quarta-feira, Fevereiro 27, 2008

Sabor a Brasil

Alameda dos Oceanos, Fracção J – Parque das Nações, Lisboa
Telefone: 21 895 51 43

Embora não seja fanático, aprecio a cozinha brasileira. Em Lisboa há alguns restaurantes e, como em tudo, há uns que se recomendam e outros que merecem crítica negativa.
No Sabor a Brasil as doses são grandes. Dali ninguém sai com fome. Não sei se o leitor considera este facto positivo. Não desvalorizo, mas para mim não é determinante para agradar.
Se se pode considerar a dimensão das doses como positivo, o resto já não tem apontamento favorável. Por exemplo, a picanha é farta, mas os acompanhamentos de feijão e couve são curtos. As batatas fritas tresandavam a óleo, tanto no sabor como no aroma, além de desconfortáveis para comer com garfo por serem às rodelas. A carne não era saborosa, longe daquelas que afamaram a picanha em Portugal. A sobremesa, à base de coco, com molho com coco, manjá branco com baba de moça, não mostrava muito o fruto, mas antes um enjoativo sabor e cheiro a baunilha.O vinho caro para a qualidade. O serviço de copos a melhorar.

quinta-feira, Fevereiro 07, 2008

Bastardinho de Azeitão 30 anos

Não esperava muito deste vinho, mas também não esperava pouco. Uma coisa me intrigava: por que razão desaparece um vinho? Na verdade, a pergunta deveria ser por que razão desaparecem umas determinadas vinhas. A resposta está em parte nas expectativas: nem bom nem mau. Aqui há uma injustiça na forma: o Bastardinho está claramente numa categoria de valor. A outra parte da resposta está no (Moscatel de) Setúbal.
Talvez se o Setúbal não disputasse território aproximado e, parcialmente, sobreposto o Bastardinho de Azeitão ainda vivesse. É quase aquela pergunta armadilhada dum anúncio: porquê algodão se pode ter seda?! Se um produtor pode fazer melhor e se o mercado reconhece essa qualidade, para quê continuar a produzir o Bastardinho se há o Setúbal?
Nisto há também lamento, porque o vinho é bom, leva esforço para nascer e, desta forma, desaparecem vinho e vinhas. Já não bastava não ter este vinho histórico uma Denominação de Origem Controlada própria, como lhe calhar ainda o azar de não ter quem lhe pegasse e o resgatasse com poder, tal como aconteceu com o Colares (Fundação Oriente) e Carcavelos (Estação Agronómica Nacional).

Origem: nd (Terras do Sado)
Produtor: José Maria da Fonseca
Nota: 6/10