sábado, janeiro 28, 2017

Mateus Sparkling Brut Rosé Baga and Shiraz

Tudo influencia tudo. A partir desta sentença, transitada em julgado, poderia começar a conjurar ideias que comprovassem a Teoria do Caos.
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Deixo livre a borboleta que ao voar, na China, desencadeia uma tempestade em Nova Iorque, para contar a razão desta conversa.
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Abri e verti e apaixonei-me deliciado, suplicando por uma musse de framboesa. Não sou sensível a chantagens, ameaças nem cores de vinho, mas aqui fraquejei.
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A partir do contágio da cor e da espuma abundante fiquei quase obcecado com a musse. Porém, uma omeleta de cogumelos, queijo, cebola, pitada de caril e tomilho foi petisco feliz.
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Origem: X
Produtor: Sogrape
Nota: 6/10

Quinta do Valdoeiro Branco Colheita 2015 + Quinta do Valdoeiro Tinto 2012 + Quinta do Valdoeiro Baga Chadonnay 2013 [Espumante] + Messias Grand Cuvée Brut Milésime 2012 (Método Clássico) (Baga, Bical e Chardonnay) + Quinta do Penedo Tinto 2012 + Quinta do Cachão Tinto 2013

Há coisas que tenho dificuldade em definir. Às vezes consigo em longas deambulações, nem sempre bem centradas, nem sempre afinadas, nem sempre acertadas. O que se pode dizer de um vinho?
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Embirro com descritores, tantas vezes não dizem nada e muitas outras dizem o que todos os concorrentes, jornalistas, bloguistas, lojistas e curiosos repararam no contra-rótulo.
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Não estou a dizer que não tenha usado ou não use descritores. Apenas me fartei de escrever descrições redutoras. Frutos do bosque ou notas balsâmicas – mais outras – há com fartura, do excelente ao desinteressante.
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Outra ferramenta é a adjectivação do tempo ou considerando-o como substantivo – é livre. É um vinho moderno, clássico, com conceito inovador ou à moda antiga.
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Ora, aí está alguma coisa em que acredito ser mais interessante e ajustado. Para quem gosta de cor na escrita, a fruta e as flores vêm (finalmente) dar uma ajuda.
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Isto vem a propósito da colecção que a firma Messias me fez chegar para que:
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1) Os provasse.
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2) Os bebesse – relembro que não sou crítico, apenas amador interessado e assumo a falta de condições perfeitas para prova e que o meu blogue é, todo ele, emocional e subjectivo.
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O motivo do envio não é meu. A opção de beber, em vez de provar, é minha.
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Esta colecção é difícil de explicar. Há um Douro, um Dão e vários da Bairrada complexa. Isto, só por si, não é bom nem mau. Mas esta «dificuldade» é parte do charme bairradino.
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Não tenho nada contra os vinhos muito alcoólicos desde que tenham acidez, o que tantas vezes não acontece. No caso destes Messias há uma frescura natural auxiliada pelo baixo teor alcoólico.
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Vinhos frescos e pouco alcoólicos são um perigo!... Aqui devia entrar um bonequinho amarelo a piscar um olho. Perigosos porque vão contentemente tomar-nos sem revolução.
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Regressando à colecção… e pondo o Douro à parte… tenho dificuldade em discernir se são modernos ou clássicos, embora tenda para um desenho mais conservador. Aqui entra outra complicação: o estilo da casa e/ou do enólogo.
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Quanto a mim, não os querendo colocar nos modernos ou clássicos, nem marcar com a assinatura imperativa do técnico superior, afirmo que respeitam a tradição da casa. Não são os vinhos de antigamente, mas não são da moda.
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E identidade, que implica carácter, é algo que valorizo muito.
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A diversidade desta colecção, separando-os e atando-os, não me permite valorizar ou penalizar qualquer um destes vinhos. Aqui junto o Dão à Bairrada. O Douro, entre o meu afecto e o estilo da casa, pontuo-o solidariamente.
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Quinta do Valdoeiro Branco Colheita 2015
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Origem: Bairrada
Produtor: Sociedade Agrícola e Comercial Vinhos Messias
Nota: 7/10
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Quinta do Valdoeiro Tinto 2012
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Origem: Bairrada
Produtor: Sociedade Agrícola e Comercial Vinhos Messias
Nota: 7/10
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Quinta do Valdoeiro Baga Chadonnay 2013 [Espumante]
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Origem: Bairrada
Produtor: Sociedade Agrícola e Comercial Vinhos Messias
Nota: 7/10
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Messias Grand Cuvée Brut Milésime 2012 (Método Clássico) (Baga, Bical e Chardonnay)
Origem: Bairrada
Produtor: Sociedade Agrícola e Comercial Vinhos Messias
Nota: 8/10
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Quinta do Penedo Tinto 2012
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Origem: Dão
Produtor: Sociedade Agrícola e Comercial Vinhos Messias
Nota: 7,5/10
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Quinta do Cachão Tinto 2013
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Origem: Douro
Produtor: Sociedade Agrícola e Comercial Vinhos Messias
Nota: 7/10

segunda-feira, dezembro 05, 2016

Intermarché celebra 25 anos em Portugal

O Intermarché assinala 25 anos de actividade em Portugal e, para comemorar, avançou com uma colecção de vinhos. É um passeio pelo país conduzido por alguns dos melhores enólogos do país.
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As empresas de distribuição terem vinhos próprios não é novidade. Diferente é apresentarem vinhos com interesse. Enquanto uns vendem, cada vez mais, sucata, outros interessam-se em respeitar o consumidor.
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O Intermarché está a apostar na qualidade. Para a festa dos 25 anos, cada enólogo escolhido é, além de reconhecida competência, referência em algumas regiões: Rui Reguinga (Alentejo e Douro), Paulo Laureano (Alentejo), Jaime Quendera (Península de Setúbal) e Anselmo Mendes (Vinho Verde).
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Rui Reguinga assina um tinto da sub-região de Portalegre, referente a 2014, elaborado com uvas alicante bouschet, aragonês, grand noir e trincadeira. É também o responsável pelo Douro, também de 2014, feito com tinta roriz, touriga franca e touriga nacional.
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Paulo Laureano criou um tinto, na sub-região da Vidigueira, referente à vindima de 2014. As castas usadas foram as alicante bouschet, aragonês, tinta grossa e trincadeira.
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Através da Casa Ermelinda Freitas, Jaime Quendera apresenta um tinto de 2013, produzido à partir de cabernet sauvignon, syrah e touriga nacional.
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Por fim, Anselmo Mendes é responsável pelo único branco da colecção. Trata-se dum alvarinho da sub-região de Monção e Melgaço, referente a 2015.

Murça Minas 2015 + Murça Margem 2015

O Esporão avançou com duas novidades produzidas na Quinta dos Murças, no Douro. Tratam-se de dois tintos, referentes à vindima de 2015. Não desiludem quanto ao reflexo do que é a região. Porém, não me preencheram as expectativas.
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O Murça Minas 2015 é filho de tinta francisca, tinta roriz, tinto cão, touriga franca e touriga nacional. A fruta foi prensada a pé e numa prensa vertical. Estagiou em cubas de betão e em barricas usadas de carvalho francês.
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Tornou-se hábito em Portugal desdenhar do estágio em madeira, apontando-lhes efeitos desnecessários. Penso que, em 99% dos casos, trata-se de conversa para não dizer contenção de custos.
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Juntamente com o queixume da madeira, apareceu a ditadura da fruta. A fruta faz parte, mas não é – para mim – factor de necessária bonificação. Fruta, frutinha e flores em conta, peso e medida.
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Repare-se que os vinhos de topo continuam a penar os padecimentos causados pela malvada madeira. Cada um sabe o que faz e o que quer. Não sei – porque não o posso saber – se aqui a opção da madeira usada e da cubas em betão foi apenas enológica ou também para responder a menor encargo.
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Não sou caruncho, mas gosto de madeira. Neste caso em concreto, falta-lhe madeira. É um vinho vivo em fruta, além do meu gosto. Reafirmo o que sempre disse: as minhas palavras não são lei, as avaliações são subjectivas e inteiramente pessoais. Não reporto falta de qualidade ao vinho, assinalo as preferências.
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Apreciei mais o Murça Margem 2015, mas continuo a achar que lhe faltou madeira. Parece que lhe falta uma parede na estrutura e tempero na boca. Ao mesmo tempo, essa natureza de pomar excede a minha preferência.
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O Murça Margem 2015 fez-se com uvas touriga franca e touriga nacional. Os bagos foram esmagados a pé e em prensa vertical. O vinho estagiou nove meses em barricas usadas de carvalho francês.
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Seria extremamente injusto da minha parte classificar mal estes vinhos, apesar de, face às expectativas, ficarem abaixo. Seria injusto para a equipa de enologia e para a empresa, no seu todo. É uma casa que se tem mostrado pioneira nos cuidados ambientais, seja na vinha, seja na adega, com trabalho rigoroso, consistência no carácter da produção e fiável na qualidade.
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Aliás, apesar das palavras surgirem com um tom crítico, estes dois vinhos têm virtude. São dois belíssimos vinhos, que simplesmente não me preenchem inteiramente – gosto pessoal, reafirmo. As notas atribuídas são inequivocamente positivas.
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Murça Minas 2015
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Origem: Douro
Produtor: Esporão
Nota: 5/10
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Murça Margem 2015
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Origem: Douro
Produtor: Esporão
Nota: 6/10
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Nota: Estes vinhos foram enviados para prova pelo produtor.

Grandes Quintas Douro Reserva Tinto 2013 + Grandes Quintas Colheita Tinto 2014

Vejo algum pudor, em alguns meios, e afirmar a sua preferência por uma região. A justificação é basicamente a de que em «toda a parte» se fazem bons vinhos e que escolher uma é redutor. Reconheço que nos tintos tenho uma enorme inclinação para o Douro.
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A Casa de Arrochella tem-me mostrado tintos que não me desiludem, quer como apreciador duriense quer como enófilo. Vêm agora ao caso dois Grandes Quintas que são a região – aquilo que lhe valorizo. É habitual neste produtor.
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O Grandes Quintas Colheita Tinto 2014 tem o ADN do produtor e da região. Não se trata dum vinho de grande deslumbre, mas é um exemplar que dá bom contentamento e acompanha bem pratos de carne vermelha. Fez-se com tinta roriz, tinto cão, touriga franca e touriga nacional.
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O Grandes Quintas Douro Reserva Tinto 2013 é um vinhaço amigo, daqueles que me caem muito bem quando a temperatura baixa. Não é quente ou pesado, é substancial e com frescura. Fez-se com tinta amarela, tinta roriz e touriga nacional. Estagiou 18 meses em barricas de carvalho francês.
Grandes Quintas Colheita Tinto 2014
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Origem: Douro
Produtor: Casa de Arrochella
Nota: 6/10
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Grandes Quintas Douro Reserva Tinto 2013
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Origem: Douro
Produtor: Casa de Arrochella
Nota: 7/10
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Nota: Estes vinhos foram enviados para prova pelo produtor.

Caiado Branco 2015 + Caiado Rosé 2015 + Caiado Tinto 2015

A Adega Mayor nasceu certeira. Não sendo uma firma antiga, tem apresentado consistência. Isto traduz-se numa qualidade regular, factor que valorizo muito, pois gosto de saber o que compro e não de surpresas.
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Aliás, surpresas só as que decorrem da diferenciação dos anos ou da característica do lote. O que não gosto é da oscilação da qualidade.
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Chegaram-me, faz meses, a colecção dos Caiados, referência popular da Adega Mayor. Comprova-se o profissionalismo da empresa e, obviamente, da equipa técnica. São três vinhos fáceis de gostar e com vocação gastronómica.
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Caiado Branco 2015
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Origem: Regional Alentejano
Produtor: Adega Mayor
Nota: 5/10
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Caiado Rosé 2015
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Origem: Regional Alentejano
Produtor: Adega Mayor
Nota: 5/10
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Caiado Tinto 2015
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Origem: Regional Alentejano
Produtor: Adega Mayor
Nota: 4/10
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Nota: Estes vinhos foram enviados para prova pelo produtor

terça-feira, novembro 22, 2016

H'Our Branco 2015 + H'Our Rosé 2015 + H'Our Tinto 2012 + H'Our Azeite Virgem Extra 2015

A região do Douro tem sido feliz. O potencial existe, mas se não houver quem saiba trabalhar duvido que o resultado seja, na melhor hipótese, interessante. Muitas firmas antigas, outras recentes, outras familiares, pequenas e grandes têm estado a fazer bem.
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Aqui, quando digo feliz não me cinjo apenas à qualidade, que pode não sair do estilo comum, mas ainda à diferenciação. É comum, demasiadamente, falar em terroir: tudo é um terroir. Toda a gente tem um terroir ou mais. Não sei de agronomia, biologia e enologia para sentenciar o que é esse atributo.
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Não sei de agronomia, biologia e enologia, mas sei de resultados finais. Como a natureza não faz vinho, o homem tem de fazer parte do terroir – o factor humano espelha-se em tudo, desde a agricultura até às opções na adega. Para mim, o terroir é uma equação e não uma graça divina ou mágica ou de sorte.
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O H’Our Branco 2015 caiu-me no goto. Apresentei-o aos amigos, que não fazem favores nem se impressionam facilmente, e a apreciação foi unânime. Este vinho fez-se com uvas duma vinha velha, onde as castas se baralham, verdelho e rabigato.
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A firma Parceiros na Comunicação é jovem, tal como os seus promotores, e fez o seu primeiro rosado na vindima de 2015. Em Portugal, apesar do Mateus e do Lancers, os vinhos rosés não tinham (têm) tradição. Na moda de nicho do século XXI surgiram vários, muitas vezes pesados, chatos e adocicados.
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Não é o caso do H’Our Rosé 2015. Embora com 14% de álcool, tem uma acidez que maravilha. Apesar de ser processado por sangria, aproveitamento de uvas produzidas para tinto e não colhidas muito mais cedo, nada o indica. Metade do lote é de touriga nacional e a parte restante proveniente duma vinha velha.
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O H’Our Tinto 2012 mantém a frescura notada nos vinhos anteriormente referidos. É o Douro, nos seus aromas terrosos, de esteva e rosmaninho. O lote fez-se com uvas duma vinha velha (80%), touriga nacional (10%) e sousão (10%). Estagiou um ano em barricas usadas, de 225 litros, de carvalho francês.
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A Parceiros na Comunicação faz ainda um azeite virgem extra, a partir das cultivares cobrançosa, madural, negrinha e verdeal... epá! Gosto muito!
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H’Our Branco 2015
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Origem: Douro
Produtor: Parceiros na Comunicação
Nota: 8/10
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H’Our Rosé 2015
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Origem: Douro
Produtor: Parceiros na Comunicação
Nota: 6/10
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H’Our Tinto 2012
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Origem: Douro
Produtor: Parceiros na Comunicação
Nota: 7/10

Ninfa Branco Maria Gomes 2015 + Ninfa Rosé 2015

João M Barbosa insiste em fazer vinhos de que gosto muito. Estes Ninfa são descontraídos, mas são mais do que Sol e praia. Elegantes e prazenteiros. Sabem estar à mesa, com comidas menos pesadas, e onde apeteça para a conversa.
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O Ninfa Branco Maria Gomes 2015 fez-se com uvas duma só vinha. O Ninfa Rosé 2015 resulta de frutos alfrocheiro e aragonês. Os dois são mais uma prova de que o Tejo está a conseguir fazer esquecer o Ribatejo – apesar de terem existido bons com essa denominação.
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Ninfa Branco Maria Gomes 2015
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Origem: Regional Tejo
Produtor: João M. Barbosa
Nota: 6/10
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Ninfa Rosé 2015
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Origem: Regional Tejo
Produtor: João M. Barbosa
Nota: 7/10

quinta-feira, outubro 20, 2016

Vertical de Tinto da Talha Grande Escolha - 2003 a 2010 saltando 2009

Apanhei um elevador de Redondo, aqui em Lisboa, e confirmei que os mitos servem para iludir e serem desmascarados. Ou seja, quem diz que os vinhos do Alentejo não aguentam a passagem dos anos engana-se.
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A Roquevale enviou-me para prova sete vinhos de Tinto da Talha Grande Escolha, referentes aos anos de 2003, 2004, 2005, 2006, 2007, 2008 e 2010. Para quem não está ainda familiarizado com a nomenclatura vínica, a estas degustações designam-se por «verticais».
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Para quem não é profissional da escrita vínica trata-se de tarefa complicada. Desde mais porque o blogue é assumidamente amador, não científico (se isso existe na prova) e subjectivo. Portanto, precisei de ajuda. Com significativo atraso, face à data de recepção, organizou-se o momento.
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O atraso é de praticamente um ano. Lamento, mas, embora profissional da escrita, sou apenas bloguista de vinho. Para além de mim, participaram o Sérgio, a B., a D. e o J.
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Limito-me às opiniões manifestadas a escrever as manifestações. Desta vez, não serão dadas notas. Por razões:
1)      Os vinhos têm diferentes idades, sendo de 2003 a 2010.
2)      Só eu e o Sérgio comentámos todos os vinhos e demos notas de pontuação. Porém, as nossas escalas, embora decimais, não são compatíveis, devido à minha ser excêntrica e, por isso, não é óbvia – o 3 é positivo e é aberta como a escala sísmica de Richter.
3)      Só eu e o Sérgio comentámos todos os vinhos.
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A ordem de serviço dos vinhos não é unânime. Há quem prefira começar pelos mais jovens e outros pelos mais antigos. Prefiro começar pelos mais antigos, pois tendem a ser mais frágeis e seriam prejudicados se fossem apresentados pela ordem inversa.
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No email que me enviou, a 13 de Novembro de 2015, a enóloga informou que a marca Tinto da Talha surgiu em 1989. Joana Roque do Vale lançou o Tinto da Talha Grande Escolha em 2003, «como uma aposta para cima a um preço bastante acessível».
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Quanto a valores e relações entre qualidade e preço mantenho-me fiel na não pronunciação. Cada um sabe da sua carteira, do seu prazer, disponibilidade financeira e patamar nominal. Bem, avanço.
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Com excepção do 2003, que (penso) atingiu o seu ponto mais alto, a generalidade destes vinhos tem ainda anos de vida pela frente. O caso do 2006 é, para mim, interessante, pois revela já aromas terciário, mas a frescura natural e a rugosidade fazem-me querer que será ainda motivo de conversa.
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O Tinto da Talha Grande Escolha 2003 foi o estreante e fez-se com touriga nacional e aragonês. Mostra positivamente sinais da passagem do tempo, com vida pela frente. O Sérgio, que o notou com garra e secura, sentenciou-o como um dos melhores da prova. A D. sentiu-o áspero. Para mim, este ganhou.
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O Tinto da Talha Grande Escolha 2004 conheceu uma formulação diferente, conjugando syrah e touriga nacional. Está mais jovem, não na proporção do tempo, ainda com o chocolate preto, coisa em que a casta francesa costuma ser fiel. Serviu considerou-o superior aos 2003 e eu, pelo que já se percebeu, discordei. A D. não disse muito e, tal como em relação ao anterior, J. e B. mantiveram-se silenciosos.
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O Tinto da Talha Grande Escolha 2005 é um lote de touriga nacional e aragonês. Achei-o fechado e quando abriu notei-o menos vivo do que o anterior. B. não o apreciou de todo, Sérgio colocou-o acima do 2004 e voltei a divergir.
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O Tinto da Talha Grande Escolha 2006 é resultado de syrah e touriga nacional, mais marcado pelos anos do que os precedentes (excepto 2003), mostrando um agradável aroma de pelica. Elegi-o como o terceiro da prova. Curiosamente, a opinião do Sérgio (não na tabela das preferências) foi bastante próxima da minha. Finalmente, J. decidiu falar, para dizer que preferia o primeiro (2003). B. achou-o «forte» (encorpado) e D. disse ser «muito equilibrado».
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O Tinto da Talha Grande Escolha 2007 é a junção de syrah e alicante bouschet e está com frescura e gostei da sua aspereza suave. Tanto o Sérgio como moi même colocámo-lo a meio da tabela. D. disse que era fácil de se gostar, embora não lhe tivesse caído totalmente no goto.
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O Tinto da Talha Grande Escolha 2008 fez-se com aragonês e alicante bouschet. Este foi o mais consensual e, se tivesse havido votação, teria sido eleito o melhor da prova. Não fosse a minha admiração pelo estado de vida do 2003 e seria minha preferência. O Sérgio deu-lhe a sua mais alta pontuação. J. achou-o o melhor. D. gostou bastante. B. disse:
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– Gosto. É o melhor de todos.
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Para o Sérgio é «mais suave do que o anterior, mas não tão rico de aromas».
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O Tinto da Talha Grande Escolha 2010 fez-se com aragonês e touriga nacional. Quando chegou, era novidade. Provado há um mês, sensivelmente, está jovem e promete caminhar pelo tempo. Verdadeiramente, apenas J. falou e para lhe elogiar a acidez. A justiça do tempo é relativa. Lendo os comentários que recolhi, terá de esperar para mostrar a personalidade.
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Nota: Estes vinhos foram enviados para prova pelo produtor.

domingo, agosto 21, 2016

Três Bagos Branco 2015 + Três Bagos Sauvignon Blanc 2015 + Três Bagos Reserva Tinto 2013 + Três Bagos Grande Escolha Tinto 2011 + Três Bagos Grande Escolha Estágio Prolongado Tinto 2005

A firma Lavradores de Feitoria apresentou cinco vinhos. Nenhum é propriamente vinho de Verão, têm características que os tornam indicados para temperaturas mais frescas e comidas com mais substância do que saladas, peixes grelhados, mariscos…
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Três Bagos Branco 2015 resulta do lote típico de castas do Douro: gouveio, rabigato e viosinho. É um vinho com frescura e estrutura.
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Três Bagos Sauvignon Blanc 2015 é exuberante nos aromas e mais fresco na boca do que na percepção olfactiva. É guloso e com 13% de álcool é precisa já alguma prudência.
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Três Bagos Reserva Tinto 2013 está «qualquer coisa». Ou como, há uns anos, diziam os miúdos: «está muito lá»! É o Douro! Fez-se com tinta roriz, touriga franca e touriga nacional. Durante 11 meses, metade do vinho estagiou em inox, 25% em barricas novas de carvalho francês e 25% em barricas de segundo ano.
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Agora vêm os problemáticos! No bom sentido. Dois tintos ousados; poucos produtores se arriscam no conceito. Saber esperar não é arte apenas dos chineses.
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O ano 2011 está na história. Três Bagos Grande Escolha Tinto 2011 confirma-o. É o Douro, é o ano e a vida. As uvas vieram duma vinha velha, suponho que daquelas onde se misturam como uma família. Metade da fermentação fez-se em lagar de granito e a outra parte em balseiros de carvalho, com maceração prolongada. Não sei o que possa escrever que acrescente… os descritores de prova são tantas vezes maçadores e redutores… é beber e depois contar.
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Três Bagos Grande Escolha Estágio Prolongado Tinto 2005 é um dos que onde tudo se resume a quase nada. Custa-me palavrar quando cada boca e cada nariz irão julgar de toda a maneira. A complexidade e riqueza são enormes. Vagarosamente. Muito vagarosamente.
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Três Bagos Branco 2015
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Origem: Douro
Produtor: Lavradores de Feitoria
Nota: 5/10
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Três Bagos Sauvignon Blanc 2015
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Origem: Regional Duriense
Produtor: Lavradores de Feitoria
Nota: 6/10
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Três Bagos Reserva Tinto 2013
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Origem: Douro
Produtor: Lavradores de Feitoria
Nota: 7/10
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Três Bagos Grande Escolha Tinto 2011
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Origem: Douro
Produtor: Lavradores de Feitoria
Nota: 8,5/10
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Três Bagos Grande Escolha Estágio Prolongado Tinto 2005
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Origem: Douro
Produtor: Lavradores de Feitoria

Nota: 9/10