sexta-feira, Maio 26, 2006

Eleven

Jantei lá ontem e não vim de lá particularmente impressionado com a comida. No entanto nada há a apontar à qualidade da comida e ainda menos ao serviço que me foi prestado.
Comecei com uma salada de vieiras da Bretanha com maçã verde, que veio temperada com uma vinagreta que estava absolutamente divinal. Foi, aliás, o melhor da noite.
Passei para um bacalhau com crosta mediterrânica, beringela, mozarela e tomate. Aqui achei o prato disparatado, pois se a ideia era criar uma crosta não valia a pena tornar o bicho tão macio. Aliás, o bacalhau estava, para o meu gosto, desagradavelmente macio e escorregadio, sem qualquer semelhança de textura com o bom amigo. Julgo que não faz grande sentido e trata-se apenas dum exercício de exibição de técnica. Até mesmo a combinação dos sabores não ultrapassa o bocejo. Este prato é de evitar.
O terceiro prato foi uma saltimboca de porco preto, rissoto e molho de suco de carne. Estava bem apaladado, embora pudesse estar ligeiramente seco. No entanto agradável.
Seguiu-se uma selecção de queijos, onde pontuavam um exemplar de meia-cura que não consegui identificar (e não conseguiu impressionar-me) e um belo blue stilton que, como era de se esperar, casou na perfeição com o Porto Vintage servido (Burmester Vintage 2003).
Para sobremesa chegou uma sopa de cerejas com gelado e Vinho do Porto, que satisfez muito bem a gulodice.
Da técnica nada há a apontar, do serviço também não, da simpatia igualmente, apenas a galhardia dos sabores é que nem sempre a mais foi contente.

Rua Marquês de Fronteira, Jardim Amália Rodrigues, Lisboa (no topo do Parque Eduardo VII)
Telefone: 21 386 22 11
Aberto das 12h30 às 15h00 e 19h30 às 23h00 e encerra aos domingos, segundas e feriados.
Este restaurante foi galardoado com uma estrela pelo Guia Michelin.
O chefe de cozinha, Joachim Koerper, é também o proprietário do restaurante «Girasol», em Alicante, que ostenta duas estrelas do Guia Michelin.

quinta-feira, Maio 25, 2006

Vinhos H.M. Borges - Madeira

O improvável aconteceu-me. Serviram-me vinho abafado para regar a refeição e o dito cansou-me a sede. Na verdade, não foi um generoso, mas quatro. Flutuei sentado na cadeira a beber Vinho da Madeira. No nariz festejei com os aromas quentes e diferentes do quarteto e na boca exprimentei as mestiçagens com as diferentes comidas. Todos vieram da casa H.M. Borges.Primeiro veio um Harvest Sercial de 1995, de trago seco e ácido, mas a enrolar-se macio e suave dentro de mim. Quando lhe encostei uma salada de tomate e courgette com espargos, então, começou a cantar alegrias.Encanto maior mostrou o Harvest Colheita Boal de 1995... que delícia elegante no nariz e prazer na boca! Este é um Vinho da Madeira capaz de trazer fama e fazer renascer um espírito cansado. Visto a olho nu era apenas vinho num copo, mas quando se soltava na boca e se lhe juntava a mousse com avelãs e foi-gras havia brincadeiras desenfreadas e alegres.A coisa acalmou com o Harvest Colheita de 1995, feito só de uvas negra mole, e embora não sendo de mau fundo não brilhou por causa dos manos. Nem mesmo com a carne de vaca macia, a batata desfeita e os legumes verticais o fizeram subir a grandes alturas. Mas não envergonhou o nome de família.A fechar a festa veio uma sericá com mel escoltada por um Harvest Malvazia 1998 e o júbilo foi notório, tanto da parte da noiva, como do noivo, como durante toda esta boda. Por mim, este foi a melhor núpcia da época e a beleza líquida mais fácil e encantadora. Perdi-me de amores por ela.Espantoso ainda foi o chefe, o alcoviteiro que inventou os casamentos dos vinhos com os pastos. Foi tarefa de esforço, engenho e sabedoria. Porém, saí-lhe em destino e desafiei-o com a minha intolerância ao peixe. Saiu-se bravamente, improvisando uma cartinha só para mim, coisa revelada de maravilha nas papilas e saciante na gula.Hoje é dia de festa, canta a minha alma!

terça-feira, Maio 16, 2006

Pizzeria Mezzogiorno

O que vale é o espaço, tudo o resto é de evitar.O menos mau ainda é o serviço, que, por acaso, nem é bom. Aliás, é muito demorado. A comida, que nem vale a pena, não merecia e os clientes também não.A carta de vinhos é curta, inflacionada e os ditos são todos de gama baixa ou de gama média/baixa.Para entrada-couvert trazem uma espécie de pizza que faz corar de vergonha um bacalhau. Um horror salgado.As pizzas são feitas em forno de lenha e aí reside o curtíssimo interesse do sítio, o que, convenha-se, é pouco. Os produtos são industriais e incaracterísticos.Este sítio é um lugar a mais em Lisboa. Devia fechar!

Rua Garret 19 - Lisboa
Telefone: 213421500
Encerra: Domingo, segunda (almoço)
Horário de funcionamento: sas 12h30 às 15h30 e das 19h30 às 00h00

domingo, Maio 07, 2006

Restaurante d'Avis

Há anos que conheço este restaurante e nunca me desiludiu. A cozinha alentejana é feita com competência e acerto. Vou lá com gosto. Recomendo-o.O serviço é informal e o ambiente familiar.

Rua do Grilo 96/98 Lisboa (Beato)
Telefone: 21 868 13 54