sexta-feira, novembro 03, 2006

O Galito

Rua da Fonte, 18 D (ao largo da Luz - Carnide) - Lisboa
Telefone: 21 711 10 88
Cozinha Alentejana

Para entrada tenho a dizer duas coisas: que só lá fui ainda uma vez e que a reputação deste local já me vinha de há muito e de muito boa gente; boa gente no sentido da mesa, pois quanto a questões morais não faço comentários nem tenho ambições a padre.
Estive lá com mais três amigos, o que foi bom e deu para partilhar comezainas, e não saíu cara a brincadeira, tendo em conta o que se pediu e a qualidade servida. Entre faz-bocas, prato, sobremesa, vinho (três garrafas) e doses de cafeína/teína ficou a coisa em 30 euros a cada um. Ajuize cada um como quiser, sendo que o fará melhor no final da crónica.
Pois para fazer sala antes da comidinha maior vieram umas azeitonas marteladas (bem sei que o termo não é este, mas sei que percebem), um peito de frango desfiado e umas favas com linguiça. Como as propostas regionais alentejanas são, por regra, pesadas, optou-se por evitar entradas... exceptuando uns torresmos. Uns verdadeiros e tradicionais, feitos de refolhos viscerais do bicho. De todos os estreantes, os torresmos pareceram-me os mais interessantes, bem temperados, sem exagero de sal e bem gulosos. Contudo, estava toda a mesa bem apaladada.
Vieram depois os pratos: Um deles foi uma açorda de galinha, que chegou aldrabada, esquecida do grão de bico. O empregado lembrou o patrão da casa que o desmentiu em frente aos clientes, mas o rapaz certo do seu saber informou-se na cozinha e acertou o prato e o engano. Avalie o leitor como quiser a situação. Quanto ao sabor, estava a sopa bem equilibrada quanto aos coentros e rica em carnes. Dois dos presentes repetiram o pedido e vieram dois entrecostos com migas, com a carne acertada no tempero do pimentão e no sal e o pão compactado nada enjoativo (o que infelizmente é muito comum). O prato restante foi de pézinhos de coentrada e, não sendo os melhores já provados, estavam de chorar por mais, e mais uma vez a mão de quem cozinha teve contenção nos temperos.
Durante o repasto beberam-se três garrafas de Convento da Tomina de 2005, que apesar dos seus 14,5% de álcool se mostrou bem equilibrado. O restaurante conta com uma belíssima carta de vinhos, com forte presença de referências alentejanas, obviamente, mas não apenas. Por ali existem bons exemplos doutras regiões, nomeadamente do Douro. De notar apenas a anedota que é o excesso de regionalismo alentejano na carta vínica, que se torna bairrismo, com a existência de regiões vinícolas que nem sequer existem. Em comparação aos preços que se vêem em muitas casas, não pareceram os vinhos demasiado inflacionados (no padrão português). Custou o Convento da Tomina 15 euros por garrafa.
O serviço mostrou-se simpático, atento e competente.
Por tudo isto, este é um restaurante a repetir. Não para tirar nada a limpo, mas porque o primeiro embate foi francamente positivo.

7 comentários:

P.Rosendo disse...

Tu és mesmo lixado.. apesar da critica benéfica arranjas sempre algo a criticar (não entendi essa do excesso de regionalismo). Conheço bem o restaurante, felizmente para mim. E nada tenho a apontar contra, a não ser que criou fama e está sempre cheio.

João Barbosa disse...

se o meu amigo soubesse ler... ora leia lá novamente a ver se percebe.

P.Rosendo disse...

Eu sei ler e li bem o que escreveste, apesar de não achar muito importante esse aspecto numa carta como a deste restaurante.. eheheheh

P.Rosendo disse...

Eu sei ler e li bem o que escreveste, apesar de não achar muito importante esse aspecto numa carta como a deste restaurante.. eheheheh

Nuno de Oliveira Garcia disse...

João, que bela descrição!

Eu também conheço bem o sítio. E gosto muito. A sala continua a ser pequena para tanta clientela (a sala antiga era ainda mais pequena). O preço por vezes também sobe demasiado, é, pelo menos, a minha experiência. Mas gosto muito.

N.

Kroniketas disse...

Eu também conheço, aliás conheci a antiga tasquinha na esquina junto à igreja. Aprovo.
Quanto ao regionalismo, acho curioso esse comentário (não percebi foi a das regiões que não existem), porque uma das coisas que acho que os restaurantes regionais deviam fomentar era precisamente o vinho da própria região. Na Páscoa fui de passeio até ao Douro e fui sempre bebendo vinhos das regiões onde passava. O curioso é que na primeira paragem, em Tancos, no restaurante Almourol, quase só havia vinhos alentejanos, quando o que eu queria era um vinho ribatejano. Destes havia muito pouca escolha.

João Barbosa disse...

Pois, acho muito bem que fomentem o vinho das regiões e das localidades, não podem é criar denominações de origem a seu belo prazer...