quinta-feira, abril 08, 2010

Como fazer «Champanhe» em casa

A minha mãe, que é um doce, ofereceu-me um livro delicioso: «Escola de Noivas», de Laura Santos. Pelo título se deduz que é coisa antiga, do tempo em que as senhoras estavam em casa e cuidavam dos filhos e marido.
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Pois eu, que não sou casado, não senti como uma indirecta para que contratualize um relacionamento. O presente veio por causa duma receita e logo me agradou. Gosto de livros, gosto de livros com idade, gosto de ver o que se gostava noutros tempos, gosto de comida e assuntos de mesa… logo, gostei. O livro até ensina etiqueta, vejam bem.
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A «Escola de Noivas» tem dicas e sugestões importantes, conselhos pertinentes e ensinamentos abundantes. Um há que bateu todos os recordes; a receita de Champamhe, sem aspas nem itálico. Deixo aqui, na íntegra, o modo de o fazer. Agora é fácil e podem divertir-se em casa…
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«Vinho branco – 10 litros
Açúcar – 400 gramas
Bicarbonato de sódio – 60 gramas (dividido em 13 papéis)
Ácido tartárico – 50 gramas
Garrafas – 13
Rolhas novas – 13
Arame – 13 pedaços de 42 centímetros cada
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Dissolve-se o ácido tartárico, em uma pequena porção de vinho, junta-se o açúcar e mais um litro de vinho, filtra-se esta mistura para o garrafão onde estão os restantes 9 litros de vinho.
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Enchem-se as 13 garrafas próprias para champanhe deixando uns 5 centímetros por encher. Depois das rolhas fervidas e do vinho todo engarrafado, procede-se ao arrolhamento, parte essencial deste trabalho, porque tem de ser muito rápido
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Deita-se o conteúdo de um papel de bicarbonato numa garrafa e imediatamente se rolha, antes que ferva. Bate-se a rolha até introduzir completamente. Por fim coloca-se arame do mesmo modo como tem qualquer garrafa de champanhe».

12 comentários:

gisela disse...

Esse livro é o máximo, a minha mãe também o tem...é engraçado ver os conselhos e dicas que davam às mulheres naquela época.

Anónimo disse...

Gostava de ver o livro para poder dar alguns conselhos à minha filha, e já agora à mãe. Abr mgm

EuSouGourmet disse...

João,
Espero que guardes uma dessas 13 garrafas para eu provar!
Abraço
V

Mila disse...

Não tenho esse mas tenho "A Mulher na Sala e na Cozinha" da mesma autora e que é precioso! :) Todas a mulheres da família o têm e todas edições diferentes e sempre melhoradas ;) o da minha mãe (81 anos) ainda é de capa dura, vermelha e letras douradas, com as folhas bem amarelecidas e com anotações/emendas a lápis que ela foi feito ao ,longo de tempo e de muitas experiências (claro que já copiei algumas! :)), o da minha irmã (55 anos) já é mais 'moderno', o meu (44 anos) é a 16ª edição! e o da minha sobrinha (27 anos) é bem mais 'giro'. Vi no site da editora que ainda se vende, já vai na 19ª edição.
É muito prático e tem até uma secção de receitas para cada dia da semana onde se aconselha, por exemplo, fazer o jantar com 'restos'/sobras do almoço. :) bem a calhar nos tempos de crise que correm. ;)))

Bjs,
Mila

João Barbosa disse...

Gi... mas a menina é uma lady, não precisa destes conselhos.
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MGM... claro, com certeza que to mostro e até deixo tirar fotocópias.
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Vicente... temos de fazer esta cena, acho que vai ser partir de rir.
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Mila... pelo que me contas a temática não é assim muito diferente, porque este também tem protocolo. O meu é de capa verde.

Anónimo disse...

bons dias gostaria de saber que tipo de rolha se utiliza cumps...

Joao Barbosa disse...

Bom dia caro anónimo,

para mim, esta experiência, para ser verdadeiramente fiel ao espírito, faria com as rolhas próprias para espumante. infelizmente não sei onde se podem comprar.

cumprimentos,
João

Anónimo disse...

acabei de ver um programa aqui Brasil, mostrando onde se faz o champanhe. Na Provence la na França. As Garrafas ficam num tunel de cem kilometros,. Muito intereressante, Sera que eles tambem usam essa receita de champanhe?
Achei sensacional;

meu email
telmontes@hotmail.com

Joao Barbosa disse...

Olá

esta receita é uma inocência e resulta de desconhecimento da autora do livro de onde a tirei.

o Champanhe, como a maioria dos vinhos espumantes, resulta duma segunda fermentação em garrafa e nada do que vem descrito nesta receita.

Este texto acaba por ser uma anedota.

só uma correcção: o Champanhe não se faz na Provença.Este vinho faz-se na região de Champanhe. Só o vinho espumante que se faz em Champanhe se pode denominar por Champanhe

Paulo Manuel Campos Magalhães Costa disse...

Fiz a experiência de juntar Bicarbonato de sódio ao vinho (4gr / litro), deu gás, mas altera o sabor do vinho, ou estou errado? Gostaria que comentassem

Paulo Manuel Campos Magalhães Costa disse...

Adicione bicarbonato de sódio ao vinho. Deu gás, mas também alterou o sabor do vinho. Agradecia um comentário

João Barbosa disse...

Caro Paulo Manuel Campos Magalhães Costa, está tudo errado! :-) a culpa não é sua, não fez nada de mal.
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Esta receita é apenas uma «piada» pela ingenuidade da escritora do livro «Escola de Noivas».
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O fabrico de Champanhe, termo que só pode ser utilizado quando diz respeito àquela região francesa, consiste numa segunda fermentação, desencadeada dentro da garrafa. Antigamente chamavam-lhe «champanhês», mas a terminologia foi interditada por acção em tribunal por parte do organismo de certificação de Champanhe.
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Hoje, a designação é «método clássico». Mas há outras formas de produzir espumantes (em Champanhe é obrigatório o sistema «clássico»), que são mais baratas, mas que não resultam tão bem.
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Esta receita é uma total adulteração do vinho. Nenhum apreciador de vinho tem obrigação de dominar as técnicas de vinificação, nem saber tudo de A a Z (coisa que duvido que alguém saiba).
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É como eu com os carros... gosto muito, mas não sei de mecânica. :-)
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O grave é quando alguém escreve livros com disparates. A senhora, que seria certamente muito simpática e prendada, não sabia (devia porque escreveu) que Champanhe é só o vinho de Champanhe e que não se produz do modo como indicou.
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Mas deixe que lhe «tire o meu chapéu»... teve mais coragem do que eu, que não tentei fazer «Champanhe»... Mas no ano passado armei-me em enólogo (aprendiz de feiticeiro) caseiro, comprei vinhos monocasta e «fiz» um vinho (supostamente complexo)... não resultou bem. :-) /// deu para a risota com os amigos.