Merece alguma estranheza o trabalho sobre os vinhos tintos de topo do Alentejo, incluíndo classificados como regionais, apresentado na edição de Outubro da Revista de Vinhos. A publicação apresenta 60 vinhos com as devidas nota de prova, sobre as quais nada tenho que apontar ou duvidar. O que me causa estranheza é a ausência de alguns tintos, como o Pêra Manca ou o Altas Quintas Reserva, e a presença de vinhos que sendo topo de gama do produtor não são do mesmo campeonato doutros em disputa.
A isto tudo sobrevém uma suspeita comercial, que é a a intrigante bola que a revista coloca a indicar a melhor compra. Porquê? Jornalisticamente é muito arriscado, senão mesmo condenável, afirmar o certo e o errado.
Na verdade, há segundos vinhos, e até terceiros, de algumas casas melhores do que primeiros de outras, mas talvez se deva compreender esta prova por incluir apenas os primeiros vinhos das casas. É um critério! É um pouco tonto, mas é um critério! Mas então, por que aceitar a presença do Cartuxa? O Pêra Manca ficou de fora e entra o segundo vinho? Não tem lógica! Bem, o Pêra Manca não sai todos os anos, mas a nota introdutória do texto admite a possibilidade de envio de vinhos de anos diferenciados, não havendo a imposição dum ano em concreto. Portanto, não há lógica. O problema está, certamente, em que a Revista de Vinhos não se quis dar ao trabalho de comprar ou de tentar encontrar no mercado uma garrafa de Pêra Manca como faz o comum mortal, por motivos de custos, de preguiça ou de princípio. Assim, prestou um mau serviço aos leitores.
14 comentários:
Caro amigo, após ler este teu post e após a nossa conversa fui ler o artigo em causa. Concordo contigo em algumas coisas mas vou mais longe pois não estou dentro do ramo. Concordo contigo no "fizeram mal o trabalho", pois aceitaram vinhos de segunda a comparar com os de topo (dizem eles) na nota introdutória. No minimo retiravam de prova esses produtores (não podiam pois tem medo). Fizeram mal a meu ver, e unicamente a meu ver, pois acho o critério deste trabalho no minimo estupido. Se querem fazer um trabalho sobre os vinhos mais caros encontrados numa feira de vinhos de Hipermercado (em alguns hiper agora) aqui o temos... mas tenham a clareza de o dizer. Caso contrário, faltam o Pêra Manca em vez do Cartuxa como dizes, ou mesmo o Mouchão Tonel 3-4 (sim este é o topo de gama não o Mouchão). Não sou jornalista nem critico de vinhos, acho que no minimo deveriam seguir o mesmo critério para todos os produtores, não tem vinhos de topo para enviar não entram ou então o jornalista que pague para os meter. Isto sim seria um trabalho isento. Quanto às notas... olha eles lá sabem...
Já agora, temos é de arranjar uma garrafita de Grous e da Quinta do Mouro para afagar as mágoas.... eheheheh
Concordo plenamente. Aliás, não é a primeira vez que reparo em situações dessas. Vinhos que supostamente não entram em provas cegas, sendo colocados os segundos vinhos...Culpa, de quem será?
Antes de mais não vejo onde diz que a prova é apenas de topos de gama... vejo um Alentejo em grande forma, seguindo o texto encontro, cerca de 60 vinhos, ainda por cima quase todos topos de gama.
Afinal parece que os produtores é que se limitaram a enviar o melhor que tinham na altura, alguns certamente por política da casa não enviam os ditos Top, vejamos o Rótulo Dourado da Quinta do Mouro, o Esporão Torre, Pera Manca, António Maria, T da Terrugem, Baron B Reserva...
Tal como estes não aparecem, noutas provas lembro-me que outros não aparecem, nos Douro nunca vejo o Barca Velha e amigos, na Estremadura falha sempre algum Monte D´Oiro...
Que as coisas podiam ser melhores isso é uma verdade, mas a vontade falha para que lado, o produtor que não quer ver o vinho confrontado com a concorrência com possível medo de revelar o seu real valor... ou a revista que vai na conversa e deixa andar ?
Aá muitos interesses atrás de cada nota e de cada garrafa que surge na revista. Estou com o João, a coisa cheira a esturro.
Copo de 3 como é evidente o que lá está escrito é isso que escreveste, mas lendo esse mesmo parágrafo e lendo a introdução ve-se a intenção da prova, os grandes do Alentejo. Mas basta leres o editorial da revista para leres o que eu disse. Escreve a Luis Ramos Lopes; "com um painel de provas de vinhos tinto topos de gama". No próprio artigo no ponto 1: dizem "o vinho enviado não corresponderia exactamente ao topo de gama". Logo a podemos interpretar que a ideia era uma prova de «topos de gama», o que é certo é que aceitaram uns de segunda (atenção às interpretações, não sou eu que o digo) para comparar com outros de topo. Por isso estamos a criticar este mesmo trabalho.
O que está implícito no trabalho é a apresentação dos topos de gama, tanto que as empresas apresentaram os seu «número 1» e algumas os seus «número 2», que a Revista dos Vinhos aceitou.
No entanto, os melhores de uns nem sequer são comparáveis aos terceiros de outros.
É como se se organizasse uma corrida de Fórmula 1 em que alguns concorrentes apareciam de Fórmula 1, de facto, outros de kart e outros com belos carrinhos de esferas. O trabalho só é aceitável conceptualmente, não numa revista mensal e profissional.
Quanto há qualidade dos vinhos e das provas e notas nada há a apontar, apenas digo que o critério que esteve na origem do trabalho e a elaboração são tontos.
Mas temos de admitir que sabe sempre bem ver que vinhos que não topos de gama se portam melhor que muitos ditos Topos de Gama...
Copo de 3, sim isso é verdade, é sempre interessante ver os «David» derrotarem os Golias». No entanto, pergunto-me, nesta fase do campeonato, se a prova foi cega ou se, pelo menos, quem provou desconhecia por completo que vinhos estava a provar ou se, pelo contrário, conhecia o painel de prova e, dessa forma, estava já, de alguma forma, condicionado.
Por mim, não tenho razão nenhuma para duvidar nem da competência, nem do rigor nem da seriedade de nenhum dos jornalistas e provadores da Revista dos Vinhos, doutra forma nem compraria a revista. Todavia, este trabalho não foi feliz.
Olá a todos.
Começo por me apresentar. O meu nome é João Geirinhas e trabalho na RV.
Vim ter aqui através de uma pesquisa que faço regularmente para escrutinar o modo como os outros avaliam o meu trabalho.
Sobre a prova dos tintos alentejanos compreendo as vossas dúvidas mas não concordo com os comentários e rejeito as conclusões (apressadas) que alguns fazem.
Quando planificamos os Painéis de Prova, definimos logo o âmbito do mesmo: vinhos baratos, vinhos até 10 €, ou aquilo que chamamos «o melhor da região». Neste caso, é este o caso, começamos por identificar os produtores que achamos terem produto para entrar na prova e contactamo-los para enviar um vinho (só um por produtor!) que represente o melhor que a casa faz. A partir daqui o produtor pode não enviar nada (tem esse direito) ou a enviar um outro vinho que não é exactamente aquele que estávamos à espera. E explica porquê: ou o outro ainda não está “pronto”, ou foi engarrafado recentemente e não estará nas melhores condições, ou não tem uma colheita nova e a anterior já entrou em painéis anteriores ou ainda o nosso timing da prova entra em conflito com a estratégia de comunicação para o lançamento do vinho. Nesse caso normalmente propõe mandar outro em alternativa. E a revista aceita ou não conforme acha que esse substituto tem “cabimento” ou não na prova.
A partir daqui tudo é transparente: os vinhos que entram são para nós todos iguais e são todos provados em prova cega. Os resultados que são publicados são os resultados que cada um obteve, chama-se o vinho como chamar. Aqui não admito dúvidas sobre a honorabilidade das pessoas que fazem disto profissão há muitos anos.
Por último deixem-me dizer que estranho bastante que alguma dúvida metodológica que pudessem ter sobre os procedimentos da prova vos tenha embotado de tal forma o pensamento que passassem ao lado do que é essencial: foi uma grande prova, a melhor que até hoje fizemos sobre o Alentejo, na minha opinião, a melhor prova que até hoje vi sobre o Alentejo, revelando (ou confirmando) uma região com uma pujança e dinamismo absolutamente insuperáveis. Se isto não é um serviço aos leitores, ou não é «um bom serviço», então já não sei o que isso será.
Cordiais saudações
JG
Agradeço os esclarecimentos e desde já afirmo que não se pretendeu aqui ferir a honorabilidade de ninguém nem ferir o bom nome da Revista de Vinhos. O texto em causa pretende apenas espelhar a minha opinião pessoal sobre um trabalho nela inserido. Desejo todas as felicidades para a Revista de Vinhos. Com os melhores cumprimentos, João Barbosa
Agradeço os esclarecimentos e desde já afirmo que não se pretendeu aqui ferir a honorabilidade de ninguém nem ferir o bom nome da Revista de Vinhos. O texto em causa pretende apenas espelhar a minha opinião pessoal sobre um trabalho nela inserido.
A Revista de Vinhos é a mais importante publicação do sector dos vinhos em Portugal, pelo que tem responsabilidades acrescidas. Todo o trabalho é passível de crítica, até este (um obscuro blogue) que é amador e grátis. Aliás, os blogues são espaços de debate e de crítica bem mais aberta e frequente do que os espaços tradicionais de opinião, embora não sejam espaço de comunicação social, por mais que se possam reger por regras iguais, idênticas ou semelhantes. Por isso, o trabalho da Revista de Vinhos pode e deve ser alvo de crítica.
O trabalho que mereceu a crítica aconteceu por omissões de alguns vinhos emblemáticos da região em análise. Embora as explicações dadas ter cabimento do ponto de vista de quem edita, não o têm do ponto de vista de quem lê e aprecia. O que importa ao leitor que um produtor não tenha enviado uma amostra dum vinho se ele o pode encontrar nas garrafeiras? O vinho existe e merece ter uma opinião. Esse vinho pode escapar-se à crítica? Um vinho não é avaliado e passa impunemente? O leitor não tem o direito de saber a opinião dos críticos da revista que lê e acredita? Porque se não confiasse nos críticos da Revista de Vinhos e no trabalho em geral não a compraria!
Ora, é este o mau trabalho a que me refiro. Se não enviaram, a Revista de Vinhos devia ir ao mercado comprá-los, porque os leitores merecem saber o que se passa com esses vinhos. Aliás, não é nada de extraordinário nem original, pois a Deco Protesto fá-lo nas suas edições, pelo que me parece ser economicamente viável. Todavia, a questão nem é essa nem essa diz respeito aos leitores. A que importa é que o vinho existe e não tem crítica.
Quanto aos vinhos que sendo topo de gama e não constam por não estarem prontos, devia a Revista de Vinhos identificá-los, para que se evitassem as «tais» suspeitas, maquinações, teorias de vária ordem, todas elas prejudiciais para a Revista de Vinhos, produtores e consumidores/leitores.
Quanto a só se escolher um vinho por produtor só tenho a dizer que é um critério, mas que discordo em absoluto. Aliás, é bem notória a injustiça na edição de vinhos do Douro onde foi completamente apagado o Charme da firma Niepoort. Digam-me que o Charme não é um vinho topo de gama e reverei o meu conceito de vinho de topo. Parece-me que o conceito da Revista de Vinhos não faz sentido, porque há casas que têm mais do que um topo de gama. Por outro lado, há casas cujo topo de gama não o é. O topo de gama da FIAT não se compara ao pior dos Rolls Royce, dê-se a volta que se quiser à análise. E esta é a segunda parte do mesmo ponto e outro pilar da minha argumentação sobre o mau trabalho da Revista de Vinhos.
Quanto à questão da prova cega talvez não me tenha explicado bem. Não duvido que seja cega, questionei-me foi se seria cega, mas se os provadores conheceriam à partida o painel. Não quis nem quero ferir a honorabilidade de ninguém.
Desejo todas as felicidades para a Revista de Vinhos. Com os melhores cumprimentos, João Barbosa
Nem sei que responder. Nunca quis de maneira alguma por em causa "a honorabilidade das pessoas que fazem disto profissão há muitos anos" A prova, os resultados da prova não estão aqui em causa os critérios jornalisticos de aceitação dos vinhos para a prova é que estão. Ao reler comentários de quem é consumidor da revista assiduamente, até em dúvida meteram ser uma prova de vinhos de topo de gama. Eu não sou jornalista nem sequer trabalho para revista alguma, sou um consumidor de revistas e só bebo vinho. Até leio a revista desde o numero 0. Considero-a importante no panorama Português. O comentário que aqui pôs pretende justificar uma série de falhas do produtor mas olhe que não é Srº João Geirinhas.
O problema é do editor pois aceita essas justificações pois são mais baratas ou interessantes para a revista. Só tinha mesmo de retirar os vinhos de prova . Não o fez? ERRADO. Tem de assumir as criticas que lhe fizeram. O Senhor ou o seu editor... é indiferente para mim.
Os meus melhores cumprimentos e que a revista continue a ser isenta e imparcial.
Ok, vamos ver se nos entendemos.
Dizem que a revista fez mal quando decidiu aceitar alguns dos vinhos enviados. É uma opinião.
Quando alguém dizia que isso cheira a esturro e há interesses por detrás, já não é uma opinião, entramos no domínio da calúnia.
Eu pretendi esclarecer os critérios da prova para responder a esta. Por respeito aos leitores que estão de boa fé.
Bem, eu nunca disse que a prova cheirava a esturro. A afirmação é dum leitor desconhecido que se assinou como «provador anónimo». Espero que a minha opinião não fique confundida com a de tal leitor. Embora já a tivesse visto há mais tempo, não a desmenti, devido a desleixo da minha parte, pois não a subscrevo. Não faço processos de intenções acerca da Revista de Vinhos nem dos seus profissionais. Aliás, em comentários anteriores salvaguardei sempre o profissionalismo e a seriedade dos profissionais da Revista de Vinhos. Espero que esse ponto fique esclarecido.
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