domingo, fevereiro 28, 2010

Visconde de Salreu 1933

Aqui está uma grande revelação e um dos tesouros da cave do Hotel Mundial, em Lisboa. Um vinho em plena forma física e a prometer mais anos olímpicos, tal é a sua saúde.
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É um velho Colares, um Colares à moda antiga. Bons taninos, boa acidez, cheio de charme e aristocracia. Impositivo, autoritário na sua elegância. Grande consistência.
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Na cor está nos tons da tintura de iodo. Na boca revelam-se taninos com grande personalidade, mas bem polidos, está bem aveludado. Com uma notável acidez, final longuíssimo. Nariz complexo onde sobressai o alcaçuz (obrigado Luís Antunes, é isso mesmo), uma planta leguminosa que dá sabor doce e acre (juro), fazendo parte das míticas gomas de mascar de cor preta (geração de plástico, bem sei).
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Origem: Colares
Produtor:Grandes caves Visconde de Salreu – D. J. Silva
Nota: 9/10

Serceal 1910

Conheci este vinho numa visita e almoço no Hotel Mundial, em Lisboa. Foi apresentado como aperitivo e servido também com a sobremesa, demonstrando uma grande polivalência.
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É um vinho requintado, este néctar que veio sem marca, coisa que até os responsáveis do hotel desconhecem. Sabe-se apenas que é um serceal.
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No nariz revela-se algum verniz, sem qualquer abuso, e muito mel, fica bem temperado e equilibrado, com a complexidade dos vinhos velhos. Na boca é muito doce, sem ser açucarado, mas com final seco e prolongado. É sedoso.
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Origem: Madeira
Produtor:
Nota: 8,5/10

Quinta de Pancas Reserva 2007

Este tinto de 2007 é, para mim, o melhor néctar que bebi desta quinta estremenha. Fiquei deslumbrado com o resultado final.
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É um vinho com um bom corpo, com taninos com personalidade e acidez bem presente. Dentro de quatro ou cinco anos vai dar espectáculo. No presente dá muita satisfação.
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Bem equilibrado no nariz, com notas de especiarias, notas verdes, finura no pimento, guloso com sua fruta vermelha. espelha bem as castas que o fazem: merlot (60%), touriga nacional (30%) e cabernet sauvignon (10%).
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O vinho foi mostrado ao público na cerimónia que apresentou o actor Virgílio Castelo como embaixador da marca. O autor deste blogue tomou conhecimento deste vinho no âmbito dum almoço organizado pela empresa de comunicação da empresa.
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Origem: Regional Lisboa
Produtor: Companhia das Quintas
Nota: 7/10

domingo, fevereiro 21, 2010

Vin de Merde

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Não é só em Portugal que os vitivinicultores inventam nomes idiotas para vender os seus produtos e que deviam querer valorizar. Aliás, é moda mesmo e não acontece apenas no mundo vinhateiro. Os produtores pretendem com a inversão do sentido de marketing captar consumidores. Com efeito, atraem os olhos para os rótulos, mas não deixam de se cobrir de ridículo nem de desvalorizar o produto. Neste caso, o produtor agarrou na ideia negativa dos vinhos do Languedoc e colocou-lhe uma marca a condizer com a percepção do mercado. Por mim, que já cá ando há uns anos, direi que a coisa só atingirá uma gama de público baixa e onde impere a boçalidade. Quanto ao vinho, não lhe conheço crítica.

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Nota: Espero que percebam francês e entendam o sotaque sulista do Languedoc. Infelizmente não sei legendar a coisa.

segunda-feira, fevereiro 15, 2010

Primeira Paixão Verdelho 2008

O Primeira Paixão é paixão à primeira vista. Trópicos diferentes, menos enjoativos, mas bem presentes: maracujá, abacaxi, lima e ainda menta. Refrescante e retemperador.
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Origem: Regional Madeirense
Produtor: Paixão do Vinho
Nota: 7/10

domingo, fevereiro 14, 2010

Prémios da Revista de Vinhos 2009

A Revista de Vinhos entregou, na última sexta-feira, em Lisboa, os seus prémios para o sector do vinho, referentes a 2009. Esta foi a decima terceira vez que se realizou a cerimónia, e acontece depois de se assinalarem 20 anos de existência.
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O evento juntou 900 pessoas na arena do Campo Pequeno, tendo o jantar sido servido por Vítor Sobral. Nota positiva para a eficiência do serviço, com boa coordenação, com rapidez, o que permitiu que a comida chegasse quente a todas as mesas.
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Sob o caleidoscópio da cúpula da praça de touros foram sendo entregues os diplomas e troféus do mundo dos vinhos portugueses, resultado dum ano de provas e visitas a adegas e vinhas. Este ano foram distinguidos 112 vinhos com o diploma dos melhores vinhos de cada região, e34 brindados com o prémio excelência. Além dos vinhos, foram também homenageadas personalidades do sector.
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Produtor revelação: Solar dos Lobos
Produtor do ano: Vinhos Dona Maria
Adega Cooperativa: CARMIM
Empresa: Fundação Eugénio de Almeida
Empresa de vinhos generosos: Symington Family Estates
Enólogo: Jorge Moreira
Enólogo de vinhos generosos: Luís Sottomayor
Viticultura: Associação Portuguesa para a Diversidade da Videira
Organização vitivinícola: Instituto dos Vinhos do Douro e Porto
Enoturismo: Casa das Pipas – Quinta do Portal
Garrafeira: Club del Gourmet – El Corte Inglès
Loja gourmet: Delidelux
Restaurante: Alma
Restaurante de cozinha tradicional portuguesa: Salsa & Coentros
Escanção: José Carlos Santanita
Prémio especial de gastronomia: Aimée Barroyer
Prémio especial de carreira «senhor vinho»: George Sandeman
Campanha publicitária: Murganheira (agência Diver Option)

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Prémios de excelência:
Ázeo Douro Reserva tinto 2007
Cabriz Four C Dão tinto 2007
CV – Curriculum Vitae Douro tinto 2007
Dalva Golden White Porto Colheita branco 1952
Dona Maria Regional Alentejano Reserva Tinto 2006
Dow’s Porto Vintage 2007
Dúvida Regional Alentejano tinto 2005
Encontro 1 Bairrada tinto 2007
Fonseca Porto Vintage 2007
Graham’s Porto Vintage 2007
Grande Rocim Regional Alentejano Reserva tinto 2007
Herdade dos Grous Regional Alentejano Reserva tinto 2007
Messias Porto Colheita 1963
Muros de Melgaço Vinho Verde Alvarinho branco 2008
Obsessão Regional Alentejano tinto 2004
Paço dos Cunhas de Santar Vinha do Contador Dão branco 2008
Pintas Douro tinto 2007
Poeira Douro tinto 2007
Quinta da Gaivosa Vinha de Lordelo Douro tinto
Quinta da Gricha Douro tinto 2007
Quinta das Bágeiras Bairrada Garrafeira tinto 2005
Quinta das Tecedeiras Douro Reserva tinto 2007
Quinta de Soalheiro Vinho Verde Alvarinho Reserva branco 2007
Quinta do Crasto Vinha da Ponte Douro tinto 2007
Quinta do Crasto Vinha Maria Teresa Douro tinto 2007
Quinta do Infantado Reserva tinto 2007
Quinta do Monte d’Oiro Regional Lisboa Reserva tinto 2006
Quinta do Noval Porto Vintage 2007
Quinta do Ribeirinho Pé Franco Regional Beiras tinto 2007
Quinta do Vale Meão Douro tinto 2007
Quinta do Vesúvio Porto Vintage 2007
Robustus Douro tinto 2005
Scala Coelli Regional Alentejano tinto 2007
Taylor’s Porto Vintage 2007

sábado, fevereiro 13, 2010

Bocca

Morada: Rua Rodrigo da Fonseca 87 D - Lisboa
Telefone: 21 380 83 83
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Que bem comi no Bocca!... Alguns pratos vão, com certeza, perdurar nas papilas gustativas da minha memória. Fui muito bem recebido. O serviço foi impecável e simpático, atento e cortês.
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Cheguei lá com o amigo VC, que me aguardava com um copo de Hendrick’s tónico, que só foi pena não vir frutado com pepino. Adiante, que isso é pormenor. A carta de vinho é bem fornecida, com preços equilibrados e desencentivando os lugares-comuns dos menos interessantes.
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Na mesa escolhemos o menu de degustação, sendo que o meu chegou com duas diferenças, devido à minha intolerância a peixe fresco (e a quase todos dos não frescos também).
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Por ordem de chegada e com brevíssimas notas: carpaccio de pato mudo (ligeiramente doce, mas sem estragar o efeito na boca); boletos salteados com creme de aipo (trufado e delicioso, o meu coração, estômago e mente entregaram-se a este prato); fois gras salteado com tarde te manga, caviar de cacau e redução de ginja d’ Óbidos (não apreciei muito o cacau ali no meio, mas o conjunto estava delicioso); algodão doce com raspas de erva que desconheço (um limpa boca, deste não gostei mesmo nada, aliás, a única coisa); bochecha de porco preto estufada em vinho tinto, grelos salteados e maçã reineta (ui, ui, ui… bateu-se arduamente como o melhor prato da noite com o creme de aipo… fantástico); a sobremesa foi um sortido de doces da casa, em que destacou o coulant de chocolate.
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Os vinhos e suas combinações impecáveis, com a excepção do Moscatel de Setúbal servido com as sobremesas, que ficou claramente abaixo da qualidade dos restantes vinhos e dos pratos.

sábado, fevereiro 06, 2010

Visita a Vale d'Algares

Levaram-me e trouxeram-me. Ainda bem, porque depois de almoço, e à conta do vinho de colheita tardia, estava impróprio para conduzir. Ainda atinado provei os vinhos da jovem casa de Vale d’Algares.
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A quinta e a adega situam-se em Vila Chã de Ourique, na denominação Cartaxo… que é como quem diz, na região demarcada do vinho a martelo. Se o Ribatejo não tem boa fama, o Cartaxo dá cadastro. Quem ali produz tem, assim, de lutar contra o preconceito do mercado. Cientes disso, os políticos do vinho mudaram as denominações ribatejanas para uma mais abrangente e com reputação por manchar, Tejo.
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A casa vive sobretudo das vendas para o estrangeiro, pelo que a reputação do vinho do Cartaxo não faria grande mossa. Porém, mesmo por cá, o esforço para a qualidade tem sido reconhecido pelos enófilos, e algumas casas ribatejanas estão a ter o sucesso que merecem. Vale d’Algares é uma delas.
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Vale d’Algares é um projecto que passa também pela criação de cavalos, azeite e hotelaria (hotel em construção) e turismo. O embrulho faz-se com papel bonito. O projecto assenta na juventude (o enólogo tem 28 anos – já se sabe que ninguém tem 28 anos), na boa apresentação (bom nome e reputação) e na qualidade (e surpresa também).
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O produtor tem tês gamas: na entrada estão os Guarda Rios (branco, tinto e rosé), a meio os Vale d’Algares Selection (branco e tinto) e, no topo, o Vale d’Algares Branco (o tinto tem a saída à espera de melhor momento, em termos de evolução e prontidão). À parte está o colheita tardia, elaborado apenas com uvas viognier. Recentemente surgiram duas novidades: os D (de devaneio), branco e tinto. Não são para completar a gama de oferta, mas para evidenciar produção que se destaca, pela qualidade e diferença.
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Não conheci maus vinhos nesta casa. No entanto, não há uma tábua que os ponha todos ao mesmo nível. Estranho seria se não houvesse uns melhores do que outros. Não posso dizer que os tintos são mais interessantes que os brancos, não há um claro bimorfismo (ficou bem esta palavra, não ficou?) das produções. O Colheita Tardia, o Guarda Rios Branco, o Vale d’Algares e o D tinto estão além. A meio (alto) os restantes.
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Em texto seguintes irei apresentar alguns dos vinhos provados na adega, sendo que outros, anteriormente experimentados, têm escrita anterior neste blogue. Antes de me despedir, por agora, refiro que foram bebidos no âmbito duma visita organizada pela empresa de comunicação de Vale d’Algares.

Vale d’Alagres D Tinto 2007

Este é um vinho afrancesado, ou mesmo um francês imigrado em Portugal. Em França seria das Côtes du Rhône, por cá é do Ribatejo, classificado como Regional Tejo, nova denominação duma tradicional região vinhateira.
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Então é assim: Noventa e tal por cento de sirah e a parte restante de viognier. Nele se nota a fruta vermelha e a madeira. Aprovado!
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Origem: Regional Tejo
Produtor: Vale d’Algares
Nota: 7/10

Vale d’Algares Selection Tinto 2007

Aqui está um vinho interessante e que me causou alguma supresa, pois tomei-o como tendo touriga franca e dela nada existe no lote. Lá estão antes a touriga nacional e o internacional merlot. Fruta vermelha presente, sem enjoos, e madeira.
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Origem: Regional Tejo
Produtor: Vale d’Algares
Nota: 6,5/10

Vale d’Algares D Branco 2008

Este vinho fez-se com a casta minhota alvarinho e o resultado é bem interessante, com frescura, com algum tropicalismo, sem exageros nem enjoos. Gostei!
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Origem: Regional Tejo
Produtor: Vale d’Algares
Nota: 6,5/10

Guarda Rios Rosé 2009

Provei-o a sair, saidinho, de pronto. Fresquinho, ainda chapinhava, como se fosse sardinha acabada de pescar. Estamos no começo de Fevereiro e a colheita é a de 2009. Tempo sobejo para vender tudo antes de chegar ao mercado… está mesmo a ver-se.
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Este vinho leva, empatado com o Redoma Rosé 2006 (provado em 2007), a nota mais alta que dei a um rosado.
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Então e porquê? Porque é uma surpresa boa, que me causou espanto. É apetitoso com o seu ataque de groselha e morango, que vai revelando framboesas. Porém, na boca não é doce, é saciante. Final de aplaudir.
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Origem: Regional Tejo
Produtor: Vale d’Algares
Nota: 6/10