sexta-feira, outubro 15, 2010

Pontual ou Pontval – 10 anos

Quando era miúdo entrou-me uma música para o ouvido e que volta e meia bate-me nos tímpanos imaginários, não no das orelhas. Cantada pelo Paulo de Carvalho, a letra dizia que 10 anos é muito tempo, muitos dias, muitas horas a cantar.
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Bem, a música não tem nada a ver com os vinhos Pontual. Só os 10 anos é que rimam. O meu amigo Paolo Nigra organizou ontem, 14 de Outubro, uma prova quase horizonte, quase vertical dos seus vinhos para assinalar a década.
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O acontecimento deu-se na parte do palácio do Hotel Albatroz, em Cascais. A comezaina foi confeccionada por Vítor Claro, que só pecou pelo sal um bocado abusivo. Mas esteve muito bem o chefe.
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Os vinhos apresentados foram de diferentes anos e mostraram evoluções diferentes, como é óbvio. Não irei entrar aqui em pormenores, até porque não foi uma prova nos moldes tradicionais… os vinhos foram todos apresentados com comida.
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Tem-se a ideia, pelo menos a maioria dos enófilos tem, ou muitos deles, que os vinhos alentejanos não dão muito para serem guardados. A situação não deixa de ser um pouco verdade, mas há excepções. Os Pontual mostraram, neste almoço, que estão nessa categoria.
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Dos vários vinhos apresentados, os meus nariz, boca e coração fixaram-se em dois: Pontual Syrah 2003 e, mais, Touriga Nacional – Trincadeira 2001. Aplauso!

domingo, outubro 03, 2010

Caravaggio Shiraz 2008

Os meus amigos AS e RM trouxeram-me de Malta este tinto. Nunca tinha experimentado um maltês. Assustei-me com a tampa de roscas, coisa que me irrita. Preconceitos? Sim, claro. Patriotismo? Sem dúvida. Mas afinal, num vinho que não se quer de guarda, tem alguma lógica. Contudo embirro.
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Porém, gostei deste vinho que no rótulo apresenta um cavaleiro da Ordem Soberana de São João do Hospital. Apesar da rosca.
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No nariz lembra algum couro, fumo de lenha (o que é complicado de definir), uma leveza de resina e, sobretudo, chocolate preto. Na boca é suave, macio, muito fácil, para beber sem pretensões.
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Origem: Malta Superior
Produtor: Marsovin
Nota: 5,5/10

quarta-feira, agosto 18, 2010

Vallado Moscatel Galego 2009

Numa apreciação geral, gostei bastante deste vinho. Descomplicado, prazenteiro. Não original. Não surpreendente. Mas... ainda... coisa rara. A casta ainda não anda gasta. Bem sacado.
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Gostei da casca de laranja do aroma. Na boca gostei da secura. Apreciei a presença mineral. Não gostei da acidez, desiludiu-me.
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Foi bem com polvo salteado em azeite, acompanhado por amêijoas. Foi bem com o injustamente acusado de ser «o melhor bolo de chocolate do mundo».
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Origem: Douro
Produtor: Quinta do Vallado
Nota: 6/10

terça-feira, agosto 17, 2010

5 grandes velhos Dão e outro nem tanto

Chegou, finalmente, o momento de terminar o rol de vinhos apresentados, provados e bebidos no The next big thing. Para fechar com chave de ouro, apresentam-se vinhos com idade (e jovialidade), brancos e tintos.
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Todos eles produzidos no Centro de Estudos Vitivinícolas do Dão, em Nelas... não sei onde se guardam, mas se soubesse forçaria a fechadura para trazer alguns para mim.
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Começo pelos brancos: 1980 (nota 6), o mais fraco dos antigos. Mostrou algum cansaço, mas ainda dá prazer. 1992 (nota 8) revela evolução, mas mantém características florais, minerais e algum verniz, na boca mineralidade e toque doce. 1971, orgásmico (nota 9). Aromas evoluidos, mas com flores ainda na pradaria, mineral, alfarroba, chocolate negríssimo, avelã, fresco, seco, cítrico, muito elegante.
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Agora os tintos: 1971 (nota 8,5) revelou cera e bolacha, mas também frescura, na boca seco, com finura ácida, madeira, muito elegante. 1970, orgásmico (nota 9)... mogno, cera e um pouco de verniz, caramelo, alfarroba. Boa acidez, grandes taninos, grande final de boca!
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Um caso á parte: quase duplo orgasmo (9,5), a colheita de 1963. Que cor! Que jovialidade. Revelando aromas intensos, frescos, ervas, alfarroba, alcaçuz, caramelo, ameixa preta em passa. taninos generosos, acidez fantástica. Final de boca de sonho. Quero mais!

segunda-feira, agosto 16, 2010

Quinta da Falorca Garrafeira 2003

Mais um belo vinho do Dão, feito com touriga nacional (70%) e alfrocheiro (30%). Notou-se alguma evolução... resina... floral, mineral, pontuado com alguma fruta madura. Apreciei.
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Origem: Dão
Produtor: Quinta da Falorca
Nota: 7,5/10

domingo, agosto 15, 2010

Flor das Maias 2007

Mais um belo vinho do Dão! Feito com touriga nacional (85%), alfrocheiro e tinta roriz. No nariz aparece erva e fruta vermelha. Na boca, compota de frutos vermelhos. Fácil de se gostar. taninos bem presentes e boa acidez. Grande final.
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Origem: Dão
Produtor: Quinta das Maias (Quinta dos Roques)
Nota: 8/10

sábado, agosto 14, 2010

Torre de Tavares Jaen 2007

Pois se gostas… isso encanta-me! É 100% jaen. Estagiou um ano em barricas de carvalho francês (70%) e americano (30%). Primeiro, achei-o um pouco químico, mas foi embate brevíssimo. O aroma ficou mais consistente e complexo: Erva, caruma, laranja, terroso e chocolate preto. Taninos cheios de vida e personalidade. Grande promessa.
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Origem: Dão
Produtor: Casa Tavares de Pina
Nota: 8/10

sexta-feira, agosto 13, 2010

Terra de Tavares Reserva Tinto 2006

Para não beneficiar este produtor com muitos textos (para mais foi o organizador do The next big thing), vou só escrever um texto sobre um reserva, neste caso o de 2006. Darei, contudo, as notas atribuídas aos de 2003, 2005 e 2007… os quatro anos mostraram grande regularidade, embora tenha tido uma maior preferência ao de 2006. Todos receberam nota 7,5. Por isso, devia escrever três textos, mais o outro que há-de vir amanhã. Mas o que é mais, é demais. Fiquemos por um reserva.
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O ano de 2006 foi dado como perdido no Dão. Foi complicado. O produtor desacreditou… mas com o tempo veio a surpresa. A coisa ficou bem no retrato. Fez-se em partes iguais de touriga nacional e jaen, as castas da predilecção (ao que consta) de João Tavares de Pina.
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O nariz é complexo, com a presença de menta, flores e fruta vermelha. É adstringente, muito. Boa acidez, bom final. Guloso na boca, com notas de chocolate (muito) preto.
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Origem: Dão
Produtor: Casa Tavares de Pina
Nota: 7,5/10

quinta-feira, agosto 12, 2010

Casa de Mouraz Private Selection 2006

Este vinho conheceu um ano de barrica (80%) e estágio em cuba de inox (20%). As castas são muitas, porque as vinhas velhas andam baralhadas... touriga nacional, jaen, água santa... tem taninos bem presentes, polidos e elegantes. O nariz é complexo, um prado de vários aromas vegetais, flores e chocolate.
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Origem: Dão
Produtor: Casa de Mouraz
Nota: 7/10

quarta-feira, agosto 11, 2010

Quinta da Bica Reserva Tinto 2005

Gostei mais deste do que o seu irmão um ano mais velho, embora conheça o mesmo estilo, o que é bom para saber ao que se vai. Mostrou-se fresco no nariz, com erva cortada, mas também notas de madeira. Mostrou bons taninos e acidez.
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Origem: Dão
Produtor: Quinta da Bica
Nota: 7/10