terça-feira, julho 31, 2012

Wine Spectator humilha portugueses

A poderosa Wine Spectator deu um arraso nos vinhos portugueses. Numa lista com alguns notáveis, o resultado chega a ser humilhante. Para mim, a revista cobriu-se de ridículo, mas quem leva o enxovalho são os produtores portugueses.
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Não há muito a fazer. A imprensa tem uma força que dificilmente se vence. Um órgão de comunicação social só costuma ser batido por outro parceiro do ofício. É assim em todo lado onde vigoram regimes democráticos.
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Não se pede à Wine Spectator que tenha pena dos portugueses, que pense no difícil momento do país e inflacione as avaliações, por amor, carinho, caridade ou misericórdia. Talvez os vinhos até só valham as pontuações que receberam… mas… há um mas, uma dúvida legítima. Ou dois mas. Ou três mas. Ou mesmo mais mas que os meus mas.
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Afasto teorias conspirativas, juízos de valor e processos de intenções. Não me amedronto com fantasmas, mas pergunto-me se a Wine Spectator bateria com a mesma força e do mesmo modo nos vinhos de França, Itália ou Estados Unidos.
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São memoráveis as vitórias de David sobre Golias, mas em mil combates o homem apenas vence uma vez o gigante. A prepotência é uma acção perniciosa do mais forte em relação ao mais fraco.
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Quando falo de a Wine Spectator ter caído no ridículo dou exemplos: CARM Maria de Lourdes 2008 bate-se de igual, com 87 pontos, com o Pêra Manca Tinto 2007, mas abaixo do Cabriz 2009.
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Claro que há opiniões para tudo, com respectivas justificações. Claro que há virtualidades nas provas cegas e nas provas com rótulo à vista. Claro que há revelações surpreendentes, com maravilhosas relações entre a qualidade e o preço… mas dificilmente me convencerão que um Cabriz é melhor que um Pêra Manca.
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E pergunto-me ainda: será que quem provou sabia que país estava a provar? É que numa revista global as provas não podem ser só às cegas quanto a marcas… Sabiam qual o país? Se sim, terá havido preconceito?
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Entre vários exemplos, repito: Cabriz melhor que Pêra Manca?
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Preconceito meu? Talvez. Preconceito da Wine Spectator, tenho pouca dúvidas. Asneira dos provadores da Wine Spectator, quase de certeza.
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Uma coisa é também certa: Portugal põe-se a jeito: A quantidade e variedade de vinhos abaixo de medíocre que os portugueses põem lá fora só desajuda e dá a reputação que cria este eventual preconceito. E a certificação portuguesa ajuda à festa, validando vinhos inacreditáveis de maus ao lado doutros inacreditáveis de bom. Quem compra lê dois rótulos com a mesma DOC, sem diferenciação qualitativa; o preço dá uma avaliação concreta, mas a percepção do vinho dá uma subjectiva: compro o mais barato, porque é a mesma coisa, mas como não presta desconfio quando voltar a ver um vinho da mesma DOC. Há muito que penso que as denominações deviam ter escala de avaliação qualitativa.
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Voltando à Wine Spectator: é sabido que manda quem pode e obedece quem deve… a revista faz a merda e são os portugueses quem a limpa.

7 comentários:

Flavio Henrique Silva disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Paulo disse...

Caro amigo. A mim não me supreende visto que tu não gostas de Cabriz e eu não gosto do Pera Manca. Enfim. Não os provei para poder dizer uma opinião concreta mas não me estranha se queres que te diga. O Pera Manca vive da sua marca e não vale nem nada que se pareça o preço. Mas quem sou eu.... Abraços

Paulo disse...

Só comentei o exemplo que desde. No entanto a Wine Spectator não é propriamente a biblia do enófilo e muita das suas notas sempre foi controversa. Dé se lhe o valor que tem não mais. Abraços

Flavio Henrique Silva disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Guilherme disse...

Não defendo a WS de forma alguma, tanto que faz tempo que não compro. Mas entre os critérios está a distribuição nos EUA e a relação custo-benefício. O Cabriz entrega mais pelo que se paga do que o Pera Manca, que cobra pelo nome também.

Joao Barbosa disse...

Guilherme, a relação qualidade / preço é outra questão. Esse assunto não foi analisado.

Acha que o Cabriz é melhor do que o Pêra Manca? Recebeu mais pontuação.

Por mais que pense nos seus argumentos não vejo maneira de entender como o Cabriz é melhor que o Pêra Manca. Quem diz este exemplo pode dizer outro qualquer.

leo's choice disse...

Sou enologo, sommelier, importador de vinhos portugueses. Sou assiduo leitor do enoblogs. Subscrevo a revista WS ate hoje. Tenho submetido vinhos a prova no WS e ate hoje, dos 20 e tantos submetidos, deram pontuacao a meia duzia e os outros? Que criterios usa o WS para avaliar os vinhos se nem sequer a eles se refere? Porque a paixao desenfreada do WS pelos vinhos franceses, quando pelo mundo fora existem tantos outros vinhos de igual ou superior valor? Exemplo de Chile, Portugal e California. Como portugues sinto uma grande injustica nao so com a falta de criterio do WS, mas tambem com a falta de conhecimento "inloco" dos vinhos portugueses. Pq nao vao a Portugal e visitam as vinicolas e la mesmo provam os vinhos? Se olharem as paginas do WS e verificarem quem faz propaganda dos vinhos portugueses la, ficam a saber o pq da alta pontuacao de certos vinhos e nao de outros. Abraco Paulo e obrigado por defender os vinhos portugueses q merecem muito respeito por quem os produz.