Domingo, Novembro 15, 2009

Quinta das Bágeiras Super Reserva Bruto 2006

Ora aqui está um espumante que me fez sorrir de felicidade. Quando há qualidade e não há pretensões é meio caminho andado para eu gostar. É limpinho! Com nota de fruta fresca, algum rebuçado sem exagero, bolha fina e persistente. Coisa viva, vivinha. uma maravilha!
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Origem: Bairrada
Produtor: Mário Sérgio Alves Nunno
Nota: 7/10

Sexta-feira, Novembro 13, 2009

Vietti Barolo Castiglione 2004

Este vinho encantou-me fortemente na primeira vez que o provei, numa apresentação na embaixada de Itália, em Lisboa, a que fui a convite do amigo Miguel Bucellatto. Nessa primeira apreciação apressada fascinaram-me, sobretudo, os taninos e a ameixa que dentro do copo pedia que a bebessem.

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Bebi-o uma segunda vez em casa do amigo Turco e com o Nasser. Lamento que não tenham gostado tanto deste vinho quanto eu, mas paciência. Cada um tem o seu nariz e sua boca.

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Este vinho é tão pouco parecido com os portugueses. Tem a personalidade da região donde vem, não faz cedências ao Novo Mundo. Não é um vinho de grande corpanzil, embora a sua fruta seja poderosa. Mas não é magro. Não é estupidamente alcoólico, com o teor a rondar os 12 graus e meio - não me recordo bem, mas sei que anda por aí. É elegante, como um príncipe.

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No nariz é complexo, mais do que na boca, o que não significa que esta fique aquém. Sentem-se aromas de ameixa, fruta do bosque, onde se levanta a amora, violetas e especiarias. Na boca demonstra belíssimos taninos e uma acidez desafiante. Este vinho, com a idade, irá dar de falar.

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Origem: Barolo, Piemonte - Itália

Produtor: Vietti

Nota: 8/10

Domingo, Novembro 01, 2009

Grainha 2006

A sensação que tive, quando abri a garrafa, foi que tinha descascado uma tablete de chocolate preto: tresandava. Depois de respirar um pouquinho, esse enjoo deu lugar a um outro, de empestamento de compota, de ginja.
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A ginja veio também à boca. Um líquido «açucarado», é o que é. Um frutadinho sem subtilezas. Uma pasmaceira de vinho. Um corpo desinteressante, taninos redondinhos sem carisma e um final curtíssimo. O álcool notava-se e bem, apesar dos 16 graus a que foi servido.
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No rótulo, a palavra grainha repetida em diferentes línguas. Teve graça. Mas menos inteligente foi o «oak maturated». Para quê? Porquê em inglês? Porquê só em inglês. Coisa pretenciosa.
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Andamos ou queremos andar a fazer vinhos iguais aos que fazem em todo o Novo Mundo. Para quê? Eles lá fazem-no quase sempre melhor e a preços mais justos.
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A «coisa» custa à volta de 10 euros, mas devia custar 3, não mais. Não o achei melhor que os Cabriz, Grilos e Estevas deste mundo. Mas esses, ao menos, custam bem menos e não têm pretensões a coisa nenhuma.
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Origem: Douro
Produtor: Quinta Nova de Nossa Senhora do Carmo
Nota: 3,5/10

Quinta-feira, Outubro 29, 2009

Vinha do Almo Homenagem 2006

Sinceramente, gostei. Se bem que ande um pouco arredio dos vinhos do Novo Mundo, no qual, acho, o Alentejo anda ou quer fazer parte, este tinto caiu-me bem. Não que o seja em absoluto, porque até tem momentos em que se torna mais nacional. Caiu-me bem.
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É um vinho onde se nota a fruta bravia (em vez de silvestre, bravia tem mais cachet, acho), compotas e um toque de canela. Gostei da acidez e os taninos, bem redondos, ajudaram a que apreciasse o resultado.
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Origem: Regional Alentejano
Produtor: Herdade dos Perdigões
Nota: 6/10

Quarta-feira, Outubro 28, 2009

Isto é que foi uma almoçarada

O senhor Santos, simpático proprietário da Garrafeira Campo de Ourique, lembrou-se de juntar uns amigos à volta da mesa, dar-lhes de comer e matar-lhes as sedes com algumas alegrias, com história, da sua garrafeira. Fui um dos beneficiados pela generosidade. Começou por volta das 14 horas e terminou às 18 horas.
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Para fazer buraquinho no estômago, para melhor entrar a comida, veio Champanhe Bauget Jouette Cuvée, que, naturalmente, é um lote de vinhos de diferentes anos. A coisa começou bem.
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Para primeiro prato, o senhor Santos escolheu um carpaccio de polvo com rúcula. Belo! O Champanhe estendeu-se até aqui.
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A seguir apareceu um fígado, vivo, macio e quase vivo, com grelos e figo seco. Uma delícia! Acompanhou-se com um MJC (Colares) branco de 1989. Bem evoluído, com boa boca e, apesar dos seus vinte anos, ainda mantém frescura.
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O prato que me encantou até ao enlevo foi o de cabrito. Muito jovem e tenrinho e molhado à antiga portuguesa, disse-me o anfitrião. A escolta-lo vieram batatas e chalotas a murro, grelo e pasta de figo seco. Neste momento foram servidos os vinhos da tarde, todos tintos.
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A abrir o concerto esteve um Messias Garrafeira de 1978, sem denominação de origem, mas que se deduz ser da região bairradina. Manteve a acidez e os taninos mostraram-se polidos. Nele, chocolate, vegetais cozinhados – infelizmente não consegui identificar –, figo e ginja (obrigado, oh Agosto). Muito elegante e suave.
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Sucedeu no palco um Aliança Garrafeira Particular 1958, também sem indicação de proveniência e que deixou alguma dúvida se da Bairrada ou se do Dão – voto pela primeira, até porque a denominação Dão existia já na época, enquanto a da Bairrada só foi instituída em 1979. Embora outros vinhos de pasto possam ter o igualado ou superado, este foi o que mais me encantou. Muito elegante e em grande forma, o que valeu os primeiros «Ahs!», sem desprimor para os anteriores.
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É então que chegou o Château Gruau Larose de 1982, denominação (AOC) Saint Julien, com o seu couro, fruta cozida, lenha de forno.
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Talvez o mais aplaudido nos de pasto tenha sido o Château Labérgarce Zédé de 1986, indicação Margaux. Nele, bolo, fumo, confitados… e mais que não identifiquei. Mea culpa!
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Para finalizar os comes, encharcada de ovos. Para junto dela vieram, primeiro, um Century Port J. H. Andresen, um tawny (aloirado no rótulo) de 1945. Gordo! Caramelo, amêndoa, noz, figo seco. Depois, a estrela das estrelas: Miles Boal Solera de 1864, com as suas elegâncias: caramelo, algum verniz, pastelaria, madeira mogno e um toque ligeiro de banana madura. Muito elegante e com boa acidez .
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Pensam que foi tudo? Não! A malta pediu e implorou – não quero culpar ou denunciar ninguém, mas houve uns mais do que outros, como é costume nestas coisas – e o senhor Santos concedeu: Armanhaques.
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Dois La Fontaine de Coincy, Bas Armagnac, de 1945 e outro, da mesma procedência, de 1985. O segundo muito afinadinho, como a voz suave dum menino de coro a cantar missa. O primeiro, já adulto, mais interessante e complexo, com notas de madeira, canela, terra, compotas e rebuçado.
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Por todas estas coisas, vai um grande obrigado e abraço para o senhor Santos. A companhia – da Isabel Lucas e dos Agostinho Leite, José Manuel Dentinho, Tiago Teles, Fernando Melo e Luís Miguel Viana – também foi uma cena bué fixe!

Sábado, Outubro 24, 2009

Jantar de 23 de Outubro

Ao todo éramos seis, mas foram dois que sobressaíram: o picareta-falante A e a pita tagarela I. O Guillaz sempre foi dizendo qualquer coisa e a SB, sempre recatada e calminha, mostrou mais vontade de se fazer ouvir. E o que eles falaram!... tive de os pôr fora de casa ou hoje à tarde ainda estariam aqui na cavaqueira.
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A noite teve quatro momentos altos: o Auster, o vazar duma garrafa sobre a toalha, obra do incansável A, o estilhaçar duma chávena e pires de café, obra do impagável A, e a varridela final, quando os meti lás fora.
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O primeiro vinho da noite foi um Casa Santos Lima Chardonnay 2008 (regional Estremadura), com a untuosidade que caracteriza esta casta, sem ser pesado, e fresco… fruta tropical e erva cortada. Este vinho acompanhou paiola de porco alentejano, os peixinhos da horta e os camarões em alho.
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A entrada prevista era de chamuças… mas a Dona Emília em vez de doze trouxe trinta. Assim, a especialidade, indiana e da senhora, foi servida com honras de prato principal. Às frituras, para contrabalançar, foi servido puré de castanhas.
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Os tintos foram o Casa de Santar Reserva 2005 (Dão), algo austero, mas com boas notas de fruta vermelha, o Duas Quintas 2007 (Douro), vivo nos aromas e com fruta notável, e Auster Reserva 2002 (Douro), em plena forma, com agradáveis aromas terciários, de confitados, um toque suave de cogumelos, uma pitada de especiarias.
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Para finalizar, veio para a mesa um derretível bolo de chocolate, trazido pela SB. Acompanhou-se, e lindamente, com o Auster.
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A conversa decorreu animada, com os decibéis a irem demasiadamente frequente a níveis proibidos pela lei e pela decência das horas. Felizmente, não aconteceu, como noutros tempos, vir um vizinho à porta ou ao telefone queixar-se do ruído.
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Casa Santos Lima Chardonnay 2008
Tipo: Branco
Origem: Regional Estremadura
Produtor: Casa Santos Lima
Nota: 6/10
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Duas Quintas Tinto 2007
Tipo: Tinto
Origem: Douro
Produtor: Ramos Pinto
Nota: 5/10
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Casa de Santar Reserva 2005
Tipo: Tinto
Origem: Dão
Produtor: Sociedade Agrícola de Santar
Nota: 6/10
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Auster Reserva 2002
Tipo: Tinto
Origem: Douro
Produtor: Eborae Vitis e Vinus
Nota: 7/10
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Nota: A imagem designa-se por «A refeição dos camponeses» e é da autoria dos irmãos Nain.

Terça-feira, Outubro 13, 2009

Lancers Free

Será que o álcool é parte integrante do vinho? Diria que sim. Mas o que se pode chamar a um vinho a que tiraram o álcool? Vinho, certamente. À falta de melhor vocábulo, vinho é a palavra adequada.
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Tirar o álcool ao vinho é legítimo? É com certeza. Mesmo que não se queira chamar-lhe vinho, tudo é legítimo desde que não ponha em causa a saúde pública. E neste domínio convém lembrar que o abuso de álcool é um problema de saúde pública e de segurança pública.
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Pode chamar-se de mera bebida, de produto apenas, mas será isso mau? Os produtores de vinho pertencem a alguma casta de escol, apenas porque o são? Não! Há empresa que merecem confiança e boa reputação. É o caso da José Maria da Fonseca.
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E que o Lancers Free seja apenas um produto, uma mera bebida adocicada, que mal tem isso? Nunca vi tamanhas críticas a produtores e a vinhos como a que muitos «eruditos» têm feito. Porquê? Porque o vinho é sem álcool. E quantos vinhos são meros produtos, sem interesse nem glória?
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O problema não está em ter ou não ter álcool, mas no facto de ser ou não agradável. Podem os mais críticos afirmar que o Lancers Free é mau ou desinteressante. De facto não é interessante nem desafiador, mas não diria mau, pois não é um produto mal feito.
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O agradável depende da boca de cada um. O agradável depende do momento. O agradável pode até depender do objectivo. O final duma tarde de praia, em que se tem de conduzir para casa, não pode ser um momento para beber um vinho sem álcool? Pode com certeza.
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Como vinho não me desperta qualquer interesse. Digo apenas que me pareceu bem feito, coisa que se exige a uma empresa de bebidas, de vinho ou do que quer que seja. É doce, é rebuçado, é refrigerante. Mas, à falta de melhor palavra, é vinho. O marketing da empresa fará o melhor que pode e sabe, o que se compreende e se exige. Comprar é uma opção e experimentar é uma ideia.
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Para rematar, devo dizer que bebo melhor este vinho do que a esmagadora maioria dos vinhos baratos que por aí povoam as cartas de vinhos. Dou-lhe, por isso, uma nota positiva.
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Origem: Vinho de mesa
Produtor: José Maria da Fonseca
Nota: 3/10
 
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