quarta-feira, setembro 13, 2006

Tomba Lobos

Ando há que tempos para escrever sobre este restaurante e não o fiz antes por minhoquices da cabeça. Foi há coisa dum ano que lá fui e o belo do restaurante não me sai da cabeça. Não escrevi antes, porque há um ano não blogava e depois achei que não devia escrever sobre um sítio onde não punha os pés há tanto tempo. Pensei melhor e deixo as palavras com ressalva.
Tenho às voltas no paladar, a dar-me gozos, um belo carpácio de porco que ali provei e que mais não é do que toucinho. Uma delícia capaz de fazer vacilar a fé dum talibã! O belo prazer do carpácio fez-me esquecer as tibornas de tomate e esquecer a ausência, naquele dia, da orelha de porco grelhada. Lembro-me duma bela sopa de tomate e dum tornedó de rabo de boi... da sobremesa, confesso, que já não me recordo, mas sei que tudo foi de festança regada com um Altas Quintas 2004, produzido não muito longe dali.
A este restauraante sei que hei-de ir em peregrinação. Fiquei devoto do chefe José Júlio Vintém.

Cozinha regional alentejana de autor

Horário: 12h30 às 22h00
Encerra: domingos e segunda-feira à noite

Bairro da Pedra Basta, lote 16 r/c - Portalegre
Telefone - 245 331 214

O Cantinho da Clara

O local está duplamente escondido: fica na Carapinheira, ali perto de Montemor-o-Velho, não muito longe de Coimbra, e numa rua escondida. Mas lá dentro encontra-se facilmente o que comer, pois a sonoridade dos pratos fala fácil às lembranças e aos apetites, desde o polvo grelhado, ao cabrito assado, ao entrecosto com grelos ou ao arroz de cabidela. Antes veio morcela com pão frito.
A casa é simples, limpa e cuidada, o serviço atencioso, prestável e simpático, e a cozinha competente, tradicional e respeitadora. Fiquei bem satisfeito com a bela cabidela e contentes ficaram os que preferiram o polvo grelhado, que provei também. Não sei se me voltarei a perder por aquelas bandas, mas se acontecer irei repetir.

Largo do Alhastro - Carapinheira
Telefone - 239 621 395

terça-feira, setembro 12, 2006

Vivó Douro!

Ainda ontem abri uma garrafa de Vinho do Douro. Foi assim que festejei os 250 anos da demarcação da região vinhateira. Dizem que é a mais antiga do mundo. Dizem, mas não é bem verdade. No papel não o é, mas é-o na terra de xisto.
Ainda ontem estava de apetites simples e feliz por existir. Sentei-me à mesa e pedi arroz de cabidela, sem ironia com o folhetim com os batoteiros de Barcelos. Que bem me calhou a galinha com um despretencioso Quinta de la Rosa de 2003. Penso que não há forma melhor de se celebrar o Douro do que beber os seus vinhos.
Como bom português, o meu sangue é um rio com afluentes nascidos em muitas nascentes. Não venho dum só lugar. Pelo menos gosto de pensar assim. Se viesse viria de Lisboa, donde tenho um costado com várias gerações; sou dos poucos. Mas também do Alentejo. Lá de cima, atrás das montanhas das Beiras, não consta que tenha sangue recente. Porém, é do Douro o vinho que mais prazer me dá beber. O vinho também é sangue e as gentes durienses recebem-me tão simpaticamente como se fosse família.
A demarcação do Douro aconteceu porque andavam a assucatar os vinhos e as exportações ressentiam-se. O marquês de Pombal estabeleceu regras para produtores e comerciantes, em nome da qualidade e do comércio. A lei previa que os mixordeiros pudessem ser punidos até com a pena de morte. Coisa séria! Felizmente hoje já não se faz vinho a martelo, mas há ainda aldrabões no vinho, e até no Douro... há gente a fazer vinho que era preferível produzir batatas.
O Vinho do Porto do tempo da primeira demarcação era semelhante ao actual Vinho do Douro e só mais tarde a diferenciação veio a acontecer e a acentuar-se. Hoje, a região divide-se em Baixo Corgo, Cima Corgo e Douro Superior... está vasta e generosa, linda com os seus sucalcos, vales de reentrâncias, sombreados e inclinações, com a natureza bravia a querer furar a paisagem humanizada. O Douro é uma festa para todos os cinco sentidos.
Penso que uma lista dos melhores vinhos do Douro, tanto de tintos como de brancos, fortificados ou de pasto, dá um poema, seja qual fôr a forma da sua ordenança. Ainda que em escala e tamanhos diferentes, tenho no paladar e na cabeça prazeres feitos de Vale Meão, Maritávora, Poeira, Pintas, Redoma, Charme, Barca Velha, Chryseia, Vallado, Grantom, Gouvyas... Achou que poemei!...

Nota: Já sei que devia ter divulgado este texto a 10 de Setembro, data exacta do decreto do marquês de Pombal. Contudo, nesse dia não me apeteceu celebrar a efeméride nem abrir uma garrafa.

segunda-feira, setembro 04, 2006

Monte do Pintor 2001

Já tinha provado, em tempos, outros pintores deste monte e, muito embora, não tenha ficado embasbacado, estes tintos deixaram-me boa impressão. Ontem, confesso, o que me atraiu no Monte do Pintor não foi apenas a memória, mas o preço simpático a que estava a ser vendido no restaurante. Por que não experimentar e avaliar? Assim fiz e fiquei muito feliz com a decisão.
O Monte do Pintor é um alentejanão! Não engana! É um vinho fácil de se gostar. Tem um aroma quente, a torrefacção, logo no início e a prometer prazeres. Na segunda aproximação já vêm frutas maduras, que, ainda assim, não tapam por completo os aromas anteriores. Uma delícia! Na boca não desilude e é suave e redondo.

Nota: 6/10
Origem: Regional Alentejano
Produtor: Sociedade Agrícola da Sossega

Tapada da Torre Reserva 2001

Este tinto algarvio é uma excepção no panorama vinhateiro da região. Infelizmente é uma excepção, pois o Algarve anda muito mal servido de vinhos. É um vinho que se bebe com agrado. Está elegante e tem um perfil bastante internacional. Como lamento só tenho a apontar-lhe o facto de ter pouco de algarvio... tanto podia ter sido feito no Chile como na Austrália como na Califónia ou em Nenhures do Novo Mundo. Não é um defeito, é feitio, e este meu apontamento é mera implicância. Este vinho faz-se com as castas castelão, trincadeira, alicante bouschet e cabernet sauvignon. Esta última variedade nota-se no aroma e mais na boca sem que, contudo, se torne impositiva, não impestanto a bebida com o travo do pimento ou do pimentão. Está um vinho muito equilibrado e agradável.

Nota: 5,5/10
Origem: Portimão
Produtor: Quinta do Morgado da Torre