ponto de ordem à mesa

O mundo gira e dá voltas. Teimosamente às voltas. Pensava que o joaoamesa.blogspot.com estava morto ou, pelo menos, em estado de coma. Ou pior, sem qualquer sinal vital, ligado à blogosfera por nostalgia e arquivo. Mal morto, o blogue mantém o endereço, mas muda de título.

sexta-feira, março 30, 2012

Quinta da Viçosa S.T. 2009

Ora muito belamente… Este é um daqueles vinhos que me baralham, porque tem tanto de positivo como de encanitanço. Bem se vê que não há vinhos perfeitos, até porque a perfeição é divina, e se fosse humana seria subjectiva.
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Pois bem, este tinto é de grande categoria. Mas não me impressionou. Ou melhor, o que me impressionou foi o que não gostei: a madeira! E eu que bem gosto de madeira no vinho…
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Penso, na minha singela cultura, que teve demasiado tempo em barrica. O tempo não se mede em tempo (assim mesmo a expressão), mas em traço sensitivo. Foi um ano em meias pipas de carvalho… pelos vistos, demasiados dias para o meu gosto.
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O S e o T abreviam as castas sirah e trincadeira, a primeira plantada em solo argilo-calcário e a segunda em xisto. Diz o rótulo: single vineyard.
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Em todo ele se vê a atenção e o cuidado. Por isso, não lhe posso apontar nada na qualidade. Só mesmo na apreciação subjectiva que é o gosto, da qual resulta a nota.
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Trata-se dum vinho bastante concentrado, com notas olfactivas de especiarias, tabaco e alguma coisa de fruta vermelha. Na boca é sedoso e elegante, tem um final prolongado. Ganha se aberto com antecedência, no caso dei-lhe duas horas, na segunda garrafa. Promete boa evolução com os anos.
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Normalmente, nestes casos de desacerto, digo a nota de mérito e chuto com a minha pessoal, justificando a redução do valor. Pois bem, na presente situação faço o oposto: dou-lhe meio ponto abaixo na apreciação pessoal do que na nota final. A equipa de João Portugal Ramos merece ser tratada com inflação, pois admito que, muito possivelmente, a minha apreciação possa ser injusta.
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Origem: Regional Alentejano
Produtor: J. Portugal Ramos
Nota: 8/10
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Nota: Este vinho foi enviado para prova pelo produtor.

quinta-feira, março 29, 2012

Quinta do Crasto Porto Finest Reserve

Já dizia alguém antigo (não me apetece ir aos calhamaços ver quem foi) que há mais tipos de Vinho do Porto do que de fitas numa retrosaria. Este pertence à família dos rubys, vinhos que desconhecem a marcação por madeira, e de lote de diferentes anos, pelo que não pode ostentar data de colheita.
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É um vinho que não tem praticamente nada para contar. Cumpre o seu papel, conformado numa prateleira pouco acima do nível primeiro a contar de baixo. No seu segmento será do que de melhor se faz… mas, como referi, nada tem para contar.
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Acima do mero «docinho», mostrou-se muito licor de ginja, com uma vaga aparição especiada. É fácil, guloso e macio. Cumpre bem com uns bolinhos em ambientes descontraído.
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Origem: Vinho do Porto
Produtor: Quinta do Crasto
Nota: 4,5/10

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Nota: Este vinho foi enviado para prova pelo produtor.

quarta-feira, março 28, 2012

Quinta do Crasto Azeite Virgem Extra Selection

A Quinta do Crasto apresentou o seu novo azeite Virgem Extra Selection, nascido já nesta campanha. Trata-se da segunda marca da casa, depois do Premium, apresentado no ano passado.
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Embora este numa segunda linha, a este azeite não falta qualidade ou autenticidade da região. Este óleo mostra-se fresco e especiados, levemente picante e suave. Resulta do esmagamento de azeitonas das variedades cobrançosa e madural.
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Nota: Este azeite foi enviado para prova pelo produtor.

segunda-feira, março 19, 2012

Pispalhas Colheita 2010

Há vinhos que sejam o que forem são excelentes! Não digo isto com qualquer cinismo. Justifico. O prazer de fazer algo nosso ninguém pode tirar. Mostramos aos amigos o fruto do nosso esforço, ainda que a coisa esteja cheia de defeitos.
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Duvidam? O que se pode dizer de toda a multidão, que se não una, de pais, tios, «tios», madrinhas e padrinhos e amigos que ostentam, nos locais de trabalho, os gafanhotos, riscos e tosquices da lavra das suas crianças?
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– O meu filho é o mais lindo e o mais doce!
– Ai que desenha tão bem!
– Ai, tem tanto jeito.
A criança é sempre sobredotada. Mesmo quando canta mal e faz récitas lá por casa.
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Ah, pois, as crianças! E os adultos que frequentaram uma escolinha de desenho e pintura e fazem umas coisas toscas que têm o desplante de se orgulharem e pôr na parede lá de casa?
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E as pianadas autodidactas? E o chefes de cozinha caseiros que queimam a carne e a secam no forno, mas que está tão gostozinha? E os ovos mexidos da mãe fritos em margarina?
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Bem, acho que já perceberam o meu argumento. Tudo isto é válido e justo. Pelo menos aos nossos olhos e aos dos nossos. Não importam os defeitos, mas o esforço, carinho e empenho nas nossas obras. Obras que, não ficando num «museu» para a posteridade nem num compêndio da especialidade, são memórias felizes. Valor? Só o subjectivo (se é que há algum concreto e objectivo – isso é outra estória) e o que pode resultar de um dia, longínquo, do achamento arqueológico.
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Pois, outro dia chegou-me, via MM e AT, um vinho caseiro… aqueles purinhos do produtor, que mais ninguém tem nem encontra. Raridade que se oferece a quem damos valor pessoal. Um amigo ofereceu-lhes uma botelha, que quiseram partilhar comigo, com o devido assentamento do vitivinicultor, na condição de lhe dedicar uma nota no blogue.
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Cumpro aqui o compromisso, com prazer e honra. É um vinho que se fosse posto à venda, e tivesse alguma pretensão, levaria nota 1. Mas não, é um líquido honesto, que não quer ser mais do que aquilo que é. Cheio de defeitos, por isso mesmo didáctico. Penso que todo o enófilo deve calibrar o gosto e cultiva-lo, com toda a espécie de vinho, dos especiais aos fora de série, bons, medíocres, maus, étnicos, populares, curiosos e analfabetos, não que esta seja uma hierarquia classificativa. Chama-se cultura geral.
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O Pispalhas é um palheto, coisa desaparecida das prateleiras da seriedade, que se centra nas fáceis exigências do mercado, ainda que quase ninguém os possa comprar. Hoje, tanta gente faz vinhos e vinhinhos internacionais que podem ser de qualquer lado do mundo e que, por bons que possam ser, não têm interesse nenhum.
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Gosto da cultura do vinho, da etnicidade, da diferença. Reconhecendo a qualidade que têm ou deixam de ter, gosto que hajam vinhos como o Pispalhas, que mantém viva o que são séculos de tradição.
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Pispalhas, que é vinho que não se encontra, nem me aparece nos dicionários cá de casa. Palavra escondida, bem aplicada a um vinho anónimo.
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Se há quem defenda que se deve acompanhar uma comida local com um vinho com a mesma origem, este, como uma multidão de vinhos amadores, deve ir com a comida caseira da sogra, que nos engorda nas visitas à aldeia onde reside, e nos serve iguarias de pica no chão, de porco morto em casa e hortaliças da horta.
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Dizia, o Pisplhas é um palheto. O rótulo, feito em impressora caseira, tem muito mais informação do que a maioria dos vinhos profissionais. O que demonstra o orgulho e vontade de quem o faz.
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Sem contra-rótulo, a fronha diz tudo: fotografias «piqueninas» dum cacho de uvas e do pai ou avô do viticultor. Em baixo, a quase todo o comprimento do papel, a foto da ponte antiga de Chaves.
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Dizeres de «vinho tinto regional, colheita de 2010», sem qualquer selo oficial, bem se vê. Para quê, se é genuíno e autêntico e não vai mais longe do que a adega na garagem? Diz assim: «Produzido na encosta solarega do Tabolado, Outeiro Seco, a partir de castas tintas – Trincadeira, Tinta Barroca, Touriga Nacional, Aragonez… e de castas brancas, – Malvasia, Bical (borrado das moscas), Grês, Bual, Verdelho… – vinificado em barris de madeira, apresenta uma cor suave e aromas a frutos vermelhos maduros». Tem 15 graus de álcool e é assinado por António Chaves.
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Como se vê, apesar do enumerar das castas, com sinonímia escrita não ser a usada no local donde vem, dever ser punido com palmatória, tem mais informação que tanta coisa, mesmo das caras e desejadas, que desfilam nas revistas e supermercados.
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O que dizer? Tem o vermelho desbotado dos palhetos, mas é baço, translúcido. O aroma é austero, não diz nada… nem floral, nem vegetal, nem frutado, nada. Nem mesmo como muitos que se revelam depois de abertos há horas. Na boca é enjoativo, doce… é chato, não há ali acidez que acorde a boca. Encortiça a língua, sem que se veja aí vantagem ou intensão.
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Todavia, é, para o produtor, certamente, o melhor vinho do mundo. Compreendo e aceito. Um aplauso para António Chaves, porque mantém viva a produção caseira de vinho, para autoconsumo, para os amigos, para a gente da terra e, talvez, para alguém que lhe bata à porta de casa para o comprar.
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Origem: sem indicação (Chaves)
Produtor: António Chaves & Filhas
Nota: X/10

sábado, março 17, 2012

Grão Vasco Branco 2010

Se há coisa que me chateia é haver Grão Vasco no Douro e no Alentejo! O Grão Vasco é de Viseu, do Dão. Não falo apenas da marca, que isso é o menos, mas do pintor. Balelas! O Nuno Gonçalves é de Lisboa, Cristóvão de Morais estudou em Antuérpia e é de Lisboa e o Silva Porto é do Porto… por que raio há-de haver um vinho do Alentejo chamado Grão Vasco? O belo chaparro é do Rei Dom Carlos… chamassem-lhe Rei Dom Carlos!... Aborrece-me!
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Pim! Pã! Pum! O Grão Vasco é do Dão e, se gostei do tinto, adorei o branco, das castas encruzado, bical e malvasia fina. Um dá aroma, outro corpo e outro sofisticação e doçura. Belíssimo!
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É que o branco, coisa à venda por menos (um cêntimo) de quatro euros, dá um prazer do caraças. Quero lá saber da relação entre a qualidade e o preço, mas, se quisesse, esta coisinha vale mais do que muitos a 12 euros!
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Ah, pois é, bebé!... E mai nada!
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Fresquíssimo, sedutor, insinuante, festivo… dá para o Inverno e para o Verão! Peixe cozido (blheck!), peixe assado (blheck!), carne de aves, vegetariano encorpado, piscina, convívio… blá, blá, blá!
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O meu amigo VR achou-lhe maracujá… maracujá, uma ova! Bastava senti-lo e queria logo uma outra coisa! Tropical? Também, mas diria banana. Herbáceo, talvez salsa. Mineral, fresco. Final com bom acabamento.
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A verdade é que na Sogrape sabe-se o que se anda a fazer. É uma empresa familiar, é. Mas é uma multinacional. Em vendas é mais que não sei quantas das seguintes juntas! É verdade. Mas há outras, muito grantes, que, sabendo o que fazem, não fazem nada de jeito!...
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Pronto, já sei! Podem acusar-me de dizer bem da Sogrape... primeiro do Esteva e depois do Mateus… agora deste branco… mas se vêm com conversas, só tenho a dizer: blá, blá, blá, Whiskas saquetas!!!
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Origem: Dão
Produtor: Sogrape
Nota: 7/10
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Nota: Peço desculpa, mas não consegui a versão do anúncio em português de Portugal. Vai dar ao mesmo, toda a gente sabe... e eu sei que você sabe que eu sei...

sexta-feira, março 16, 2012

Quinta do Quetzal Reserva 2010

Alô, alô Vidiguêra… belo branco… antão vaz, lá tinha de ser. E eu a dar-lhe na antipatia. Não é culpa do produtor, do enólogo ou do vinho… sou eu que embirro com a casta. Para o bem e para o mal, esta coisa, chamada blogue, faz-se da minha egocêntrica opinião.
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Bem, o produtor está aplaudido pela qualidade e empenho. O enólogo, Rui Reguinga, não precisa de elogios, é um dos melhores em Portugal (quem sou eu), o vinho está muito feliz, embora eu tenha a infelicidade de implicar com a casta… amores e desamores.
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Penso que o estágio em madeira dá força. O resultado é melhor do que o vinho da casta furiosamente à solta. A madeira (que não é excessiva) o trava… ainda bem! Lá tem a tropicalidade, de que não morro de amores, mas tem também as notas de especiarias e um certo abaunilhado. Acidez, fixe. Final, contente.
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Origem:  Alentejo
Produtor: Quinta do Quetzal
Nota: 6/10
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Nota: Este vinho foi enviado para prova pelo produtor.

quinta-feira, março 15, 2012

Guadalupe Branco Selection Branco 2010

Este vinho tem uma virtude (mais do que uma, aliás), que é a de exprimir bem uma casta: a antão vaz. O problema é que não morro de amores pela antão vaz… and so what? (e então?)… Que o vinho é bom… lá isso é.
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Vai bem e descontraído. Para mim (aqui neste bloco egocêntrico apenas falo por mim e basicamente pelo meu gosto) bate-se de mano a mano com o entrada de gama, o que publiquei ontem.
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Bem sei que os vinhos não são iguais… ah pois não são. Bem sei que o trabalho e, certamente, o empenho não foram os mesmos… achei-o um meio termo. Entre o anterior e o seguinte. Aquém do adiante e pouco mais que o outro.
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Para ser honesto, gostei mais do despojamento do «básico». Gostei mais da elaboração do terceiro. Entre os dois, este ficou comprimido, caindo para o anterior. Para o meu gosto, o que aqui importa, excede-se no antão vaz. Mas como disse, não morro de amores pela casta.
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Origem:  Regional Alentejano
Produtor: Quinta do Quetzal
Nota: 5,5/10
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Nota: Este vinho foi enviado para prova pelo produtor.

quarta-feira, março 14, 2012

Guadalupe Branco 2011

Ora cá está um vinho a exigir Verão. Correcto, escorreito, agradável e fresco. Para mim vai bem com pizza, que é coisa que apetece no Verão… então pizza com figos… adoro e vai lindamente com este branco da Vidigueira.
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Rui Reguinha sabe bem o que faz e faz, com justiça e mérito, vinhos para fácil agrado. Catita, este branco. Leve, nada chato, consensual. Feito de antão vaz, que mais poderia ser, roupeiro, bem alentejano, e arinto, hoje nacionalizado. Fresco. Fresco. Fresco. Guloso. Já me vejo… deixem o Verão chegar… e verão…
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Origem: Regional Alentejano
Produtor: Quinta do Quetzal
Nota: 5,5/10
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Nota: Este vinho foi enviado para prova pelo produtor.

terça-feira, março 13, 2012

Domingos Soares Franco Colecção Privada Verdelho 2011

Ah! Estalou na língua. Pelo corpo, todo um arrepio de prazer. Não confirmo nem desminto que estava bem acompanhado ;-) . (Ups! Meti um smiley na prosa).
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Este é um branco como gosto! Macho e delicado. Tem um corpo que seduz, um final muito aplaudido, uma acidez de fibra… no nariz tem muito do que gosto, quase tudo: floral, citrino, casca de laranja, verduras, minério… O papel de apoio refere damascos, mas devo andar mesmo com problema com os prunídeos (prunídios – não se escrever a palavra).
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Origem: Vinho Regional Península de Setúbal
Produtor: José Maria da Fonseca
Nota: 7,5/10
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Nota: Este vinho foi enviado para prova pelo produtor.

segunda-feira, março 12, 2012

Domingos Soares Franco Colecção Privada Moscatel Roxo Rosé 2011

Assumo que não percebi este vinho. Não é um rosado ali do molho, mas não fiquei esmigalhado, coisa que me acontece com frequência com os néctares do mestre Domingos Soares Franco.
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Sim, é diferente. O conceito do moscatel em rosé não é original, mas não é comum. A do moscatel roxo é, provavelmente, a bizarria do «enfant terrible» da enologia portuguesa. Domingos Soares Franco pode ser iconoclasta, mas sabe bem o que quer fazer e o que faz.
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Devo-lhe o benefício da dúvida. Certamente não percebi, por alguma razão, este vinho, que defeitos não tem um para embirrar.
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Vai bem fresco e para os dias que se querem felizes. Rosado como a cor que diz ter (na verdade é salmão), delicado e fino. Boca elegante…
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Mas… esperava algo mais diferente…
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Origem: Vinho Regional Península de Setúbal
Produtor: José Maria da Fonseca
Nota: 5,5/10
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Nota: Este vinho foi enviado para prova pelo produtor.

Revista de Vinhos «planta» oito árvores

O jantar dos Prémios da Revista de Vinhos, que decorreu a 10 de Fevereiro, rendeu a plantação de oito novas árvores. A Revista de Vinhos associou-se à Quercus na campanha «Green Cork»  e à Corticeira Amorim, através da recolha  para reciclagem de rolhas de cortiça  das garrafas abertas durante o jantar.
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Durante  este evento «Os Melhores do Ano 2011»  foram abertos mais de  3.000  garrafas de vinhos, oriundas das mais diversas regiões vitivinícolas e foram apurados 7,5kg de rolhas.
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Com este total de rolhas recolhidas, serão plantadas oito árvores de espécies autóctones, na Serra da Carregueira, Belas, no concelho de Sintra, anunciou a publicação.
A campanha «Green Cork», para além de ser o primeiro programa nacional para a recolha de rolhas de cortiça, permite a produção de produtos diversos, através da reciclagem, como materiais de construção e isolamento, ou componentes industriais.
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Os benefícios financeiros com a entrega das rolhas, nas instalações da Corticeira Amorim, são convertidos em acções de recuperação e conservação da natureza, ao abrigo do programa «Floresta Comum», que conta plantar ainda este ano cerca de 40.000 árvores das espécies que constituem a nossa floresta autóctone, entre as quais o sobreiro.
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Desde 2009 a Quercus já promoveu a recolha de 85 toneladas de rolhas, nos diversos canais de recolha.

domingo, março 11, 2012

Quinta de Camarate Branco Seco 2011

Olá, olá… este é mais ao meu estilo, face ao doce, o de ontem… mas marcou-me muito mais o outro. Não digo melhor…
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Esteve muito bem e promete-se para os dias quentes que, sabemos, hão-de vir. Não é bem um vinho de piscina, mas dá bem para os mergulhos. Comigo marchou com uma frangada… nada de frango no carvão… coisa aparicada… mas não quero dizer como foi! E mai nada!
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O mestre Domingos Soares Franco deu-lhe com o alperce nos descritores, mas devo andar com miopia aos prunídeos (prunídios? – não sei como se escreve). Bananoca, confere. Lima, confere. Espargos, está boa, bem sabia que aquele aroma me era conhecido. Acidez feliz e um final bem agradável.
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Origem: Vinho Regional Península de Setúbal
Produtor: José Maria da Fonseca
Nota: 6,5/10
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Nota: Este vinho foi enviado para prova pelo produtor.

sábado, março 10, 2012

Quinta de Camarate Branco Doce 2011

Ora aqui está uma coisa, para mim, tão improvável como dizer bem do José Sócrates. Branco doce? Afaste de mim esse cálice.
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Cale-se!
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Quando me lembro de branco doce vem-me sempre à cabeça um vinho que sempre detestei, o João Pires, ícone da moda na década de oitenta e sumido desde a de noventa.
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Ao contrário do senhor Pires, a doçura deste branco vem do alvarinho (67%) e da loureiro (33%), cepas da região dos Vinhos Verdes. De facto, o resultado é bem diferente. É que conforme seduz, a(s) casta(s) moscatel podem tender para chato. Como Domingos Soares Franco lhe «injecta» a doçura não sei, mas o mestre sabe o que faz!
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É um vinho floral, rosáceo, mas menos frágil. O mestre fala em pêssegos, mas a coisa passou-me ao lado. De facto, há ali qualquer coisa carnuda, entre o rijo e o doce, mas não me pareceu pêssego. Já as citadas nozes se dão com elas mais facilmente. É gordo na boca, mas não é um cozido à portuguesa… calma, que o vinho é bom para o Verão!
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Origem: Vinho Regional Península de Setúbal
Produtor: José Maria da Fonseca
Nota: 6/10
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Nota: Este vinho foi enviado para prova pelo produtor.

sexta-feira, março 09, 2012

2 – Esporão Duas Castas Semillon Viosinho 2011

– O que vamos beber ao jantar?
– Dois.
– Dois, o quê? Dois vinhos?
– Pode ser…
– Pode ser o quê?
– Pode ser que bebamos dois vinhos…
– E vamos beber o quê?
– Dois…
– Dois, o quê? Já me estás a irritar com o mistério!
– Dois é o nome do vinho.
– Ah! Porquê?
– Porque é feito com duas castas… a viosinho e a semilhão…
– Hã? Não percebi…
– Viosinho é uma casta do Douro e semilhão é de Bordéus, de Sauternes…
– E chama-se assim, semilhão?
– Não! Eu é que acho graça chamar-lhe assim…
– Parvo!
– (Sorriso imbecil).
– E então, não se bebe nada?
– Tens aí o saca-rolhas e vai soltar o viosinho e o semilhão.
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Se tinha gostado do V, gostei deste bem mais. Notas? Cá vai: uma boca elegante, um final até ali à frente. No nariz, a casca de tangerina reina, mas há aromazinhos de pedra. Delícia.
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Origem: Regional Alentejano
Produtor: Esporão
Nota: 7,5/10
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Nota: Este vinho foi enviado para prova pelo produtor.

quinta-feira, março 08, 2012

Esporão V – Esporão Verdelho 2011

– O que vamos beber ao jantar?
– Esporão Verdelho…
– Vermelho?
– Não, fedelho!
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Garanto que foi mais ou menos assim… sem tirar nem pôr, mais coisa menos coisa e basicamente isto.
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É uma frescura, todo ele. E eu, como muitos, a pensar que os brancos alentejanos são chatarrões… e são-no muitíssimas vezes. Quem sabe fazer vinho… fá-lo bem.
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É muito fino e elegante, vai pelo mundo fora sem vontade de parar, mas pousadamente para que se possa apreciar. Não, não é um branco para a piscina, coisa que já aqui escrevi que gosto… de piscina e de brancos prá piscina.
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O nariz é frescura, com toques limonados e notas herbáceas. Ainda que o produtor o diga, desminto. Não há maracujá. Facto que, só por si, me faria reduzir, em muito, a apreciação. A boca é perfumada, longa, um encanto.
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E come-se o quê para acompanhar? A(o) namorada(o) ! Não há coisa melhor que o romance. Este vinho engata qualquer um(a) que se sente com ele à mesa.
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Origem: Regional Alentejano
Produtor: Esporão
Nota: 7/10
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Nota: Este vinho foi enviado para prova pelo produtor.