quinta-feira, dezembro 04, 2008

Maritávora Tinto Reserva 2006

Eis um típico do Douro. Um vinho com corpo e intensidade, rico em fruta vermelha e algum fumo. É um vinho bem equilibrado, onde a forte graduação alcoólica é invisível. Sofre forte concorrência dos muitos bons vinhos da região, onde não beneficia de tanta notoriedade. Porém, vale a pena a prova, de preferência com refeição, visto ser muito gastronómico.


Origem: Douro
Produtor: Quinta de Maritávora
Nota: 8/10

Maritávora Branco 2007

Esta é a grande novidade da casa, que lança pela primeira vez um colheita. E o resultado é feliz. É um vinho leve e cítrico, óptimo para o Verão, mas que aguenta bem carnes leves de Outono.


Origem: Douro
Produtor: Quinta de Maritávora
Nota: 6/10

Maritávora Branco Reserva 2007

Para mim este é um dos melhores brancos portugueses, possivelmente um dos top 3. É um vinho inteligente, que desafia o enófilo, com a sua complexidade, mas que seduz e se deixa ir com facilidade. É bem vivo e elegante.
As uvas deste vinho são um segredo involuntário do Douro, provenientes duma vinha muito velha. O solo xistoso é outra componente bem marcante, uma vez que confere grande mineralidade. Mas nele podem encontrar-se ainda notas cítricas. Nota-se ainda uma ligeira madeira, só a marcar presença, que lhe confere um fino fumo.


Origem: Douro
Produtor: Quinta de Maritávora
Nota: 9/10

quarta-feira, dezembro 03, 2008

Lima Mayer Petit Verdot 2006

Conheci este vinho ainda jovem, inacabado, e prometia. Provei-o hoje e confirmaram-se as promessas então esboçadas. Apresenta alguma austeridade de aroma de início, que depois se desenvolve em ameixa preta e trufas. É um vinho que preenche muito a boca, com bons taninos redondos.

Origem: Regional Alentejano
Produtor: Lima Mayer
Nota: 8/10

Declaração de interesses: Durante cerca de um ano fiz consultoria mediática a este produtor, não tendo, desde Junho deste ano, qualquer outra ligação com a Lift, empresa onde trabalhei e através da qual assessorei a firma Lima Mayer.

terça-feira, maio 06, 2008

Casa Ferreirinha Reserva Especial 1997

Este é um vinho onde vinga a elegância. A fruta está em licor e a idade deu-lhe charme. É fácil, porque é fácil dele se gostar. Não é fácil, porque a complexidade dá muito para descobrir.

Origem: Douro
Produtor: Casa Ferreirinha
Nota: 8/10

Altas Quintas Crescendo Branco 2007

Gostei, o que já é um hábito em relação aos vinhos deste produtor. E o que tem dentro este branco de cor citrina? Fruta tropical, quiçá ananás, e minério. Belo equilíbrio de estilo, em que a fruta não esmaga o mineral que lhe confere elegância.

Origem: Regional Alentejano
Produtor: Altas Quintas
Nota: 6,5/10

quarta-feira, abril 23, 2008

Casa Ermelinda Freitas Syrah 2005

Consta que foi a Câmara Municipal de Palmela que deu o alarme de que era português e palmelense o melhor vinho do mundo. Como se fosse possível haver um vinho melhor que todos os outros. Como se não houvesse momentos, gostos e inspirações.
Depois cairam em cima do comunicado muitos jornalistas crentes e/ou preguiçosos. Um comunicado garantia que aquele era o melhor vinho do mundo, logo era verdade. os princípios que devem reger o jornalismo eclipsaram-se pelo patriotismo, ignorância e sensacionalismo.
Não bastas vezes entram-me pelo blogue à procura do melhor vinho do mundo. A curiosidade é legítima, mas não tem uma só resposta. Desta vez telefonavam-me e interpelavam-me acerca deste vinho. Sempre as mesma explicações. Argumentavam-me sempre que a prova fora cega, como se isso fosse sinónimo de garantia absoluta, esquecendo-se de referir a concorrência e a humanidade dos jurados.
Ora, o vinho só ganhou na Vinalies Internationales 2008, que nem é o «melhor» concurso do mundo (não resisti à piada). Foi em Paris, não em Londres ou Bruxelas. E ainda que fosse, seria o mesmo. Uma medalha num concurso não significa o melhor do mundo. Tudo é muito relativo.
Mas quanto ao vinho? Não deixa de ser guloso e encantador. No nariz não é exuberante, é até austero. Mas está longe de ser o melhor vinho do mundo. É belo, mas não vale o preço em que o colocaram por causa dum comunicado sensacionalista.


Origem: Regional Terras do Sado
Produtor: Casa Ermelinda Freitas
Nota: 6,5/10

sábado, abril 19, 2008

Fabre Montmayou Gran Reserva Malbec 2005

Um tinto absolutamente recomendável. Notas de compota, erva e algum chocolate amargo. Quem me dera ter mais destas cá em casa.

Origem: Mendoza
Produtor: Bodega Fabre Montmayou
Nota: 8/10

sexta-feira, abril 04, 2008

Cavalo Maluco 2005

Acho o nome fantástico; fixa-se com facilidade, faz sorrir e conjuga-se com o vinho. Este é um tinto indomável, pujante, orgulhoso e até terno - gosta-se com facilidade, quero dizer. É muito taninoso e tem boa acidez pelo que será curioso prová-lo daqui por uns anos... se sobrar alguma das 3.000 garrafas produzidas. Faz-se com duas partes iguais de touriga nacional e touriga franca (45% cada) e petit verdot (10%). No nariz é um pouco austero, mas vai abrindo durante a refeição. Na boca traz à memória ameixas pretas, compota, tabaco e chocolate.

Origem: Regional Terras do Sado
Produtor: José Mota Capitão
Nota: 8/10

quinta-feira, fevereiro 07, 2008

Bastardinho de Azeitão 30 anos

Não esperava muito deste vinho, mas também não esperava pouco. Uma coisa me intrigava: por que razão desaparece um vinho? Na verdade, a pergunta deveria ser por que razão desaparecem umas determinadas vinhas. A resposta está em parte nas expectativas: nem bom nem mau. Aqui há uma injustiça na forma: o Bastardinho está claramente numa categoria de valor. A outra parte da resposta está no (Moscatel de) Setúbal.
Talvez se o Setúbal não disputasse território aproximado e, parcialmente, sobreposto o Bastardinho de Azeitão ainda vivesse. É quase aquela pergunta armadilhada dum anúncio: porquê algodão se pode ter seda?! Se um produtor pode fazer melhor e se o mercado reconhece essa qualidade, para quê continuar a produzir o Bastardinho se há o Setúbal?
Nisto há também lamento, porque o vinho é bom, leva esforço para nascer e, desta forma, desaparecem vinho e vinhas. Já não bastava não ter este vinho histórico uma Denominação de Origem Controlada própria, como lhe calhar ainda o azar de não ter quem lhe pegasse e o resgatasse com poder, tal como aconteceu com o Colares (Fundação Oriente) e Carcavelos (Estação Agronómica Nacional).

Origem: nd (Terras do Sado)
Produtor: José Maria da Fonseca
Nota: 6/10