quarta-feira, outubro 31, 2012

Mundus Branco Leve (2011)

A primeira vez que bebi um «vinho leve», um étnico da Estremadura e parte do Ribatejo, não gostei. Mas é que não gostei mesmo. Porém, este Verão deixei-me seduzir pela curiosidade insistente: será que uma nova prova daria um resultado diferente?
.
Sim deu. Repeti e voltou a dar. E mais uma vez, idem. Que bela coisa para alegrar o Estio! Para a piscina, para a tarde depois da praia, para as saladas, marisco e churrascos. Gostei, pá!
.
9,5% de álcool, pá!
.
.
.
Origem: Regional Lisboa
Produtor: Adega Cooperativa da Vermelha
Nota: 3,5/10

terça-feira, outubro 30, 2012

Conde de Vimioso Colheita Seleccionada Branco 2011

Mandaram-me duas garrafas e em ambas veio frescura e descontracção. Uma consumiu-se enquanto dava apoio a um amigo que aqui veio cozinhar e a outra servi-a com uma salada de múltiplos vegetais. É um vinho com graciosa acidez, frescura que se lhe junta as notas cítricas, do limão e da casca de lima.
.
.
.
Origem: Regional Tejo
Produtor: Falua
Nota: 5,5/10
.
Nota: Este vinho foi enviado para prova pelo produtor.

segunda-feira, outubro 29, 2012

Stanley Tinto Reserva 2008

Ora, depois do branco, o tinto. Este feito em terras sadinas, mas sem a carismática castelão. Touriga nacional, touriga franca, syrah e petit verdot são as castas do lote deste reserva.
.
É um belíssimo vinho. Porém, não me causou grandes arrepios. Todavia, agradou-me o jogo entre as castas… quase me apetece dizer: tiki-taca. Jogam bem, muito bem… eu é que não gosto do futebol do Barcelona.
.
Resumando e concluando: valerá a experiência e certamente terá um grande agrado no público, nem duvido. Apenas me permito não ir à bola com ele. Para que não restem dúvidas: Nota claramente positiva (correspondente a muito bom).
.
.
.
Origem: Regional Península de Setúbal
Produtor: Fundação Stanley Ho
Nota: 6/10
.
Nota: Este vinho foi enviado para prova pelo produtor.

quarta-feira, outubro 24, 2012

Resultados do I Concurso de Vinhos do Douro Superior

Conceito Branco 2010, Quinta do Vale Meão Tinto 2009,  Butler Nephew & Co Porto Tawny 40 anos foram eleitos os «Melhores Vinhos» no Concurso de Vinhos do Douro Superior, nas categorias de brancos, tintos e Portos, respectivamente.
.
Esta prova, que se realizou no I Festival do Vinho do Douro Superior, contou com 150 referências em prova. A organização, em comunicado, mostrou-se surpreendida com a adesão dos produtores; quase todos os 50 produtores que participam no I Festival do Vinho do Douro Superior submeteram vinhos a concurso.
.
Lista de premiados:
.
.
Prémio Melhores Vinhos
Conceito branco 2010 (Conceito Vinhos)
Quinta do Vale Meão tinto 2009 (Francisco Olazabal & Filhos)
Butler Nephew & Co Porto Tawny 40 anos (Christie’s Port Wine)
.
.
.
Vinhos Brancos
.
.
Medalhas de Ouro
Conceito branco 2010 (Conceito Vinhos)
Quinta dos Castelares branco 2011 (Casa Agrícola Manuel Joaquim Caldeira)
Tons de Duorum branco 2011 (Duorum Vinhos)
.
Medalha de Prata
Palato do Côa branco 2011 (5 Bagos – Sociedade Agrícola)
.
Medalhas de Bronze
D. Graça Viosinho Reserva branco 2010 (Vinilourenço)
Muxagat “Os Xistos Altoa” branco 201 (Muxagat)
Pios branco 2011 (Quinta de Vale de Pios)
Quinta da Mieira branco 2011 (João Turégano Soc. Vinícola Unipessoal)
.
.
.
Vinhos Tintos
.
.
Medalhas de Ouro
Quinta do Vale Meão tinto 2009 (Francisco Olazabal & Filhos)
Conceito tinto 2009 (Conceito Vinhos)
Fronteira Reserva tinto 2010 (Companhia das Quintas)
Quinta da Leda tinto 2009 (Sogrape Vinhos)
Quinta da Touriga Chã tinto 2009 (Jorge Rosas)
.
Medalhas de Prata
Casa da Palmeira Reserva tinto 2008 (Manuel Joaquim Pinto)
Duorum Old Vines Reserva tinto 2009 (Duorum Vinhos)
CARM Grande Reserva tinto 2008 (CARM – Casa Agrícola Reboredo Madeira
Fraga da Galhofa Touriga Nacional tinto 2009 (Vinilourenço)
Lupucinus Reserva tinto 2009 (Quinta de Lubazim)
Palato do Côa Reserva tinto 2009 (5 Bagos – Sociedade Agrícola)
Pios tinto 2009 (Quinta de Vale de Pios)
Quinta da Canameira Grande Reserva tinto 2010 (Sampaio e Melo Cabral Vinhos de Quinta)
Quinta da Silveira Grande Escolha tinto 2004 (Sociedade Agrícola Vale da Vilariça)
Quinta Dona Doroteia Reserva tinto 2009 (Sebastião Oliveira)
Quinta de Vila Maior tinto 2007 (Manuel Joaquim Pinto)
Van Luyt Reserva tinto 2009 (Quinta de Alaúde)
Quinta dos Quatro Ventos Reserva tinto 2007 (Aliança Vinhos de Portugal)
.
Medalhas de Bronze
Papa Figos tinto 2010 (Sogrape Vinhos)
Fonte das Vinhas tinto 2009 (Meireles Douro Soc. Agrícola e Comercial)
Casa da Palmeira tinto 2008 (Manuel Joaquim Pinto)
Grandes Quintas Reserva tinto 2010 (Sociedade Agrícola da Casa D’Arrochella)
Holminhos Touriga Nacional-Touriga Franca tinto 2009 (Quinta dos Holminhos)
In Culto Reserva tinto 2009 (Zero Defeitos)
Quinta da Silveira Reserva tinto 2008 (Sociedade Agrícola Vale da Vilariça)
Puro Quinta da Touriga tinto 2009 (Jorge Rosas)
Callabriga tinto 2009 (Sogrape Vinhos)
Vale de Pios tinto 2008 (Quinta de Vale de Pios)
Mapa tinto 2009 (Pedro Mário Garcias)
.
.
.
Vinhos do Porto
.
.
Medalha de Ouro
Butler Nephew & Co Porto Tawny 40 anos (Christie’s Port Wine)
.
Medalhas de Prata
Amável Costa 20 anos (Agostinho Amável Costa)
Duorum Vinha de Castelo Melhor Vintage 2009 (Duorum Vinhos)
.
Medalha de Bronze
Amável Costa Tawny 30 anos (Agostinho Amável Costa)

Museu do Côa e Lavradores de Feitoria juntos num vinho

A empresa Lavradores de Feitoria associou-se ao Museu do Côa para, em parceria, lançarem uma nova marca de vinho. Museu do Coa by Lavradores de Feitoria é o néctar que nasceu duma conjugação de vontades e materializado num tinto de 2009.
Segundo Fernando Real, presidente da Fundação Côa Parque, «este vinho é fruto de uma iniciativa – a primeira de outras que se seguirão com este ou outros players da região – com um significado muito especial porque resulta de um conjunto de ideias partilhadas. Quem comprar Museu Coa by Lavradores de Feitoria estará a alimentar o corpo e o espírito». Cada garrafa tem um vale para uma entrada gratuita no Museu do Côa.
Para Olga Martins, CEO da Lavradores de Feitoria, este é mais um passo para promover o Douro «no seu todo e em parceria, algo que faz parte da cultura» da empresa. «Com esta iniciativa estamos a aliar gastronomia com cultura, património e paisagem. Com o património vamos promover o nosso vinho e com o vinho trazer pessoas a conhecerem o Museu do Côa e o Douro».
.
O Museu do Coa by Lavradores de Feitoria Tinto 2009 é um vinho feito com uvas das quintas que a Lavradores de Feitoria possui na sub-região do Douro Superior (onde fica localizado o Museu do Côa), juntando touriga nacional (70%), tinta roriz (20%) e 10% de uma mistura de castas de uma parcela de vinhas velhas.
.
Com um preço de venda ao público recomendado de 15 euros, o Museu do Coa by Lavradores de Feitoria Tinto 2009 pode ser adquirido no Museu do Côa, mas também em garrafeiras e lojas seleccionadas em todo o país.
.
A concepção gráfica do rótulo do Museu do Coa by Lavradores de Feitoria foi inspirada numa das cabras materializada na «rocha 6» da Penascosa, sendo a cabra um dos quatro temas zoomórficos fundamentais mais figurados na arte paleolítica do Côa (juntamente com o cavalo, o auroque e os cervídeos).
.
A «rocha 6» da Penascosa é um painel vertical xisto-gauváquico, com uma superfície relativamente lisa, que guarda algumas gravuras da época Gravettense (+/-25.000 - +/-18.000 anos antes do presente), o mais antigo período da arte paleolítica do Côa. Dois cavalos e duas cabras surgem aqui associados, gravados por picotagem profunda e sobrepostos entre si. Há ainda um terceiro cavalo figurado mais à esquerda do painel. Todas estas figuras estão representadas em perfil absoluto, como que vogando num espaço etéreo, sem representação de solo. Embora ao ar livre, a profundidade dos traços originais destas gravuras ainda hoje permite a sua boa visualização.
.
.
.
Nota: Em breve este vinho será aqui comentado.

quinta-feira, setembro 13, 2012

Vinhos Monte Cruz

Horas e momentos. Um dia, na mercearia de sempre, cruzei-me com uma senhora, prima deste produtor. A Dona São, proprietária da loja, já não sei bem porquê, disse-lhe que eu curtia vinhos. Pois a tal outra senhora, a cliente, elucidou-me quanto ao seu sangue: prima de vinhateiro alentejano. Disse-me mais: um dia trar-me-ia umas garrafas do parente.
.
Assim foi: um dia tinha uma caixa com as diferentes referências do produtor Monte Cruz. Há designações várias, mas o que fixei foi o «Tem Avondo», termo que em alentejano quer dizer «basta», «tem que baste», «suficiente», «abunda», etc…   pode parecer estranho, mas abundância vem do mesmo.
.
Lembro-me bem do «tem avonde», com «E», como se usa em Castro Verde. Mas com «E» ou com «O» vai dar ao mesmo. Em alentejano nos entendemos. E com esta expressão se pode resumir o carácter ou identidade duma região. Tem lá tudo! Basta saber alentejano.
.
Com tão boa marca, supus que este(s) vinho seria fácil de encontrar na internet. Engano! Saber informações não tem que abunde. Aliás, é impressionante a abundância de produtores que vive nos anos oitenta do século vinte. É preciso abrir a pestana… ou então vive-se bem, longe do mercado, dos enófilos e dos consumidores em geral.
.
As garrafas chegaram, infelizmente algumas por identificar. Posso imaginar a marca, mas trata-se de «suponhamos». Um tinto sem madeira, um Sy TN (supondo syrah e touriga nacional), um rosé, Monte do Outeiro Branco, Monte do Outeiro Tinto e Tem Avondo Tinto.
.
Avaliados, a impressão é positiva, mas sem transcendência ou luz. Qualidade regular, vinhos bem feitos, mas sem história ou estória. O nome prometia… Desconhecendo os preços, fiquei com a impressão que os Monte do Outeiro terão um preço mais elevado, embora a minha costela de marketeer me diga que a marca forte seria o «Tem Avondo». De qualquer dos modos, a qualidade de uns não abanou a qualidade de outros. Ou seja, não senti um salto qualitativo… basicamente, duas marcas, uma só percepção.
.
Alguns dos vinhos não dão para indicar a marca, visto terem vindo com meras indicações manuais. A situação é a mesma quanto à designação de origem. Nos provados, nenhum leva nota negativa, mas também não supera o óbvio.
.
O branco, Monte do Outeiro, feito com a casta antão vaz, não mexeu comigo. Não que o vinho seja mau, mas porque embirro com a casta. Nada a fazer: não gosto e nem percebo qual o interesse.
.
O Monte do Outeiro Tinto 2010 satisfaz. Não o poria à entrada dum jantar, mas bate-se com denodo. Não deslumbra nem descontenta. Fruta vermelha madura, notas levemente fumadas e final mediano.
.
O rosé manteve-se na banalidade. Sim, positivo, mas sem rasgo ou grande interesse. Morango, framboesa no nariz, mas pouca acidez e final curto.
.
O «Sy» sem madeira 2011, que desconfio ser um syrah… lamento, mas não vi qualquer interesse. É bem feito, mas e então? Gosto de madeira no vinho (qb)… e este, soube-me a pouco.
.
O «Sy Tn» 2010, suponho syrah e touriga nacional, teve um ano em estágio em madeira e o resultado é bem melhor que o anterior. Sem grandezas nem abusos, mostra alguma compota e chocolate. Na boca não fere nem apaixona.
.
O Tem Avondo Tinto 2010 não pôde ser avaliado, visto a amostra estar contaminada com o chamado aroma e sabor a rolha (TCA).
.
.
.
Monte do Outeiro Branco 2011
.
Origem: Regional Alentejano
Produtor: Monte Cruz
Nota: 4/10
.
.
Monte do Outeiro Tinto 2010
.
Origem: Regional Alentejano
Produtor; Monte Cruz
Nota: 4/10
.
.
«Rosé» 2011
.
Origem: ?
Produtor: Monte Cruz
Nota: 3,5/10
.
.
«Sy» sem madeira 2011
.
Origem: ?
Produtor: Monte Cruz
Nota: 3/10
.
.
«Sy Tn» 2010
Origem: ?
Produtor: Monte Cruz
Nota: 4,5/10
.
.
Tem Avondo Tinto 2010
Origem: Regional Alentejano
Produtor: Monte Cruz
Nota: X/10
.
.
.
Nota: Estes vinhos foram enviados para prova pelo produtor.

sábado, setembro 08, 2012

Bétula 2011

O Bétula 2011 está no top do que de melhor bebi neste Verão. Sinceramente, a edição de 2011 foi uma revelação. Os anteriores já provados tiveram boas notas, nomeadamente a colheita de 2010, que mereceu 7,5 pontos. Este bateu-o.
.
Bateu-o porquê? Porque revelou uma frescura, uma vivacidade, uma gulodice tranquila, uma companhia no prato, um regalo na conversa e sorrisos como poucos. A colheita de 2011 assumiu-se bem mais complexa do que as anteriores, mais viva, com carácter sereno e felino, com seu passo galante. Nada de tropicalismos madurinhos, sem pêssego nem mangas maduras, sem fumados excessivos. Não! Antes acidez deslumbrante, ananás doce (única tropicalidade), lima, limão, salsa, cebolinho, rocha… Primavera, com Sol e vento.
.
Como habitualmente, o produtor enviou duas garrafas, o que permite melhor aferição. É que embora subjectiva, a minha opinião (como todas, mesmo as «científicas») pôde beneficiar com a dupla.
.
Perante a festa da primeira prova, decidi levar o vinho a um outro limite. Verti-o em copo bojudo, largo, balão, muito visto para tourigas nacionais. Uau! Um pulo de mineralidade e uma frescura herbácea… menos ananás, mais lima.
.
Esta referência merece destaque: muitas vezes bons vinhos são meros trabalhos técnicos, este mostra bem a identidade do ano. O ano passado foi elogiado e este branco prova-o. Francisco Montenegro, o enólogo, merece ovação de pé, e o produtor umas grandes palmadas nas costas. Boa malha!
.
.
.
Origem: Regional Duriense
Produtor: Quinta do Torgal
Nota: 8/10
.
Nota 1: Este vinho foi enviado para prova pelo produtor.
.
Nota 2: E desta vez não impliquei com o viognier e o sauvignon blanc no Douro...

quinta-feira, setembro 06, 2012

Meu Deus, o que fazer com estes vinhos? - ou Anima L8 e Cavalo Maluco 2009





















Arte e vinho são duas palavras que se casam. Tantas vezes se dizem que a verdade se esconde, tingindo a banalidade. Existe, e quando é salta aos sentidos e deixa na alma o inconfundível toque de Deus.
.
Deus criou o homem, que criou o vinho. Deus tornou o vinho sagrado. Já o era, antes de Deus ser só um e se nomear apenas com o artigo definido no singular. O vinho celebra e evoca, atenua a dor e aviva a vitória, aquece a esperança, espelha a alma, a essência e o carácter.
.
Perfeito é Deus, tudo o mais é procura e conquista. Estes dois vinhos são perfeitos; na dimensão do homem, dos seus momentos e suas contingências. São momentaneamente perfeitos, porque o vinho é uma arte do efémero. Como qualquer criação, são eternas as suas memórias escrita e falada.
.
Gosto da tradição e da transgressão. Gosto que o sempre exista para sempre e que haja sempre quem queira inventar além do sempre, para sempre. Gosto dos artistas e dos oficiantes, gosto dos sábios e dos puros. Gosto dos académicos e dos iconoclastas. De todos, mas só dos verdadeiros.
.
José Mota Capitão, enquanto produtor, pode ser isso e o seu oposto. Não privo, mas sei da verdade que transmite pelo olhar e palavras quando fala de vinho e dos seus vinhos. Como um criador, das artes ortodoxas, o vinho, a sua arte, é feito para si e não para o público. Percebe-se que faz os vinhos que quer e quer o que gosta.
.
Repito e acrescento: Gosto dos académicos e dos iconoclastas. Mas só dos verdadeiros. A verdade dos vinhos de José Mota Capitão é o seu maior elogio e trunfo. A honestidade é um tesouro, mérito na vida e na arte.
.
Mota Capitão não faz petit verdot porque está na moda, porque dá sainete, porque vende bem… pode isso tudo, mas faz petit verdot porque gosta de petit verdot. Cabernet sauvignon é outro gosto deste vigneron.
.
Há umas semanas, a propósito duma reportagem para a revista Vida Rural sobre o cultivo de arroz, que também produz, provei as novas edições das suas mais procuradas criações: Anima e Cavalo Maluco, o L8 (2008) e o 2009, respectivamente. Face a colheitas anteriores, em alta, os dois vinhos.
.
Dizia-me Mota Capitão que está a aproximar-se dos italianos, a deslindar cada vez mais tarde os seus sangiovese. O mais novo tem quatro anos e o vigneron já fala na hipótese de cinco anos para uma colheita próxima.
.
A tesouraria empurra muitos vinhos para a rua ainda em criança, em vez de debutarem na mocidade. Ao ver as vinhas a evoluir com os anos, fica maior a vontade de fazer bem. Pois que os enófilos aguardem a revelação para a maioridade dum vinho.
.
O Anima L8 está de se babar. Qualquer momento serve, é perfeito. O Cavalo Maluco é «um vinho muito bêbado», como definiu um amigo de Mota Capitão.
.
O Anima L8 revela-se no nariz com café, especiarias (cravinho suave, pimenta branca ligeira), notas herbáceas, palha, terra, fumo ténue. Na boca é denso, tem uns taninos rugosos que enchem a boca, mas não a brutalizam, vê-se que será um senhor à mesa de quem o souber e conseguir guardar, tem potência e frescura, e um final levado da breca.
.
É mais do que sabido que Mota Capitão queria ser índio quando era miúdo e brincava ao velho Oeste. Queria ser fora do todo, para ser diferente no todo e ser feliz, podendo livremente escolher o que queria e quem queria. Cavalo Maluco, o chefe sioux do povo Lacota… ilustre e magnífico. Que nome melhor para se transmitir numa obra?
.

O Cavalo Maluco 2009… este é, esta edição, mais um que me deixa doido. O seu lote é composto por 60% de touriga franca, 30% de touriga nacional e 10% de petit verdot e é maravilhoso. Num primeiro embate um apetitoso e rústico azeite suave… deixado restabelecer-se do despejo no copo, o vinho assinala chocolate preto e fumo ligeiro. Adiante vêm aromas de amoras maduras, alguns tons herbáceos. O correr dos minutos confere-lhe anis, caramelo e azeitona. E já no fim, chocolate de leite e finura de café. Na boca tem potência e acidez, uns taninos de seda, e se tal se diz tantas vezes que, para se distinguir das outras, digo que esta veio pela Rota desde a China meridional. O final é longuíssimo.
.
Nunca fiz sexo tântrico, mas consta que concede orgasmos longuíssimos. Este dá.
.
.
.
Anima L8
.
Origem: Vinho de Mesa
Produtor: Herdade do Portocarro
Nota: 9/10
.
.
Cavalo Maluco 2009
.
Origem: Regional Terras do Sado
Produtor: Herdade do Portocarro
Nota: 9,5/10
.
.
.
Vinho, mesa, touriga-franca, arte, uma amiga, Vale Meão e Foz de Arouce Vinhas Velhas de Santa Maria… interesses partilhados já descobertos. Um abraço JMC.
.
Pinturas de Adam Neate, Divid Ligare e Michael Naples,

segunda-feira, setembro 03, 2012

Real Companhia Velha celebra 256 anos

A Real Companhia Velha (RCV) celebra o seu 256.º aniversário a 10 de Setembro, data em que vai promover um jantar na Casa Redonda da Quinta das Carvalhas, junto ao Pinhão, informou a empresa.
Este evento surge integrado na iniciativa «10 Anos | 10 Quintas | 10 Jantares | 10 Vinhos» (www.10jantares10vinhos.pt), promovida pela Confraria de Enófilos da Região Demarcada do Douro para celebrar os dez anos do Douro como Património Mundial da Humanidade, classificação atribuída pela UNESCO a 14 de Dezembro de 2001.
Do jantar constam oito vinhos desta empresa, nomeadamente referências de topo de gama.
.
O jantar está marcado para as 19h30 e tem um custo de 27,50 euros por pessoa. A reserva é obrigatória e deve ser feita até dia 7 de Setembro para os seguintes contactos: Quinta das Carvalhas (turismorealcompanhiavelha@gmail.com) 254 738 050, Confraria dos Enófilos do Douro (enofilos.douro@gmail.com) 92 796 61 87 ou 3efs (info@3efs.pt) 91 961 61 41.

sábado, agosto 25, 2012

Blandy's Ten Year Old Malmesey

Com três letrinhas apenas se escreve a palavra mãe, mas são precisas sete e um apóstrofo para escrever Blandy’s. O grande Arlindo Santos é que sabe! Ainda não visitei a gruta do Ali Babá de Campo de Ourique nem a alcova da Arca da Aliança na outra banda, mas sei que tem relíquias que poucos conhecem.
.
Eu, que sou jovem (iludo-me) e fascinado deslumbro-me com a sabedoria do amigo Santos. Pedi-lhe um Madeira e ele, de rajada, meteu-me este à frente. Nem caro nem barato, o preço dele, paguei e nem discuti. Valeu mais do que dei por ele. E, repito, marimbo-me para a relação entre a qualidade e o preço.
.
Quem o provou desfez-se em elogios. Pensei:
Ah ganda Santos, tu sabes!
.
Sabe mesmo. Além disso, da sabedoria feita com prazer e que dá sem lhe exigirem, o Santos dá o que sabe, generoso e amigo. Gosto muito dele. Dele e da família!...a Mafalda incluinda…
.
Bem, passando a fase da lágrima ao canto do olho e do mel a cair do gargalo do frasco, tenho a dizer que o amigo Santos acerta sempre. E a Mafalda também.
.
Se alguém quer saber o que é um Madeira, um malvasia… o Santos mostra! Garantido!
.
No nariz revela mogno, couro fresco, anis, café e notas especiadas. Na boca tantas ou mais riquezas: maracujá, para começar, caramelo, alcaçuz, cola (Coca Cola), ervas frescas e verdes, especiarias de canela, cravinho e caril. Um festim!
.
.
.
Origem: Madeira
Produtor: The Madeira Wine Company
Nota: 8/10