domingo, Abril 29, 2007

Via Graça

Rua Damasceno Monteiro, 9B (à Graça)
Telefone: 21 887 08 30

O Via Graça é mais do que uma varanda sobre a Baixa de Lisboa. É um local para se comer e repetir as idas. Há alguns anos que lá não ia e dei por vantajoso o regresso. Está aprovado e com aplauso.
O couvert é formado por rolinhos de queijo gratinado, uma singularíssima azeitona fumada no momento e por perninha de codorniz. É original, é gostoso e é eficaz. Em cheio! Para entrada veio gratinado de vieira com lagosta, onde sobressaía o aroma e o gosto do tomilho. Este foi o prato menos conseguido da noite, mas foi também aprovado. Depois seguiu-se Empada de caça, servida sobre uma cama de legumes, muito sóbria e válida, e um saboroso e tenro cabrito assado. A sobremesa foi um folhado de maçã com gelado e caramelo, com boas notas de canela e muito saborosa.
A carta dos vinhos é larga, variada nas referências. Bom serviço neste domínio. Neste ponto refira-se que os preços praticados já são mais admissíveis, tratando-se de um restaurante de gama alta e com bom e competente serviço. Ou seja, não dói muito dispender algum dinheiro em vinho que se sabe ser bom e estar bem tratado e bem manipulado.
O serviço foi competente e de muito boa qualidade. O espaço é bonito, decorado em estilo pos-moderno, em tons de madeira e metal. No entanto, a casa vive da vista sobre Lisboa, facto que a torna um dos restaurantes mais bonitos e apetecíveis da cidade.

sábado, Abril 28, 2007

Alecrim às Flores

Travessa do Alecrim, 4 (à Rua do Alecrim - Cais do Sodré)
Telefone: 21 322 53 68

Voltei ontem ao Alecrim às Flores para escrever esta prosa. Simpatizo com este restaurante, mas a viagem de ontem não correu pelo melhor, mas não foi nenhuma catástrofe. Porém, uma coisa permanece igual: mantém-se uma conta demasiado pesada para o que se tem. Ainda assim gosto.
Passo a explicar e para não ir buscar dados à memória vou fazer o que tenho feito, recorro-me da última refeição. Ontem marchou primeiro um gaspacho à andaluza muito simpático, que poderia estar um pouco mais grosso. Veio em dose generosa, bem acompanhado dos verdes e salsicharia da tradição. Daqui nada a apontar de negativo. Provei ainda de entrada uns folhadinhos de queijo de cabra com doce de framboesa, bem gostosos, que só não percebi o que faziam no prato as meias rodelas de limão.
O prato já marchou menos bem... Mandei vir magret de pato com mel e figos. A coisa prometia, mas saldou-se em desilusão. A carnicha não era gostosa, há que melhorar o aprovisionamento, o mel estava pouco notório, os figos eclipsaram-se e nenhuma maravilha de paladar se projectou na boca conforme se prometera na leitura da ementa. Este prato não merece repetição. A minha companhia pediu um bacalhau assado que, constou-me, veio salgado. Pode ter sido uma noite menos conseguida. Já lá tenho vivido noites felizes.
Para sobremesa veio uma encharcada de ovos. Estava doce e competente. Sem deslumbramento nem assombro nem nada de negativo que a possa manchar.
A casa é pequena e servida por um número considerável, face à dimensão, de empregados. Porém, ontem andaram um pouco distraídos, deixando o cinzeiro na mesa toda a refeição a acumular-se de pontas de cigarro da «chaminé» que me fez companhia no repasto, além dumas desatenções menores com o serviço do vinho, levado para longe. No entanto, os empregados são de uma enorme educação, correcção e préstimo. O espaço é agradável, conservador com alguns toques de alguma modernidade e aproveitamento da alvenaria do edifício. É agradável sem deslumbre. É um lugar descomplicado.
Embora tenha apontado alguns pontos menos conseguidos, reconheço que se trataram, provavelmente, de lapsos. Mas o espaço tem pontos verdadeiramente negativos. Um deles é o vinho. A carta é curta, limitada, muito centrada numa gama média-baixa e com preços absurdos. Por exemplo, o vinho Pegos Claros está a ser vendido a 15 euros, a Quinta de Cabriz Reserva a 25 euros e a Quinta da Pellada Touriga Nacional a 50 euros. Contudo, o vinho é servido a uma temperatura incorrecta, o que demonstra o pouco respeito que se tem pelo produto e o decantador não merece crédito. No vinho há tudo a melhorar.
O outro ponto negativo é a aritmética. Um jantar com tudo o que ele implica ronda os 50 euros por pessoa. Um número que me parece excessivo. Julgo que a conta se deveria aproximar dos 40. A conta ali dá sempre um valor excessivo e em grande parte da culpa é do vinho, que está ultra-carregado. Contudo, gosto do espaço, dos pratos e de ali ir. Hei-de lá voltar.

Quinta de Cabriz Reserva 2004

Este tinto está bem melhor no nariz do que na boca. Sinceramente achei-o demasiado festivo e, por conseguinte, cansativo nos aromas, tal a festarola. Bastante floral, sobretudo violetas, alguma fruta madura, baunilha e um toque levezinho a couro. Tudo muito bem, mas com o passar da refeição tornou-se fatigante, sobretudo ar do ramalhete. Na boca é maciozinho e bem mais desinteressante face ao esplendor olfactivo e incaracterístico, com alguma fruta discreta. Todavia não se pense mal, que está um bom pedaço de vinho.

Produtor: Dão Sul
Região: Dão
Nota: 5,5/10

quinta-feira, Abril 26, 2007

Cartuxa 2002

Este vinho é um clássico e, como tal, não desilude. É o que é. Encanta quanto baste e evoca paisagens doutro tempo. Merece ser bebido. Tem fruta discreta e madeira nobre. É bem elegante e distinto. Bem equilibrado. Um belo alentejano.

Região: Évora - Alentejo
Produtor: Fundação Eugénio de Almeida
Teor alcoólico: 13,5%
Nota 7/10

sexta-feira, Abril 20, 2007

Encostas de Penalva 2004

Comprei este tinto por menos de dois euros. Antes que me argumentem que por esse preço não há bom vinho, respondo que os países do «novo mundo» aí estão para provar o contrário: vinho de grande consumo a preços acessíveis e que nem todo o vinho tem de ser uma preciosidade e caro. Repito que me marimbo para o preço e para as relações de qualidade e preço. Bebo o que gosto e recomendo o que julgo valer a pena.
Neste caso não recomendo. No nariz é um soco de álcool, o que transborda para a boca. É maciosinho e tal, mas nada mais. É desinteressante como uma folha de papel. Não percebo. Nem sequer percebo como foi aprovado como Dão, pois vinho desta qualidade deveria ser chumbado em nome da dignidade e reputação da região. Certamente só porque rende uns cobres em selos de certificação é que é aceite pela entidade que deveria zelar pela qualidade da denominação ou então em nome dum qualquer direito adquirido. Não percebo o que este vinho possa significar para quem o produz, pois não pode encher de orgulho quem o faz. Não percebo como chega ao mercado este vinho e, para mais, com o selo Dão à garupa.

Região: Dão
Produtor: Adega Cooperativa de Penalva do Castelo
Teor alcoólico: 12,5%
Nota: 2/10

domingo, Abril 15, 2007

Quinta do Crasto Reserva Vinhas Velhas 2004

No nariz há a apontar de negativo um forte odor alcoólico, que esmaga tudo à volta. É preciso esperar antes que os restantes aromas venham à tonam. De resto é bem agradável a suave compota e canela que nele se notam. Na boca, este tinto é potente, com bons taninos, com compota, fruta vermelha discreta, madeira. Belíssimo. Será bom bebê-lo daqui por um par de anos.

Região: Douro
Produtor: Sociedade Agrícola da Quinta do Crasto
Teor alcoólico: 14,5%
Nota: 8/10

domingo, Abril 01, 2007

Altas Quintas Crescendo 2005 Tinto

Este tinto pretende ocupar um patamar mais abaixo face aos outros vinhos da casa. Contudo, surpreendeu-me pela positiva. A puxar bem sem se tornar enjoativo, com bom corpo, bela madeira e saudáveis frutos.

Região: Regional Alentejano
Produtor: Altas Quintas
Teor alcoólico: 14%
Nota: 6,5/10