terça-feira, Agosto 31, 2010

Vinho e astronomia

Há vinhos estratosféricos, pelo menos no preço. Há vinhos doutro planeta. Até vinhos do outro mundo. Portanto, há ligações entre o vinho e a astronomia.
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Bem, esta é apenas uma brincadeira para introduzir um tema que me parece interessante e que, se fosse em Portugal, gostaria de experimentar: a harmonização entre o vinho e a astronomia. Essa é a ideia da Astrovitis, empresa que me contactou.
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Para já, as acções estão restritas ao Brasil... o espaço visto da parte debaixo do mundo é diferente. Se lá podem harmonizar o vinho com o Cruzeiro do Sul, deviam vir a Portugal exemplificar com a Ursa Menor.
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Os cursos são ministrados por uma enóloga e um astrónomo. A iniciativa culmina com um jantar, pois estava-se mesmo a ver. Fico à espera que organizem uma «festa» em Portugal.

quinta-feira, Agosto 19, 2010

O melhor bolo de chocolate do mundo

Farto-me de rir (irritado q.b.) quando me vêm dizer que a coisa é a melhor do mundo. Perdoo nas conversas informais, mais ou menos sérias. Aprovo na paixão ingénua. No deslumbre da coisa nova. Não tolero no auto-elogio.
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Registar um bolo de chocolate como o melhor do mundo pode ser um bom número de marketing. Mas maior é a parolada de tal afirmação. Só acredita o patego, o crédulo estúpido, o ignorante distraído.
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O «melhor bolo de chocolate do mundo» é banalíssimo, desinteressante, desimaginativo. É uma fraude. É ridículo. É parolo. É estúpido. Nem para saciar a fome de açúcar é competente.
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Podem afirmar ser o melhor bolo de chocolate do mundo, mas não deixará de ser uma acusação injusta e infundada. Prefiro o bolo de chocolate do Pingo Doce.

quarta-feira, Agosto 18, 2010

Vallado Moscatel Galego 2009

Numa apreciação geral, gostei bastante deste vinho. Descomplicado, prazenteiro. Não original. Não surpreendente. Mas... ainda... coisa rara. A casta ainda não anda gasta. Bem sacado.
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Gostei da casca de laranja do aroma. Na boca gostei da secura. Apreciei a presença mineral. Não gostei da acidez, desiludiu-me.
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Foi bem com polvo salteado em azeite, acompanhado por amêijoas. Foi bem com o injustamente acusado de ser «o melhor bolo de chocolate do mundo».
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Origem: Douro
Produtor: Quinta do Vallado
Nota: 6/10

terça-feira, Agosto 17, 2010

5 grandes velhos Dão e outro nem tanto

Chegou, finalmente, o momento de terminar o rol de vinhos apresentados, provados e bebidos no The next big thing. Para fechar com chave de ouro, apresentam-se vinhos com idade (e jovialidade), brancos e tintos.
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Todos eles produzidos no Centro de Estudos Vitivinícolas do Dão, em Nelas... não sei onde se guardam, mas se soubesse forçaria a fechadura para trazer alguns para mim.
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Começo pelos brancos: 1980 (nota 6), o mais fraco dos antigos. Mostrou algum cansaço, mas ainda dá prazer. 1992 (nota 8) revela evolução, mas mantém características florais, minerais e algum verniz, na boca mineralidade e toque doce. 1971, orgásmico (nota 9). Aromas evoluidos, mas com flores ainda na pradaria, mineral, alfarroba, chocolate negríssimo, avelã, fresco, seco, cítrico, muito elegante.
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Agora os tintos: 1971 (nota 8,5) revelou cera e bolacha, mas também frescura, na boca seco, com finura ácida, madeira, muito elegante. 1970, orgásmico (nota 9)... mogno, cera e um pouco de verniz, caramelo, alfarroba. Boa acidez, grandes taninos, grande final de boca!
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Um caso á parte: quase duplo orgasmo (9,5), a colheita de 1963. Que cor! Que jovialidade. Revelando aromas intensos, frescos, ervas, alfarroba, alcaçuz, caramelo, ameixa preta em passa. taninos generosos, acidez fantástica. Final de boca de sonho. Quero mais!

segunda-feira, Agosto 16, 2010

Quinta da Falorca Garrafeira 2003

Mais um belo vinho do Dão, feito com touriga nacional (70%) e alfrocheiro (30%). Notou-se alguma evolução... resina... floral, mineral, pontuado com alguma fruta madura. Apreciei.
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Origem: Dão
Produtor: Quinta da Falorca
Nota: 7,5/10

domingo, Agosto 15, 2010

Flor das Maias 2007

Mais um belo vinho do Dão! Feito com touriga nacional (85%), alfrocheiro e tinta roriz. No nariz aparece erva e fruta vermelha. Na boca, compota de frutos vermelhos. Fácil de se gostar. taninos bem presentes e boa acidez. Grande final.
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Origem: Dão
Produtor: Quinta das Maias (Quinta dos Roques)
Nota: 8/10

sábado, Agosto 14, 2010

Torre de Tavares Jaen 2007

Pois se gostas… isso encanta-me! É 100% jaen. Estagiou um ano em barricas de carvalho francês (70%) e americano (30%). Primeiro, achei-o um pouco químico, mas foi embate brevíssimo. O aroma ficou mais consistente e complexo: Erva, caruma, laranja, terroso e chocolate preto. Taninos cheios de vida e personalidade. Grande promessa.
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Origem: Dão
Produtor: Casa Tavares de Pina
Nota: 8/10

sexta-feira, Agosto 13, 2010

Terra de Tavares Reserva Tinto 2006

Para não beneficiar este produtor com muitos textos (para mais foi o organizador do The next big thing), vou só escrever um texto sobre um reserva, neste caso o de 2006. Darei, contudo, as notas atribuídas aos de 2003, 2005 e 2007… os quatro anos mostraram grande regularidade, embora tenha tido uma maior preferência ao de 2006. Todos receberam nota 7,5. Por isso, devia escrever três textos, mais o outro que há-de vir amanhã. Mas o que é mais, é demais. Fiquemos por um reserva.
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O ano de 2006 foi dado como perdido no Dão. Foi complicado. O produtor desacreditou… mas com o tempo veio a surpresa. A coisa ficou bem no retrato. Fez-se em partes iguais de touriga nacional e jaen, as castas da predilecção (ao que consta) de João Tavares de Pina.
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O nariz é complexo, com a presença de menta, flores e fruta vermelha. É adstringente, muito. Boa acidez, bom final. Guloso na boca, com notas de chocolate (muito) preto.
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Origem: Dão
Produtor: Casa Tavares de Pina
Nota: 7,5/10

quinta-feira, Agosto 12, 2010

Casa de Mouraz Private Selection 2006

Este vinho conheceu um ano de barrica (80%) e estágio em cuba de inox (20%). As castas são muitas, porque as vinhas velhas andam baralhadas... touriga nacional, jaen, água santa... tem taninos bem presentes, polidos e elegantes. O nariz é complexo, um prado de vários aromas vegetais, flores e chocolate.
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Origem: Dão
Produtor: Casa de Mouraz
Nota: 7/10

quarta-feira, Agosto 11, 2010

Quinta da Bica Reserva Tinto 2005

Gostei mais deste do que o seu irmão um ano mais velho, embora conheça o mesmo estilo, o que é bom para saber ao que se vai. Mostrou-se fresco no nariz, com erva cortada, mas também notas de madeira. Mostrou bons taninos e acidez.
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Origem: Dão
Produtor: Quinta da Bica
Nota: 7/10

terça-feira, Agosto 10, 2010

Quinta da Falorca Reserva Tinto 2004

Tem quase tudo o que o Dão tem para dar e fez-se com touriga nacional (60%), alfrocheiro e tinta Roriz. Conheceu madeira, 50% já usada. É guloso, com compotas e chocolates. Taninos bem temperados.
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Origem: Dão
Produtor: Quinta da Falorca
Nota: 7,5/10

segunda-feira, Agosto 09, 2010

Lagar de Darei Grande Escolha Tinto 2004

Este apaixonou-me! Que revelação. Parece que foi feito para mim, para a minha boca, nariz, sensibilidade e estado de espírito. É mesmo como eu gosto. Taninos fantásticos, robustos, imperiais. Que acidez!... Grande final de boca. Promete vir a ser um grande Dão daqui por uns anos (já o é).
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Origem: Dão
Produtor: Lagar de Darei
Nota: 9/10

domingo, Agosto 08, 2010

Lagar de Darei Reserva Tinto 2005

É talvez dos vinhos com melhor relação entre facilidade e carisma deste produtor. Mostra-se muito fresco no nariz, com nota também de fumo. Os taninos enchem a boca toda. A acidez faz-se presente. Apesar do que escrevi acima, penso ser muito fácil de agradar, haja comida certa para lhe dar. Acompanhará bem um bacalhau com broa.
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Origem: Dão
Produtor: Lagar de Darei
Nota: 7/10

sábado, Agosto 07, 2010

Quinta da Fonte do Ouro Reserva Tinto 2008

Este é talvez o mais diferente dos vinhos do Dão que provei durante o The next big thing. Isso não é nem bom nem mau, é apenas isso, diferente. Achei-o mais alinhado com a moda, dos doces e compotados. Porém, tem a região lá dentro.
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No nariz revela fruta madura, fumo, frescura. Os taninos têm personalidade e a acidez é boa. Gostei do final. É muito fácil de se gostar.
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Origem: Dão
Produtor: Quinta da Fonte do Ouro
Nota: 7/10

sexta-feira, Agosto 06, 2010

Quinta dos Roques Garrafeira 2003

No nariz mostra couro e madeira pouco fumada. Tem boa acidez e bom final. Taninos com personalidade e frescura. Muito fixe!
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Origem: Dão
Produtor: Quinta dos Roques
Nota: 8/10

quinta-feira, Agosto 05, 2010

Lagar de Darei Grande Escolha Branco 2009

Mais um vinho com grande potencial de evolução. Bebam-no agora, guardem outras para diferentes anos. As castas são as tradicionais: encruzado, bical, malvasia fina, cercial e verdelho. O nariz mostra-se floral, mas com alguma fruta tropical (felizmente sem qualquer exuberância, só tempero) e fumo. Fermentou em balseiros e estagiou em barricas de carvalho francês. Na boca é algo doce, com notas suaves de maracujá.
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Origem: Dão
Produtor: Lagar de Darei
Nota: 7/10

quarta-feira, Agosto 04, 2010

Quinta dos Carvalhais Único 2005

O nariz revela notas de madeira, de casca de árvore não verdosa, seca… ocorre-me sobreiro… o que quer dizer carvalho, pois ambas são quercus. Revela ainda fruta vermelha madura. Na boca revela-se elegante, com compota e fumo.
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Origem: Dão
Produtor: Quinta dos Carvalhais (Sogrape)
Nota: 7/10

terça-feira, Agosto 03, 2010

Quinta da Vegia Reserva 2007

Este conheceu cinco meses de madeira (carvalho francês usado) e não se lhe nota falta de mais. Alguma outra por lá anda, mas veio dos taninos. Nariz complexo, floral, compota de cereja, folha de chá e, pasme-se, granito… e não é que o berço das uvas é mesmo desta rocha vulcânica?!... A mineralidade prossegue na boca, acompanhada pela compota e chocolate. Muito gastronómico, taninoso forte, boa acidez… vai dar que falar, há-de, há-de…
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Origem: Dão
Produtor: Casa de Cello
Nota: 8/10

segunda-feira, Agosto 02, 2010

Quinta do Perdigão Touriga Nacional 2006

Floral como as tourigas do Dão sabem ser. Mostra fumo ligeiro e muita mineralidade. Taninos elegantes e boa acidez. Revela-se um pouco doce, de fruta, na boca, nomeadamente ameixa preta.
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Origem: Dão
Produtor: Quinta do Perdigão
Nota: 8/10

domingo, Agosto 01, 2010

Vinha Othon Reserva 2006

Fresco, mineral, com notas de couro, flores e alguma baunilha. Na boca mostra compota de ameixa preta e alguma cereja. Taninoso, elegante, com boa acidez e bom final. Fez-se com as uvas de uma vinha velha, com cerca de um hectare, de 60 anos, onde pontuam a tinta Roriz, o alfrocheiro, a jaen e a touriga nacional. Estagiou nove meses em barricas de carvalho americano.
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Origem: Dão
Produtor: Vinha paz
Nota: 8/10