domingo, agosto 16, 2009

Quinta do Soque 2006

Tem um corpo médio e deixa-se beber com facilidade. Gostei da cor rubi e da presença da madeira. Achei que a touriga franca brilha sobre as outras castas, o que sempre é uma desvantagem, por uma se sobrepor às outras. Bebe-se agradavelmente. Não quer ser mais do que é, e é muito mais do que os concorrentes neste nível de preços. Paguei 10,50 euros em restaurante e fiquei satisfeito. Espero que este jovem produtor tenha sucesso e que a um bom produto não suceda uma mercadoria desinteressante.
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Origem: Douro
Produtor: Quinta do Soque
Nota: 5/10

terça-feira, agosto 11, 2009

Mulher bebendo vinho





















Pintura de Gerard Ter Borch II.

Quinta do Crasto Reserva Vinhas Velhas 2007

Normalmente não gosto de surpresas... é um lugar-comum dize-lo. Ou melhor, devia dizer que não gosto de surpresas desagradáveis. Gostei deste vinho, o que já não é surpresa. Portanto, gostei e não foi surpresa, apesar de surpreendente.
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Nele sobressai a madeira, mas também a fruta preta e vermelha, mais da primeira. Elegantíssimos taninos.
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Veredito: delicioso e bastante guloso.
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Origem: Douro
Produtor: Quinta do Crasto
Nota: 8/10

quarta-feira, julho 08, 2009

Old Madeira Wine Malmesey Solera 1880

As palavras saem mais facilmente para criticar do que para aplaudir. Não acontece só comigo, é humano e talvez só os Santos sejam diferentes. Por outro lado, é difícil explicar os esplendores. Como definir, para além dos chavões habituais, o prazer que uma coisa dá?
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Vou pelos chavões habituais: nariz complexo e elegante, onde sobressaía o caramelo, a baunilha, as passas e especiarias. A boca com uma doçura aveludada, elegante e gulosa. Uma óptima forma física.
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Mais não sei dizer; só que a casa que o produziu foi criada apenas três anos antes deste vinho, em 1877.
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Agradeço ao meu amigo SGC ter-me dado a provar esta pomada.
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Origem: Madeira
Produtor: H. M. Borges
Nota: 9/10

Muralhas de Monção Rosé 2008

Gosto do Muralhas branco. Penso ser um vinho honesto, descontraído e feliz com a comida. Por isso, fui esperançado no irmão rosado desse vinho Verde. Contudo, a aposta não mereceu. Este não merece comida nem grande convívio.
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Eu, que normalmente me marimbo para a relação entre a qualidade e o preço, aprecio esse equilíbrio no Muralhas Branco. Coisa que não existe no Rosé. A garrafa custou menos de quatro euros e não merecia mais do que um euro e meio.
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O tio dum amigo meu arreliava-se quando abria uma garrafa de Vinho do Porto com algum porte e lhe diziam que era docinho, banalizando e desvalorizando a nobreza do vinho. Pois, por analogia e por castigo digo deste vinho que é fresquinho. Tão simplesmente porque se bebe a uma temperatura feliz para a canícula.
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No nariz lembra rebuçado. Na boca é dum doce enjoativo e desinteressante. O que tem de frescura de temperatura física, mérito do arrefecimento artificial, falta-lhe em frescura natural. É um aborrecimento. Não gostei também de ser frisante.
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Não digo que o vinho seja mal feito, porque quem o faz já deu muitas e regulares provas de saber fazer vinho. Digo é que há momentos e produtos infelizes. As uvas que o fizeram mereciam descanso e não prensagem. Só por serem quem são é que subo meio ponto à mais baixa das minhas classificações positivas.
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Origem: Vinho Verde
Produtor: Adega Cooperativa de Monção
Nota: 3,5/10

terça-feira, julho 07, 2009

Monsaraz Rosé 2008

Achei-o melhor para uma tarde bem passada à conversa do que para uma refeição... eventualmente para uma sobremesa de fruta. O mal que lhe vejo é também o seu trunfo: o doce. Pelo estilo não vou lá, mas reconheço-lhe potencial. No nariz lembra-me sobretudo morangos, mas onde se revela mais interessante é na boca, que se faz lembrando compota de amoras. Pelo preço vale bem a pena.
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Origem: Alentejo
Produtor: Carmim
Nota: 5/10

sexta-feira, junho 26, 2009

Jantar de 25 de Junho

Algumas vezes gabei as minhas conquistas na mesa, o que talvez não me tenha ficado bem. Dirão os meus amigos que cozinho bem e que sou um tipo simpático. Direi, vaidoso, em minha defesa que me limitei a narrar factos. Pensarei, honestamente, que houve sucessos empolados e que preciso de comer muita poeira na estrada antes de me fazer ao caminho.
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Desta vez não vou ser benévolo comigo. Bem sei que nem sempre os meus cozinhados são aplaudidos ou merecem notas sonoras de agrado de quem os come. Porém, tenho algum sentido crítico. Há vezes em que não levo palmadinhas nas costas é porque, por cá, já se banalizou o comer bem. Há vezes em que não levo nas orelhas porque as pessoas são simpáticas, cordatas, educadas e amigas.
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Hoje (ontem) foi diferente. A comida estava boa. Nem demais passado nem de menos. Nada disso. Porém, não estava de estrondo, que é sempre o orgasmo que procuro. Dizem os meus amigos que gosto de fazer experiências com seres humanos (com eles), é verdade. Pensar em comida, imaginar receitas, experimentar práticas, improvisar soluções e obter aplausos. Nem sempre este último item é conseguido ou completamente conseguido. Porém… porém…
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Porém, apesar de tudo não houve manifestações sonoras e visuais de regozijo. Porque já cá comeram melhor. Porque já comeram melhor. Porque o resultado final não foi proporcional ao empenho e à ideia. Risco de quem gosta de criar. Contudo não sou artista profissional nem académico ou iluminado pelo deusa da comida, que os pagãos chamariam de Mesa e os recicladores católicos de Santa Mesa.
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Mas, então, o que veio para a mesa? Omeleta de frango do campo com presunto de porco preto alentejano e trufas pretas, acompanhadas por arroz de manteiga com cogumelos nameco. Nem sal a mais nem sal a menos. Porém, a alquimia deslumbra mais na descrição do que no paladar. Para sobremesa, umas belíssimas cerejas da Gardunha.
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Nota de destaque para o vinho. O vencedor da noite foi o Fagote (branco) 2008, do Douro, vencedor em boca e surpresa. O melhor no nariz foi o Passadouro (branco) 2008, do Douro, mas que ficou aquém das expectativas, até porque foi o vinho mais caro da noite. Uma boa aposta foi o Adega de Pegões (branco) 2008, regional Terras de Sado, que, além de custar uma ninharia se bateu com dignidade com vinhos com o quíntuplo do preço. Podia não ter havido uma desilusão, mas apenas um último classificado. Contudo, houve um vinho, que não sendo mal feito, não valeu a aposta nem o preço, o Gadiva (branco) 2008, do Douro.
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Posto isto, resta-me despedir, como o saudoso, e felizmente ainda vivo, engenheiro Sousa Veloso: Despeço-me com amizade até ao próximo programa.
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Nota 1: Se alguém gostou verdadeiramente que o diga ou que se cale para sempre.
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Nota 2: Pintura de Antoon Claeissens.
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Nota 3: À mesa estiveram a Tagarela, a Nanda e o Nasser.

quinta-feira, junho 25, 2009

Mercadores

Governadores da Corporação dos Mercadores de Vinho.
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Nota: Pintura de Ferdinand Bol.

sexta-feira, junho 05, 2009

Esporão Reserva Branco 2008

Este é um vinho para se bater desde meados da Primavera até Outono adentro. Não é um vinho de piscina, mas também não é um combatente de pesados. Gostei da fruta bem casada com a madeira, e apreciei os citrinos da boca.
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Origem: Alentejo
Produtor: Esporão
Nota: 6/10
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Nota: Este vinho foi enviado para prova pela empresa de comunicação do produtor.

Monte Maior Branco 2007

Pareceu-me um vinho correcto e agradável. Apreciei a fruta, algo tropical com um toque de laranja, e a presença floral. Uma boa aposta para esta época.
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Origem: Regional Alentejano
Produtor: Adega Mayor
Nota: 6/10