laranja, e a presença floral. Uma boa aposta para esta época.
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Origem: Regional Alentejano
Produtor: Adega Mayor
Nota: 6/10

Sábado, Maio 09, 2009

Casa Santos Lima Moscatel 2008

Apaixonei-me por este vinho mal o provei. Muito delicado, diria feminino, sem não me interpretarem o termo como de machismo.
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Tem aromas e notas típicas do moscatel, mas vai mais além. Muito floral, onde abundam as rosas, este branco desafia por não ser, em absoluto, um moscatel.
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Origem: Regional Ribatejano
Produtor: Casa Santos Lima
Nota: 6,5/10

Ypsilon 2006 (tinto)

Andava a apetecer-me algo de diferente, que fugisse à regra das minhas regiões preferidas. Entrei na casa onde habitualmente me abasteço e tirei uma garrafa de Ypsilon.
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Puxei-a por dois motivos, um deles não objectivo. O lógico foi o apetite por diferenciado e o subjectivo a vestimenta da garrafa.
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Pedi conselho e responderam-me afirmativamente. Confio sempre na opinião do senhor Arlindo Santos.
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É um vinho que não é o típico português, embora não seja o rosto dos internacionais. Algo a meio do caminho. Muito fácil, elegante, guloso, com bom corpo. Aroma a frutos pretos e levemente floral. Quanto a paladar deu-me a sensação de algum cacau e a ginja.
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Levei-o à boca com fetuccini de pesto e alheira de caça grelhada. Gostei muito da combinação e do jantar. Mas quanto a esta última parte, guardo-a para mim, que o assunto é privado.
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Origem: Regional Algarve
Produtor: Algra
Nota: 7,5/10

Sábado, Abril 25, 2009

Bucellas & Collares Edição do Centenário 2007

O estabelecimento das denominações Bucelas e Colares completou, em 2008, o primeiro centenário. Para assinalar a data, a Adega Regional de Colares e a Companhia das Quintas uniram-se-se para fazer uma edição limitada.
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O vinho resulta da junção das castas rainhas das duas regiões, o Arinto e a Malvasia de Colares. Devido a Bucelas ser obrigatoriamente uma região de branco, o resultado final não poderia ser outro que não um branco. O ano da colheita foi o de 2007.
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As equipas enológicas das duas casas debateram os diferentes lotes e decidiram-se por uma equivalência das duas castas. A natureza ditou que o vinho fosse um casamento de comunhão de bens, em que se devidem as responsabilidades de modos iguais.
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Assumido apreciador de Bucelas e muito respeitoso quanto aos Colares brancos, a minha avaliação quase só podia ser positiva. Porém, o vinho ultrapassou as expectativas. A elegância é muito grande, a complexidade desafiante e a surpresa presente.
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Este Bucellas & Colares é mais do que a adição aritmética do Arinto com a Malvasia de Colares. Dois e dois não são, necessariamente, quatro. Mas, os filhos têm sempre os genes dos pais e lá estão os aromas cítricos e tropicais do Arinto, a maçã, pêra e flores da Malvasia de Colares, unidas por uma mineralidade muito agradável e frescura explícita.
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Não sei se para próximos anos haverá mais parcerias para um Bucellas & Collares, mas, nem que mais não seja, espero estar presente no próximo centenário.
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Origem: Regional Estremadura - Bucelas e Colares.
Produtor: Adega Regional de Colares e Companhia das Quintas.
Nota: 8/10

Sexta-feira, Abril 24, 2009

Vinha da Defesa Branco 2008

Aí está um vinho para o Verão, indicado para marisco e peixe grelhado. Devido à minha embirração a frutos tropicais, no nariz não me encantou, embora o ramalhete olfactivo ainda tenha ainda tons citrinos. Na boca é frutado sem exageros. O vinho surpreendeu-me pela positiva.
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Origem: Regional Alentejano
Produtor: Herdade do Esporão
Nota: 5/10
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Nota: Este vinho foi enviado para prova pela empresa de comunicação do produtor.

Domingo, Abril 12, 2009

Voyeur 2006

Este tinto tem cenas que gostei e outras que nem tanto. Apreciei a forma como evoluiu e mostrou a sua complexidade. Não gostei do toque abaunilhado da abertura. Apreciei a evolução em caramelo e o distanciamento face ao retrato robô dos vinhos do Douro. No início julguei-o menos interessante do que é. Contudo, não é o meu vinho... mas gostos são gostos e aqui não se questiona a qualidade do bicho.
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Origem: Douro
Produtor: Niepoort
Nota: 7/10
 
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