Levaram-me e trouxeram-me. Ainda bem, porque depois de almoço, e à conta do vinho de colheita tardia, estava impróprio para conduzir. Ainda atinado provei os vinhos da jovem casa de Vale d’Algares.
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A quinta e a adega situam-se em Vila Chã de Ourique, na denominação Cartaxo… que é como quem diz, na região demarcada do vinho a martelo. Se o Ribatejo não tem boa fama, o Cartaxo dá cadastro. Quem ali produz tem, assim, de lutar contra o preconceito do mercado. Cientes disso, os políticos do vinho mudaram as denominações ribatejanas para uma mais abrangente e com reputação por manchar, Tejo.
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A casa vive sobretudo das vendas para o estrangeiro, pelo que a reputação do vinho do Cartaxo não faria grande mossa. Porém, mesmo por cá, o esforço para a qualidade tem sido reconhecido pelos enófilos, e algumas casas ribatejanas estão a ter o sucesso que merecem. Vale d’Algares é uma delas.
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Vale d’Algares é um projecto que passa também pela criação de cavalos, azeite e hotelaria (hotel em construção) e turismo. O embrulho faz-se com papel bonito. O projecto assenta na juventude (o enólogo tem 28 anos – já se sabe que ninguém tem 28 anos), na boa apresentação (bom nome e reputação) e na qualidade (e surpresa também).
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O produtor tem tês gamas: na entrada estão os Guarda Rios (branco, tinto e rosé), a meio os Vale d’Algares Selection (branco e tinto) e, no topo, o Vale d’Algares Branco (o tinto tem a saída à espera de melhor momento, em termos de evolução e prontidão). À parte está o colheita tardia, elaborado apenas com uvas viognier. Recentemente surgiram duas novidades: os D (de devaneio), branco e tinto. Não são para completar a gama de oferta, mas para evidenciar produção que se destaca, pela qualidade e diferença.
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Não conheci maus vinhos nesta casa. No entanto, não há uma tábua que os ponha todos ao mesmo nível. Estranho seria se não houvesse uns melhores do que outros. Não posso dizer que os tintos são mais interessantes que os brancos, não há um claro bimorfismo (ficou bem esta palavra, não ficou?) das produções. O Colheita Tardia, o Guarda Rios Branco, o Vale d’Algares e o D tinto estão além. A meio (alto) os restantes.
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Em texto seguintes irei apresentar alguns dos vinhos provados na adega, sendo que outros, anteriormente experimentados, têm escrita anterior neste blogue. Antes de me despedir, por agora, refiro que foram bebidos no âmbito duma visita organizada pela empresa de comunicação de Vale d’Algares.