segunda-feira, outubro 02, 2006

Adega Faustino

O sítio é uma antiga adega, calcetado a paralelipípedos de granito e com as madeiras pintadas de vermelhão... bonito e rústico. As mesas são em madeira escura envernizada e as sentadas são bancos. Por ali há sempre umas exposições de pintura amadora, muito naïf e de gosto infeliz. Contudo, o que por ali importa é mesmo o que se põe na mesa.
Desta última vez que lá fui repimpei-me com uns rojões do redanho (torresmos dos verdadeiros), salada de orelha, pica-pau, bolos (pastéis) de bacalhau, moelas e arroz de tomate. Os torresmos estavam de fazer transbordar as lágrimas de alegria e a salada de orlha uma das mais gostosas que provei. O pica-pau estava bastante gostoso e os pastéis estavam bem equilibrados em termos de peixe e batata. Já as moelas não estiveram à altura dos demais petiscos. O arroz de tomate, verdadeiro carolino, absolutamente extraordinário. Tudo a preço muito simpático. O serviço é atento e simpático. Bebi do vinho da casa, do branco, que não sendo uma especialidade, foi bem com os petiscos.

Travessa do Olival - Chaves (em frente ao Hotel Trajano - reconhece-se pelas grandes portadas vermelhas)
Telefone: 276 322 142
Horário: das 10h30 às 2h00
Encerra ao domingo

terça-feira, setembro 12, 2006

Vivó Douro!

Ainda ontem abri uma garrafa de Vinho do Douro. Foi assim que festejei os 250 anos da demarcação da região vinhateira. Dizem que é a mais antiga do mundo. Dizem, mas não é bem verdade. No papel não o é, mas é-o na terra de xisto.
Ainda ontem estava de apetites simples e feliz por existir. Sentei-me à mesa e pedi arroz de cabidela, sem ironia com o folhetim com os batoteiros de Barcelos. Que bem me calhou a galinha com um despretencioso Quinta de la Rosa de 2003. Penso que não há forma melhor de se celebrar o Douro do que beber os seus vinhos.
Como bom português, o meu sangue é um rio com afluentes nascidos em muitas nascentes. Não venho dum só lugar. Pelo menos gosto de pensar assim. Se viesse viria de Lisboa, donde tenho um costado com várias gerações; sou dos poucos. Mas também do Alentejo. Lá de cima, atrás das montanhas das Beiras, não consta que tenha sangue recente. Porém, é do Douro o vinho que mais prazer me dá beber. O vinho também é sangue e as gentes durienses recebem-me tão simpaticamente como se fosse família.
A demarcação do Douro aconteceu porque andavam a assucatar os vinhos e as exportações ressentiam-se. O marquês de Pombal estabeleceu regras para produtores e comerciantes, em nome da qualidade e do comércio. A lei previa que os mixordeiros pudessem ser punidos até com a pena de morte. Coisa séria! Felizmente hoje já não se faz vinho a martelo, mas há ainda aldrabões no vinho, e até no Douro... há gente a fazer vinho que era preferível produzir batatas.
O Vinho do Porto do tempo da primeira demarcação era semelhante ao actual Vinho do Douro e só mais tarde a diferenciação veio a acontecer e a acentuar-se. Hoje, a região divide-se em Baixo Corgo, Cima Corgo e Douro Superior... está vasta e generosa, linda com os seus sucalcos, vales de reentrâncias, sombreados e inclinações, com a natureza bravia a querer furar a paisagem humanizada. O Douro é uma festa para todos os cinco sentidos.
Penso que uma lista dos melhores vinhos do Douro, tanto de tintos como de brancos, fortificados ou de pasto, dá um poema, seja qual fôr a forma da sua ordenança. Ainda que em escala e tamanhos diferentes, tenho no paladar e na cabeça prazeres feitos de Vale Meão, Maritávora, Poeira, Pintas, Redoma, Charme, Barca Velha, Chryseia, Vallado, Grantom, Gouvyas... Achou que poemei!...

Nota: Já sei que devia ter divulgado este texto a 10 de Setembro, data exacta do decreto do marquês de Pombal. Contudo, nesse dia não me apeteceu celebrar a efeméride nem abrir uma garrafa.

segunda-feira, setembro 04, 2006

Monte do Pintor 2001

Já tinha provado, em tempos, outros pintores deste monte e, muito embora, não tenha ficado embasbacado, estes tintos deixaram-me boa impressão. Ontem, confesso, o que me atraiu no Monte do Pintor não foi apenas a memória, mas o preço simpático a que estava a ser vendido no restaurante. Por que não experimentar e avaliar? Assim fiz e fiquei muito feliz com a decisão.
O Monte do Pintor é um alentejanão! Não engana! É um vinho fácil de se gostar. Tem um aroma quente, a torrefacção, logo no início e a prometer prazeres. Na segunda aproximação já vêm frutas maduras, que, ainda assim, não tapam por completo os aromas anteriores. Uma delícia! Na boca não desilude e é suave e redondo.

Nota: 6/10
Origem: Regional Alentejano
Produtor: Sociedade Agrícola da Sossega

Tapada da Torre Reserva 2001

Este tinto algarvio é uma excepção no panorama vinhateiro da região. Infelizmente é uma excepção, pois o Algarve anda muito mal servido de vinhos. É um vinho que se bebe com agrado. Está elegante e tem um perfil bastante internacional. Como lamento só tenho a apontar-lhe o facto de ter pouco de algarvio... tanto podia ter sido feito no Chile como na Austrália como na Califónia ou em Nenhures do Novo Mundo. Não é um defeito, é feitio, e este meu apontamento é mera implicância. Este vinho faz-se com as castas castelão, trincadeira, alicante bouschet e cabernet sauvignon. Esta última variedade nota-se no aroma e mais na boca sem que, contudo, se torne impositiva, não impestanto a bebida com o travo do pimento ou do pimentão. Está um vinho muito equilibrado e agradável.

Nota: 5,5/10
Origem: Portimão
Produtor: Quinta do Morgado da Torre

quinta-feira, agosto 17, 2006

Cortes de Cima Reserva 2003 tinto

Mal o provei notei algo de extraordinário e depois fui sentindo-o evoluir fantasticamente. É um belo vinho com todo o carácter do Alentejo e que dá muito prazer a quem aprecia os tintos da planície. Apesar dos seus 14,5% de álcool, este tinto é duma suavidade e equilíbrio notáveis. Este vinho faz-se com as uvas syrah (42%), aragonês (39%) e touriga nacional (19%).

Nota: 6,5/10
Origem: Regional Alentejano
Produtor: Hans Kristian Jorgensen - Cortes de Cima

Casa Burmester Reserva 2004

Aqui está um tinto que eu tinha esquecido completamente... não sei como foi possível! Não me tinha esquecido do prazer nem do seu sabor, mas que tinha uma garrafa guardada cá em casa. No outro dia estiveram de visita uns franceses amigos de amiga e abri-a. Espantei-os com ela e o Douro encantou-os!
Já sabiam que Portugal produz vinhos, mas da bebida conheciam os Portos e os Madeira. O contacto com os vinhos de pasto fez-se com o Douro e a região deixou-os impressionados... com este tinto robusto, cheio em frutos vermelha maduros e especiarias, com taninos presentes, um final longo e todo ele bem equilibrado. Gostei!... e eles adoraram!

Nota: 7/10
Origem: Douro
Produtor: J. W. Burmester & Cª (Sogevinus)

Herdade de Torais rosé 2005

Este não se encontra no mercado! Sou um homem feliz por beber uma raridade! Está bem, não é uma exclusividade de finura notável, mas é um belíssimo rosado produzido em Montemor-o-Novo e obra do enólogo Diogo Campilho.
Este não se encontra no mercado, mas o de 2006 talvez conheça as prateleiras comerciais e se acontecer ser tão bom ou melhor do que o de 2005 temos obra! Tem fruta sem enjoo, em belo equilíbrio e refresco. O vinho de 2005 está de se lhe tirá o chapéu e enquanto não bebi as garrafinhas que tinha não descansei. É um rosé muito guloso e apetecível.

Nota: 5/10
Origem: Regional Alentejano
Produtor: Herdade de Torais

quarta-feira, agosto 09, 2006

Casa da Atela Sauvignon 2005

A casta sauvignon blanc está na moda e contra isso pouco ou nada há a fazer. Acontece que não vou à bola com a fruta tropical e ainda menos no vinho. Acontece que esta cepa é proveitosa para quem quer extrair fruta exótica das uvas. Felizmente, para mim, o Casa da Atela Sauvignon é atinado e nada exuberante na manga e o maracujá está ausente ou, quanto muito, bem disfarçado. O vinho deixou-se beber com agrado e fluidez, tendo-lhe a apontar a antipadia da casta, mas isso não é defeito, é feitio.

Nota: 4/10
Origem: Regional Ribatejano
Produtor: Sociedade Agrícola da Grouxa e Atela

Torre da Trindade 2005

Quem vê caras não vê corações, que é como quem diz: olhar um rótulos não é provar. Abri a garrafa um pouco desconfiado, mas cedo dei a mão à palmatória. Este branco é um vinho escorreito e fácil, que se deixa ir alegremente com a sua fruta madura sem exagero. Não será o mais entusiasmante branco que provei, mas é um vinho honesto e franco e sem vaidades. Só por isso vale recomendação e repetição.

Nota: 5/10
Origem: Ribatejo DOC
Produtor: Sociedade Agrícola da Grouxa e Atela

domingo, agosto 06, 2006

Quinta da Bacalhôa 2002

Há muito tempo que não bebia um Quinta da Bacalhôa e devo confessar que tinha saudades da elegância deste vinho... trouxe-me memórias felizes. Este vinho pouco tem a ver com os que se fazem na zona de Azeitão e as uvas da casta castelão não entram no seu lote. O Quinta da Bacalhôa faz-se com cabernet sauvignon (90%) e merlot (10%), o que pode explicar as suas notas apimentadas e mentoladas.
A ver se me lembro de o beber mais vezes...

Nota: 6,5/10
Origem: Vinho Regional Terras do Sado
Produtor: Bacalhôa Vinhos