ponto de ordem à mesa

O mundo gira e dá voltas. Teimosamente às voltas. Pensava que o joaoamesa.blogspot.com estava morto ou, pelo menos, em estado de coma. Ou pior, sem qualquer sinal vital, ligado à blogosfera por nostalgia e arquivo. Mal morto, o blogue mantém o endereço, mas muda de título.

terça-feira, janeiro 31, 2012

Periquita Branco 2011

O tinto é o mais clássico dos clássicos, a marca de vinho de mesa mais antiga do país e uma das mais antigas do mundo. A variante branca é bem mais recente, sendo esta a sua sexta colheita.
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No nariz é fresco, com notas cítricas, algumas herbáceas e com mineralidade, tendo ainda o apetite da baunilha. A boca ficou atrás, enjoando-me um pouco. Mas nada que estragasse o ramalhete.
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Origem: Regional Península de Setúbal
Produtor: José Maria da Fonseca
Nota: 5/10
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Nota: Este vinho foi enviado para prova pelo produtor.

segunda-feira, janeiro 30, 2012

BSE 2011

Esta marca é um clássico. Tem ao longo dos anos alegrado os verões e o tempo quente. O que tem de mais notável é a complexidade num vinho deste preço, fruto duma sábia conjugação de castas.
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Há anos que não bebia um. Há uns três meses fui jantar a casa do Viriato e da Sandra, que me serviram um da colheita de 2010. Surpreendi-me pela qualidade fresca revelada. Não é um grande vinho, mas é uma aposta descomplicada e descontraída. Sinceramente, apreciei.
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Chegou-me há dias a casa a nova colheita, referente a 2011. Se fosse um peixe ainda saltitava de vivo no balcão da peixaria.
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No nariz revelou-se tropical, mas, graças a Deus, sem a «porcaria» do maracujá, que é fruta que me encanita, sobretudo no vinho. Tem a frescura do ananás e a gordura da banana. Na boca é muito fresco, suave, fácil.
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Origem: Regional Península de Setúbal
Produtor: José Maria da Fonseca
Nota: 5/10
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Nota: Este vinho foi enviado para prova pelo produtor.

domingo, janeiro 29, 2012

Duorum Colheita Tinto 2010

Quem me lê com regularidade já sabe, quem só me lê agora fica a saber… metam touriga franca no lote e o João fica contente. É assim! Se eu fosse o Robert Parker… tourigava, francamente, esta casta duriense.
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Pois aqui, com 40% de touriga franca… zás! O João gosta.
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Muitos vinhos tintos do Douro são encalorados, mas este revelou-se elegante e com frescura. Para mim, preferia-o com um pouco mais de corpo. Gostei da acidez e do final com um prolongamento bem fixe. No nariz nota-se bem a touriga nacional (40%), com as notas de frutos vermelhos e alguma violeta, com a touriga franca, com os componentes de frutos do bosque. Madeira presente, mas civilizada.
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Origem: Douro
Produtor: Duorum Vinhos
Nota: 6/10
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Nota: Este vinho foi enviado para prova pelo produtor.

sábado, janeiro 28, 2012

Esporão Reserva 2009

Os reservas do Esporão são já clássicos. Não deve haver ninguém (fora dos enófilos, profissionais e enochatos) que não os conheça. Fizeram o nome da casa, furaram nas ementas o lugar de aposta segura, no que respeita a qualidade.
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Tem umas notas vegetais, conferidas pelo cabernet sauvignon, que lhe aliviam o peso. Revela algumas notas de anis, frutos vermelhos e notas de madeira. É um vinho que se mantém fiel ao perfil da herdade, com elegância e pujança.
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Como é hábito, o Esporão tem o bom gosto de convidar um artista para ilustrar os rótulos. Desta vez, a coleção é da autoria de Rui Sanches.
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Origem: Alentejo
Produtor: Esporão
Nota: 7/10
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Nota: Este vinho foi enviado para prova pelo produtor.

sexta-feira, janeiro 27, 2012

Esporão Private Selection Tinto 2008

Uma bela pomada, é o que vos digo! Não é a primeira, nem será certamente a última, ai de mim, que aplaudo um Private Selection do Esporão. Dizer que é bem feito, já toda a gente sabe.
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Trata-se dum vinho de perfil moderno-alentejano. Ou seja, um retrato do que melhor se faz na região. O projeto do Esporão veio muito antes da moda, demonstrando uma enorme percepção do potencial. Trouxe novas ideias. Hoje muitas casas a imitam ou nela se inspiram.
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Sou um conservador e nostálgico da herança, tradição e cultura do vinho alentejano. Este não tem nada a ver. Não é mau, é apenas diferente. O Esporão tem a virtude de ter visto mais além muito cedo.
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Ando um pouco cansado dos vinhos muito internacionais, não desvalorizando nunca a sua qualidade. O que é bem feito é bem feito e, mais do que bem feito, surpreende, traduz o ano em que nasce. É um vinho à parte no panorama.
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Deu-me muito gozo bebê-lo. Elegante, mas com tronco respeitável. Rico e envolvente na boca, com final longo e acidez que desencoraja qualquer chatice. No nariz traz os clássicos ameixa preta e mirtilos, com nuances de chocolate preto e madeira fumada, bem integrada.
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Trata-se dum garrafeira, vinho que estagiou em garrafa por 18 meses. Antes fez a malolática em barricas de carvalho francês, onde descansou. É feito de aragonês, trincadeira, cabernet sauvignon e alicante bouschet. É um alentejano moderno… DOC novo mundo, território onde castas estrangeiras são consideradas tugas… mas isso é polémica que não vem ao caso.
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Como é hábito, o Esporão tem o bom gosto de convidar um artista para ilustrar os rótulos. Desta vez, a coleção é da autoria de Rui Sanches.
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Origem: Alentejo
Produtor: Esporão
Nota: 8/10
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Nota: Este vinho foi enviado para prova pelo produtor.

quinta-feira, janeiro 26, 2012

Vinho do Porto festeja Eusébio

A @drink-business e a Quinta das Gregoças homenageiam Eusébio da Silva Ferreira, antiga estrela de futebol do Benfica, com a edição limitada de um Vinho do Porto. Esta iniciativa celebra os 70 anos de vida do que, para muitos, o melhor jugador português de todos os tempos.
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Trata-se duma série limitada do vinho, estagiado em madeira, Very Old Port Wine, de apenas 638 garrafas magnum, tantas quantos os golos marcados pelo «Pantera Negra» ao serviço do Benfica. Os rótulos são assinados por Eusébio. Cada exemplar custa 335 euros.

quinta-feira, janeiro 19, 2012

Gazela Sparkling

O vinho é uma bebida de socialização e divertimento, entre outras coisas, que varia entre o insuportável e o sublime. Quando bebi esta garrafa ocorreram-me os Lancers Free, sem álcool. Este tem álcool, mas o que tem em comum é a sua absolutamente provável ausência nas mesas dos enófilos, dos mais presunçosos aos prosaicos, dos eruditos aos presunçosos.
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Ninguém, com carta de bom gosto e iluminação, coloca um Free ou um Sparkling na mesa… uns dirão que não é vinho, outros estão no cimo duma burra e nem olham para baixo. Para mim fazem mal! Porque no experimentar e conhecer não se deve ter limites. Por outro lado, prova-los é assumir, reconhecer, que o vinho também é uma bebida, como o refrigerante, o sumo, o chá, a cerveja… não vejo mal nisso. O vinho tem tanto de elitista como tem de popular, talvez até mais de popular.
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Não, não gostei deste vinho. Mas fico contente por que haja vinhos nesta prateleira, e não apenas para se poder dizer mal. Dizer mal só gosto dos presunçosos. Gosto do que cria postos de trabalho, gera riqueza e dá momentos de felicidade. Acredite! Não gosto do vinho, mas gosto do que representa.
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Não quero escrever mal só para bater no ceguinho… que tem a efervescência dos sais de fruto, a personalidade 7 Up e que é fixe para sardinhadas no pino do Verão, em tronco nu, com a barriga corada esticada em pança. É isso tudo, mas não é isso apenas.
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É bom para o Verão, porque descomplica. Irá bem com sardinhas assadas (que não como) porque, pelo cheiro dos peixinhos, as deve desengordurar. É feliz porque é funcional, com seus 11% de álcool… Verão de tintol de 15%, Deus me livre. Patuscadas no cansaço da praia a beber Barca Velha, bolas! É para esses momentos de lazer que este vinho serve. É para se beber e deixar brilhar outras coisas da vida, que não apenas a grande comida, a pompa e a solenidade. Não é caro e é fácil. Tcharã! O que querem mais?
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O vinho é uma bebida e é bom que divirta. Para isso basta haver gente bem disposta… Esta é uma bebida bem feita, cumpre, certamente, os parâmetros estabelecidos pelos comerciais, após estudos de mercado em painel de consumidores comuns. Vindo de onde vem, sei que a enologia trabalhou com competência e traduziu em bebida-produto o que se lhe pediu. No que respeita a qualidade de bebida, nada a apontar. Quanto a alma… lamento.
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Como mais uma vez expressei aqui, os meus critérios são assumidamente subjectivos, mas não penalizarei um vinho apenas porque não gosto, sem referir uma nota alternativa, não oficial nem final. A nota do reconhecimento de qualidade e competência, 3 ou mais. A minha particular e a que conta, 2.
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Origem: vinho de mesa
Produtor: Sogrape Vinhos
Nota 2/10
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Nota: Este vinho foi enviado para prova pelo produtor.

terça-feira, janeiro 17, 2012

Aqueduto reaberto

Reabriu em Évora o restaurante Aqueduto, localizado num edifício histórico da cidade, informou o estabelecimento. «O conceito baseia-se na confecção dos pratos alentejanos mais típicos, acrescentando-lhes a modernidade entendida, proporcionando ao consumidor novas experiências».
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O Aqueduto «pretende também demarcar-se pela cultura do vinho. A carta de vinhos, com mais de uma centena de referências, coloca ainda à disposição do cliente cerca de duas dezenas de néctares a copo».

TRePA vence na China

O TRePA tinto 2007 foi distinguido como um dos melhores vinhos à venda no mercado asiático, informou o produtor em comunicado.
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O galardão foi atribuído no âmbito do Ruby Award Top 100 Wines in China 2011, concurso promovido pela revista Wine in China. Com 89 pontos, este vinho de lote do Douro (Quinta do Pôpa) e Bairrada (Luís Pato) surpreendeu o júri, constituído por um painel internacional de críticos, integrando assim o Top 100-2011.
«Este é um vinho que surge da concretização do sonho de Luís Pato (enólogo da Quinta do Pôpa), ao combinar uvas do Douro e da Bairrada. O ‘TRePA’ combina a casta Tinta Roriz, proveniente de um dos vinhedos de letra A da duriense Quinta do Pôpa, com a potente baga da Vinha Pan», lê-se no texto oficial.
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O nome TRePA derivou da junção de TR (Tinta Roriz) e PA (vinha Pan), tendo a sua expressão visual na mistura das duas tonalidades das uvas respectivas. Em Portugal é possível encontrarem-se ainda à venda algumas garrafas de ‘RePA tinto 2007, «muito embora, no nosso país este vinho seja comercializado com o nome PAPO, estando para breve o lançamento da nova colheita (2008)».

Wine Spectator elogia Quinta do Vallado

Quinta do Vallado Touriga Nacional 2009 foi destacada pela revista Wine Spectator destacado na lista dos vinhos «Mais Recomendados», informou o produtor em comunicado.
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 O vinho desta casta nacional da Quinta do Vallado «está também no topo das preferências da revista The Wine Advocate», alcançando 92 pontos, «uma das mais elevadas pontuações atribuídas a vinhos portugueses».

Casa de Saima Garrafeira 2001

Não tenho muito a dizer: ide comprar. Bairrada à séria, com 95% da casta baga. Sem as castas típicas francesas que nos querem impingir como naturalmente naturais dos barros do centro português. Ide, ide comprar. Vinho que sabe envelhecer. Ide, ide. Sei que se vende na Garrafeira Campo de Ourique, onde o mestre Santos ou a pespineta Mafalda rulam. Ide, ide.
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Origem: Bairrada
Produtor: Casa de Saima
Nota: 8/10

sexta-feira, janeiro 06, 2012

Aliança Particular Bruto 2007

Isto está complicado! Achei que tinha perdido as notas dum outro espumante, dum Loridos… vi melhor e, afinal, tinha já postado esse vinho e as notas perdidas eram as referentes a este… desanimado… olhei para o lado, assim, sem mais nem menos, e estavam lá… Tenho de ir ao doutor.
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Este bairradino agradou-me numa conversa, coisa séria e compenetrada… Refiro novamente, para quem não saiba, as provas neste blogue não são científicas. Foi à conversa e palavra puxa palavra deixou-se ir com elegância, entrando no discurso para um elogio.
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Saltitante, sem agressividade. Mostrou-se cremoso, mas com génio, o que espicaça logo o prazer quando se está numa conversa séria e compenetrada. Foi um bom amigo!
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Pronto, as tão ansiadas notinhas de prova… nariz refrescante, com vivacidade cítrica, temperada com massa de pão. Na boca, a já citada saltitice sem agressividade, cremosidade com piquinho. Notas de manteiga, contrabalançada pela acidez. Um final catita.
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Origem: Bairrada
Produtor: Aliança Vinhos
Nota: 6,5/10
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Nota: Este vinho foi enviado para prova pelo produtor.

quinta-feira, janeiro 05, 2012

Editorial de aviso à navegação acerca da tabela de notas

As tabelas de pontuação têm sempre deficiências e a minha, que é, reconheço, estrambólica volta e meia dá-me chatices. Como convencer alguém que, numa escala decimal, o 3 já é positivo? O óbvio é que a fronteira entre o acima da linha de água e o abaixo estivesse no cinco. Pois, mas aqui não é. Todavia, aspectos como a qualidade intrínseca não deixam de ser tidos em conta.
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Como já disse, estas características causam-me chatices, porque leem sempre mal a tabela e/ou não reparam, não prestam atenção ou não percebem que há um editorial ao lado. O caso mais visível, por via dos comentários deixados, e que mais me irritou foram relativos à Sociedade Agrícola da Groucha e Atela: http://joaoamesa.blogspot.com/2006/08/casa-da-atela-sauvignon-2005.html / http://joaoamesa.blogspot.com/2006/08/torre-da-trindade-2005.html. Neste último caso, o responsável da casa sentiu-se no direito de atribuir-se um 8, correspondente a «fantástico». É um bom vinho, notado como «bom», mas como não leu ou não quis ler ou perceber o editorial, pensou que o positivo e o negativo se separavam no 5.
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Outra coisa que faz confusão a algumas pessoas, exatamente porque não leem o editorial, é o facto de a escala ser subjetiva. Quanto a mim são todas, porque feita por humanos. Mas esta é mesmo, mesmo, mesmo, subjectiva. As provas não são, regra geral, «científicas», os vinhos não são provados às cegas, o ambiente físico não é em absoluto o perfeito, as experiências são feitas com a presença de outras pessoas e em ambiente informal e descontraído.
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Depois, além disso, há que somar o facto de não terem uma idêntica diferença entre patamares. Ou seja: o nível 1 representa o zero, pois se um vinho é imbebível não é mais ou menos imbebível. Para quê complicar? Se um vinho é evitável… é a mesma coisa; ou se evita ou não se evita, levando todos esses um 2. Quando se passa para o terreno positivo é que convém esmiuçar. Mas, não esquecendo que a escala é estrambólica, pessoal, subjetiva e enquadrada no prazer que um vinho deu num determinado momento.
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Todavia, aspetos como a qualidade intrínseca não deixam de ser tidos em conta. Não arrasarei um vinho só porque não gosto, se ele estiver bem feito. Nessas situações faço ressalva da situação. Num caso extremo, não dei grande nota a um vinho que não é, de todo, mau. Fiz, por isso, referência a nota que poderia merecer, caso tivesse gostado do vinho… e também expliquei que pela sua qualidade intrínseca não lhe dei um 2: http://joaoamesa.blogspot.com/2011/05/t-nac-by-falorca-2008.html. Aliás, sempre que a qualidade do vinho não coincide de alguma maneira com a nota atribuída, faço ressalva disso.
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Transformando a escala decimal em centesimal, adotando a terminologia da percentagem, o sistema também não é óbvio. Se fosse uma escala «científica», a diferença entre cada nível, partindo do 3 como positivo, seria de 7,14 pontos. Assim, ao 3 corresponderiam 50%... 57,14% para o 4, 68,28% para o 5, 71,42% para o 6, 78,56% para o 7, 84,40% para o 8, 91,84% para o 9 e 98,98% (arredondando para 100) para o 10. Ainda mais confuso.
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Como há, para mim, menos necessidade de diferenças de notação do 3 ao 6, o diferencial de pontos percentuais é de cinco. Seguindo a mesma lógica da diferenciação na qualidade, do 7 para cima a separação é de dez pontos percentuais.
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Se repararem na tabela lateral, com as notas e sua explicação em palavras, ao 10 correspondem 100% +. Ou seja, a escala é aberta, como a escala de Richter, que é de notação da amplitude local dos sismos, que também «é decimal». A minha, ainda assim, não passa do 10 e a de Richter pode assumir outros números, sem um limite. Isto porquê? Porque há vinhos que atingem determinado patamar de categoria que chegam ao 10, mas podem haver outros, com a mesma nota, que os suplantam. Vejam-se os casos: http://joaoamesa.blogspot.com/2011/11/um-tesouro-um-porto-colheita-de-1882.html / http://joaoamesa.blogspot.com/2011/10/taylor-scion.html / http://joaoamesa.blogspot.com/2011/02/um-sonho-cor-de-mel.html. Para mim, à frente está o Scion, seguido Burmester Colheita 1900 e depois o «Graham’s» 1882.
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Se no jornalismo noticioso as pressões existem, suponho que no especializado (vinhos, cinema, automóveis, etc.) também aconteçam. Pois na blogosfera acontece igualmente. Volta e meia lá levo com «pressões» e «pressõezinhas» para subir uma nota. Percebo que quem produz goste de ver o seu trabalho o mais reconhecido possível. Penso que as pressões são ilegítimas, mas lido com elas, até por experiência da minha profissão.
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Há que relativizar! É necessário que quem é referido numa nota perceba que se trata dum blogue, obra de um, ou poucos, franco-atirador. Um blogue, no caso o joaoamesa.blogspot.com, não é o Financial Times, o New York Times, a Wine Spectator, a Decanter… Além do peso institucional, têm críticos duma competência, sabedoria e experiência que nenhum bloguista tem. Neste caso, o João Barbosa não é o Robert Parker, o Charles Metcalf, a Jancis Robinson ou o Paul White. Quem? João Barbosa? Não conheço, nunca ouvi falar… e lá fora: who?
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Ponhamos as coisas nos seus devidos lugares. Se por cá a crítica profissional não destrói um vinho nem uma marca, é o bloguista que o faz?
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Não estou aqui para arranjar inimigos nem para me chatear.


CARM Reserva Branco 2010

De Almendra costumam vir coisas boas, e não me refiro em especial a ninguém. É que vêm mesmo. A mais recente que me chegou foi a garrafa dum branco, que, pela prestação anual, é já um clássico. Bom e regular quer dizer valor seguro. Quanto ao preço, não sei nem quero saber.
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É um vinho desafiante, embora não seja sudoku. Os aromas vão-se revelando, mesclando, evoluindo, a boca também não é chapa quatro ou uma tela monocromática.
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É um vinho que se revela cítrico, uma casca de tangerina a enfeitar um corpo de toranja, mas, em paralelo, evocações de flores, laranjeira mas também (talvez sonhe) de amendoeira… Almendra, terra de amendoeiras… não sei, ocorreu-me. Na boca é prazentudo, gordo, fortalhaço, mas fresco, mineral.
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Origem: Douro
Produtor: CARM – Casa Agrícola Reboredo Madeira
Nota: 6,5/10
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Nota: Este vinho foi enviado para prova pelo produtor.

quarta-feira, janeiro 04, 2012

Doispontocinco, três vinhos em estreia

Doispontocinco é o nome dum novo produtor da Beira Interior, que quer centrar a sua atividade comercial nos mercados externos. Faz bem, digo eu, porque isto por cá não se recomenda a ninguém.
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Para já, o produtor apresenta três vinhos, os clássicos branco, rosado e tinto. O objetivo é que sejam acessíveis aos bolsos dos consumidores. Seja o que isso queira dizer, porque cada um sabe de suas algibeiras, a verdade é que soa a anjos no Paraíso… quem tem dinheiro, disponibilidade e vontade de se abalançar em compras farfalhudas? Ok, uma equipa de CEO de empresas respeitáveis, com sede social na Holanda, e pouco mais.
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A crise tem coisas boas. Uma delas é, para o consumidor, a queda dos preços… trazendo, agarrada, uma maior qualidade. Joga-se com esses dois fatores. O problema é quando os vitivinicultores baixam tanto as margens que ficam na penúria, trabalhando para aquecer ou só para não perder clientes. Mas isso é outra cumbersa. O que importa é o surgimento de melhores vinhos a preços mais simpáticos.
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Embora o produtor não me tenha dado estimativa dos preços de venda ao público, esse número abstrato que, a bem dizer, não diz nada… cada um pede o que quer e não há como reclamar. Sei do preço na distribuição e deduzo um valor final.
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Se o valor que prevejo estiver certo, não refiro porque não tenho bases, estes vinhos parecem-me apresentar uma boa relação entre a qualidade e o preço… cena para a qual me marimbo, talvez não devesse, quando escrevo, pois a malta curte essas coisas. Quando os vir nas prateleiras com os selos terei opinião.
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Quanto aos vinhos, não apreciei especialmente o rosé. Porém, a família está equilibrada, não há um que destoe, nem para cima nem para baixo. São vinhos muito bem feitos, com garantia de Anselmo Mendes, mestre que, para mim, está no top três dos enólogos portugueses… (oh Anselmo!... depois pagas-me em rafas)… Há que entrar aqui uma piscadela de olho, não vá alguém acreditar num tráfico de botelhas por estas bandas.
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Doispontocinco Rosé 2010
No nariz mostrou-se complexo, morango maduro. Na boca desinteressou-me o rebuçado, embora com frecura e uma secura no final lhe desse graça. Suavemente, no toque e na apreciação. As castas são a touriga nacional, aragonês, jaen e alfrocheiro.
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Origem: Beira Interior
Produtor: 2.5 Vinhos de Belmonte
Nota: 6/10
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Doispontocinco Branco 2010
Este fez-se de síria, arinto e fonte cal. De todos, foi o que mais me agradou. Tem garras. Apreciei-lhe a mineralidade, a frescura herbácea, final médio. Gostei.
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Origem: Beira Interior
Produtor: 2.5 Vinhos de Belmonte
Nota: 7,5/10
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Doispontocinco Tinto 2009
Hum! Começo pela nota e por a justificar. Este baralhou-me o esquema, pois penso que não atinge o 7,5 do branco nem os 6 do rosado. Entre uma coisa e outra, puxo-o para cima.
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É um vinho feito com castas tradicionais, no caso aragonês, touriga nacional, jaen e alfrocheiro. É justo, não sendo complexo também não é óbvio. Na boca mostrou-se elegante, com um final médio. Nada enjoativo no nariz, onde sobressaíram as notas a chocolate preto.
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Origem: Beira Interior
Produtor: 2.5 Vinhos de Belmonte
Nota: 7,5/10

domingo, janeiro 01, 2012

Novidade do ano


O ano que agora começa quer acabar-nos com a vida, troicar-nos a vida por cá e acabar com o mundo. Dizem os mais, o Nostradamus, o vidente da aldeia, quatro profetas anónimos e uns quantos adivinhos famosos, que a vinte e um de Dezembro será o fim! Falam no Diabo, nas forças do mal, mas nisso não acredito. Seja como for, neste ano vou convidar algumas pessoas a escreverem no infotocopiável e no joaoamesa… em português de dois mil e onze ou já com o acordo ortográfico, com liberdade total, em torno do tema vinho. Até já, se o mundo não acabar antes do previsto.
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Nota: Pintura de Neal Beggs.