domingo, Outubro 21, 2007

Kaetano's

Rua da Belavista à Graça, 126/128
Telefone: 21 814 38 10

Cheguei a este sítio recomendado por dois amigos. Estranhei um restaurante com algum embrulho situar-se numa zona tão residencial e tão distante das áreas mais movimentadas, mas, enfim, esse não seria um problema. Pelo menos não seria meu.
Depois da refeição cheguei a um pensamento, a uma interrogação, simples e sábio, que há muito anda na boca de todos: Pode alguém ser quem não é? O lugar é a armar ao pingarelho, mas é só isso. Tirado o embrulho não vale grande coisa, sendo que até o embrulho não é nada de extraordinário.
Ao que importa: O couvert veio para a mesa e era suficientemente vasto. Trouxeram presunto (regular), queijo de pasta mole (regular), azeitonas (de conserva temperadas - nada recomendáveis), torradas com azeite e alho (desinteressantes), croquetes (gordurosos e banais) e chamuças (banais e gordurosas). Houve pior!
Pedi para entrada salada de manga com camarão... estava banal. Para prato principal pedi um folhado de caça. Se bem que já tenha comido massa folhada pior, esta também não era de se lhe tirar o chapéu. O pior era a carne, que estava impossivelmente salgada. Nem numa tasca se admite um sacrilégio destes. A sobremesa foi leite creme, que, para não variar, estava banal. Uma das pessoas que veio comigo pediu um folhado de maçã, que veio com uma bola de gelado de baunilha a acompanhar... era daqueles gelados rascas de supermercado.
A carta de vinhos é curta. A carta de vinhos faz-se de opções banais, corriqueiras, onde o melhor é uma entediante e pouco imaginativa gama média. Contudo, no preço... upa! upa! Um banal Tapada do Chaves suga quase 30 euros e havia Monte Velho, ou raio que era, a quase 20. Quem for ao sítio do restaurante na internet até fica convencido que o vinho é uma aposta da casa. A realidade esmaga a pretensão.
O ambiente foi decorado, gastou-se ali algum dinheiro... o gosto, enfim... mas enfim. Mas e a música? Um CD com uma senhora aos gritos, quase a fazer parar a digestão.
O serviço foi simpático e esforçado. A conta foi o «melhor» da festa: quase 55 euros por banalidades e má confecção... Tirando o episódio do sal e do gelado industrial de má índole, o sítio valia menos de metade do preço cobrado.
E havia ainda um senhor, que pelo jeito devia ser o dono, que não era das criaturas mais simpáticas e agradáveis, pois embrulhou-se com os cartões, marimbou-se no cliente que estava presente para pagar e nem um pedido de desculpa se ouviu daquela santa boquinha ou mesmo um agradecimento pela preferência.
O cartãozinho de visita e de recomendação é emproado e largo no autoelogio. O papel salienta que o restaurante fica na Lisboa típica... mas por que raio o sítio se chama Kaetano's? Não podia ser Caetano? ou do Caetano? É piroso! Bem, agora se está por tudo e tudo faz embirrar. Não faz mal, porque meteram-se a jeito de levar pancada.
Este local é não recomendável. É de evitar!

quinta-feira, Outubro 11, 2007

Dolium Escolha Antão Vaz 2006

Os críticos encartados gostam de se colocar numa posição quase divina e dizem que se distanciam dos seus gostos quando fazem as suas provas. Seja. Será. Não acredito, mas pronto. Por mim reconheço que o meu gosto molda a maioria das minhas opiniões, embora não cegue as análises.
Vem tudo isto a propósito dum vinho que não sendo mau - no sentido de mal feito - aliás tido como muito bom não me passa no goto. O enólogo é de insuspeitável competência, com muitas provas dadas e bela reputação. Contudo, o vinho que é bom ou muito bom é insuportável.
Pesando o gosto e a necessária distância face ao objecto, julgo que este é dos vinhos que mais dificuldade me deu para chegar a uma nota equilibrada. Tentei ser justo comigo (opinião e gosto) e com o produtor (competência, empenho, conhecimento). Uma nota que não deixa de ser positiva, mas que fica aquém das expectativas para este produto, fama e preço.
Diz-se em português vernáculo: é um vinho cheio de mariquices. É demasiado delicado. Demasiado frutado. Demasiado fácil, que até chateia. Aliás, nem chega a agradar. É a ilustração da moda (nunca uma caricatura), no nariz e na boca. Tão frutado que é enjoativo... e floral como um guarda-fato de velha gaiteira.
Lamento: não gostei mesmo nada deste vinho aplaudidíssimo (provavelmente de forma acertada).
Com toda a certeza ouvirei: «Não gostas? Há quem goste, mais fica!»

Origem: Regional Alentejano
Produtor: Paulo Laureano Vinus
Nota: 4/10

Redoma Rosé 2006

Os vinhos rosés são muitas (tantas) injustiçados. Também não é novidade vir defende-los. Contudo, tenho a dizer que um rosé não é mais do que um vinho que se quer fácil, agradável, refrescante, desconstraído. Confesso que não conheço um rosé que fosse um grande vinho, mas já vários me deram bom prazer.
Este, que aqui vem, é o melhor rosé do Verão e o melhor que me lembro de ter bebido.

Origem: Douro
Produtor: Niepoort
Nota: 6/10

Palácio da Bacalhôa 2003

Este é um vinho absolutamente internacional - o que não é bem uma virtude, mas não é forçosamente um defeito -, que marcha muito bem. É elegante, tem porte nobre, sabe estar à mesa... Só lamento o excesso de pimentão, no nariz e na boca... é o cabernet sauvignon a atacar!...

Origem: Regional Terras do Sado
Produtor: Bacalhôa Vinhos
Nota: 6,5/10

Cortes de Cima Touriga Nacional 2003

Já se sabe que o produtor é sério, mas seriedade não basta. Já se sabe que o produtor é reputado, mas uma opinião contra-maré não manchará a fama. O facto é que acho este vinho pretensioso e caro para o que é. Este vinho é aborrecidíssimo, uma chatice. Mas por que há gente que teima em fazer monovarietais? Que chatice ter de pedir desculpa para não beber um vinho de perfil internacional!... Esta mania, esta moda, esta teima do Novo Mundo é tão cansativa!

Origem: Regional Alentejano
Produtor: Cortes de Cima
Nota: 5,5/10

Cruz Miranda 2001

Há coisas do Diabo! Este vinho dá-me voltas na cabeça. Cada vez que o bebo vem diferente, mas sempre sem nódoa que se lhe aponte. O problema é que o acho melhor... e a «coisa» insiste. Em tempos achei-o merecedor de 6,5/10, mas agora vejo-me forçado a dar-lhe mais.
Ele é madeira, ele é especiarias, ele é tabaco, ele é flores... Um festim.

Origem: Regional Alentejano
Produtor: Teresa Uva Pessanha Barbosa da Cruz Miranda
Nota: 8/10