terça-feira, maio 28, 2013

Evel faz 100 anos

A marca Evel, produzido pela Real Companhia Velha, celebra o seu centésimo aniversário. A empresa «tem preparadas várias surpresas», refere em comunicado. Entretanto, a revista norte-americana Wine & Spirits atribuiu, respectivamente, 89 e 90 pontos aos vinhos Evel Tinto 2010 e Evel Branco 2011.

Portugueses preferem tinto

Os vinhos tintos são os eleitos da população portuguesa e estrangeira e a tendência destes hábitos de consumo é para ser mantida, conclui uma análise aos dados do consumo de vinho da Comissão Vitivinícola da Região de Lisboa (CVR Lisboa).
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A análise da CVR Lisboa revela ainda que o consumo de vinho per capita, em Portugal, actualmente é de 42 litros por ano, números que têm vindo a baixar devido a factores como a crise financeira, a introdução de leis relativas à alcoolemia, a mudança radical no estilo de vida dos portugueses e, até mesmo, à própria dieta mediterrânica.
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«No início da década de 90, o consumo em Portugal era de 65 litros por pessoa e, em 2005, essa medida caiu para os 45, o que significa que passados oito anos o consumo per capita teve uma diminuição de apenas três litros, tendência que está prestes a estabilizar», explica Vasco d’Avillez, presidente da CVR Lisboa.

quarta-feira, maio 15, 2013

Grandes Quintas Tinto Reserva 2010

O Douro é um vale de virtudes. Todos já fizemos perguntas óbvias e com pouco sentido, como: qual é a tua região preferida? Pois, são todas e nenhuma... ok, mas isso é conversa de circunstância. Para os amigos, descoso-me sempre. Sabem que o meu coração pende para o Douro, nos tintos.
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Não gosto de tudo, obviamente, mas noto uma predilecção pelo Douro. Muito por culpa duma casta, que ali nasce como em nenhum lugar. Chamem-lhe caprichosa, difícil, blá, blá, blá... para mim é a grande casta portuguesa. Só não é mais aplaudida, porque todos apontamos para o consenso. Sei que vários enólogos e produtores de renome partilham esta preferência. Às claras elogiam a touriga nacional, mas na surra preferem a touriga franca.
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Quem habitualmente me lê já sabe que amo a touriga franca. Tudo isto a propósito dum vinho onde esta casta dá nas vistas. Não é a que domina o lote, mas é a que mais encanto lhe dá (tem ainda touriga nacional, tinta roriz e tinta barroca).
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No nariz revela notas de cereja e ginja, até um pouco de doce de tomate, mas ainda ervas verdes, esteva, um certo fumo de azinho e terra. Na boca é vigoroso, com fibra, fresco e prometendo boa evolução.
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Origem: Douro
Produtor: Casa de Arrochella
Nota: 7,5/10

terça-feira, maio 14, 2013

Quatro Caminhos Tinto Reserva 2009

O que vou dizer não sei se é justo para este vinho. Todavia, a ideia é a de elogiar. Não me lembro deste vinho, mas lembro-me de ter gostado muito.
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Uma amiga, uma ex-namorada, encontrou-me na rua, passados uns bons anos, e ficou à conversa. Tomámos um café e, longe do que nos juntara e fizera separar, reparámos que éramos amigos. A dada altura disse-me: «Sabia que eras divertido, mas não me lembrava». Gostei do elogio, por isso mimetizo-o.
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Lembro-me do jantar, que não me marcou, recordo-me dos amigos, os melhores, os de quase sempre. Do vinho? Não tomei notas e repito o que muitas vezes aqui escrevi: alguém compra um vinho porque tem aromas de baunilha ou de frutos vermelhos? Talvez um enochato, um nerd. Tenho a vontade de escrever para os outros, para os que apenas amam e para os que chegam enganados e apreciam as palavras.
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No entanto, fui ao site do produtor tentar encontrar na ficha técnica as suas características organolépticas. Não dei com nada que o definisse... ainda bem, porque sairia qualquer coisa pouco verdadeira... notas copiadas, por verídicas que sejam, são sempre copiadas.
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Bebi este vinho há uns meses... não sei se tomei apontamentos no bloco de notas do telemóvel que morreu... a garrafa, que ainda aqui está, ostenta a nota que lhe dei. A única informação que consegui recolher foi a minha apreciação em forma de número.
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As notas valem o que valem e valem por quem as dá. Não sou o Parker, apenas um jornalista que escreve sobre vinhos, que não é crítico, e que ousa blogar e fazer crítica, provavelmente egocêntrica e presunçosa. Para mais, a notação é estrambólica, decimal onde o 3 é positivo e o limite, o 10, é aberto ao infinito, como a escala de Richter que mede os abalos.
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Fico-me por aqui. Aceito reprimendas de quem achar por bem penalizar a ausência de descritores e prosa mais concreta. Porém, julgo, que a boa impressão na memória traduz um elogio bastante.
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Origem: Regional Alentejano
Produtor: Casa Agrícola HMR
Nota: 8/10

segunda-feira, maio 13, 2013

Novidades da Ravasqueira


O Alentejo consegue ter vinhos de qualidade e com preço acessível. Felizmente para Portugal que a qualidade aumentou muito e de forma consistente. O que é ainda mais verdade quando se tratam de vinhos de preço mais baixo.
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Os vinhos da Ravasqueira são prova disso. Na verdade, quando o produtor surgiu os tiros saíram ao lado. Penso que mais por culpa de quem mandava do que do técnico que os fazia. Como se costuma dizer: albarda-se o burro à vontade do freguês. Adiante, que hoje a coisa é bem diferente.
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Chegaram-me para prova três propostas para o Verão: Monte da Ravasqueira Branco 2012, Fonte Serrana Branco 2012 e Monte da Ravasqueira Rosé 2012. A apreciação é positiva! São vinhos com o Verão na alma.
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Não são vinhos para pensar muito. São amores de Verão, para a danceteria, festas na praia e marisqueira. Vinhos que conjugam com pele escaldada pelo Sol e boca seca do sal. Perigosamente bebíveis.
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Fonte Serrana Branco 2012 é mesmo para fazer conversa. Sem complicações, só para quebrar algum gelo inicial ou encontrar ponto de encontro de interesse. Mostra pêssego e alguma tropicalidade (coisas que não morro de amores) no nariz, na boca é fresco e descontraído.
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O Monte da Ravasqueira Branco 2012 mostra-se, no olfacto, com pêssego, pimenta e salsa. Na boca é fresco e com corpo equilibrado. Com sapateira... miam, miam...
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O Monte da Ravasqueira Rosé 2012 perigosíssimo... não me deixem sozinho com uma garrafa destas num dia de lazer frente ao mar, ou abandonado numa festa na areia. Rosas, são sempre rosas e rosas seduziram sempre e serão sempre sensuais. Aqui está, um vinho todo em rosas, sem qualquer enjoo. Na boca é mais frutinha vermelha, mas ainda assim, rosas.
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Fonte Serrana Branco 2012
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Origem: Regional Alentejano
Produtor: Produtor: Monte da Ravasqueira / Sociedade Agrícola Dom Diniz
Nota: 4/10
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O Monte da Ravasqueira Branco 2012
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Origem: Regional Alentejano
Produtor: Monte da Ravasqueira / Sociedade Agrícola Dom Diniz
Nota: 4,5/10
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Monte da Ravasqueira Rosé 2012
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Origem: Regional Alentejano
Produtor: Monte da Ravasqueira / Sociedade Agrícola Dom Diniz
Nota: 5,5/10
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Nota: Estes vinhos foram enviados para prova pelo produtor.

domingo, maio 12, 2013

João Portugal Ramos e José Maria Soares Franco, e suas novidades

A Primavera é fértil em novidades... e não apenas de flores e passarinhos, reprodução das espécies, abelhas e borboletas, e poemas inspirados. João Portugal Ramos lançou novidades das regiões do Alentejo, Vinho Verde e Douro, e mais Porto, sendo nestas duas últimas designações obra de José Maria Soares Franco, na empresa de ambos, a Duorum Vinhos.
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Contou João Portugal Ramos que um marketeer o tinha, em temos, feito acreditar que devia tirar o seu nome dos rótulos. Hoje, passados uns bons anos, este enólogo e empresário diz ter percebido que devia ter sido exactamente ao contrário. Sendo estes vinhos assumidamente de autor, a assinatura só pode vir estampada nos rótulos.
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A apreciação geral é absolutamente positiva. Porém, os vinhos não são todos iguais, pelo que a apreciação tem mesmo de ser divergente. Já se sabe que este blogue não é uma democracia. Nele manda um déspota que, apesar de tudo, tenta ser justo.
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Primeiro vinho: João Portugal Ramos Alvarinho 2012... um vinho verde diferente do perfil comum. Facto que, só por si, não é mau nem bom. Devo ter um problema... na apresentação todos cantaram laudas a este néctar; elogios e impressões. Contudo, não me deslumbrou. Mas reconheço ser um belíssimo vinho.
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Ora do que não gostei: a madeira, e sua estrutura, e a fruta. É certo que não passou todo por barricas, apenas 20%. No entanto, embora não rasgando, ela está lá e... não é bem Vinho Verde, nem bem outra coisa. É ousado, mas não me deslumbrou. Na fruta, a insistente fruta tropical (socorro). É um vinho elegante de boca e com bom final. Como disse, a minha opinião acerca deste vinho foi divergente, pelo que serei eu a estar errado (?).
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Para mim, a estrela da noite foi o João Portugal Ramos Estremus 2011. Um vinho sedutor e profundo, com corpo e garra. Denso, companheiro de copo, mesa e debate. Um vinho que participa na conversa.
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Este vinho fez-se com uvas trincadeira e alicante bouschet, de vinhas fincadas em terrenos de calcário e muita pedra mármore. A vinha fica junto à vila de Estremoz, e, por pouco, não se transformou numa pedreira, disse o enólogo.
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Não é quente e tem calor. No olfacto sobressaem notas de castanha, amoras e ameixa preta, com vinco de lenha de azinho. Na boca, ocupa espaço, apresenta-se e domina, com frescura, elegância e profundidade. Nos dois sentidos mostra mineralidade, a frescura do mármore.
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Os dois tintos DOC Douro homenageiam um passarinho bonito, que vive do Norte de África até ao Norte da Ibéria. Chama-se chasco-preto, mas em latim é Oenanthe Leucura. Que nome dar a um vinho? Que tal o dum passarinho? E que lembre a «loucura» que está no néctar.
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Pois, O. Leucura lembra mesmo «oh loucura». Aqui a doidice foi ponderada, calculada e desenhada. A loucura é a de fazer dois vinhos duma só vinha, erguida numa encosta, do rio até ao céu. Um veio de videiras plantadas na cota 200 e outro na cota 400.
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São diferentes, os manos, nascidos de uvas touriga nacional e touriga franca, de vinhas velhas. O Cota 200 mostra mais fruta preta e o 400 é mais floral, nomeadamente violetas. Ambos ricos e complexos, são bem estruturados na boca e com longos finais.
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Recomendo a compra dos dois. A comparação à mesa promete agradar a enófilos tarimbados e a amigos menos versados nas coisas do copo. Valerá a pena e dará conversa.
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Por fim, Duorum Vintage 2011. O ano está a revelar-se excelente. Inverno chuvoso no Douro e Verão quente... julgo que serão muitas as casas a declarar vintage. No Nariz tem um ramalhete de violetas e algumas rosas, uns frescos, leves e subtis iodo e musgo, mais madeiras várias e a «obrigatória» esteva. Na boca é robusto e fresco, harmonioso e elegante.
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João Portugal Ramos Alvarinho 2012
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Origem: Vinho Verde
Produtor: João Portugal Ramos
Nota: 6/10
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João Portugal Ramos Estremus 2011
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Origem: Vinho Regional Alentejano
Produtor: João Portugal Ramos
Nota: 8/10
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Duorum O. Leucura Cota 200 2008
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Origem: Douro
Produtor: Duorum Vinhos
Nota: 7
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Duorum O. Leucura Cota 400 2008
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Origem: Douro
Produtor: Duorum Vinhos
Nota: 7,5
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Duorum Vintage 2011
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Origem: Vinho do Porto
Produtor: Duorum Vinhos
Nota: 8,5/10

sábado, maio 11, 2013

Duorum Colheita Tinto 2011

A Duorum pode ser uma empresa recente, mas quem a faz anda há muitos anos nisto. Daí não ser de estranhar a regularidade da qualidade dos vinhos, o seu perfil fiável, ou seja, acerto. Numa parceria com João Portugal Ramos, José Maria Soares Franco é quem comanda as operações no Douro. Quer um quer outro andam nas andanças do vinho há décadas.
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Este Duorum mantém-se fiel ao estilo da casa, é um vinho com personalidade do Douro, com elegância e frescura. Estas duas características são importantes de realçar, pois muitas vezes saem do Douro verdadeiros xaropes, pesados e alcoólicos. Tratando-se dum vinho proveniente duma quinta da sub-região do Douro Superior, essas virtudes são ainda mais notáveis.
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As castas são a touriga franca (40%), touriga nacional (40%) e tinta roriz (20%). As proporções são as mesmas da edição de 2010. Porém, achei a touriga franca aqui mais escondida... se a memória não me falha.
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Origem: Douro
Produtor: Duorum Vinhos
Nota: 6,5/10
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Nota: Este vinho foi enviado para prova pelo produtor.

sexta-feira, maio 10, 2013

Legado 2009

Ufa! O que dizer deste vinho? Numa palavra: fabulástico... Mas só isto não basta, pelo que: vou tentar ser conciso, já que não parece bem só escrever aquela palavra de dez letras.
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Legado pretende transmitir o conhecimento e responsabilidade de Fernando Guedes, o (sempre) patrão da Sogrape à geração seguinte. É um vinho com assinatura. Não é uma homenagem, é um atestado de responsabilidade, testemunho do patriarca.
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A Sogrape tem, através da sua empresa Ferreirinha, dois clássicos: o Reserva Especial e o Barca Velha. Então e este? A empresa de Avintes quis separar as águas; uma coisa é a Ferreirinha e outra a casa-mãe, a Sogrape. É um vinho inter-pares do Reserva Especial, na qualidade e no preço.
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É a segunda vez que esta marca sai para o mercado e desta vez assinala também os 70 anos da maior vinícola portuguesa. As uvas saíram dum talhão de vinhas velhas, da Quinta de Caedo, localizada na sub-região duriense do Cima Corgo. As vinhas são centenárias e produzem uns escassos 500 gramas por cepa.
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O Legado 2009 tem o Douro dentro, mas não um Douro qualquer. Distancia-se do padrão mais moderno e comum, que muitas vezes se pode tornar cansativo. Este não poderia estar mais longe.
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No nariz mostra avelã, amêndoa, alguma noz, trufas, figo maduro, ameixa preta, uma finíssima compota, notas fumadas, notas balsâmicas... ui! Na boca é um Rolls Royce em movimento de passeio: uma elegância! Bem estruturado e elegante, mostrando o solo de xisto, com nuances de várias especiarias.
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A palavra terroir está na moda. Está a banalizar-se. Mas se é alguma vez bem aplicada, esta é uma delas. Um grande vinho, que mostra bem do que nasceu, donde nasceu e do que souberam fazer com ele.
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Origem: Douro
Produtor: Sogrape
Nota: 9/10

quinta-feira, maio 09, 2013

Eusébio 2008

Nasci numa geração marcada pelo Eusébio, nome maior do futebol português. Na verdade, marcada pela ausência de Eusébio, pois saiu do Sport Lisboa e Benfica em 1975 (tinha eu cinco anos), rumo Rhode Island Oceaneers. Passou depois outros clubes dos Estados Unidos e um do Canadá. Mas Eusébio marcou a minha geração, qualquer jogador que brilhasse era sempre comparado com o Pantera Negra. Como um fantasma, sempre presente.
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Embora regressado a Portugal, na época de 1976/77, ao simpático Beira-Mar, não mais teve a glória do seu clube do coração e onde conheceu o seu apogeu. Porém, este clube de Lisboa nunca o esqueceu, dando-lhe um lugar na estrutura, estatuto VIP e uma estátua à entrada do estádio.
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Nascido em Moçambique, antiga colónia portuguesa, deu nas vistas e depressa foi cobiçado por dois clubes de Lisboa. Consta a estorieta de que era para vir para o Sporting Clube de Portugal... ficou no Benfica, ponto final. Polémica à parte, só tenho pena que não tenha vindo para o meu Belenenses, onde jogara o fabuloso Matateu, herói da juventude de Eusébio.
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Ora, o que aqui importa é o vinho com o nome do craque português, um tinto da região do Alentejo, da colheita de 2008. Apresentado no restaurante do Estádio da Luz, este vinho revelou virtudes que bem homenageiam esta antiga glória.
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O Eusébio 2008 fez-se com uvas (alicante bouschet, cabernet sauvignon e trincadeira) provenientes de vinhas cultivadas em terreno xistoso, que maceraram por dez dias. Fez a fermentação maloláctica em barricas novas de carvalho francês, carvalho americano e de castanho. Estagiou depois durante 12 meses nessas madeiras. Após esse período, descansou por 36 meses em garrafa.
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É um vinho pujante, com garra! Não tanto pelo embate dos seus 14,5 graus de álcool, mas pela sua estrutura. Tem raça, para a qual contribui uma leve adstringência. Na boca revela-se ainda equilibrado, elegante e com final longo. No nariz mostra-se complexo, com notas de cereja madura, pimentão e pimenta rosa.
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Este vinho tem uma edição limitada a mil garrafas, com preço de venda ao público recomendado de 37,50  euros. Visto ser um vinho de homenagem, abstenho-me de dar nota. Todavia, recomendo-o.
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Origem: Alentejo
Produtor: Adega de Borba
Nota: X