sexta-feira, outubro 27, 2006

A Camponesa

Rua Marechal Saldanha, 25 (Bica)
Telefone: 213464791
Cozinha tradicional portuguesa, com especialidades minhotas, transmontanas, alentejanas e algarvias.

Conheci este restaurante quando era um tasco a puxar para o gorduroso, pelo que criei um preconceito e, logicamente, recusei-me a frequenta-lo. O tempo passou e mudou a gerência ou se não mudou mudaram, pelo menos, os hábitos da casa. Voltei lá há relativamente pouco tempo e fui contrariado, não convencido, mas vencido pelo cansaço da argumentação e pelo crédito do insistente interlocutor. Acabei por ter de dar a mão à palmatória.
A Camponesa de hoje não tem, felizmente, nada a ver com o que foi outrora. Desde logo a aparência da casa, que agora está mais «fashion» com cores vivas, com o «positivo» cor-de-laranja ou não estivesse situado no agora alternativo bairro da Bica, mesmo junto ao Bairro Alto. A nova roupagem visual alargou os horizontes da pequena sala, que antigamente parecia mais acanhada. Os atendedores são simpáticos, atentos, rápidos e educados, embora nem sempre informados acerca dos pratos.
Quanto ao que mais importa: a paparoca... A comida tem o tom das antigas casas de pasto, algo entre o caseiro e o restaurante, entre o familiar e o profissional, o que dá um encanto muito próprio e muito português. Nem sempre este atributo é positivo, mas aqui resulta muito bem. Não se esperem grandes voos, mas o que vem da cozinha vem bem feito e apaladado. Dá gozo, sobretudo, perceber o empenho com que esta gente faz o seu trabalho. Nota-se que quem dirige a casa e quem cozinha desempenha as suas funções com gosto, que se esforça no desenho das ementas e na escolha dos produtos que leva à mesa. A lista em si não tem nada que transcenda a imaginação e faça crescer a água na boca, está tudo na tradição portuguesa. Já provei vários pratos e saí sem desilusão, com excepção duma em que pedi costeletinhas de borrego grelhadas e cujo sabor trazia um pouco de bedum. De resto, boas postas de bacalhau, bom polvo, etc, etc, etc.
O esmero, o empenho e o brio nota-se também num pormenor... aliás, num pormaior: a temperatura do vinho. A Camponesa investiu numa garrafeira climatizada para que os vinhos estejam à temperatura ideal de se beberem. À custa de muitos tasqueiros deste país, talvez a maioria, não perceberem nada do seu trabalho, os portugueses habituaram-se a tolerar vinho quente no Verão e frio no Inverno. Este facto já tem causado peripécias aos responsáveis de A Camponesa. Ainda bem, é bom sinal, pois só mostra estão no certos e que fizeram bem adquirir a garrafeira climatizada.
O vinho da carta é acertado para os pratos da ementa. Vinhos bons, honestos, simples e sem grandes pretensões e, felizmente, sem preços estapafúrdios. Embora pudessem estar menos caros, no panorama português não deixa de ser positivo o patamar a que são comercializados.
Não se pense, por tudo isto, que os preços são exorbitantes, porque não são. Não se julgue que é o melhor restaurante do mundo ou mesmo de Lisboa, que não o é. No entanto, é uma casa boa de se frequentar e, absolutamente, o melhor da sua faixa de preço e da sua gama.

quarta-feira, outubro 25, 2006

Revista de Vinhos: um mau trabalho

Merece alguma estranheza o trabalho sobre os vinhos tintos de topo do Alentejo, incluíndo classificados como regionais, apresentado na edição de Outubro da Revista de Vinhos. A publicação apresenta 60 vinhos com as devidas nota de prova, sobre as quais nada tenho que apontar ou duvidar. O que me causa estranheza é a ausência de alguns tintos, como o Pêra Manca ou o Altas Quintas Reserva, e a presença de vinhos que sendo topo de gama do produtor não são do mesmo campeonato doutros em disputa.
A isto tudo sobrevém uma suspeita comercial, que é a a intrigante bola que a revista coloca a indicar a melhor compra. Porquê? Jornalisticamente é muito arriscado, senão mesmo condenável, afirmar o certo e o errado.
Na verdade, há segundos vinhos, e até terceiros, de algumas casas melhores do que primeiros de outras, mas talvez se deva compreender esta prova por incluir apenas os primeiros vinhos das casas. É um critério! É um pouco tonto, mas é um critério! Mas então, por que aceitar a presença do Cartuxa? O Pêra Manca ficou de fora e entra o segundo vinho? Não tem lógica! Bem, o Pêra Manca não sai todos os anos, mas a nota introdutória do texto admite a possibilidade de envio de vinhos de anos diferenciados, não havendo a imposição dum ano em concreto. Portanto, não há lógica. O problema está, certamente, em que a Revista de Vinhos não se quis dar ao trabalho de comprar ou de tentar encontrar no mercado uma garrafa de Pêra Manca como faz o comum mortal, por motivos de custos, de preguiça ou de princípio. Assim, prestou um mau serviço aos leitores.

segunda-feira, outubro 23, 2006

Charutos

Não há nada melhor do que um bom charuto para culminar um bom repasto. Ando há uns tempos para escrever esta verdade, não porque seja um grande contributo para a comunidade dos gulosos - porque não o é, diria até que é uma banalidade -, mas porque neste sítio justifica-se assinalar um espaço para fumadores, uma sala de fumo.
Não há nada melhor do que um bom charuto para culminar um bom repasto e visto ser este apenas um texto para marcar uma posição e não ser um tópico sobre um charuto em concreto, deixo umas fumaças de três charutos que muito aprecio... que por acaso só um ainda marca presença na caixa lá de casa: Montecristo Nº1, Partagas Lusitania e Cohiba Esplendido.

domingo, outubro 22, 2006

Vinha do Tanque Reserva 2002

Andava eu às voltas em casa com apetites, como uma grávida, quando descobri na minha secção de vinhos do Douro uma garrafa de Vinha do Tanque Reserva 2002. Juro que não sei como ela me veio parar à posse e ainda menos quem ma possa ter trazido. Agarrei nos apetites todos e estendi os petiscos na mesa: enchidos, queijos e pão. Abri a dita garrafósia e espantei-me como no Douro ainda fazem vinhos destes. O líquido é rústico e abusado sentimento do álcool. Peço desculpa aos ingredientes por lhes ter faltado ao respeito. Nota muito negativa também para a rolha de produto sintético.

Nota: 2,5/10
Região: Douro
Produtor: Castelinho Vinhos
Álcool:13%

segunda-feira, outubro 16, 2006

Varga Tokaji Hárslevelü

Este foi o meu primeiro Tokay de pasto e também o primeiro que não é feito com uvas afectadas pelo fungo botrytis cinerea (podridão nobre). Por isso, não tenho grande termo de comparação com outros Tokay húngaros ou eslovacos do mesmo género. Todavia, este pareceu-me substancialmente menos complexo do que os Tokay de três puttonyos (três cestos de uvas com fungos por 80 litros) e muito menos do que os de cinco puttonyos por mim já provados.
Quanto às impressões causadas: achei-o frutado, com muito açúcar de fruta, e algum remédio... Simples e despretencioso. Apesar da definição, não calhou desagradável e alinhou muito bem com uma esparguetada com alho e presunto.
Agradeço (muito, muito) à Mafalda a experiência que me proporcionou.

Nota: 4/10

Produtor: Varga Badacsonyörs
Região: Tokay (Hungria)
Álcool: 11%

quarta-feira, outubro 11, 2006

Vinhos provados em 2005

Generosos e Licorosos
Graham's Vintage Malvedos 1987 - Vinho do Porto - 8,5
Churchill's Vintage Quinta da Água Alta 1987 - Vinho do Porto 7,5
Dow's Vintage Quinta do Bonfim 1987 - Vinho do Porto - 7
Warre's Otima 20 anos (tawny) - Vinho do Porto - 7
Niepoort Vintage 1987 - Vinho do Porto - 6,5
Warre's Vintage Quinta da Cavadinha 1987 - Vinho do Porto - 6,5
Quinta de Vale Meão Vintage Port 2001 - Vinho do Porto - 6
Quinta de la Rosa LBV 1998 - Vinho do Porto - 6
Taylor's Vintage Quintas das Vargellas 1987 - Vinho do Porto - 5,5
JP Moscatel - Setúbal - 5,5
Fonseca Vintage 1987 - Vinho do Porto - 5,5
Porto Caúnho LBV 1999 - Vinho do Porto - 5,5
Ramos Pinto Porto 10 anos Quinta da Ervamoira (tawny) - Vinho do Porto - 5
Alambre 2000 - Setúbal - 5
De La Force Corte 1987 - Vinho do Porto - 5
Adega Cooperativa de Favaios - Moscatel do Douro - 4,5
Croft Vintage Roeda 1987 - Vinho do Porto - 4
Quinta do Infantado 10 anos (tawny) - Vinho do Porto - 4
St-Bart Tawny Tawny 10 ans - Vinho do Porto - 2
Mariota - Vinho Licoroso - 1

Espumantes
Quinta de Soalheiro Super Reserva Bruto 1999 - Vinho Verde (Monção) - 7
Chão do Prado Reserva 2003 - Bucelas - 6
Luís Pato Maria Gomes 2004 - Bairrada - 6
Côto de Mamoelas 2003 - Vinho Verde (Monção) - 5,5
Quinta das Bágeiras Grande Reserva 1996 - Bairrada - 5
Chão do Prado Super Reserva 2000 - Bucelas - 4
Quinta das Bágeiras Reserva 2001 - Bairrada - 4
Luís Pato Casta Baga - Bairrada - 4
Quinta de Lousada 2002 - Vinho Verde - 2
Quinta de Lousada 2001 - Vinho Verde - 2
Fragância Meio Seco 2003 - (sem especificação) - 2
Terras de Felgueiras - Vinho Verde - 1
Bas Tinho 2004 - Vinho Verde - 1

Colheitas Tardias
Tokaji Aszú 3 puttonyos 1983 - Tokay da Hungria - 6
Chão do Prado 2003 - Bucelas - 5

Brancos de Pasto
Quinta do Monte d'Oiro Viognier 2003 - Regional Estremadura - 8
Conventual Reserva 2004 - Regional Alentejano - 7
Soalheiro 2004 - Vinho Verde (Monção) - 7
Boa Nova 2004 - Regional Alentejano - 6
Castello d'Alba Reserva 2004 - Douro - 6
Porca de Murça Reserva 2003 - Douro - 6
Tormes 2003 - Vinho Verde - Baião - 6
Krebs-Grode Riesling Spätlese 2002 - Reno - 6
Santiago 2003 - Bairrada - 6
Prova Régia 2004 - Bucelas - 5,5
Adega de Pegões Colheita Seleccionada 2004 - Regional Terras do Sado - 5,5
Quinta da Pedra 2004 - Vinho Verde (Monção) - 5,5
Gutsverwaftung Stifungsweingut 2004 - Mosela - 5,5
Riesling 2001 (Eduardo Francisco Bessa Costa Seixas) - Regional Trás-os-Montes - 5,5
Muralhas de Monção 2002 - Vinho Verde (Monção) - 5
Senhoria 2004 - Vinho Verde (Monção) - 5
Planura 2004 - Regional Alentejano - 5
Visconde de Alcacer 2003 - Regional Terras do Sado - 5
Aveleda Meio Seco - Vinho Verde - 5
Calhandriz 2004 - Regional Estremadura - 5
Casa de Vila Verde 2004 - Vinho Verde - 5
Encostas de Estremoz 2004 - Regional Alentejano - 4,5
Quinta de Abrigada 2002 - Alenquer - 4,5
Barrosinha 2003 - Regional Terras do Sado - 4,5
Gaião 2004 - Regional Alentejano - 4,5
Quinta do Cardo 2004 - Beira Interior - 4,5
Julieta 2003 - Douro - 4,5
Quinta de Lourosa Pedernã 2003 - Vinho Verde - 4
Bucellas 2004 - Bucelas - 4
Tormes 2004 - Vinho Verde - 4
Chão do Prado Colheita Seleccionada 2002 - Bucelas - 4

Rosados
Encostas do Tua 2004 - Douro - 5
Quinta da Lagoalva 2004 - Regional Ribatejano - 5
Quinta do Monte d'Oiro Clarete 2002 - Regional Estremadura - 4,5
Quinta do Monte d'Oiro Clarete 2003 - Regional Estremadura - 4,5
Lagar de Darei (2004) - Dão - 4
Casa de Mateus Alvarelhão 2003 - 3
Conde de Vimioso 2004 - Regional Ribatejano - 4
CARM 2004 - Douro - 3
Quinta do Monte d'Oiro Clarete 2004 - Regional Estremadura - 3

Tintos de Pasto
Echezeaux de Romanée Conti 1987 - Borgonha Romanée Conti - 10
Quinta do Vale Meão 2002 - Douro - 9
Pintas 2003 - Douro - 8
Quinta da Gaivosa Vinha de Lordelo 2003 - Douro - 7,5
Quinta das Bágeiras 2002 - Bairrada -7
Mouchão 2001 - Regional Alentejano - 7
Quinta do Vale de Dona Maria Sarzedinho 2003 - Douro - 7
Pontual Touriga Nacional Trincadeira 2004 - Regional Alentejano - 6,5
Pontual Reserva 2000 - Regional Alentejano - 6,5
Quinta do Côa 2003 - Douro - 6,5
Meandro 2002 - Douro - 6,5
Quinta dos Carvalhais Touriga Nacional 2000 - Dão - 6
Maritávora 2003 - Douro - 6
Pontual Syrah 2004 - Regional Alentejano - 6
Dolium 2001 - Regional Alentejano - 6
Corvo 2003 - Sicília Casteldaccia - 6
Chocapalha Cabernet Sauvignon 2003 - Regional Estremadura - 6
Chocapalha 2003 - Regional Estremadura - 6
CARMIM Trincadeira 2003 Regional Alentejano - 5,5
Quintas das Cerejeiras Reserva 1998 - Óbidos - 5,5
Encostas de Estremoz Selelecção Touriga Franca 2003 - Regional Alentejano - 5,5
Herdade do Pinheiro 2002 - Regional Alentejano - 5,5
Pontual Syrah 2003 - Regional Alentejano - 5
Pontual Touriga Nacional Trincadeira 2003 - Regional Alentejano - 5
40º Aniversário (Adega Cooperativa de Valpaços) 1994 - Valpaços - 5
Quinta das Bágeiras Garrafeira 2001 - Bairrada - 5
Quinta de la Rosa 2002 - Douro - 5
Quinta de S. José 2001 - Douro - 5
Quinta de Cabriz Superior 2000 - Dão - 5
Quinta dos Grilos 2003 - Dão - 5
Pegos Claros Reserva 2004 - Palmela - 5
Quinta das Baceladas 2001 - Regional Beiras - 5
Encostas de Estremoz Selelecção Touriga Nacional 2003 - Regional Alentejano - 5
Adega Cooperativa de Borba Reserva 2001 (rótulo de cortiça) - Alentejo (Borba) - 5
Pingo Doce Palmela Colheita Seleccionada 2003 - Palmela - 5
Cortes de Cima 2001 - Regional Alentejano - 5
João Pires 2004 - Terras do Sado - 5
Marquês de Borba 2004 - Alentejo - 5
Foral de Albufeira 2004 - Regional Algarvio - 5
Quintas das Hidrângeas 2004 - Douro- 5
Zimbro 2004 - Douro - 5
José de Sousa 2002 - Regional Alentejano - 5
CARMIM Aragonês 2000 - Regional Alentejano - 4,5
Bom Juiz Reserva 1999 - Alentejo (Reguengos) - 4,5
Monsaraz Museu Aberto Reserva 2000 - Alentejo (Reguengos) - 4,5
Soporcel 1999 - Regional Alentejano - 4,5
Pasmados 1999 - Terras do Sado - 4,5
Gaião Reserva 2001 - Regional Alentejano - 4,5
Pegos Claros 1999 - Palmela - 4,5
Encostas de Estremoz Selelecção Trincadeira 2003 - Regional Alentejano - 4,5
Encostas de Estremoz Selelecção Alicante Bouschet 2003 - Regional Alentejano - 4,5
Calços do Tanha 2003 - Douro - 4,5
Herdade Porto da Bouga Reserva 2003 - Regional Alentejano - 4,5
Herdade da Bombeira 2004 - Regional Alentejano - 4,5
Periquita 2002 - Terras do Sado - 4,5
Vertice 2001 - Douro - 4,5
Romeu 2001 - Douro - 4
Esporão Reserva 2002 - 4
Conventual Reserva 2003 - Regional Alentejano - 4
Vinha Conchas 2003 - Regional Estremadura - 4
Herdade da Espirra 2001 - Palmela - 4
Quinta de S. José 2002 - Douro - 4
Casa de Mouraz 2002 - Dão - 4
Caves Velhas Garrafeira 1980 - 4
Pingo Doce Palmela 2002 - Palmela - 4
Barrosinha Colheita Selecionada 2003 - Regional Terras do Sado - 4
Vinhas do Convento Reserva 2000 - Bairrada - 4
Herdade de São Miguel 2003 - Regional Alentejano - 4
Quinta dos Aciprestes 2000 - Douro - 4
Quinta do Cardo 2003 - Beira Interior - 4
Calhandriz 2003 - Regional Estremadura - 4
Cistus Reserva 2003 - Douro - 4
Dão Reserva Pingo Doce 2003 - Dão - 4
Vinha de Mazouco Reserva 2003 - Douro - 4
Lagoa Reserva 2004 - Lagoa - 4
Domingos Soares Franco Colecção Privada Touriga Nacional 2003 - Terras do Sado - 4
Encosta da Penha 2003 - Terras do Sado - 4
Terras de Estremoz 2003 - Alentejo - 4
Fronteira 1999 - Douro - 4
Planura Reserva 2003 - Regional Alentejano - 4
Planura Syrah 2004 - Regional Alentejano - 4
Planura 2003 - Regional Alentejano - 3,5
Desigual 2003 - Regional Alentejano - 3,5
Gaião 2003 - Regional Alentejano - 3,5
Morgado da Canita 2003 - Regional Alentejano - 3,5
Beira Mar Garrafeira 1987 - 3
Capote Reserva 2001 - Regional Alentejano - 3
Quinta de Abrigada 2000 - Alenquer - 3
Boa Nova 2001 - Regional Alentejano - 3
Val da Clara 2002 - Douro - 3
Cheda 2000 - Douro - 3
Foral Grande Escolha 2000 - Douro - 3
Herdade de São Miguel 2004 - Regional Alentejano - 3
Altano 2003 - Douro - 3
Montes Ermos 2004 - Douro - 3
Lagoa 2004 - Lagoa - 3
Encostas da Vilariça 2001 - Douro - 2
Casalinho Reserva 2003 - Douro - 2
Castelinhos Reserva 2001 - Douro - 2

segunda-feira, outubro 02, 2006

Dom Tonho

Este restaurante situa-se na bela Ribeira portuense, com vista para o rio e para Gaia, mesmo junto à ponte Dom Luís. O espaço é feito da pedra da casa antiga, mas também da modernidade: é bonito e arranjado. A cozinha é a tradicional portuguesa, com forte pendor para a do Norte de Portugal. O serviço é simpático e atento, embora no dia da minha visita tenha havido alguns contratempos devidos à sobrelotação da casa. Porém, assim que arrumado na mesa, tudo correu de feição.
Para a mesa vieram uns mexilhões com cebola e tomate, que prometendo mais à vista, estavam bem gostosos, e cubos de bola. Depois seguiram-se os pratos: lombos de veados e tripas à moda do Porto. O «Bambi» estava saboroso e tenro e o segundo guloso. Valeu a pena a espera e a escolha do restaurante. Para sobremesa apontei para um apetitosíssimo pudim abade de Priscos, com um sabor levemente exagerado a fumado, devido à escolha de presunto para a sua elaboração.
De negativo a apontar está a parte vínica: a carta é muito curta, os preços estão estupidamente elevados, há proporcionalmente um exagero de alentejanos, escasseiam os durienses e o custo dum Vintage é proibitivo (20 euros o cálice).
A conta foi pesada, mas não tanto pelo repasto, mas pelo vinho. A soma total foi de 140 euros, dos quais 40 respeitaram aos dois Barros Vintage 1997 pedidos, dos 100 euros restantes um quarto relacionaou-se com vinho, Quinta do Crasto 2004, um dos mais baratos da carta. Não havia necessidade de preços absurdos no vinho, é um mau serviço que este restaurante presta aos gastrónomos.

Cais da Ribeira, 13 - Porto
Telefone: 22 20 04 307

Cêpa Torta

É uma alegria encontrar um restaurante destes no interior do país. Espero não ser mal interpretado, mas quando se viaja pelo país rural não é comum encontrar locais onde a cozinha e o serviço se elevam ao patamar a que este se encontra, apesar da infelicidade do televisor na sala. Não direi que é o mais extraordinário restaurante do país, mas por ali há cuidado, requinte e imaginação. Penso que quem passe pelo Alto Douro pode ou deve fazer um desvio para sentar-se à mesa do Cêpa Torta.
Desta vez provei costeletinhas de porco com açorda de cogumelos... e retemperei forças com rolo de vitela. As sobremesas estão competentes e a carta de vinhos está feita com atenção, até porque o local é frequentado por alguns dos melhores enólogos durienses...

Rua Dr. José Bulas da Cruz - Alijó
Telefone: 259 950 177
Horário: das 12h00 às 15h00 e das 19h00 às 22h00

Adega Faustino

O sítio é uma antiga adega, calcetado a paralelipípedos de granito e com as madeiras pintadas de vermelhão... bonito e rústico. As mesas são em madeira escura envernizada e as sentadas são bancos. Por ali há sempre umas exposições de pintura amadora, muito naïf e de gosto infeliz. Contudo, o que por ali importa é mesmo o que se põe na mesa.
Desta última vez que lá fui repimpei-me com uns rojões do redanho (torresmos dos verdadeiros), salada de orelha, pica-pau, bolos (pastéis) de bacalhau, moelas e arroz de tomate. Os torresmos estavam de fazer transbordar as lágrimas de alegria e a salada de orlha uma das mais gostosas que provei. O pica-pau estava bastante gostoso e os pastéis estavam bem equilibrados em termos de peixe e batata. Já as moelas não estiveram à altura dos demais petiscos. O arroz de tomate, verdadeiro carolino, absolutamente extraordinário. Tudo a preço muito simpático. O serviço é atento e simpático. Bebi do vinho da casa, do branco, que não sendo uma especialidade, foi bem com os petiscos.

Travessa do Olival - Chaves (em frente ao Hotel Trajano - reconhece-se pelas grandes portadas vermelhas)
Telefone: 276 322 142
Horário: das 10h30 às 2h00
Encerra ao domingo