Terça-feira, Maio 06, 2008

Casa Ferreirinha Reserva Especial 1997

Este é um vinho onde vinga a elegância. A fruta está em licor e a idade deu-lhe charme. É fácil, porque é fácil dele se gostar. Não é fácil, porque a complexidade dá muito para descobrir.

Origem: Douro
Produtor: Casa Ferreirinha
Nota: 8/10

Altas Quintas Crescendo Branco 2007

Gostei, o que já é um hábito em relação aos vinhos deste produtor. E o que tem dentro este branco de cor citrina? Fruta tropical, quiçá ananás, e minério. Belo equilíbrio de estilo, em que a fruta não esmaga o mineral que lhe confere elegância.

Origem: Regional Alentejano
Produtor: Altas Quintas
Nota: 6,5/10

Quarta-feira, Abril 23, 2008

Casa Ermelinda Freitas Syrah 2005

Consta que foi a Câmara Municipal de Palmela que deu o alarme de que era português e palmelense o melhor vinho do mundo. Como se fosse possível haver um vinho melhor que todos os outros. Como se não houvesse momentos, gostos e inspirações.
Depois cairam em cima do comunicado muitos jornalistas crentes e/ou preguiçosos. Um comunicado garantia que aquele era o melhor vinho do mundo, logo era verdade. os princípios que devem reger o jornalismo eclipsaram-se pelo patriotismo, ignorância e sensacionalismo.
Não bastas vezes entram-me pelo blogue à procura do melhor vinho do mundo. A curiosidade é legítima, mas não tem uma só resposta. Desta vez telefonavam-me e interpelavam-me acerca deste vinho. Sempre as mesma explicações. Argumentavam-me sempre que a prova fora cega, como se isso fosse sinónimo de garantia absoluta, esquecendo-se de referir a concorrência e a humanidade dos jurados.
Ora, o vinho só ganhou na Vinalies Internationales 2008, que nem é o «melhor» concurso do mundo (não resisti à piada). Foi em Paris, não em Londres ou Bruxelas. E ainda que fosse, seria o mesmo. Uma medalha num concurso não significa o melhor do mundo. Tudo é muito relativo.
Mas quanto ao vinho? Não deixa de ser guloso e encantador. No nariz não é exuberante, é até austero. Mas está longe de ser o melhor vinho do mundo. É belo, mas não vale o preço em que o colocaram por causa dum comunicado sensacionalista.


Origem: Regional Terras do Sado
Produtor: Casa Ermelinda Freitas
Nota: 6,5/10

Sábado, Abril 19, 2008

Fabre Montmayou Gran Reserva Malbec 2005

Um tinto absolutamente recomendável. Notas de compota, erva e algum chocolate amargo. Quem me dera ter mais destas cá em casa.

Origem: Mendoza
Produtor: Bodega Fabre Montmayou
Nota: 8/10

Sexta-feira, Abril 04, 2008

Cavalo Maluco 2005

Acho o nome fantástico; fixa-se com facilidade, faz sorrir e conjuga-se com o vinho. Este é um tinto indomável, pujante, orgulhoso e até terno - gosta-se com facilidade, quero dizer. É muito taninoso e tem boa acidez pelo que será curioso prová-lo daqui por uns anos... se sobrar alguma das 3.000 garrafas produzidas. Faz-se com duas partes iguais de touriga nacional e touriga franca (45% cada) e petit verdot (10%). No nariz é um pouco austero, mas vai abrindo durante a refeição. Na boca traz à memória ameixas pretas, compota, tabaco e chocolate.

Origem: Regional Terras do Sado
Produtor: José Mota Capitão
Nota: 8/10

Quinta-feira, Março 27, 2008

Vírgula

Rua de Cintura do Porto, 16, Armazém B - Lisboa (ao Cais do Sodré)


Já não ia ao Vírgula há uns tempos. Continua em forma, com ofertas gastronómicas tentadoras da gula e com grande competência técnica. Refira-se também um serviço de mesa simpático, competente e atento.
O preço foi compatível com a qualidade. A carta de vinhos é rica e bem estruturada, sem especulação face ao valor do dito e à qualidade da casa e do serviço. Por ali há gosto e respeito pelo vinhos e pelos comensais enófilos.
Desta vez mandei vir, de entrada, camarão grelhado, acompanhado com castanhas e funcho. O animalzinho era fresquíssimo, saboroso e estava no ponto.
Seguiram-se choquinhos com raviolis negros… negros e fresquinhos, a saltar. Do melhor.
Tanto a entrada como o prato foram acompanhados por um branco do Douro, o Dona Berta Rabigato de 2006.Para sobremesa veio um creme brulé de figos, acompanhado pelo Quinta da Romeira Colheita Tardia. Delícia.

Quarta-feira, Fevereiro 27, 2008

Sabor a Brasil

Alameda dos Oceanos, Fracção J – Parque das Nações, Lisboa
Telefone: 21 895 51 43

Embora não seja fanático, aprecio a cozinha brasileira. Em Lisboa há alguns restaurantes e, como em tudo, há uns que se recomendam e outros que merecem crítica negativa.
No Sabor a Brasil as doses são grandes. Dali ninguém sai com fome. Não sei se o leitor considera este facto positivo. Não desvalorizo, mas para mim não é determinante para agradar.
Se se pode considerar a dimensão das doses como positivo, o resto já não tem apontamento favorável. Por exemplo, a picanha é farta, mas os acompanhamentos de feijão e couve são curtos. As batatas fritas tresandavam a óleo, tanto no sabor como no aroma, além de desconfortáveis para comer com garfo por serem às rodelas. A carne não era saborosa, longe daquelas que afamaram a picanha em Portugal. A sobremesa, à base de coco, com molho com coco, manjá branco com baba de moça, não mostrava muito o fruto, mas antes um enjoativo sabor e cheiro a baunilha.O vinho caro para a qualidade. O serviço de copos a melhorar.

Quinta-feira, Fevereiro 07, 2008

Bastardinho de Azeitão 30 anos

Não esperava muito deste vinho, mas também não esperava pouco. Uma coisa me intrigava: por que razão desaparece um vinho? Na verdade, a pergunta deveria ser por que razão desaparecem umas determinadas vinhas. A resposta está em parte nas expectativas: nem bom nem mau. Aqui há uma injustiça na forma: o Bastardinho está claramente numa categoria de valor. A outra parte da resposta está no (Moscatel de) Setúbal.
Talvez se o Setúbal não disputasse território aproximado e, parcialmente, sobreposto o Bastardinho de Azeitão ainda vivesse. É quase aquela pergunta armadilhada dum anúncio: porquê algodão se pode ter seda?! Se um produtor pode fazer melhor e se o mercado reconhece essa qualidade, para quê continuar a produzir o Bastardinho se há o Setúbal?
Nisto há também lamento, porque o vinho é bom, leva esforço para nascer e, desta forma, desaparecem vinho e vinhas. Já não bastava não ter este vinho histórico uma Denominação de Origem Controlada própria, como lhe calhar ainda o azar de não ter quem lhe pegasse e o resgatasse com poder, tal como aconteceu com o Colares (Fundação Oriente) e Carcavelos (Estação Agronómica Nacional).

Origem: nd (Terras do Sado)
Produtor: José Maria da Fonseca
Nota: 6/10