ponto de ordem à mesa

O mundo gira e dá voltas. Teimosamente às voltas. Pensava que o joaoamesa.blogspot.com estava morto ou, pelo menos, em estado de coma. Ou pior, sem qualquer sinal vital, ligado à blogosfera por nostalgia e arquivo. Mal morto, o blogue mantém o endereço, mas muda de título.

quinta-feira, maio 31, 2012

Assobio Tinto 2010

Os Assobios têm-se mostrado descomplicados, mas também directos ao prazer. Como diz algum povo: sem funfuns nem gaitinhas. É para agradar e consegue-o. Não traz grande elaborações, mas é elegante e escorreito.
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Fiquei com a impressão de ter preferido a colheita anterior, sem que por isso esta esteja ferida no valor. Achei-o mais interessante na boca do que no nariz. A prova olfactiva não transcende, mas mostra o Douro, em jovem. Na boca é aveludado, equilibrado na acidez e prazenteiro.
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Tal como acontece com os vinhos do Alentejo, o Esporão conta sempre com uma obra de arte no rótulo, sendo que na Quinta dos Murças, onde este Assobio teve nascimento, a escolha recai sempre em fotógrafos. Desta feita o escolhido foi José Manuel Rodrigues.
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Origem: Douro
Produtor: Esporão
Nota: 6/10
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Nota: Este vinho foi enviado para prova pelo produtor.

quarta-feira, maio 30, 2012

Esporão Reserva Branco 2011

Já disse tantas vezes que não aprecio brancos alentejanos que agora tenho de dizer bem de um. O que nem é novidade, pois os reservas do Esporão sempre tiveram boa recepção no blogue. Este agradou-me particularmente.
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Provavelmente, apreciei mais por causa do antão vaz, que, se não minguou em quantidade, pelo menos escondeu-se um pouco. Antipatizo com a casta! O que hei-de fazer?! Positiva também uma maior percepção de frescura. Faz-se ainda com arinto, roupeiro e semillon.
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Prefiro os vinhos sem os tropicalismos. Para tropicalizar prefiro caipirinha ou caipiroska. Esqueçam lá os maracujás e os pêssegos maduros. Pois este reserva poupa-nos à facilidade dos frutos doces e quentes. Todavia, não deixam de lá estar, mas em complemento do arranjo olfactivo. Este senti-o mais fresco, algo mineral e um pouco herbáceo, embora não a erva fresca cortada numa manhã de orvalho, já se vê… o Alentejo não deixa. Na boca mostra uma complexidade cativante, fresca, mineral e prolongada.
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Não tenho dúvida em afirmar que este é o melhor Esporão Reserva Branco que bebi.
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Como sempre, o Esporão convidou um artista plástico para a criação do rótulo. A escolha recaiu em Lourdes de Castro.
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Origem: Alentejo
Produtor: Esporão
Nota: 7/10
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Nota: Este vinho foi enviado para prova pelo produtor.

terça-feira, maio 29, 2012

Vender vinho, uma questão de idade

A sociedade não valoriza a idade, há todo um culto da juventude e da beleza que enerva os gordos e entristece os velhos. Porém, no mundo das marcas e no marketing valoriza-se o tempo, que traduz estabilidade, sabedoria e segurança. Uma boa data impressiona sempre.
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Desde que há marcas que se valoriza o tempo, ou não fosse uma constante a ostentação de datas nos rótulos dos produtos e tabuletas dos estabelecimentos. Até há casos que me fazem sorrir: fundado em 1989. Foi ontem, pá! Mostrem isso quando chegarem, por exemplo, aos 50 anos. E 50 anos é menos duma vida humana média (no mundo ocidental).
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O mundo dos vinhos não é diferente, ou até é «mais igual». No vinho valoriza-se a propriedade, o território, a família e a idade. Quinta de Algures, é in. Vinho do Douro, é in. Família Fagundes, é in. Um brasão, é in. Desde mil-e-troca-o-passo, é in. Muitas vezes acrescentam-se uns toques retrô para acentuar o porte antigo e distinto.
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Nesta coisa do parece-que-é, dos wanna be, do quem-me-dera, do faz de conta, até se inventam brasões ou adaptam desenhos heráldicos. Gosto mesmo ver e ler as datas das fundações das casas… Mas não há noção de bom senso?
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A mais antiga marca portuguesa de vinho de mesa é de 1850, duma casa fundada em 1834 (José Maria da Fonseca). Mas mais antigas são alguns estabelecimentos de Vinho do Porto (Croft, 1588; Kopke, 1638; Taylor’s, 1692; Burmester, 1750; Fonseca, 1822…), alguns já com décadas quando foi criada a Companhia Geral da Agricultura das Vinhas do Alto Douro (Real Companhia Velha – 1756). No entanto, a generalidade desses casos respeita a sociedades que, durante muitos anos, desenvolviam a actividade de import/export, em que o vinho era apenas mais uma mercadoria.
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Bem, mas essas são antigas e estão ligadas ao sector. Bem, há famílias que estabeleceram quintas há séculos, que sempre fizeram vinho, todavia não é a data que ostentam em que o começaram a vender com marca própria. É uma questão de rigor. A humanidade faz vinho há milhares de anos. Produz-se vinho, no actual território português, há muitos séculos. Porquê estabelecer uma data no século XVII? Somos todos descendentes da Eva sapiens sapiens, a generalidade das famílias tem milhões de genes tugas, gerações e gerações a falar português, parentescos e parentescos nascidos na pátria de Camões, do Afonso Henriques, dos mouros, dos visigodos, dos romanos…
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Ainda ninguém se lembrou de pôr no rótulo: desde 43 AC. Haja coragem!

Quinta da Murta Clássico 2009

Preâmbulo: este vinho foi oferecido pelo enólogo, logo não sei se será correcto comentá-lo. Este vinho foi oferecido, mas não a mim. Bebi-o também, mas não sei se será correcto comentá-lo. Mas comento! Ahahahahahah!
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Hugo Mendes é o enólogo da Quinta da Murta, que entrevistei em trabalho. Diz, e com razão, que uma pequena região como Bucelas não pode ficar-se apenas pelos vinhos de grandes quantidades. Tem de apostar numa maior qualidade, no público mais exigente e em preços mais elevados.
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Este tem a «novidade» de vir na linha dos velhos Bucelas… está bem, o rótulo diz «Clássico», mas há tanta coisa que diz ser e que é outra coisa… exemplo? Até há cabernet na Bairrada… ahahahahah! Adiante, que essa guerra não interessa aqui.
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É um branco com madeira e a pedir tempo. Bela acidez, belíssimo final. Quem o bebeu comigo também o elevou.
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Foi de beber e ficar «murtinho» por outra!
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Origem: Bucelas
Produtor: Quinta da Murta
Nota: 7,5/10

segunda-feira, maio 28, 2012

Bacalhôa apresenta brancos

A Bacalhôa apresentou a sua «colecção Primavera / Verão 2012», um conjunto de vinhos brancos de diferentes perfis, mas sem oscilações quanto à qualidade. As variedades agora postas à venda representam as diferentes regiões onde a Bacalhôa, a Aliança e a Quinta do Carmo se encontram a produzir.
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A região da Península de Setúbal é a mais variada quanto a oferta, com cinco referências. O Alentejo e a Bairrada têm cada duas referências e o Dão e Lisboa com apenas um vinho. Em comum têm a frescura, embora os brancos alentejanos se mostrem menos festivos.
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Começando pelos vinhos da Península de Setúbal, a Bacalhôa apresenta dois níveis de brancos, um patamar mais fácil e um degrau mais exigente, referindo qualidade não preço.
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O JP Branco 2011 promete esplanadas, seja no final da tarde seja para as noites cálidas. Fácil de trato, com aromas de ananás e rebuçado. Na boca mostra frescura, notas de erva e um final algo seco, o que é positivo.
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O Serras de Azeitão Selecção do Enólogo 2011 precisa de mais tempo para se revelar no nariz, que acaba por se mostrar herbáceo e com notas de maçã verde. Na boca fica uma sensação mineral, quase metálica. Para mim bebia-o com marisco.
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Ai Catarina, Catarina… namorava contigo… este punha-o claramente na mesa, com mariscos, saladas consistentes e, certamente, irá peixe… os outros que o comam; nã como pêche! Esta branco caiu-me bem. Embora não sendo «O» vinho, é uma coisinha bem apetecível. Em termos olfactivos mostra-se interessante, com notas minerais, com rosa e fina manteiga. Na boca mostra-se com bom corpo, fresco e embora com um travo algo adocicado finaliza-se seco.
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Cova da Ursa Chardonnay 2011… nunca percebi o porquê desta marca. A mim soa-me mal, mas se funciona… Neste vinho vêm notas tropicais, o que no meu gosto não é particularmente positivo. Todavia, o tabuleiro da fruta é completado por uma finura de fumo e notas vegetais que me tranquilizam. Na boca está mesmo muito bem, com um final com alguma valentia.
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Pois, agora vem um dos vinhos mais apreciados do momento, o Quinta da bacalhôa Branco 2010. Mais complexo que os anteriores, mostrou elegância e prometeu boa companhia para os jantares, e não apenas no tempo quente. No nariz é complexo e subtil, destacando-se o herbáceo e um fino fumo. Na boca o fumo é mais notório e apresenta um belo final.
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O Alabastro Branco 2011 foi, para mim, o menos interessante dos vinhos apresentados. Noto aqui, uma vez mais, que as minhas opiniões são assumidamente subjectivas e, embora reflictam a qualidade intrínseca dos vinhos, estão submetidas à tirania do meu gosto. Pois, este não me palpitou: no nariz é inicialmente austero, com notas de palha, sendo o menos fresco dos provados. Na boca mantém-se a menor frescura.
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Quinta do Carmo Branco 2011… a referência nunca deixa de espantar, embora mantenha uma feliz e segura regularidade, quer de perfil, quer de qualidade. O meu enorme amigo VR não o dispensa, todo o ano, pelo que o bebo esta referência com muita regularidade. O aroma não esconde o Alentejo, mas mostrando também frescura: um pouco orgânico e terra, pedra, restolho, casados com a frescura do ananás. Na boca mostra-se untuoso, com mineralidade e frescura.
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O Angelus Branco 2011 não ficou entre os preferidos, embora de clara qualidade… já falei na subjectividade da opinião? Pois! Todavia revela uma interessante complementaridade do nariz e da boca. Enquanto em termos olfactivos seja um pouco orgânico, temperado com uma frescura quase da menta, no palato revela a frescura do metal.
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O Galeria Bical 2011 tocou-me a cultura, pois surpreendi-me com as notas olfactivas lembrando morango… juro! Porém destaca-se a maçã verde. Na boca mostra doçura, com um final meio-seco e de média duração.
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A região de Lisboa mostra-se bem neste vinho, que reflecte a sua frescura e o potencial que este território tem para os vinhos brancos. Filho da casta originária do Noroeste peninsular, o Quinta dos Loridos Alvarinho 2010 é um belo vinho, em equilíbrio entre o doce e o seco. No nariz mostra rebuçado de ananás e muita frescura. Na boca mantém-se a frescura, com um bom e seco final.
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O Quinta da Garrida Reserva Branco 2011 não teve a nota muito mais alta da mostra, mas é o que mais me agradou e surpreendeu. É por causa destes brancos de encruzado que o Dão vai dar cartas no panorama nacional… e seria muito bom que fizesse além fronteiras. É um vinho completo, equilibrado, mas com risquinho «fora do sítio», não por defeito, mas para fazer cócegas no prazer. No nariz revela uma finura de fumo, notas vegetais, quase menta, minério e um pequeno ramalhete. Na boca o primeiro embate parece doce, mas rapidamente evolui para os cítricos da lima e do limão, quiçá com um pouco de tangerina. E tem um belo final.
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JP Branco 2011
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Origem: Regional Península de Setúbal
Produtor: Bacalhôa Vinhos de Portugal
Nota: 4/10
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Serras de Azeitão Selecção do Enólogo 2011
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Origem: Regional Península de Setúbal
Produtor: Bacalhôa Vinhos de Portugal
Nota: 4/10
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Catarina 2011
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Origem: Regional Península de Setúbal
Produtor: Bacalhôa Vinhos de Portugal
Nota: 5,5/10
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Cova da Ursa Chardonnay 2011
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Origem: Regional Península de Setúbal
Produtor: Bacalhôa Vinhos de Portugal
Nota: 6,5/10
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Quinta da Bacalhôa Branco 2010
Origem: Regional Península de Setúbal
Produtor: Bacalhôa Vinhos de Portugal
Nota: 7/10
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Alabastro Branco 2011
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Origem: Regional Alentejano
Produtor: Aliança
Nota: 3,5/10
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Quinta do Carmo Branco 2011
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Origem: Regional Alentejano
Produtor: Aliança
Nota: 6,5/10

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Angelus Branco 2011
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Origem: Bairrada
Produtor: Aliança
Nota: 4,5/10
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Galeria Bical 2011
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Origem: Bairrada
Produtor: Aliança
Nota: 5/10
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Quinta dos Loridos Alvarinho 2010
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Origem: Regional Lisboa
Produtor: Aliança
Nota: 6/10
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Quinta da Garrida Reserva Branco 2011
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Origem: Dão
Produtor: Aliança
Nota: 7,5/10

domingo, maio 27, 2012

Taylor's lança edição limitada

A Taylor’s lançou uma edição limitada a 100 exemplares numerados dos Porto vintage clássicos de 2000, 2003, 2007 e 2009, informou a empresa.

quinta-feira, maio 17, 2012

Casa Ferreirinha Barca Velha 2004





















A sempre mesma questão: o melhor vinho. É? Não será «o», mas um dos. Sem demérito. O que o Barca Velha tem, que nenhum outro vinho português acompanha, nem mesmo o Pêra Manca, é o carisma, a história, o prestígio, a aura, a nobreza únicos. É um grande vinho.
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Para mim, um vinho não é apenas o líquido, mas o passado, a tradição, a ambição, a história, o rótulo, as pessoas. O Barca Velha tem isso tudo. Pode ser usado como arma de marketing, é-o certamente, mas que mal tem isso se quando surge esmaga com encantos quem o bebe?
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Desde que surgiu, em 1952, só 17 anos tiveram direito a dar à luz um Barca Velha. Hoje aparece como antigamente, com anos de estágio. O 2004 viveu 16 meses em barrica e o resto enjaulado em vidro.
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Já ninguém faz vinhos assim em Portugal, com esta demora para ver a luz. Não é um vinho de modas, é um estilo. Não é para beber de smoking vestido, mas de fraque ou de casaca… ou de modo simples, na privacidade da família e da amizade.
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Há quem o beba jovem, que ninguém espere por ele. Há quem o beba antigo, que ninguém ouse tomá-lo agora. Bebe-se já e sabe-se que será longa a vivência sã. A Sogrape aponta para um apogeu dentro de 15 anos. Neste momento, fora da garrafa, é um tigre, não pela força, mas pela elegância e nobreza felinas.
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Tantas palavras se disseram e escreveram sobre o «primeiro» vinho do Douro. Acrescentar não vale a pena. Penso ter sido unânime a avaliação de que 2004 é memorável, mesmo tendo em atenção o padrão exclusivo dos Barca Velha. Disseram os mais entendidos (que eu na modéstia experiência me associo) que este é um clássico, no perfil que mais lhe moldou a aura.
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É harmonioso, finamente guloso, elegante… são tantos os adjectivos que paro já. Se bem que sejam merecidos, basta de elogios. Apenas um aplauso para a equipa de enologia, chefiada por Luís Sottomayor, o terceiro artesão da marca, depois do lendário Fernando Nicolau de Almeida e de José Maria Soares Franco.
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O Barca Velha 2004 estagiou em barricas de 225 litros, das quais 75% de madeira nova. As uvas que o compõem vieram maioritariamente da Quinta da Leda (90%), a que se juntaram frutos doutras proveniências do Douro Superior. As castas do lote são touriga nacional (40%), touriga franca (30%), tinta roriz (20%) e tinto cão (10%).
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No nariz tem complexidade, com fruta vermelha, ervas secas, amêndoa torrada, especiarias, com um filamento de cravinho e de menta, notas florais, de alfazema, violeta e até de laranjeira. Na boca impressiona pelos taninos, pela acidez notável, pelo final enorme.
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Venho do Douro Superior com boas cores, vermelhinho. Não por excesso de bebida, mas pelo Sol fingido de manso devorado num piquenique na Quinta da Leda. Arde-me a pele e quando entrei em casa meti-me debaixo de água, para tirar os quilos de pó que trouxe do campo. No banho percebi a tonalidade e o ardor: estou com bronzeado à pedreiro. Isso, sim, era escusado, mas tem de ser, por amor à arte e à modalidade desportiva.
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Não termino sem antes partilhar o prazer que me deu conhecer o senhor Fernando Guedes. Os 82 anos estão sábios e vivos, homem de espírito, simpatia e educação. Gostei do senhor.
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Origem: Douro
Produtor: Casa Ferreirinha / Sogrape
Nota: 9,5/10
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Nota: Dedico este texto aos amigos PR e VR, por causa da colheita de 1982. À saúde de MR.

terça-feira, maio 15, 2012

Casa da Ínsua Tinto Reserva 2007

Irrita-me que admitam castas estrangeiras nas denominações de origem. Irrita-me! Porque se uma coisa se fez e reputou duma forma não deve deixar-se contaminar com o que vem doutros lugares.
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Mas um bom vinho é um bom vinho. Se dá prazer, dá prazer. Engulo as convicções engolindo o vinho. Este é um belíssimo tinto, feito com touriga nacional tinta roriz e… cabernet sauvignon… oh, irritação!
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Refira-se que por ali não há pimentos, pimentões nem pimentinhos. Há sim notas vegetais, que aliás se mostram bem nos vinhos do Dão, não era preciso vir uma casta camóne. É complexo no nariz, com as notas herbáceas, mais florais, mais do que violetas, frutos do bosque e algum fumo. Na boca é muito elegante, mas com um corpo de se lhe tirar o chapéu, o final caiu-me mesmo muito bem.
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Origem: Dão
Produtor: Casa da Ínsua
Nota: 7,5/10

segunda-feira, maio 14, 2012

Alento Branco 2009

Cá está!... ontem veio aqui parar um antão vaz com arinto e hoje vem outro. O d’ontem agradou menos, este agradou mais. Digo: mestre Santos, da Garrafeira Campo de Ourique, não brinca em serviço! Quando diz:
– João leva este…
Levo e dou-me bem. O homem sabe mesmo da coisa e parece que adivinha os meus gostos e preferências.
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Ora este antão vaz e arinto está fresco, com aromas de lima e alguma erva. Na boca continua fresco e mostra-se prolongado.
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Origem: Regional Alentejano
Produtor: Monte Branco
Nota: 6/10

domingo, maio 13, 2012

Mouras de Arraiolos Reserva Branco 2010

Disse no outro dia, que ando amuado com os vinhos alentejanos. Pois! Este é um daqueles que não vou muito à bola. No entanto, não é um mau vinho. Ê cá é que num gosto munto. Por isso, há que dar um desconto à nota, ou melhor, acrescentar IVA ou outro imposto, a gosto, para fazer justiça a quem aprecia o género.
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A primeira impressão não foi mesmo nada positiva, mas um minuto ou dois a situação corrigiu-se. Entrou a matar com um bafo de sulfuroso. Mas o aborrecimento evoluiu para os aromas supostos.
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Lá está!... a casta antão vaz a fazer das suas. Ou seja, quem gostar dela pode ficar feliz. Depois fez-se com arinto, mas daquele arinto com que antipatizo, com notas de fruta dos trópicos. Na boca achei-o um pouco mais interessante, chegando a ser escorregadio, com um final médio.
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Origem: Regional Alentejano
Produtor: Adega Mouras de Arraiolos
Nota: 4,5/10

sábado, maio 12, 2012

Loios Branco 2011

Este é um vinho descomplicado, bom para uma conversa à tardinha enquanto sardinhas e febras se grelham no carvão. A piscina, entre mergulhos, é outra hipótese. Tem a virtude de só ter 12,5% de álcool, ideal para tempos quentes e sem preocupações. Entretém, passa sem fazer estardalhaço. Está longe de ter interesse, embora bem feito. Está como se quis. No nariz, algo austero, sempre se revelam notas cítricas e de ameixa branca. Na boca é curto.
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Origem: Regional Alentejano
Produtor: J. Portugal Ramos
Nota: 4/10
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Nota: Este vinho foi enviado para prova pelo produtor.

sexta-feira, maio 11, 2012

Grandes Quintas Tinto Colheita 2009

Como se percebeu pelo texto de ontem, o colheita seria comentado em breve. Hoje é o dia. A Casa de Arrochella tem mostrado uma grande consistência, regularidade na qualidade. E se os vinhos me têm agradado, este caiu-me supimpa.
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Para se ter ideia do prazer que proporcionou, refiro que recebe a nota mais elevada que dei a vinhos deste produtor, um número bem acima do esperado.
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No nariz é poderoso sem ser bruto, complexo, vasto e tradicional; notas de fumo, cereja, framboesa, um suave mentolado, especiarias, um pouco de violetas. Na boca outra explosão: com corpo forte, taninos robustos, profundidade e final prolongado.
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Origem: Douro
Produtor: Casa de Arrochella
Nota: 8/10
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Nota: Este vinho foi enviado para prova pelo produtor.

quinta-feira, maio 10, 2012

Grandes Quintas Reserva Tinto 2009

Os vinhos da Casa da Arrochella têm vindo a ser comentados aqui no blogue nas últimas colheitas. Até aqui verificou-se o que é suposto: o reserva acima do colheita. Pois o resultado de 2009 trocou-os de posição, sendo que nada correu propriamente mal ao reserva. O colheita é que trepou por aí acima.
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Embora em terreno bem positivo, este reserva tinto senti-o abaixo da edição anterior. Mas não o suficiente para lhe fazer tombar muito a nota, apenas meio ponto. Note-se que, apesar das pedrinhas que lhe mando, não deixei de apreciar. Apenas beliscou a memória das edições anteriores
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Penalizou-o a madeira, que senti pesada, tapando aromas de compota de cereja e violentas, levando as evocações mais frescas que se assomaram mas não apareceram. Na boca portou-se igualmente bem, com profundidade e corpo, fresco, equilibrado e de taninos elegantes, mas também nela notada na madeira.
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Origem: Douro
Produtor: Casa de Arrochella
Nota: 7/10
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Nota: Este vinho foi enviado para prova pelo produtor.

quarta-feira, maio 09, 2012

Quinta das Mercês Tinto 2007

Digo! Ando amuado com a generalidade dos vinhos alentejanos. Claro, que há os que saem do padrão. Este, não indo exactamente para onde eu gostaria, não está nesse grande pacote. Este tinto tem as virtudes de não ser doce, nem pesado, nem feito para barrar no pão. Antes se mostra com frescura, com aromas um pouco químicos, bem temperados com alcaçuz e notas herbáceas. Na boca escorrega com alegria, com taninos fáceis de agradar, sabores de ameixa preta e amora, com final bem interessante.
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Origem: Regional Alentejano
Produtor: Quinta das Mercês
Nota: 7/10

quarta-feira, maio 02, 2012

Marqués de Riscal Reserva 2006

O meu amigo VR tem uma fixação por este vinho, colheita após colheita. O miúdo gosta sempre. E eu também. Quero lá saber que digam que tem muita madeira… pois tem, e então?! Há vinhos que aguentam, outros que não.
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Lembro-me que o prazer foi imediato, desde a primeira vez que traguei o primeiro MRR. Nunca me desiludiu. Esta colheita resulta dum lote de tempranillo (aragonês / tinta roriz), graciano e mazuelo. Não sabendo as proporções de cada casta, suponho que a predominância continue a ser de tempranillo.
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Estagiou 26 meses em barricas de carvalho americano, donde lhe advém notas algo abaunilhadas. Mas não é só o aroma dessa vagem que ali se sente. Diria mais que são notas de especiarias: um levíssimo cravinho, uma levíssima canela em pau, vagamente café, vagamente cacau, fumo, bem se vê, notas de amora e de framboesa. Na boca mostra-se fresco, com corpo agradável, com porte aristocrático, muito elegante, com um final fantástico. Merece ser guardado, para que adquira por completo as características dos Rioja.
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Origem: Rioja
Produtor: Herderos del Marqués de Riscal
Nota: 8/10

Periquita Reserva 2009

Se fosse esquizofrénico diria que é uma perseguição, embora positiva. Não há nada a fazer, se há touriga franca no lote o mais provável é gostar. Tungas! Toma! Vai buscar! Nem que fosse por isso, este tinto já está mais do que aprovado. Felizmente não é só por isso.
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Mestre Domingos Soares Franco, que insisto em chamar-lhe enfant terrible da enologia (porque se está marimbando para as denominações de origem e outros espartilhos, fazendo e dizendo o que muitos silenciam – embora nem sempre concorde, no que respeita às denominações), é mesmo mestre. O homem é daqueles que tem toque de midas. Um vinho deste preço com esta qualidade é de aplaudir, digo eu que me marimbo para a chamada relação entre a qualidade e o preço, que ronda os oito euros.
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É um vinho muito fácil de se gostar, com jeito português e da região, embora salte a cerca. No nariz é complexo e desafiante, com notas fumadas que não ocultam a fruta do bosque, nem as cerejas, as especiarias, a folha de chá, evocação de café e de chocolate, e quiçá folha de louro, em quantidade pacata. Na boca tem boa estrutura, com corpo e frescura (não é um frigorífico, bem se vê), final com boa dimensão.
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Origem: Regional Península de Setúbal
Produtor: José Maria da Fonseca
Nota: 7/10
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Nota: Este vinho foi enviado para prova pelo produtor.

terça-feira, maio 01, 2012

Portas da Herdade Reserva 2010

Mais uma corrida, mais uma viagem. Poupo-vos os louvores à dupla de enólogos. É um alentejano moderno mas em consenso com o passado. Não me refiro à talha, mas ao perfil mais aborrecidamente internacional. É moderno, mas só fala línguas estrangeiras se lho pedirem. Agrada-me isso.
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Fez-se com as castas aragonês (40%), alfrocheiro (20%), alicante bouschet (20%) e touriga nacional (20%). É agradável ao nariz com as notas violetas – certamente da touriga, que pelo Alentejo costuma resultar em compota – fruta do bosque, algum suave fumo, muito suave mesmo… Na boca mostra-se com boa estrutura, frescura e final a contento. Notei, com agrado, o comportamento da touriga nacional (penso que será dela), que revela frescura.
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Origem: Regional Alentejano
Produtor: Companhia das Quintas
Nota: 5/10
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Nota: Este vinho foi enviado para prova pelo produtor.