ponto de ordem à mesa

O mundo gira e dá voltas. Teimosamente às voltas. Pensava que o joaoamesa.blogspot.com estava morto ou, pelo menos, em estado de coma. Ou pior, sem qualquer sinal vital, ligado à blogosfera por nostalgia e arquivo. Mal morto, o blogue mantém o endereço, mas muda de título.

quinta-feira, outubro 11, 2007

Dolium Escolha Antão Vaz 2006

Os críticos encartados gostam de se colocar numa posição quase divina e dizem que se distanciam dos seus gostos quando fazem as suas provas. Seja. Será. Não acredito, mas pronto. Por mim reconheço que o meu gosto molda a maioria das minhas opiniões, embora não cegue as análises.
Vem tudo isto a propósito dum vinho que não sendo mau - no sentido de mal feito - aliás tido como muito bom não me passa no goto. O enólogo é de insuspeitável competência, com muitas provas dadas e bela reputação. Contudo, o vinho que é bom ou muito bom é insuportável.
Pesando o gosto e a necessária distância face ao objecto, julgo que este é dos vinhos que mais dificuldade me deu para chegar a uma nota equilibrada. Tentei ser justo comigo (opinião e gosto) e com o produtor (competência, empenho, conhecimento). Uma nota que não deixa de ser positiva, mas que fica aquém das expectativas para este produto, fama e preço.
Diz-se em português vernáculo: é um vinho cheio de mariquices. É demasiado delicado. Demasiado frutado. Demasiado fácil, que até chateia. Aliás, nem chega a agradar. É a ilustração da moda (nunca uma caricatura), no nariz e na boca. Tão frutado que é enjoativo... e floral como um guarda-fato de velha gaiteira.
Lamento: não gostei mesmo nada deste vinho aplaudidíssimo (provavelmente de forma acertada).
Com toda a certeza ouvirei: «Não gostas? Há quem goste, mais fica!»

Origem: Regional Alentejano
Produtor: Paulo Laureano Vinus
Nota: 4/10

Redoma Rosé 2006

Os vinhos rosés são muitas (tantas) injustiçados. Também não é novidade vir defende-los. Contudo, tenho a dizer que um rosé não é mais do que um vinho que se quer fácil, agradável, refrescante, desconstraído. Confesso que não conheço um rosé que fosse um grande vinho, mas já vários me deram bom prazer.
Este, que aqui vem, é o melhor rosé do Verão e o melhor que me lembro de ter bebido.

Origem: Douro
Produtor: Niepoort
Nota: 6/10

Palácio da Bacalhôa 2003

Este é um vinho absolutamente internacional - o que não é bem uma virtude, mas não é forçosamente um defeito -, que marcha muito bem. É elegante, tem porte nobre, sabe estar à mesa... Só lamento o excesso de pimentão, no nariz e na boca... é o cabernet sauvignon a atacar!...

Origem: Regional Terras do Sado
Produtor: Bacalhôa Vinhos
Nota: 6,5/10

Cortes de Cima Touriga Nacional 2003

Já se sabe que o produtor é sério, mas seriedade não basta. Já se sabe que o produtor é reputado, mas uma opinião contra-maré não manchará a fama. O facto é que acho este vinho pretensioso e caro para o que é. Este vinho é aborrecidíssimo, uma chatice. Mas por que há gente que teima em fazer monovarietais? Que chatice ter de pedir desculpa para não beber um vinho de perfil internacional!... Esta mania, esta moda, esta teima do Novo Mundo é tão cansativa!

Origem: Regional Alentejano
Produtor: Cortes de Cima
Nota: 5,5/10

Cruz Miranda 2001

Há coisas do Diabo! Este vinho dá-me voltas na cabeça. Cada vez que o bebo vem diferente, mas sempre sem nódoa que se lhe aponte. O problema é que o acho melhor... e a «coisa» insiste. Em tempos achei-o merecedor de 6,5/10, mas agora vejo-me forçado a dar-lhe mais.
Ele é madeira, ele é especiarias, ele é tabaco, ele é flores... Um festim.

Origem: Regional Alentejano
Produtor: Teresa Uva Pessanha Barbosa da Cruz Miranda
Nota: 8/10