sexta-feira, dezembro 20, 2013

Escondido 2010

Tenho dificuldade em escrever acerca do Escondido. Um vinho com dezenas de exemplares tem mais do que obrigação de ser bom. E qualidade não lhe falta.
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Qualidade e raridade têm sempre um efeito nos preços, que os puxam para cima. O que é compreensível. Será que os vinhos muito caros ou supercaros valem os preços que lhes estampam?
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Sinceramente, não sei o que faria se pudesse comprar, com grande assiduidade, vinhos de valor imponente. A ânsia de provar o raro seria mais do que o bom-senso?
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O Escondido está nessa categoria de vinhos de dilema. Há quem, na equipa de Aníbal Coutinho (enólogo e produtor), reconheça que esses supercaros não valem o que pedem por eles, em termos de qualidade.
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E este vinho é o quê? Um grande vinho em qualquer parte do mundo, capaz de agradar a enófilos mais batidos e, quando bem casados com a comida, aos jovens entusiastas.
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É um vinho rico e complexo em termos de aromas, com notas que nem sempre são comuns, com uma desafiante pimenta preta. Na boca revela-se pujante e dominável... e há que saber conduzir um Ferrari.
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Tem taninos raçudos e um final longo e que puxa mais vinho para o carburador. Que faz bem as curvas a comida picante, a nacos bem ensanguentados ou queijos com temperamento.
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Como se pede aos grandes vinhos, deixa-se beber agora, mas se puderem guardem-nos por uns anos.
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Fez-se com castas correntes, mas que aqui se mostraram divergentes à norma, o que constituiu uma surpresa: merlot, touriga nacional e syrah.
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Origem: Regional Lisboa
Produtor: Aníbal Coutinho

Nota: 8,5/10

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