sexta-feira, setembro 10, 2010

L'and Vineyards - Uma vindima urbana sob o sol alentejano

A primeira vindima «à seria» do projecto L’and Vineyards decorreu sábado, 5 de Setembro, em Montemor-o-Novo. Para o trabalho agrícola foram convidados a vindimar potenciais clientes e parceiros no negócio. Este projecto vai reunir as vertentes habitacional, turística e vínica, em 66 hectares de paisagem alentejana.
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Em Montemor-o-Novo estiveram cerca de 200 pessoas de tesoura de podar na mão, luvas para proteger e panamás de palhinha para abrigar do forte sol alentejano. A equipa de Paulo Laureano, uma das principais figuras da enologia alentejana e nacional, está encarregada da coordenação do trabalhos enológicos.
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Para a realização das primeiras vindimas L’and Vineyards, Paulo Laureano explicou detalhadamente como se processa a vindima. Estando as uvas no grau de amadurecimento ideal, a colheita dos cachos teve início na manhã de domingo, com a ajuda de todos os convidados, seguindo-se o transporte das caixas para a adega.
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Aliás, esta vindima, realizada com muita mão-de-obra urbana teve também os seus momentos caricatos, com algumas convidadas com calçado pouco prático para andar no campo. Em vez das indicadas botas ou calçado desportivo, houve quem fosse ao engano, com sabrinas e sapatos de salto.
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A inovação não está no empreendimento imobiliário nem tampouco na sua vertente hoteleira, mas no conceito subjacente. Os sete hectares de vinha são propriedade dos condóminos, em parceria técnica com a família Sousa Cunhal. A vertente turística será explorada pelo Grupo Lágrimas.
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A vinha, dividida em variedades tintas e brancas, é toda explorada em regime de produção biológica, em que não são utilizados quaisquer químicos de síntese, mas apenas produtos naturais. Aliás, a agricultura biológica é uma tradição e ponto assente da família Sousa Cunhal.
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As cepas, plantadas em 2007, são compostas pelas variedades touriga nacional, touriga franca e alicante bouschet (tintas) e verdelho e arinto (brancas). Cada proprietário terá a sua parte de vinha, com que fará o seu vinho exclusivo ou em associação com outro condómino. A decisão será sempre sua.
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Na realidade, este é o segundo ano de vindima. Porém, no ano passado foi apenas de teste e de acerto. Em 2009 foram produzidas apenas cinco mil garrafas. Os primeiros vinhos L’and vão estar concluídos em Fevereiro do próximo ano. Cada proprietário de moradia pode escolher o seu modelo de garrafa, fazer o seu rótulo e escolher o perfil do seu vinho. A consultoria técnica é do enólogo Paulo Laureano.
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O empreendimento terá adega própria, em que cada proprietário fará e estagiará o seu vinho. Esta unidade funcional está localizada no módulo em que se situam o hotel e clube vínico. A unidade hoteleira será explorada pelo Grupo Lágrimas.
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Outro ponto importante é a qualidade arquitectónica do projecto. Desta forma, cinco ateliês de arquitectura desenharam diferentes módulos do empreendimento. A L’and Vineyards encarregou os estúdios de Carrilho da Graça, José Paulo Santos, Promontório, Pater Maekly e Sergison Bates.
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O empreendimento implica um investimento de 50 milhões de euros, dos quais cerca de 32 milhões são referentes à parte de moradias. A unidade hoteleira representa perto de 15 milhões. A componente vínica não vai além de 3 milhões de euros.
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Enquanto se dão os primeiros passos no domínio agrícola, as vertentes habitacional e a hoteleira terão a sua primeira fase concluída no primeiro trimestre de 2011. A segunda etapa deverá arrancar na mesma altura.
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A parte residencial é composta por vilas e moradias em banda. As residências estarão enquadradas na natureza, entre terrenos sem cultivo, pomares, olivais e montados. De acordo com os promotores do projecto, a componente ambiental e paisagística é a âncora do empreendimento.